Notas iniciais
Temos estado a desenvolver a história com um prazer enorme, escrever com Lolita me fez acreditar que valeu a pena ter esperado tanto tempo para ter um coautor.Temos pesquisado, inventado e criado a fic com imenso carinho. Agradecemos a quem ler e esperamos que gostem.Boa leitura,

Chovia calmamente, ela estava na multidão com sua túnica verde clara, todos a olharam. Era raro ver mulheres cobertas naquela região, os novos trajes deixavam umbigos de fora e parte dos seios a mostra.
Parada na entrada da muralha, uma senhora de idade com os cabelos brancos unidos numa longa trança, fez um sinal com as mãos enrugadas para que ela se aproximasse.

— Meu nome é Sarah e eu sou a enviada do meu Clã para o Labirinto. — disse convicta, não pestanejou sequer uma vez. Ao longo dos dias que caminhara até chegar aos montes Graanes, pensara se estaria a fazer o que era certo e várias vezes cogitou voltar para sua casa, mas algo bem lá no fundo lhe dizia para prosseguir.

A Professora baixou as lentes até ao seu nariz alongado, observando-a de baixo para cima com uma leve hesitação, em seguida confirmou com a cabeça, assumindo que ela poderia ser de Sophyá, o Clã das jovens Virgens que protegiam a beleza da lascívia masculina.

— Muito bem, coloque a sua mão nas pedras para vermos a luz do seu sangue Puro. — disse, obviamente ignorando o dever de verificar se as suas costas não estavam marcadas.

Sarah observou a mesa de madeira ao lado da Professora, colocou a sua delicada mão numa pedra branca que estava dentro de uma bacia de barro, e esta rapidamente ganhou cor. Era óbvio que ela tinha sangue Puro, pois pertencia mesmo a um Clã. Ela sorriu de alguma forma aliviada, temia ser descoberta antes de passar o labirinto. A Professora afastou-se para o lado, revelando uma porta atrás de si, a qual a jovem adentrou e foi parar num espaço como uma câmara de pedra, era fechado e escorria água cristalina pelas paredes. Havia bancos de madeira estrategicamente dispersos pelo lugar com o chão feito de areia batida. Ela caminhou em direção a outras garotas e se sentou distante delas enquanto sentia o olhar de todos sobre si.

— Sei que nunca viram uma mulher do meu Clã, isso me impede de participar? — questionou humildemente.

— Participar é simples, mas com o vosso ar arrebicado duvido que o labirinto lhe deixe chegar a lado algum. Não é digna de ser uma futura Rainha. — Azrael era de longe a mais bela do grupo, se destacava na pele branca como porcelana e nos cabelos pretos e sedosos. Ela, assim como muitas, olhavam diretamente para Sarah com um ar de superioridade.

— Quem tem que me achar digna, senhorita, é o Labirinto e nossa alteza, caso eu sobreviva. Sei que não sou a mais bela, porém essa não é a única qualidade necessária para se tornar uma rainha.
Os risos que antes tinham tomado conta do lugar, cessaram imediatamente. Todos sabiam que Azrael vinha de um dos Clãs mais poderosos do Reino e que era uma das candidatas ao título. Esta levantou-se, intimidando as restantes com a sua altura e seu corpo esbelto. — O labirinto de certeza não achará, e eu também farei o necessário para que não sobreviva.

— Boa sorte, senhorita. — disse olhando a mulher morena nos olhos.

— Não lhe desejarei o mesmo, com certeza. — Dito isto, Azrael se sentou com um sorriso escárnio em seus lábios, não desviou sequer um segundo os olhos daquela jovem díspar.
Sarah sorriu, sabia que sobreviveria, seu dom funcionaria a seu favor e seria divertido ver as expressões nos rostos da Família Real quando descobrissem a qual Clã pertencia.

Permaneceram caladas nos momentos seguintes, algumas estavam apreensivas pois teriam deixado muitas de suas histórias para poder participar do Labirinto e outras teriam sido forçadas pelos líderes de seus Clãs. Finalmente a chuva parou, e o sol como por magia ocupou o centro do céu avisando que era meio-dia. Do alto do lugar escutou-se um ribombar, e quando a última das candidatas entrou, sentando-se ao lado de Sarah, foi então anunciado o fim das Enviadas.

