Endless Hate, Endless Love
3 New high school.
Notas iniciais
(PS: Foi mal pela demora, prometo recompensar.)
Levantei cedo, hoje seria meu primeiro dia na escola nova. Fiz minha higiene matinal e vesti uma roupa qualquer, peguei meu material e antes de descer as escadas olhei para a Nina, para conferir se a mesma ainda dormia. Desci.
– Querido, você viu minhas chaves? – Helena perguntou ao Thomas, revirando algumas gavetas da instante.
– Não, querida. Não vi. – Thomas respondeu-lhe.
Fui até a cozinha e abri a geladeira, peguei uma caixa de leite que ainda estava pela metade e sem dar à menor importância bebi a metade do liquido que ali dentro havia.
– Eca, Alexia! – Louis fez cara de nojo. – Eu ia beber isso!
– Exatamente. Ia, não vai mais, fedelho. – Voltei a tomar ao leite que instantes depois acabara.
– Chata!
– Af, Louis. Bebe outra coisa. – Olhei ao redor e avistei a cafeteira. – Café, que tal?
– Eu sou alérgico ao café. Você sabe disso! – Louis cruzou os braços e começou a bater o pé.
– Aí o problema já não é meu, tampinha. – Joguei a caixa de leite vazia na lixeira ao lado da pia e saí. Quando estava indo em direção a porta ouvi algo do tipo "Quer carona pra escola?", mas eu estava ocupado de mais em colocar meus fones de ouvido, então ignorei Helena completamente. Sempre ignoro.
Passei em uma padaria não muito longe da minha casa e comprei uma carteira de cigarro e umas balas de menta. Acendi um e fui fumando até chegar à escola. Antes de entrar, dei uma última tragada e joguei o resto do cigarro em uma lixeira presa ao chão na calçada da escola.
Antes mesmo de colocar o pé dentro daquele lugar, as pessoas já me olhavam torto. Parecia que nunca tinham visto uma garota com piercings e tatuagens, cabelo colorido, maquiagem forte, roupas rasgadas, com cara de psicopata e com uma mochila cheia de bottons do Batman.
Eu andava pelos corredores e as únicas coisas que se podiam escutar eram meus passos e a música abafada que saía dos fones em meus ouvidos.
Desprezo e medo, e talvez um pouco de curiosidade, eram palavras que se encaixavam perfeitamente na maneira que aquelas pessoas me olhavam. Parecia até que vestir uma camiseta do Marilyn Manson era um crime, e dos piores.
Ignorei todos aqueles olhares de espanto e continuei andando até finalmente achar a sala do diretor. Peguei meus horários, meus livros, a senha do meu armário, alguns papeis que eu teria que entregar aos professores e algumas regras do colégio. Acho que o diretor Carter falou algo sobre não permitir confusões em seu colégio exemplar, mas eu estava concentrada de mais na voz da minha diva Hayley Williams, pra prestar atenção no que o senhor Carter falava.
O sinal tocou e após de guardar todos os livros no armário, eu tive um pouco de dificuldade em achar a sala da minha primeira aula, biologia. Uns três minutos depois, finalmente, por um lindo e divino milagre dos deuses eu já havia achado.
Entrei na sala e todos pararam de fazer o que estavam fazendo, até mesmo a professora, que me olhou com susto, assim como os demais alunos. Eu sou tão feia assim?
– Com licença, você é a senhorita Cook, e aqui é a sala de...
– Biologia, exatamente. – Interrompeu-me. – Você deve ser a nova aluna. Alexia Müller, acertei?
– Isso mesmo. – Concordei. – O senhor Carter pediu para que eu lhe entregasse isto aqui. – Entreguei-lhe um papel, parecia ser uma autorização para que eu assistisse à aula, sei lá, não me preocupei muito em ler.
– Ah, sim. Obrigada. – Conferiu o documento. – Pode sentar-se com o senhor Andrew. – A senhorita Cook apontou para o garoto da última carteira. Ele estava sem dupla.
– Olhem só! O emo-viado esquisito agora tem uma dupla. – Enquanto caminhava até a carteira, pude ouvir um garoto cochichar. O tal do Andrew apenas lançou ao garoto da piadinha de mal gosto um olhar mortal.
Sentei-me ao lado do tal Andrew. Ele tinha belos orbes azuis como o céu limpo de uma tarde de verão, uma pele branca como a neve e cabelos negros como a noite. Usava uma maquiagem preta, o que dava um contraste lindo naquela imensidão azul, que eram seus olhos. Ele vestia preto; uma bota preta, uma calça preta rasgada nos joelhos, uma camiseta preta, jaqueta de couro e alguns anéis e pulseiras de couro com rebites.
