Enemies of Space - A Invasão
6 Inimigo Entre Nós
A lua encobria o céu noturno.
No vigésimo andar de um dos prédios onde o grupo entrou era possível ver nuvens de fumaça do fogo que ainda permanecia espalhado em vários pontos da cidade. Estava tudo calmo e tranquilo, como se nada houvesse acontecido. O som de uma cigarra preenchia o silencio em um quintal qualquer. O ar cheirava á fumaça de caminhão. Era como se aquela imagem de destruição total fosse apenas uma miragem que á qualquer instante se desgastaria e mostraria novamente a linda cidade de São Paulo da forma que era. Viva e iluminada.
Erik sentou no sofá do apartamento e respirou fundo. Estava escuro ali porque eles não queriam que as luzes denunciassem a posição deles e, além disso, porque eles não sabiam se ainda tinha algum resquício de energia elétrica no prédio.
Apesar disso, mesmo na escuridão a luz da lua projetava enormes sombras no ambiente, tornando possível discernir vários detalhes. Ele nunca vira um apartamento tão bonito e bem mobiliado como aquele á não ser em filmes. Pelo relógio na parede acima da TV de plasma que ficava á sua frente, ele podia calcular que dormira por pelo menos quatro horas. Pouquíssimo tempo se comparado ao que ele dormia normalmente.
Horas atrás, quando eles chegaram, Erik e Lilith correram para a cozinha. Naquele momento nada mais importava do que digerir algo. Estavam famintos demais, e o medo apenas aumentava a fome, pelo menos para Erik que já vivia com uma vontade absurda de comer. Enquanto os dois tentavam fazer alguma comida, Telma continuava tentando manter contato sem sucesso com seus filhos e familiares, mas nenhum pequeno sinal de rede no celular a ajudara nessa missão, deixando-a cabisbaixa.
Gabriel estava junto com César na sacada do apartamento, mexendo em uma caixa de ferro com alguns aparelhos eletrônicos estranhos. Provavelmente eles estavam tentando manter contato com um rádio velho que acharam no guarda-roupa dos antigos moradores dali. Mas Erik não conseguia absorver aquela informação... Quem guardaria um radio caindo aos pedaços? Era algo que compreendia em partes, pois se os moradores fossem idosos... Ele sacudiu a cabeça se livrando de pensamentos idiotas. Não podia deixar de ficar feliz e grato com aquilo. Seria a única chance que eles teriam para encontrar os familiares ou então ao menos sobreviver recebendo alguma noticia clandestina ou algo do tipo.
Telma adormeceu em um dos sofás com lágrimas ainda descendo na lateral do rosto cansado. César e Gabriel não conseguiram nada além da mesma transmissão que haviam ouvido no carro mais cedo. E depois de terem se alimentado (Erik e Lilith usaram tudo á que tinha direito na geladeira) com uma deliciosa omelete acompanhada de muito arroz e feijão, eles também dormiram.
Larissa, durante todo esse tempo permaneceu trancada no quarto e Erik ficou sem entender o motivo. Mas compreendia a reação da garota. Era bem provável que ela tenha perdido o pai ou mãe. Ambos mortos por aqueles soldados cruéis. Naturalmente ria querer se isolar em um ato de luto e tristeza eterna. Ele se perguntava várias vezes porque ainda não entrara naquele espírito triste e gótico, mas no fundo sabia qual a resposta para aquilo. Sabia que a resposta para estar sobrevivendo forte e consciente vinha de sua família que, de alguma forma, ele tinha esperança de estarem vivos.
Ao pensar nisso ele sentiu um calafrio percorrer pela sua espinha. Não conseguia imaginar uma vida sem sua mãe, irmão e avó. Ele sacudiu a cabeça novamente tentando tirar aquilo da mente. Ele conseguiria encontra-los, custe o que custar.
Um ruído chegou ao seu ouvido despertando-o de seus pensamentos.
Quando olhou para a porta, viu Larissa saindo pela porta de entrada sorrateiramente.
Aonde ela vai? – perguntou-se antes de desferir a pergunta quase que em voz alta.
– Aonde você vai?
Ela parou por um breve segundo. Sua silhueta hesitou por um breve instante no portal e, sem virar para ele, respondeu.
