Enemies of Space - A Invasão
1 Introdução
Erik estava aterrorizado e tudo na sua frente parecia acontecer em câmera lenta. Gabriel e Lilith, assim como todos os outros, estavam atrás dele petrificados com a cena que marcaria a história da humanidade para sempre.
Na Rua Três Rios uma frota de soldados com trajes estranhos e futurísticos, portando armas high-tech, passava á passos largos e em fileiras perfeitamente organizadas, disparando raios lazer em tudo o que viam á sua frente. A cada disparo de arma uma explosão enorme ocorria e carros eram girados no ar e lançados em várias direções, causando pequenos focos de incêndio em alguns estabelecimentos espalhados pela rua.
Por um longo momento nenhum ruído era emitido. Erik conseguia sentir os pombos que alçavam voo dos postes, o barulho infernal de explosões, homens e mulheres correndo para algum lugar atrás dele, mas tudo isso sem nenhum som. O tempo pareceu parar por um breve momento e tudo perdeu sua cor. O estômago dele embrulhou causando um barulho nauseante e em seguida começou a suar frio e a tremer das pontas dos pés até a cabeça. O medo se tornara mais forte do que qualquer outra reação. Ele pensou sim em correr, procurar um lugar para se esconder, mas o choque e o terror surgiram com tamanha força que o cérebro não foi capaz de transmitir esses comandos para seu corpo. Então ele permaneceu imóvel pelo que pareceu uma eternidade.
O garoto sentiu uma mão agarrando seu antebraço e o puxando para trás, mas seus olhos não conseguiam deixar de olhar para frente, focalizando a destruição e as armaduras negras. A maioria das pessoas que tentavam fugir eram mortas com disparos certeiros em seus corações, enquanto outras corriam em variadas direções num reflexo automático de fuga. Elas gritavam e choravam vendo seus parentes, amigos ou colegas de trabalho sendo dizimados por humanoides de capacete com visor preto. Uma cena digna de filmes de invasão espacial.
Será que aquilo era mesmo real? – ele pensou enquanto um homem corria em chamas pela rua e era interceptado por um jato lazer que o atingiu na cabeça. Não poderia ser real. Apesar de presenciar aquilo, tentava acreditar que era apenas um sonho, como aquele que teve no dia anterior.
– Meu Deus do céu! – As palavras saíram como um sussurro.
Uma mulher com criança no colo corria desesperada. Mas a explosão de um caminhão de pequeno forte causou uma onda no ar que a atingiu e ela voou para frente ainda com o bebê nos braços. O vidro do caminhão foi disparado em várias direções com muita velocidade e a atingiu pelas costas, perfurando-a por inteiro junto do bebê. A forte luz clara fez Erik cobrir os olhos com o braço que ainda estava livre.
Haveria alguma forma de se esconder de algo desconhecido e tão destrutível? – ele pensou. Não. — uma voz no fundo de sua mente respondeu. — Não haveria nenhuma forma. Porque, até aquele momento não fora divulgado a aparência daqueles seres e nem de onde vieram e qual seu objetivo. Eles apenas apareceram e, após alguns dias escondidos, apareceram e começaram a destruir tudo. E o que mais assustava Erik eram aquelas aeronaves que planavam sobre as nuvens, grandiosas e assustadoras, enquanto pequenas naves ao melhor estilo Star Wars sobrevoavam e disparavam contra os prédios destruindo tudo. Pedaços de janelas dos andares superiores dos apartamentos, tijolos, pedaços de madeira, tudo caía do céu quando os prédios eram atingidos pelas munições espaciais.
A frota de soldados vinha pela rua, invencíveis. E Erik percebeu que em poucos minutos, eles estariam frente a frente. Não sabia se eram soldados ou se eram apenas um grupo de extermínio, mas que em breve eles estariam frente a frente, ah, isso ele sabia. E esse seria o pior momento.
Ele foi forçado a se virar para trás e correr junto de Gabriel, que começou a puxar antebraço com ar assustado e determinado, na tentativa de fazê-lo acordar do transe e fugir.
– CORRE PORRA! – Gabriel gritou fazendo saliva voar de sua boca.
Então ele correu. Nada mais importava no momento a não ser a sua própria vida e a dos melhores amigos. Sua cabeça girava e ele arfava. A boca seca, o coração pulsando loucamente e os pés vacilantes á cada passo.
– Vamos embora daqui! – César gritou. Erik não havia percebido que seu chefe estava junto do grupo que havia se formado inconscientemente, mas não se importou com isso. Aquele não era um momento de pensar e sim de agir. – Vem, vem, vem... Entra logo caralho!
Ele abriu a porta do primeiro carro que viu pela frente enquanto tantos outros davam a ré e partiam cantando pneus. Enquanto César sentava no banco do motorista, Erik sentou no banco ao lado e, por sua vez, Lilith, Gabriel e Telma sentaram no banco detrás.
Por sorte, o motorista deixara as chaves do carro ainda na ignição. Talvez tenha se apavorado demais e decidira que sair correndo seria melhor do que ir de carro. Mais tarde ele se arrependeria de ter feito isso, mas já seria muito tarde.
– Mas pra onde a gente tá indo? – Lilith indagou assustada, com uma mochila roxa no colo.
– Não sei Lilith, a gente vai dar o fora daqui, só isso que importa. – César respondeu girando a chave e ligando o motor do carro que fez um leve ronco e tremeu levemente.
– A gente não pode ir pra qualquer lugar assim! – Erik interferiu. Ele suava muito e seu óculos escorregava para a ponta do nariz, mas finalmente havia se recuperado do choque. – Se essas coisas forem mesmo de verdade e a gente tiver que fugir, temos que estar conscientes de nossas ações ou vamos acabar que nem aquele povo lá atrás. Mortinhos da silva.
Ele parou para recuperar o fôlego. Ele sentia que á qualquer momento o coração sairia pela boca.
– E para onde a gente vai? – retrucou César com ignorância. Erik já estava acostumado com o jeito de César falar, mas naquela situação ele pareceu assustador.
– Mano, a gente decide isso no caminho porra. Eles estão chegando! – Gabriel falou olhando no retrovisor, dando uma forte sacudida no ombro de César que pareceu não gostar nada da ação do garoto.
Erik olhou para trás acompanhando o olhar de Gabriel e viu que aqueles seres já estavam á uma distância muito curta deles e em menos de minutos eles poderiam estar mortos.
Então, César pisou no acelerador, mudou a marcha e de uma vez só eles dispararam pela avenida, sem um destino traçado. Não tinham nenhum objetivo á não ser fugir para algum lugar que julgassem seguro. As coisas estavam acontecendo muito rapidamente, mas precisavam agir de alguma forma. Erik pensou em sua mãe e ao olhar para trás ele viu o prédio onde trabalhava desmoronar e espalhar entulho para todos os lados. Carros eram esmagados assim como as pessoas que passavam por ali. A fumaça negra tomar conta de grande parte da rua.
Ele virou para frente com um ar determinado no rosto. Eles precisavam sobreviver á qualquer custo.
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