– Senhor Andrew, se não for pedir de mais, empreste seu caderno a senhorita Alexia. – O Andrew empurrou o caderno, cujo já estava em cima de sua mesa, para a minha.
– Aqui. – Ele disse mantendo seus olhos no chão.
– Valeu. – Respondi fria.
– Senhorita Alexia, não é muita coisa, portanto, quero seu caderno completo até a próxima aula.
– Falou. – Concordei.
Assistimos à aula, digo... eu fingi assistir a aula quando na verdade, escutava música, e o Andrew, sem ao menos disfarçar, dormiu a aula inteira.
Um tempo depois, o sinal soou. Todos guardaram seus materiais e saíram, menos eu. A professora insistiu em falar comigo.
– Pelo que pude ver, suas notas sempre foram as melhores. Se não fosse pelas advertências, suspensões e expulsões freqüentes de seus antigos colégios, poderíamos te considerar uma aluna exemplar. Senhorita Alexia, esse não é meu papel, mas considerando suas notas, me vejo obrigada a falar. Você é uma ótima aluna, tem notas excelentes, mas este colégio é rígido e aqui não é aceito nenhum tipo de desrespeito, seja com quem for. Bem, é um prazer ter uma aluna tão dedicada em minha turma, pelo que pude ver, sua nota mais baixa em biologia em todo seu currículo escolar foi 07,00, sendo que cada bimestre em todos os colégios por onde já passou valia 10,00.
– Será que tem como simplificar?
– Apenas quero que saiba que a senhorita é uma ótima aluna e realmente eu tenho um prazer enorme em tê-la em minha turma. Mas se agir aqui, como agiu nos demais colégios, não demorará muito para partir.
– Porra, como as pessoas aqui são hospitaleiras. Mal cheguei e já estão dizendo que não vai demorar muito pra eu partir. Valeu. – Ironizei e saí.
– Senhorita, eu não quis diz... – A deixei falando sozinha, foda-se. Coloquei meus fones de ouvido e saí.
Enquanto procurava uma música descente em meu celular, acabei esbarrando em um ser.
– Garota, olha por onde anda! – Ela disse limpando um pouco do seu suco de morango que havia caído em suas mãos. Já não se escutava nada nos corredores.
– Olha você, coisa lerda! – Retruquei.
– Coisa lerda é a vadia da sua mã... ALEXIA? – A garota me olhou com espanto. Ah, não! Não podia ser! Era a Emily!
Emily é uma prima minha, ela se mudou pra cá quando completou 11 anos. Nunca fomos muito próximas, na verdade nunca nos gostamos. Emily é o tipo de pessoa que sempre que ser melhor que as outras, que faz de tudo pra ser melhor que as outras.
Hipocrisia e futilidade são palavras que se encaixam perfeitamente na Emily.
– Emily. – Eu disse fingindo não dar muita importância.
Ela me olhou dos pés a cabeça assustada. Caralho. – V-você mudou!
Olhei-a por inteiro com desprezo, deboche e um meio sorriso cínico. – É, você também.
– Seus pais me falaram que você viria estudar aqui, mas não achei que você viria... ASSIM!
– Falaram? Não me lembro deles mencionarem que você já estudava aqui. E assim como, Emily? Com mais personalidade própria? Pois é. – Sorri cínica. – Umas pessoas evoluem, já outras...
Todas as pessoas que estavam no corredor, escutavam nossa conversa prestando atenção em cada movimento nosso. E eu que me achava estranha.
Eu e Emily ficamos nos olhando por alguns segundos, até um ser aparecer do nada e quebrar o silencio.
Uma garota tentava segurar um garoto, que parecia estar furioso.
– Seu desgraçado, eu vou acabar com você! – Ele dizia raivoso para o tal do Andrew, que não dava a menor importância para o garoto. Apenas o olhava com o maior desinteresse. – Seu emo-viado, eu vou acabar contigo! – O garoto era segurado por mais outros três garotos, além da garota.
– Emo-viado? Não foi isso que a Mia disse ontem à noite, muito pelo contrario, ela gemeu meu nome a noite inteira. – Andrew debochava do tal garoto.
– Andrew! Para! – A garota disse, suponho que seja a tal da Mia.
– Ah, qual foi Mia? Vai me dizer que não gostou? – Andrew fez uma pergunta retórica. – Adam, Adam. Vou te falar, hein. Sua namorada é uma delicia. – Andrew lambeu os lábios, fazendo com que o tal do Adam ficasse mais puto ainda.
Não demorou muito e o tal do Adam conseguiu se livrar das mãos dos garotos que os seguravam. Andrew e Adam começaram a rolar pelo corredor. Patético. Saí dali.
