Enemies

3 Da Torre as Masmorras


Mary Marine foi de barco até o castelo, assim como os alunos do primeiro ano. Estava maravilhada com o que via, Hogwarts era esplendorosamente majestoso tanto de longe quanto de perto e ainda tinha aquele toque misterioso com passagens secretas, salas ocultas e milhares de outros segredos que Mary poderia descobrir em um simples passeio pelos corredores da escola. Estava justamente admirando a beleza do castelo quando seu nome foi chamado por uma senhora que pela aparência já sabia ser Minerva Mcgonagall.

– Ande querida, você será uma das primeiras a ser chamada para o Chapéu Seletor.

– Umas das primeiras? – Perguntou surpresa, sentindo como se houvesse borboletas em seu estomago.

– Sim. Não precisa ter medo, querida.

– Eu não estou com medo. – Mary respondeu forçando-se a rolar os olhos e tomando coragem para seguir a frente da multidão de novos alunos.

– Muito bem alunos. – McGonagall falou, chamando a atenção dos primeiranistas. – Logo cada um de vocês será selecionado para uma das quatro casas de Hogwarts, são elas: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Então, por favor, me acompanhem.

As portas do Salão Principal foram abertas e a entrada dos novos alunos preenchida por gritos e palmas dos veteranos. Apesar de estar parcialmente nervosa por ser a primeira a passar pelo Chapéu Seletor, Mary não pode deixar de se encantar ao ver o teto estrelado com milhares de velas pendendo sobre sua cabeça, olhando ao redor podia ver as quatro mesas das casas de Hogwarts, em frente a elas havia outra mesa onde o corpo docente estava sentado e agora, a sua frente, havia um banquinho e sobre ele um chapéu velho e gasto.

– Muito bem, silêncio... todos em silêncio. – Pediu a Professora McGonagall. – Como de costume começaremos a cerimonia de abertura do ano letivo com a seleção e apresentação dos alunos do primeiro ano. Desta vez, porém, receberemos também a nova quintanista que foi transferida de Beauxbatons para Hogwarts, Srta. Black.

O salão explodiu em cochichos. Mary sentiu seu estômago virar do avesso enquanto obrigava suas pernas a se moverem. Chegando a frente do pequeno banco a garota tomou folego e concentrou-se na única coisa que lhe importava naquele momento – “Qualquer coisa, menos Sonserina!” – pensou, sentando-se no banquinho.

– Boa Sorte. – Sussurrou McGonagall antes de colocar o velho chapéu em sua cabeça.

“Hmm... Finalmente mais um Black. Pensei que não teria o prazer de conhecê-la. Há anos sua família vem sendo conhecida por destacar-se na Sonserina, mas obviamente você tem tanta repulsa por esta casa quanto seu pai, certo?”

“Certo!” – Pensou Mary com toda certeza e confiança que ainda lhe restava.

“Hmm... Curioso. Hogwarts não é o seu lugar. Seu coração e lealdade permanecem em Beauxbatons, mas você tem o sangue dos Black correndo em suas veias, a ânsia por sabedoria e a vontade de se destacar, a Sonserina ficaria feliz em recebê-la.”

“Confesso que não sou exatamente uma santa, mas também não mereço ser uma sonserina” – Mary pensou angustiada.

“Nem todo sonserino é mau, assim como nem todo grifinório é coragem e lealdade. Você é astuta, inteligente e perseverante a ponto de passar por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos. Não adianta negar, eu posso ver bem aqui, dentro da sua mente, então...”

– SONSERINA!– Anunciou o Chapéu Seletor em alto e bom som.

A mesa da Sonserina explodiu em palmas, Mary os olhava assustada e incrédula. Não podia ser verdade, aquele chapéu velho estava errado, ela não podia ser uma sonserina.

– Harry! – Sussurrou procurando-o na mesa da Grifinória e encontrou-o encarando-a num misto de surpresa e desapontamento.