– Preciso fazer uma coisa. Não vou demorar. – ela disse. Sua voz soava um pouco rouca demais e fez com que Erik se arrepiasse inteiro.
Erik concordou com a cabeça.
– Tudo bem, mas não demore muito okay? Não podemos deixar a porta aberta. – falou querendo demonstrar autoridade já que César dormia em um sono profundo no sofá ao seu lado.
Ela confirmou com a cabeça e saiu, fechando a porta atrás de si.
Erik foi até sua mochila e retirou de lá o carregador do celular. Colocando-o á tomada na parede, plugou o cabo ao aparelho. Quando a luz do visor acendeu, quase o cegando, ele ficou impressionado que ainda havia rede elétrica no prédio. Porém a barra que demonstrava o sinal de rede estava vazia.
Tudo bem, ele pensou. Talvez amanhã as coisas melhorem e o sinal também. Nossa, de onde vem todo esse otimismo Erik? – perguntou-se.
Ele se deitou no sofá e olhou pela janela. A lua brilhava linda mesmo com aquelas naves espaciais e gigantescas na sua frente, barrando sua iluminação natural. As colunas azuis e brilhantes que desciam das naves até o chão já não estavam mais lá. As ruas estavam desertas sem nem sequer uma alma viva perambulando. Sem se dar conta ele chegou à sacada e ficou olhando para o horizonte, apoiado no parapeito junto de uns vasos de plantas.
Será que os Aliens desistiram daquilo? Será que se cansaram? Não. Eles não se cansaram. – uma voz respondeu no fundo da sua mente. Se tivessem desistido já teriam partido para outra galáxia, ou seja lá para onde iriam, mas não. As naves ainda estavam ali, pairando no céu, aparentemente indefesas. Ele tentava achar alguma resposta para aquilo tudo estar acontecendo com a humanidade, mas... Nada vinha em sua mente. Nem a mais improvável das teorias conseguiria descobrir o objetivo deles.
Um barulho como um guincho soou muito baixo. E então o silêncio.
Erik se agachou atrás das plantas e permaneceu com os olhos e ouvidos alertas ás ruas vazias abaixo. Era o som de um carro derrapando, disso ele tinha certeza. Mas onde o carro estava?
Ele olhou para todas as ruas em busca de algum mero movimento ou sinal de vida. Ficou feliz que não vira nenhuma luz. Nenhum ser humano em plena consciência usaria o farol do carro em uma noite silenciosa de ruas desertas em um provável apocalipse. Chamaria muita atenção e seria praticamente um suicídio.
Ele ouviu outro som idêntico, porém mais alto que o primeiro, e então lá no final da avenida lateral, ele viu um par de luzes.
– Porra mano! Tem que ser o Jorge! Aposto que é ele. – Erik murmurou ainda olhando longe pela avenida. Em seguida ele ouviu um barulho forte de carro batendo e a luz apagou deixando tudo em um breu profundo já que os postes de luz não funcionavam mais, deixando a lua fazer seu trabalho de iluminação geral.
Ele inclinou a cabeça querendo captar cada mínimo ruído ou movimento da direção que a luz aparecera. Ele ouviu o som de marcha. Pelo menos um batalhão inteiro de soldados inimigos estava andando em conjunto. Em perfeita sincronia e em algum lugar ali perto.
Isso significa que a pessoa que estava naquele carro, sendo Jorge ou não, corria um grande perigo.
Depois de esperar alguns instantes, Erik percebeu que o som de marcha não estava mais tão nítido. Ele imaginou o batalhão vendo as pessoas mortas na batida de carro e indo embora, desistindo da perseguição.
Por longos segundos Erik continuou observando. O suor descia feito cascata pela sua testa. Até que dois enormes jatos de luz surgiram um seguido do outro. Era uma luz azul clara como um flash de câmera. Uma esfera iluminada que dera origem á luz voou veloz pelo céu e atingiu parte de um prédio próximo dali causando uma enorme fissura na sua lateral, fazendo com que entulho e alguns móveis caíssem em queda livre.