O sinal já tinha tocado, mas praticamente toda a escola estava assistindo a briga.
Pelo que vi no meu horário, minha segunda aula daquele dia era matemática. Af, odeio matemática.
Cheguei à sala e nela não tinha ninguém, a não ser por mim e pela senhorita Daniels, professora.
– Onde estão todos? – Ela perguntou.
– Af, sei lá. – Falei com uma cara de "Os alunos são seus, se liga velha". Entreguei-lhe um papel e sentei-me na última carteira, coloquei meus fones e peguei meu livro Fallen.
– Eu vou ver o que está acontecendo, volto já. – A senhorita Daniels disse e logo se retirou. Instantes depois alguém entrou e sentou ao meu lado.
– Oi gata. – O garoto piscou pra mim e eu nem me dei ao trabalho de responder. – Ashley Purdy, prazer.
– Alexia Müller, prazer. – Respondi fria.
– É, eu sei quem você é. Todos sabem.
– Ah, é? Sabem? E como? – Perguntei com a mesma frieza
– Qual é?! Você é prima da Emily. – Ela falou como se isso fosse grande coisa.
– Ok, e o que isso tem de tão importante?
– Emily é a líder das lideres de torcida. Vai me dizer que não sabia?
Eu ri. – Líder de torcida? A Emily? – Ri mais. – Achei que ela tivesse um pouco mais de inteligência, mas parece que me enganei.
– Por que? – Ashley perguntou confuso.
– Por que? Haha! – Debochei. – Líder de torcida é sinônimo de futilidade.
– Não acho.
– Não acha? E o que tem de importante em ficar rebolando e balançando pompons?
– Eu gosto. – O tal do Ashley sorriu com malicia. Eu apenas revirei os olhos.
Logo em seguida a senhorita Daniels entrou acompanhada dos demais os alunos.
Depois de um longo e longo e longo... tempo escutando a senhorita Daniels falar sobre Potenciação e Função Exponencial, o sinal tocou. Aleluia, que Deus seja louvado.
Fui até a cantina e peguei meu almoço. Sentei-me em uma das poucas mesas vagas. Logo em seguida minha prima Emily e seu grupinho de lideres de torcidas hipócritas e fúteis sentaram junto comigo, imediatamente levantei e sentei-me na última mesa, ela estava um pouco suja, com certeza alguém já tinha almoçado ali, provavelmente um monte de dragões. Ô mesa suja e bagunçada do caralho.
Tive um almoço tranqüilo e sossegado, digo... um almoço perturbador e irritante onde eu mal conseguia comer com todos me olhando.
(...)
Dez minutos pra acabar a aula de sociologia, também conhecida como "A última" nas segundas-feiras. Os dez minutos mais longos da minha vida.
Depois de uma eternidade, o sinal tocou.
Quando estava saindo da escola vi uma garota jogada no chão, enquanto outras a agrediam. Eu sei que já tinha visto aquelas patricinhas patéticas em algum lugar, eram as lideres de torcida amigas da Emily. Uma delas puxava o cabelo da garota, se não me engano, o nome da vadia era Chelsea.
Pessoas viam e não davam importância, era como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Pra mim aquilo era ridículo demais pra eu ver e não fazer nada. Não agüentei e fui até a mesma.
– Tchau brinquedinho, nos vemos amanhã. – Disse Chelsea, jogando a mochila da garota no chão. – Olá Alexia. – Disse sarcástica quando viu que eu estava indo ajudar a garota. Eu apenas ignorei.
– Não deixe que te tratem assim, como... lixo! Você não é. – Estendi a mão para a garota, lagrimas escorriam de seus olhos. Peguei sua mochila jogada no chão e entreguei para a mesma.
As pessoas ao nosso redor nos encaravam como se uma pessoa como eu, incapaz de ser fazer bondades, acabara de fazer tal coisa.
(...)
Cheguei em casa, joguei meus pertences no sofá e fui atacar a geladeira. Eu estava varada de fome. Depois de almoçar, dei comida pra Nina. Ficamos assistindo um especial de Pretty Little Liarsaté às 18:00, quando Helena, Thomas e Louis chegaram.
– Alexia, Alexia! Hoje vamos jantar na casa do tio Tom! – Louis entrou animado.
– O que? – Perguntei torcendo pra que fosse mentira.
– Isso mesmo, Alexia. Vá se arrumar. Hoje vamos jantar na casa do Tom. – Thomas disse.
– Eu não vou, está passando um especial de PLL e nem fudendo que eu vou perder. – Eu disse decidida.
Fale com o autor