Ambas trocaram olhares e não tiveram tempo de falar sequer, visto que a Professora entrou acompanhada de dois homens altos e corpulentos, e que traziam várias correntes de ferro em suas mãos. Começaram a unir as candidatas em pares, e colocaram-nas em fila indiana em direcção a vários buracos que se abriam nas paredes de onde só se via a escuridão.

Sarah foi acorrentada com a última Enviada a chegar e ambas foram encaminhadas para uma das entradas do Labirinto.

— Sou Sarah e qual é o seu nome, senhorita?

— Illithya. — respondeu em meio a um gemido. Sarah não soube dizer se seria de medo ou de dor, e o lugar estava escuro demais para observar atentamente. Uma voz então soou do alto do labirinto e todas a reconheceram como sendo da Professora:

— Momentos negros e de dor se aproximam. O jogo consiste inteiramente na forma como farão para sobreviver. Poderá durar uma lua, ou meia tarde. Tudo dependerá da força de vontade das primeiras quatro a encontrar a saída. Lembrem-se, uma Rainha será majestosa, amável, corajosa e sábia! — No momento que a voz cessou, um frio estranho percorreu o lugar.

Sarah fechou os olhos e esperou a natureza começar a responder, seguiu o som do vento, puxando a outra concorrente por caminhos tortuosos e perdidos no negrume. A sua parceira gemeu novamente.

— Estás está bem? — perguntou Sarah.

Illithya permaneceu calada como se não quisesse contar, sabia que aquele não era o seu destino, nunca quisera estar ali.

— Deverá se livrar de mim caso não queira morrer, pois eu não estou disposta a jogar.

— Não a abandonarei, posso jogar por nós duas Illithya, caso guarde um segredo a meu respeito.

— Como poderia confiar seu segredo a uma estranha? Como sabe se não sou parte de uma estratégia? Deveria ter mais cuidado, senhorita. — advertiu, mantendo uma certa distância entre as duas. Não queria criar laços. — E como sei que o seu segredo não me prejudicaria? Atentarás contra a minha vida ao acaso?

— Não lhe faria mal algum. Ambas fomos jogadas aqui contra nossa vontade, além disso meu segredo não me impediria de participar, pois pertenço a um Clã e tenho sangue puro. — Sarah suspirou. Tentava fazer com que a jovem de cabelos encaracolados se sentisse bem, mas seus esforços pareciam em vão. — A decisão lhe pertence.

Illithya não se abalou, não compreendia o que aquela jovem de vestes estranhas teria para contar que fosse mais grave do que o seu segredo. Limitou-se a parar propositadamente para impedir Sarah de continuar, encostou-se a parede rochosa que se estendia a sua trás e fechou os olhos. Escutou um sibilar que de início pensou pertencer à Sarah mas quando abriu os olhos agora habituados a escuridão, seu coração gelou ao ver várias cobras deslizarem na direção de ambas.

— Só poderei ajudar se aceitar jogar comigo. — Sarah sussurrou, recuava devagar a procura de se distanciar mas a corrente impediu-a.

— Ao acaso será surda, senhorita? Por que insiste em me salvar quando lhe disse que desejo a morte? Vá, salve-se. Deixe-me como alimento das serpentes, não desejo chegar ao fim deste jogo. — enunicou, e por um momento duvidou de suas palavras quando viu os répteis se aproximarem mais.

— Agora ou nunca, essa é sua última chance! — Sentenciou Sarah a tentar puxá-la e não demorou a perceber que para além de teimosa, Illithya como todos de Orion, tinha o orgulho acima de qualquer coisa, e que esta também estava a ser de alguma forma egoísta uma vez que estavam acorrentadas, uma dependia certamente da outra até que descobrissem uma forma de se separar.
Sarah se mexeu, obrigando Illithya a se mexer também.

— Se quiser morrer, eu não vou junto. Até que se veja livre de mim, terá que sobreviver! — E puxou-a, começando a correr enquanto pensava como contornar a morte.

Notas finais
Aceitamos críticas, opiniões e comentários. Tudo na caixa abaixo.Obrigada,Damphyr & Lolita. " Muitos tem comparado a história a jogos vorazes e a seleção. Esquecendo que, tem mais histórias para além dessas. Foi facto de inspiração A história de Esther ( Príncipe e harém) e Maze Runner ( Na criação do labirinto). Obrigada. "
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.