E então outros três jatos de luz foram disparados. Uma batalha estava acontecendo ali, isso ele não podia deixar de pensar. O som das armas era um barulho quase silencioso, como um zunido eletrônico futurístico que quando atingia o alvo fazia um estardalhaço imenso.
Quando ele viu a silhueta de três adultos e uma criança correndo desesperadas pela rua que interligava a avenida, ele não pôde ficar mais quieto. Levantou-se correndo e chamou por Gabriel.
– Biel! Acorda peste! Rápido! — Ele sacudia os músculos do seu amigo desesperadamente, mas nenhuma reação surgiu do garoto inconsciente.
Erik, sem nenhuma outra opção, desferiu um tapa violento que estalou alto na sala silenciosa.
Gabriel levantou de um salto desferindo um golpe com o punho fechado, que por pouco não acertou o maxilar de Erik, mas que o fez cair no chão.
– Biel, Biel! Sou eu, me escuta. – ele chamou-o silenciosamente do chão. Se arrependeu daquela ação eu poderia fazer com que todos acordasse. Mas não podia envolver todos no que pretendia.
Gabriel estava atordoado com o tapa.
Quando olhou para os olhos do Erik a compreensão apareceu em seu rosto e ele respirou com alívio.
– Porra, quer me matar do coração veado?
– Cala a boca e me escuta! – ele ordenou.
Erik olhou para Lilith e Telma que dormiam serenas no sofá. Elas haviam se movido com o som do tapa, mas felizmente não acordaram.
– Eu acho que o Jorge tá la fora. – Erik disse com a voz trêmula.
– O que? – O choque fora mais intenso que o tapa. – Tá brincando né? O Jorge deve estar morto. O que te faz pensar que ele está la fora fazendo sabe-se lá o quê?
– Não, eu tenho quase certeza de que é ele. – Erik insistiu já saindo para a varanda e chamando Gabriel com a mão.
– Só uma pessoa burra como ele chamaria tanta atenção do jeito que eu vi. – Erik prosseguiu com a explicação.
Gabriel olhou para as luzes á uns quatro ou cinco quarteirões adiante de onde estavam.
– Erik, tenha respeito pelos mortos. – Gabriel disse com o olhar fixo á batalha que era travada fora da visão deles.
– Então vamos ajudar essas pessoas, sejam lá quem for. – Erik disse.
Gabriel sabia que quando o amigo colocava algo na mente era tão difícil de tirar quanto um carrapato. E apesar de não saber o que era ele suspirou profundamente, lamentando pela loucura que estava prestes a fazer.
– Gabriel, eu vi uma criança com eles. – Erik disse por fim. Depois daquilo Gabriel não conseguiria argumentar. Erik havia vencido a discussão. Não seria a primeira vez.
– E o que você sugere que a gente faça? – ele perguntou. O arrependimento por aquela simples pergunta transbordando dentro dele.
– Precisamos achar alguma coisa que funcione como arma. – ele entrou para o apartamento e foi direto á um armário que havia no quarto de hóspedes. Lá dentro um enorme taco de beisebol, feito de algum material parecido com metal, estava pendurado. Ao lado, estava um idêntico, porém de madeira pura.
Os dois pegaram os objetos como se fossem armas.
– Você acha que isso vai funcionar contra aquelas armas fodonas que eles têm? Ah tá de brincadeira comigo né? – Gabriel caçoou.
– Ué, você tem alguma ideia melhor Senhor Bombado?
– Aff Erik.
– Vem! A gente precisa pegar alguma coisa para distrair os Aliens. – Erik correu na ponta dos pés para a cozinha. Um pequeno armário debaixo da pia estava aberto e ele retirou de lá dois sinalizadores parecidos com bananas de dinamites de desenho animado. Só faltava a inscrição TNT.
Erik não fazia a mínima de como usar aquilo, mas supôs que seria necessário acender com fogo, portanto pegou um isqueiro acima do fogão e colocou no bolso traseiro da calça.
– Segura isso! – Erik deu os sinalizadores para Gabriel segurar.
Suas mãos tremiam muito e ele abriu uma gaveta de utensílios de cozinha. Retirou uma pequena faca, parecida com um canivete e colocou-a na lateral da calça, presa ao cinto. Retirou mais um facão do tamanho do seu antebraço e entregou para Gabriel.
