Endless
2 Two
Notas iniciais
- Ainda fumando? – ele perguntou ao se sentar.
- Não mais. Depois do resultado de hoje, eu acredito que não acenderei um cigarro por um bom tempo. – apenas respondeu, e deu uma colada no suco de cor avermelhada.
- Mas ainda tá com um na mão por quê?
- Ah sim, apenas o costume de possuir algo em mãos sabe? Não o levei a boca um só momento.
Ele fez o pedido da Coca-Cola enquanto a garçonete se retirava ele segurou a mão dela que jazia há um tempo sobre a mesa.
- Ainda procurando o nome na latinha? – ela riu ao fazer a pergunta.
- Não, apenas preciso de algo gelado. – depois de cinco anos juntos ele ainda continuava objetivo em suas palavras.
- Como passou o dia? – quis saber, afinal não era comum ele chegar tão antes da hora marcada no Caffé.
- Não tão ruim. Apenas algumas reuniões. E o seu? – sorriu dócil a garçonete que lhe trazia a Coca-Cola.
- O de sempre; minha mãe tagarelando sobre não ir tão rápido com o carro e papai me ligando de cinco em cinco minutos para ver como eu estava. – sorriu, seus pais eram mesmo exagerados, nem estava doente de verdade.
- E então como foi o exame? – perguntou, olhando para ver se dessa vez a tal da Coca-Cola resolvera colocar seu nome escrito.
- Ah sim, está tudo ótimo comigo, a médica só disse para retirar o cigarro por um tempo indeterminado...
- Por quê?
- Apenas por segurança própria – ela riu lembrando-se de algo que o médico disse, e ele ficou sem entender.
- Ah sim, feliz três anos de casamento – ele retirou do paletó impecável um pequeno embrulho na cor negra com uma pequena fita prateada.
- Você está frio, não sei o motivo. – ela pegou o pequeno embrulho e o abriu. Passaportes e duas passagens.
- O voo sai em três horas. – ele disse levantando e indo em direção ao caixa pagar a Coca-Cola que quase não bebeu e o suco, que ela havia pedido mais cedo ao voltar encontrou-a de pé exibindo a roupa um pouco larga e sem salto. Ela nunca ficava sem salto, ele constatou que talvez algo estivesse errado. – Você anda diferente e não me contou o motivo.
Ela ficou quieta enquanto ambos adentravam no carro dele.
- Feliz aniversário de casamento pra você também. – Da bolsa, ela tirou um embrulho não tão pequeno e o entregou. Era azul claro alguns desenhos um tanto infantis coloriam a caixa com um laço rosa bem claro... Tão infantil da parte dela, ele pensou.
Ao abrir a caixinha teve uma surpresa ao constatar que dentro havia um papel, um exame. Um teste, o qual possuía letras verdes estonteantes e que lhe causou uma alegria absurda. POSITIVO, era o que o teste dizia. E ao abrir o resto do embrulho achou um par de sapatinhos brancos tricotados.
- E então?
- Foi o melhor presente da minha vida. – ele sorriu de uma forma completa, absoluta.
- Então se prepara. – ela falou e retirou outro par de sapatinhos de lã, dessa vez amarelo.
- Sério mesmo? — ele abriu mais ainda o sorriso, se ao caso isso era possivel
- Sim, e não acaba por aqui... – falou novamente colocando a mão na bolsa rindo.
- Outro? – ele arregalou os olhos... TRIgêmeos?
- Não, era só pra te ver rir bobão. – eles riram juntos.
- Eu nunca imaginei que a cinco anos atrás te convenceria com a história de que antes do acidente eu era seu namorado. – ele riu ligando o carro.
- Mas era meu melhor amigo, então você sabia tudo sobre mim, eu que fui lerda de não perceber a sua falha.
- Que falha?
- Se apaixonar tão rápido por mim.
Ele sorriu mais nada falou, ela tocou de leve a mão na bochecha dele a acariciou.
- Você fez isso bem antes de eu te reconhecer, namorido – ele riu, foi a primeira coisa que ela disse quando casaram.
Deram um pequeno selinho coisa rápida e partiram para o aeroporto. Não importava a idade, ambos sempre fariam loucuras, incluindo viajar sem avisar a ninguém, sem malas. Pra que malas? Tinham um ao outro. E teriam para sempre. Ela nunca se lembrou das coisas que aconteceram antes do acidente, mas ele contava histórias da amizade de ambos, e de como se conheceram no Caffé. Tiveram Hazel e Kyo, os gêmeos e logo após quatro anos tiveram Yuki, o menino mais novo. Se foram felizes antes? Sim, é claro que foram, mas ela mesma dizia que não trocaria a felicidade de hoje por nada. ’’
- E foi assim que eu contei pro vovô Sasuke que eu estava grávida do pai e da mãe de vocês.
- Realmente, é por isso que eu gosto do Natal – uma menina de cabelos negros dizia.
- A vovó sempre tem as melhores histórias. – um outro disse, o de cabelos azulados.
- Mamãe, papai, crianças; o jantar está servido. – uma voz feminina gritava da cozinha Hazel, a mais velha.
- Realmente mulher, você não cansa de contar essa história para eles?
- Eu não cansei até hoje de te amar, por me cansaria da história de nós dois? — ambos já grisalhos selaram o amor com um beijo, em quanto de longe, Hazel, Kyo, Yuki e o resto da família observava o tamanho infinito daquele amor.
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