Enfeitiçadas
2 Achado Não É Roubado
Notas iniciais
–E então, funcionou? – perguntou Alina ansiosa – eu estou invisível?
Ravena e Leslie arregalaram os olhos estupefatas. Sua amiga simplesmente havia desaparecido bem ali como se nunca tivesse existido . A única coisa que indicava a presença de Alina era a sua suave voz.
–Bom, pela cara que vocês estão fazendo eu suponho que tenha funcionado – disse a menina olhando para as sua mãos sem conseguir vê-las.
–Não acredito que isso funcionou mesmo – comentou Leslie esfregando os olhos – devemos estar quebrando uma cinquenta regras do grupo.
–Deixa de ser medrosa Less – resmungou Alina levantando-se – agora é tarde demais para voltar atrás. Me esperem aqui, eu volto em dez minutos.
–E se não voltar? – indagou Ravena.
–Credo criatura! – disse Alina – eu volto já ok? Esperem por mim.
Dito isso Alina Ross saiu correndo pela trilha da floresta que saia no fundo do colégio.
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O Armand Hammer College era o maior e mais renomado de toda a cidade de Berkshire no norte de Minneapolis, região mais fria dos EUA. Berkshire fora fundada a mais de 300 anos quando um grupo, em sua maioria mulheres solteiras e viúvas, seguidoras da grande mãe vieram fugidas das regiões próximas a Salem, onde a perseguição às bruxas se fez muito mais forte e violenta. Aqui, elas se estabeleceram cultivando as poucas plantas que conseguiam sobreviver no rigoroso clima da região e tecendo para as cidades vizinhas onde, ficaram muito conhecidas pelos seus primorosos trabalhos. E logo, o que era apenas uma um pequeno e inóspito vilarejo, tornou-se uma grande e próspera cidade atraindo famílias inteiras pela beleza gelada e misteriosa do lugar.
Apesar da chegada de tantos estrangeiros Berkshire nunca perdeu a sua essência formada por esses homens e mulheres que até hoje comandam secretamente a região com um pulso firme mantendo a tradição wicanna passada há diversas gerações.
Hoje, três séculos mais tarde uma jovem de cabelos ruivos se esgueirava pela mais antiga construção da cidade e tentava entrar sorrateiramente na sala dos professores onde, as provas do segundo bimestre estavam guardadas.
–Droga! – resmungou Alina baixinho constatando que a porta estava trancada. A aquela hora, quase seis da tarde o colégio já estava praticamente vazia e provavelmente apenas funcionários estariam circulando pelo local.
A menina não teve muito tempo para lamentar sua falha. Edith Holmes cruzou o corredor em passos calmos e incertos na direção da sala e destrancou a porta.
Edith Holmes era uma mulher muito idosa que trabalhava na biblioteca da escola e só não estava aposentada porque era avó da diretora do colégio. Não enxergava muito bem e usava estranhos aparelhos de ouvidos que Alina julgava estarem sempre quebrados, pois, sempre que chamavam a mulher, ela nunca ouvia. Apesar disso, a senhora Holmes era uma pessoa muito importante no Coven, onde seus conselhos eram sempre ouvidos.
Alina se apressou para entrar na sala antes que a mulher fechasse a porta e ficou observando para saber o que a mulher iria fazer.
Como sabendo que está sendo observada, a mulher deu uma olhada em volta de maneira intrigada fazendo com que a jovem prendesse a respiração. Depois, balançou a cabeça como quem espanta pensamentos ruins e voltou-se para procurar algo em uma prateleira.
–Ora, aí esta você sua malandrinha! – disse a idosa fazendo com que o coração de Alina desse um salto.
Porém, Edith não havia dito isso para Alina, mas sim para um pacote de amendoins escondido atrás de antigos livros.
Alina observou pasma a senhora Holmes sair da sala sacudindo o pacote de amendoins como se fosse um grande achado e trancando a porta atrás de si, deixando a jovem presa.
–Eu penso num modo de sair daqui quando achar as provas – disse Alina tranquilizando a si mesma e começando a procurar.