– Nossa moleque , você sabe que vai nos matar né? A gente não tá preparado para lutar com eles. – Gabriel falou, mas Erik não deu ouvido e saiu para a sala abrindo a porta que dava para o corredor que, por sua vez, dava para com as escadas de emergência do edifício.
Gabriel o seguiu sem falar nada, suando frio. Erik tremia como nunca, mas sua mente não o deixava fraquejar. Vidas lá foram dependiam dele, e eles precisavam agir com pressa.
Eles foram pulando os degraus de dois em dois até que chegaram ao saguão de entrada do prédio. O silencio martelava a mente deles em uma cautelosa tortura. A cada passo que davam eram interrompidos por pequenas explosões que, Erik imaginou, eram causadas pela batalha travada entre humanos e Aliens em pouco menos de algumas quadras de onde estavam.
Eles optaram por pular pelo portão lateral e seguiram abaixados e escondidos pelas sombras do muro, pois se saíssem pela frente do prédio, o local se tornaria um alvo fácil caso descobrissem. O som de disparos parou, mas mesmo assim eles seguiram para a avenida parando, por vezes, atrás de uns carros tombados e abandonados no caminho, totalmente alertas á qualquer movimento ao redor.
Estavam quase chegando ao ponto onde Erik vira a luz do carro se apagar ao bater. Quando iam avançar, Gabriel o segurou pelo tórax puxando-o de volta para as sombras atrás de uma caçamba de lixo.
Eles se estreitaram para olhar o que Gabriel havia visto e o sangue de Erik congelou por completo. Ele ignorou o fedor de fezes e alimento em decomposição e tentou não tremer ou emitir algum ruído. Ele nunca vira algo parecido antes.
Tinha o tamanho de um carro, mas um pouco mais alto. A luz da lua brilhava na sua pele reptiliana como se estivesse molhado com algum tipo de gosma ou óleo. O quadrúpede tinha uma calda longa que balançava sorrateira de um lado ao outro, com algum tipo de agulha afiada na ponta. Algum tipo de armadura cobria parte das costas, do tórax e um capacete que deixava sua face á mostra.
As feições eram bizarras demais para assimilar. O focinho parecia com o de um dinossauro, com dentes afiados á mostra. Tortos e amarelos. Sangue vermelho escorria, além de um líquido verde tão escuro que, pela sombra que a noite emitia, parecia preto. Seus olhos em fendas com a íris na vertical eram enormes.
O réptil farejava o ar em busca de algo. Provavelmente havia perdido os humanos com quem estivera lutando ou estava sentindo a presença deles. O Alien se ergueu nas duas patas traseiras e retirou das costas uma arma enorme. Era as mesmas armas que os soldados usaram na invasão no Bom Retiro.
O Alien se virou na direção de onde Gabriel e Erik estavam escondidos e por uma fração de segundos eles foram mais rápidos e conseguiram se encolher nas trevas.
Erik ofegava. Mas em silêncio. Qualquer som que fizessem, o menor ruído que fosse, eles seriam pegos.
– Para de ficar tremendo, porra. – Gabriel disse tão baixo que foi quase inaudível.
Mas Erik entendera o que ele disse e fechou os olhos com força á fim de se concentrar melhor e parar de tremer.
O som de latas caindo no chão ecoou pela noite e o Alien se colocou nas quatro patas e correu em disparada na direção do barulho. Erik e Gabriel se colocaram em ação e se levantaram também, correndo para o mesmo lugar que a criatura seguia, tomando o cuidado de não fazer nenhum ruído enquanto faziam isso.
O Alien entrou onde era uma rua sem saída. Erik se esgueirou no muro de uma casa que ficava na esquina e se deparou com algumas pessoas que estavam encostadas e assustadas na parede, e então o medo dele desapareceu. Juscelino, Patrícia, Yasmin e Jorge estavam encurralados.
Sentiu-se feliz que pelo menos Juscelino estava vivo e também com Yasmin que era uma garota linda e adorável. Também estava feliz por ver Jorge vivo. Apesar da aparência grosseira, ele era um ótimo marido e pai. No fundo da sua mente estava cantando vitória por ter acertado em cheio sobre quem estava naquele carro.