Minerva McGonagall lhe deu um tapinha nas costas lhe incentivando a se levantar. Mary andou a passos inseguros até a mesa da Sonserina, mas permitiu-se relaxar um pouco ao ser recebida com inúmeros apertos de mão e congratulações.

A Seleção das Casas continuou enquanto Mary tentava ao máximo não olhar para a mesa da Grifinória, tudo o que não precisava no momento era ver a decepção estampada nos olhos dos seus amigos.

Logo depois o banquete foi servido e devorado em questão de poucos minutos e então o Professor Dumbledore se levantou diante de todos para fazer o discurso de começo de ano.

– Bem, agora que estamos todos digerindo outro magnífico banquete, peço uns poucos momentos de sua atenção para os nossos usuais avisos de início de ano. Alunos do primeiro ano devem saber que a floresta do terreno é terminantemente proibida aos alunos. E uns poucos de nossos alunos mais velhos devem estar sabendo agora também. – Dumbledore falou lançando um olhar divertido para a mesa da Grifinória. — Sr. Filch, o zelador, me pediu, pelo que ele me disse ser a quadridentíssima sexagésima segunda vez, para lembrá-los que mágica não é permitida nos corredores entre classes, nem um monte de outras coisas, todas podem ser checadas na extensa lista que agora fica fixada na porta do escritório do Sr. Filch. Nós tivemos duas mudanças na equipe de professores esse ano. Estamos muito felizes em dar as boas-vindas de volta à professora Grubbly-Plank, que estará dando aulas de Trato das Criaturas Mágicas; também estamos encantados de apresentar a professora Umbridge, nossa nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. Tentativas para os times de Quadribol das casas serão...

Dumbledore parou de repente e olhou para a mesa dos professores parecendo confuso. – Hem, hem... – Logo a nova professora estava de pé e ficou claro que ela realmente desejava discursar.

– Obrigada, diretor – Disse Umbridge, sorrindo — Por essas educadas palavras de boas-vindas. Bem, é adorável estar de volta a Hogwarts, devo dizer! — sorriu, revelando dentes bastante pontudos. — E ver rostos tão felizes olhando para mim!

Ninguém parecia feliz, na verdade os alunos pareciam estar bem surpresos e outros visivelmente entediados, mas mesmo assim ela continuou.

– Eu estou realmente esperando conhecer todos vocês e estou certa que seremos ótimos amigos!

Mary não conteve uma careta e já pensava em formas de cabular as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, ficar ouvir aquela voz irritante por mais de 5 minutos poderia causar sérios problemas a “paciência” de Mary.

– O Ministro da Magia sempre considerou a educação de jovens bruxos e bruxas de vital importância. Os raros dons com os quais vocês nasceram poderiam não servir para nada se não fossem nutridos e afiados por instruções cuidadosas. As habilidades anciãs exclusivas para a comunidade de bruxos devem ser passadas por gerações, pois podemos perdê-las para sempre. O tesouro guardado pelo conhecimento mágico...

Mary suspirou prevendo que aquele discurso duraria mais do que ela gostaria. Olhando ao redor percebeu que grande parte dos alunos também tinha deixado de prestar atenção, e foi nessa pequena fração de segundos que ela o viu pela primeira vez, sentado a uma pequena distancia de onde estava.

O garoto a encarava parecendo curioso, mas desviou o olhar assim que Mary o fitou. Ele tinha cabelos loiros penteados para trás, sua boca estava curvada em desdém e seu nariz estava contraído como se algo não cheirasse bem. Mary o observou por algum tempo percebendo que sua expressão de nojo não se desfazia em momento algum.

Finalmente Umbridge terminou seu blá blá blá e Mary forçou-se a prestar atenção no resto do discurso de Dumbledore.

– Muito obrigado professora Umbridge, isso foi bastante esclarecedor. — Ele disse, reverenciando-a. — Agora, como eu estava dizendo, seleções de Quadribol serão iniciadas a partir da segunda semana de aula, a todos os interessados deverão procurar o capitão do time das suas respectivas casas. Agora vão dormir, camas quentes e confortáveis os aguardam antes do inicio das aulas.

