Enfastiado
1 Capítulo 1
É quarta-feira. Dois de outubro de dois mil e dezenove. Tem algo sobre como os números são quando escritos por extenso que me instiga. Não sei exatamente explicar o que é essa coisa, só sei que ela está lá. Ou aqui, quem vai saber. O caso é que é quarta-feira e o tédio que reina neste recinto é grande o suficiente pra engolfar qualquer um que ouse respirar o mesmo ar que eu.
Uma chuva fina e chata cai lá fora, me impedindo de poder andar pelo campus. Quem sabe, não fosse a chuva, o tempo pudesse passar mais rápido enquanto eu caminhasse por esta universidade enorme. Não que seja o maior dos campus onde já estive, mas é grande o suficiente pra me fazer parecer uma formiga a vagar por aí.
E a chuva fina molharia meu notebook, exatamente o que estou usando para escrever este monte de inutilidades. Não sei onde quero chegar com isto, tampouco me pergunto sobre. Ora essa, pra que me questionar sobre para onde ir quando já estou a meio percurso?
Não quero me estender, pois tenho preguiça e penso na possibilidade de proteger meu notebook com algo para que eu possa andar um pouco sob a chuva. Droga… Se ao menos eu não tivesse emprestado meu guarda-chuva para a menina do outro lado da cidade… Talvez eu não precisasse ficar aqui matando tempo enquanto ele me mata. É engraçado como as coisas são estranhas.
Estou aqui, pensando sobre como alguém pode se sentir inumanamente sozinho, mesmo cercado de gente. Eu mesmo me sinto assim, embriagado numa solidão ímpar e sesquipedal, aguardando pelo que quer que seja que me tirará do eterno tédio depressivo.
Às vezes me pergunto se algum dia realmente irei me livrar desses sentimentos e pensamentos estranhos. É tudo muito vago e estranho, assim como minha cabeça e eu. Se eu desenhasse, poderia desenhar como é se sentir sozinho dentro de mim mesmo, e ainda assim não faria sentido. Eu não faço muito sentido mesmo, afinal de contas.
Ainda está cedo e ainda estou entediado. Céus… O que eu não daria por um cigarro agora.
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