Endless

6 Capitulo 6 – Segunda vista.


Enquanto olhava aquele garoto lindo, todos olhavam para mim. O seu sorriso cada vez se alargava mais. E o meu não podia ser diferente. Eu não sabia o que disser. Eu não sabia o que falar a ele. Eu sabia de uma coisa. Eu queria saber o nome dele, mas antes de eu o perguntar me fez uma pergunta: ‘Quando você era menor, uns cinco anos atrás, conheceram um menino que lhe levou até uma árvore de jabuticabas?’. Eu não respondi. Tudo fazia sentido agora. Era ele. O menino que me mostrou o que era perigo. Como eu era tão ingênua de nunca desconfiar. Só podia ser ele o menino dos meus sonhos. Quando lembrei da pergunta ele já sabia a resposta e disse: ‘Era você, não era? Era você a menina corajosa que me seguiu! Ah Melody, eu te procurei por tanto tempo. Você nunca mais voltou aquele lugar, porque? Eu te esperava incansáveis horas, mas você não aparecia então desisti. Mas te encontrei agora. E do jeito que eu sabia que ia te encontrar. Fazendo alguma maluquice.’ Eu sorri. Eu só podia sorrir. É, era eu. Fazendo maluquices ou não, era eu mesmo. E eu estava feliz.

Eu continuei não respondendo e meu silencio o agoniava. Não só a ele como a todos que olhavam para mim dentro daquela sala. Eu queria fazer perguntas, mas antes tinha uma que eu precisava saber. Enquanto ele falava incansavelmente eu o pedi silencio. Ele não entendeu. Eu o olhei no fundo dos olhos e perguntei: ‘Qual seu nome?’. Ele me disse: ‘Carlos, mas pode me chamar de Juninho’. Minha felicidade aumentou e eu comecei a falar. Contei que sonhava com ele há muito tempo, que desenhava seu rosto todos os dias. Que procurava imperfeições, mas nenhuma aparecia. Ele me disse que sonha comigo desde aquele dia árvore. Que sabia que me encontraria, mas não sabia aonde.

O tempo era nosso inimigo aquela noite. Eu precisava ir. Eu precisava voltar para casa. Eu não queria, mas eu tinha. Conversamos o resto da noite e meu celular não parava de tocar. Eram minhas amigas me procurando para saber o que tinha acontecido comigo. Numa dessa eu atendi e falei que estava bem e que não eira embora com elas. Eu e Juninho conversamos incansavelmente, tínhamos perguntas e não só queríamos respostar, merecíamos respostar. Mas à noite me atrapalhou. Eu precisava ir embora. E eu fui. Mas antes, e dessa vez era de verdade, dei meu endereço e o numero do meu celular a ele. Eu sabia que ele me ligaria. Mas antes ele me disse: ‘Você é mais corajosa do que pensei. Vejo-te amanha às 17h aqui. Se quiser eu vou te buscar de carro. Precisamos conversar.’

E eu com medo de perdê-lo só pedi que ligasse e que não sumisse.