E com isso os bancos se afastaram e a sala foi preenchida pelas vozes dos alunos que conversavam audivelmente enquanto deixavam o salão principal. Mary encontrou os olhos de Harry encarando-a, mas antes que pudesse ir ao seu encontro alguém a abordou.

– Oi! Você é prima do Draco, não é? – Perguntou uma garota alta de cabelos muito loiros e olhos claros.

– Draco? – Mary perguntou confusa.

– Sim, Draco Malfoy. – A garota respondeu como se fosse obvio.

– Ah, o Malfoy. Sim, acho que sim.

– Meu nome é Pansy Parkinson. – A garota respondeu sorridente. – Eu e o Draco namoramos quando estávamos no terceiro ano.

– Hm... Legal. – Mary respondeu dando um meio sorriso. Que Diabos aquela garota queria?

– Venha, eu e Draco somos monitores da Sonserina. – Pansy falou dando uma risadinha aguda e puxando Mary pela mão de maneira brusca. — Vou te mostrar onde fica a sala comunal da Sonserina.

Mary foi arrastada até chegar à frente do grupo de primeiranistas que aguardava ansiosamente para conhecer seus dormitórios.

– Vamos, crianças. – Pansy gritou, fazendo com que Mary fechasse a cara, já bastava ela ser uma novata, ser inclusa a um grupo de crianças era intolerável. — Fiquem por perto, a não ser que queiram se perder.

Pansy os guiou por vários corredores e escadas que pareciam não levar a lugar nenhum. Mary pensou que se esperavam que ela decorasse o caminho era melhor arranjar-lhe um bom mapa. Depois do que pareceu uma eternidade finalmente chegaram até as masmorras um lugar era frio, mal iluminado e assustador. Mary não conseguia imaginar o quão horríveis seriam os dormitórios da Sonserina, mas rezava para que fossem ao menos mais quentes do que as masmorras.

– Estamos quase chegando. – Pansy falou dirigindo-se a Mary.

Seguiram mais um corredor com castiçais e quadros escuros presos a parede até que Pansy parou repentinamente virando-se para uma parede vazia.

– Dragolantela — Ela disse em voz alta.

No mesmo instante uma pequena passagem foi revelada na parede e logo Mary e Pansy começaram a ser empurradas pelos primeiranistas.

– Calma suas pestes malditas! – Pansy gritou assustando aos calouros que tentavam entrar na sala comunal. – Pronto, agora entrem ordenadamente.

Mary seguiu a garota passando pela passagem de pedra e chegando até a sala comunal da Sonserina.

– Ai meu Merlin. – Foi a única coisa que a garota conseguiu dizer diante de tanto luxo.

Mary estava sobre uma pequena plataforma semi-circular que terminava em quatro pequenos degraus. Abaixo se estendia uma longa sala, com paredes de pedra e lustres verdes circulares pendendo do teto baixo. Uma grande lareira aquecia o ambiente e sobre esta havia porta-retratos e pequenas esculturas de pura prata. Dois grandes e confortáveis sofás separados por uma mesinha de madeira escura estavam de frente para a lareira, enquanto grandes poltronas em verde-escuro eram ocupadas por primeiranistas ansiosos e barulhentos. Uma grande estante ocupava a parede oposta às janelas e ao seu lado havia duas escadas baixas que levavam em direções opostas. As mesas de estudos que ocupavam as proximidades da estante eram iluminadas por lindos castiçais prateados e cercadas de cadeiras fofas e confortáveis. Todo o ambiente era decorado por grossas tapeçarias espalhadas pelas paredes e enormes tapetes que cobriam o chão de pedra. As janelas davam para o fundo de um Lago, e mesmo sendo quase impossível ver algo devido ao efeito de mosaico e desfoque dos vidros grossos e esverdeados Mary podia jurar que vira o vulto de um sereiano passando por lá.

