Endless

10 Capitulo 10 – Confissões de Juninho.


Depois de todas as perguntas e de tudo que já havíamos conversado falei com ele sobre ele ir a minha casa conhecer meus pais. Afinal, ele foi e sempre seria uma parte importante tanto para mim quando para todos que me conheciam. Ele concordou sem excitar. Adorou a idéia de conhecer meus pais e familiares.

Ele me contou a historia dele. Falou que tinha perdido o pai e mãe há pouco tempo em um acidente na agencia onde trabalhavam. Contou também que era adotado, mas que isso não vinha ao caso, pois para ele, adotado ou não, eles eram seus pais de verdade, as pessoas que cuidaram dele quando ele mais precisava. Contou-me de como havia entrada para o pega da rua 18 e como tinha se tornado a manda-chuva. Foi logo após a morte de seus pais. Ele não sabia como arranjar dinheiro para conseguir sobreviver então procurou um amigo que, sabendo que ele dirigia muito bem, o levou a esse pega. Lá ele sentiu uma coisa estranha, uma adrenalina diferente que ele não sabia explicar. Quando entrou no carro descobriu que era lá que ele deveria estar. Dirigiu como se nada pudesse pará-lo. E era verdade, nada poderia parar ele. Ele ganhou a corrida e assim como eu foi levado até a sala grande. Lá conheceu Pierre, na época a manda-chuva da rua 18. Juninho aos poucos foi conquistando a confiança de Pierre, e quando se deu conta, já estava tão envolvido quanto ele. Poucos meses depois a mãe de Pierre faleceu e ele, atendendo a um pedido dela, se despediu da rua 18 para sempre deixando Juninho no poder.

A cada mês que passava ele ficava mais forte. Todos envolvidos só queriam saber de uma coisa: Serem seguidores dele. E cada vez mais ficava difícil chegar a esse cargo. Ele era o melhor. Seguir o melhor não era para qualquer um e eu sabia disso. Ele disse que me procurava. Que o cada dia que passava, mais ele ficava angustiado com a minha demora. Ele sabia que íamos nos encontrar. Não sabia como nem aonde, mas como eu, ele sabia. Quando me viu chegando ao longe naquela arena improvisada ele sabia quem eu era. Todos tinham duvidas, mas ele não. Ele sentia que era eu, mas mesmo assim quis fazer um teste. E o teste foi à corrida. Se eu aceitasse, e ele não tinha duvidas de que eu aceitaria, as duvidas chegariam ao fim. Quando subi a escada para encontrá-lo ele só perguntou meu nome para que todos pudessem saber quem eu era.

Agora eu havia entendido. Todos sabiam da historia. Por isso todos os olhares se voltaram para mim quando eu revelei meu nome. Tudo estava explicado. E eu não via a hora de poder voltar lá e olhar todos aqueles rostos novamente. E mais! Não via a hora de entrar de novo dentro daquele carro.