Jorge tinha alguma ferida enorme no peitoral. Sua camisa branca estava ensopada com sangue, Erik não sabia se era dele mesmo ou de mais alguém. Ele estava em posição de defesa na frente da mulher e da filha de Juscelino. Elas estavam assustadas e feridas levemente em algumas partes do rosto e braço, mas fora isso parecia estar bem. Já Juscelino portava uma arma, igual a do Alien, na altura dos olhos. Ele estava todo machucado também, mas era o que mais tinha coragem.
Nenhum deles percebeu a presença de Gabriel e Erik.
Juscelino apontou a Arma para o Alien que, por sua vez, apontava a dele para Juscelino. E então Juscelino disparou e saiu correndo para o lado direito. O jato de luz atingindo o rosto da criatura que foi jogada levemente para trás. Em seguida ela se recompôs e começou a disparar loucamente.
Por onde Juscelino passava, o raio atingia e formava um enorme buraco. Juscelino foi correndo na direção do monstro, cada vez mais perto. Até que Erik correu também nas costas do oponente e, retirando a faca da cintura, fincou-a nas costas do Alien.
Ele urrou e sacudiu os braços, desarmando Juscelino e empurrando-o para trás. Juscelino caiu fortemente no chão e desmaiou quando sua cabeça bateu na guia da calçada. Yasmin gritava junto de sua mãe, mas Erik as ignorou e se segurou forte. O Alien estava de quatro agora e Erik subiu em suas costas como se montasse em um cavalo. A força do animal era descomunal e Erik precisou usar todas as suas forças para não ser jogado com os movimentos bruscos. Quando suas mãos começaram a deslizar pelo cabo da faca ele pensou que aquilo não acabaria nunca, até que o Alien disparou e correu ás cegas levando Erik com ele.
– Ai droga. – Gabriel falou. E correu junto para ajudar seu amigo.
Erik não sabia o que fazer. Não tinha nenhuma outra arma e muito menos poderia se soltar naquele momento. Se aquele Alien fugisse, uma tropa de centenas deles viriam atrás e os encontraria. Tinha que impedir aquilo. Ele girou a faca fincada nas costas da criatura que urrou assustadoramente. Erik percebeu pelo canto do olho que Gabriel estava correndo logo atrás e gritou.
– GABRIEL!! FICA AÍ QUE EU VOU VOLTAR! ACENDE OS SINALIZADORES!
Ele se esforçou para segurar na faca em uma só mão e coma outra pegou o isqueiro do bolso e jogou para o amigo que o pegou ainda no ar.
Gabriel parou e tentou acender um dos sinalizadores com as mãos trêmulas.
Enquanto isso, Erik tentava controlar o caminho que a criatura fazia. Ele conseguiu fazê-la dar a volta com uma puxada de faca para a lateral e, agora, ela avançava na direção de Gabriel. O garoto continuava parado com o sinalizador em uma das mãos e um facão enorme na outra. A luz vermelha brilhava em seu rosto revelando o suor e o sangue escorrendo de seu nariz.
– ACERTA NO OLHO!!! – Erik gritou mais uma vez. – NÃO MATE!!!
– O que? — Gabriel gritou de volta.
– FAÇA O QUE EU DISSE CARALHO!
E quando o Alien se aproximou á poucos metros, Gabriel girou para o lado como um toureiro e fincou o sinalizador onde ficava o olho da criatura.
O urro que saiu da boca do Alien foi ensurdecedor e ele caiu no chão de lado com as patas no rosto onde fora atingido.
Eles tentaram impedir o grito para não chamar a atenção usando um tecido velho que estava caído ali perto. O Alien se sacudia feito um touro em fúria, mas logo sua aparência começou a alterar.
Erik percebeu que seu tamanho estava diminuindo. Seus membros encolhiam para dentro do corpo assim como sua calda reptiliana. As membranas e a pele escamosa e grudenta dando lugar á uma cor mais rosada e clara, como pele humana. Logo, fios negros começaram a brotar de sua cabeça e nesse momento Erik arregalou os olhos.
Á sua frente não estava uma criatura sanguinária de outro planeta.
Á sua frente estava um ser humano. E seu nome era Larissa.
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