Depois de vários minutos de busca sem encontrar nem mesmo uma pista do paradeiro das provas a ruiva já estava se dando por vencida. Estava cada vez mais escuro e ela não poderia acender a luz para procurar sem chamar a atenção do zelador. Mesmo invisível não deveria correr certos riscos. Alguns dos funcionários da escola eram bruxos e pior, tinham os cinco sentidos funcionando corretamente, o que poderia complicar e muito a vida da garota.
–Pensa Alina, pensa – repetia – hum... talvez não sejam apenas os amendoins que ficam escondidos naquela prateleira.
E dizendo isso correu remexeu nos livros, procurando por algo mas, só havia alguns livros antigos.
Um deles chamou a atenção de Alina que curiosa, o pegou.
–Mas isso é... – disse a menina maravilhada.
De repente soaram passos no corredor, assustando a jovem que olhou ao redor procurando uma saída. A janela da sala estava entreaberta e Alina, ágil como um gato pulou, aterrissando no gramado e correndo para encontrar suas amigas.
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–Você conseguiu? – foi a primeira coisa que Leslie perguntou ouviu a voz ofegante de Alina.
–Espera – foi tudo que a ruiva disse enquanto se ajoelhava novamente no círculo e desfazia o feitiço.
–Você resolveu fazer suspense agora? — indagou Ravena levemente irritada – pegou ou não as malditas provas?!
Quando o feitiço fora desfeito e as cores retornaram ao seu corpo, a menina sorriu triunfante.
–Não, não encontrei.
–Isso era para ser uma boa notícia? – disse Ravena.
–As provas não importam meninas, eu achei algo bem melhor – respondeu Alina mostrando o livro.
–O que é isso? – perguntou Leslie confusa.
–Por favor, Less, vai me dizer que não sabe o que é isso – bufou Alina.
–Isso parece um grimório – disse a menina preocupada – mas não pode ser.
–Claro que pode – retrucou Alina – porque é um grimório.
–Onde conseguiu isso? – indagou Ravena.
–Na sala dos professores, entre os livros da senhora Holmes.
–Você roubou o grimório de uma Anciã?! – gritou Leslie alarmada.
–Ela nem enxerga – se defendeu Alina – não precisa dele.
–Você sabe que nós não temos idade para utilizar feitiços mais complexos – continuou Leslie – já foi errado você copiar o pergaminho do seu pai para ficar invisível. Isso que fez não tem perdão!
–Não banque a santinha agora Leslie Donovan – retrucou Alina enfurecida – você sempre participou de tudo.
–Tenho que concordar com a Less, Alina – assinalou Ravena – isso que fez é muito sério.
–Dane-se – disse Alina – nós nunca podemos fazer nada com nossas habilidades! Porque não podemos usar magia? Só porque algumas velhas chatas e ranzinzas dizem que não podemos?
–Elas são as sacerdotisas do coven Alina, — explicou Leslie – sabem o que é melhor. Quando formos maiores, teremos liberdade para usar a magia.
–Não me venha com essa Leslie, a Ravena é a loira aqui ela é quem deveria ser burra.
–Como?! – disse Ravena.
–Desculpe Rav – disse Alina — o que eu quero dizer é que vivemos num lugar cheio de hipócritas! Se menores não podem fazer feitiços completos porque Sophie e suas “amiguinhas” estão sempre usando magia para se dar bem?
–Porque ela é a filha do prefeito? – disse Ravena sarcasticamente – E o prefeito é o líder do Coven?
Leslie não disse nada. Alina ergueu uma sobrancelha.
–Exato. Todo mundo tem que fazer o que eles dizem só porque eles estão no comando. Ou pelo menos acham que estão.
–Bom, — interveio Ravena — eu sei que está muito feliz com o fato de encontrar o seu próprio grimório mas, ainda temos o problema as provas esqueceu?
–Pois é – disse Leslie – o tempo que gastamos roubar o feitiço e vir até aqui podíamos ter gastado estudando.
–Não se preocupem – disse Alina olhando o livro – até amanhã resolveremos este problema.
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