– Vai ficar parada ai até o ano que vem? – Pansy perguntou, tirando-lhe de seus pensamentos.

– Ah, temos algo melhor pra fazer? – Mary perguntou retrucando o tom irônico de Pansy. Algo lhe dizia que educação não era o forte daquela garota.

– Bem, Draco está vindo falar comigo. – Pansy respondeu ajeitando os cabelos de forma nada discreta. – Em todo caso, somos amigas agora, ok?

Não ouve tempo para que Mary respondesse, logo o garoto loiro de olhos cinzentos que ela havia pego encarando-a mais cedo estava parado a sua frente sorrindo debochadamente.

– Então você é a minha “priminha” Black. – O loiro falou arrancando risadinhas dos alunos que estavam por perto. – Sou Draco Malfoy.

– Muito Prazer. – Mary falou sem esboçar expressão. Os Malfoys tinham uma péssima reputação, e pelo que Harry lhe tinha dito Draco fazia jus ao seu sobrenome.

– Fico feliz que você não tenha se juntado aos imundos da Grifinória. – Draco falou passando o braço em torno dos ombros de Mary, guiando-a para a parte mais distante da sala e deixando Pansy com cara de tacho. – O nome dos Black é muito influente aqui na Sonserina, não tanto quanto o dos Malfoy. Mas logo você vai perceber as vantagens de estar com quem carrega os dois maiores sobrenomes do mundo bruxo. Enquanto isso apenas mantenha-se afastada do Potter e seus amiguinhos traidores de sangue.

– Traidores de sangue? – Mary repetiu desvencilhando-se do braço de Draco e encarando-o com raiva. – Primeiro, não pense que por termos o mesmo sobrenome nos tornaremos “amiguinhos”. Segundo, os amigos do Potter, que por acaso também são meus amigos, não são traidores de sangue. E Terceiro, NINGUÉM me diz com quem eu devo ou não andar. Espero ter sido clara.

Mary não esperou pela resposta do garoto, apenas lhe deu as costas e seguiu um grupo de meninas que subia as escadas julgando que assim chegaria ao dormitório feminino. Mary encontrou seu quarto, sendo este tão lindo quanto a sala comunal. O quarto tinha o formato semicircular. Seis camas com doseis de madeira escura e cortinas verdes com as extremidades bordadas em fio de prata ocupavam a parede circular do quarto, sendo três delas separadas das outras três por uma porta que Mary julgava ser o banheiro. De cada lado das camas havia belos abajures a vela iluminando o aposento. O chão era forrado por um grosso tapete escuro e as paredes de pedra eram enfeitadas com lindos entalhes e tapeçarias espeças bordadas a fio de prata. Na parede oposta as camas, estavam janelas idênticas as do salão comunal e de baixo de cada janela estavam pequenos divãs. Os malões estavam ao pé de cada cama, juntamente com os pertences das outras alunas, tudo devidamente separado. Mary não esperou por Pansy e aproveitou a ausência das outras companheiras de quarto para tomar um bom banho e tentar dormir.

Já limpa e em trajes de dormir tentava a todo custo pegar no sono, mas sem muito sucesso. Talvez fosse a angustia de estar em um lugar totalmente desconhecido, longe de sua irmã e de seus amigos, ou então os vultos que passavam pelas janelas de tempos em tempos, não saberia dizer com certeza.

Porém havia algo que lhe incomodava ainda mais. Sua verdadeira angustia era saber que teria que mandar uma carta para Sirius no dia seguinte, dizendo que fora selecionada para a casa que ele tanto odiava. Como explicaria isso a ele? Será que ele a perdoaria por não ser uma Grifinória? Será que ele acreditaria se ela dissesse que não era uma garota má e que não sabia por que fora jogada na Sonserina?

“Droga! Eu devo ter grudado chiclete na varinha de Merlin, só pode ser!”