End To Beginning
1 A Carta
Enquanto abria seus olhos, sentia o vento em seu rosto, os braços dela em volta de seu pescoço, debaixo da árvore, tudo tão calmo. Sua camiseta azul está meio desgastada e sua bermuda rasgada. Ele deita seu ouvido sobre o peito dela, ele sente sua respiração; bem calmamente, sim, dá um beijo em seus finos e vermelhos lábios, talvez pela última vez que está sentindo esse doce gosto em sua boca.
No pequeno papel em sua bermuda junto da caneta, ele pensa descrever sua situação, ele não a quer deixar, mas precisa ir, sim, seus 'para sempre' e suas promessas estão sendo quebradas neste exato momento pelo seu coração. Ele ainda não sabe o que escrever para ela, ele pensa em um modo que não a machuque e que não mate seus sentimentos e memórias, depois de 2 anos juntos, presos um ao outro, como uma prisão, mas pelo amor, pela a vida e pelo temor de ambos. Não, ele não quer imaginar ela chorando ao ler isso, o coração dela se apertando a cada palavra, lágimas de sangue descendo pelo seus olhos e um maníaco pensamento de suicídio. Ele pára e reflete sobre suas palavras, um 'Eu te Amo' não ajudará à ela a te perdoar depois de sua partida, então, ela acaricia sua bela pele branca, não pode ficar ali por mais tempo, muito perigoso, ela pode acordar, ela pode o prender por mais um dia, e ele não pode permanecer mais.
Pela primeira vez cai uma lágrima de desespero e dor em seus olhos nesse belo amor que têm mantido, mas tudo tem sua hora, e a hora dele está chegando.
Ele parou, respirou profundamente, e pela última vez, pensou nas suas palavras, e elas de derramaram sobre o pequeno pedaço de papel:
- "Primeiro, quero que saiba que eu a amo, mais que tudo, espero um dia poder beijar seus lábios novamente, você sabe, não podemos manter mais esse amor entre nós, não quero te ver chorar mais e sofrer nas mãos deles, sim Anne, não quero te perder, mas eu fiz de tudo, e não importa onde eu esteja, eu sempre estarei em nossas fotos, lembranças e memórias deixadas ao vento, espero que possa me perdoar, porque você foi a melhor coisa que me aconteceu desde que vim para cá. Lembre-se que eu ficarei para sempre em seu coração, com todo amor, Peter."
Assim se concluiu sua esperança de um futuro perdão, Peter, sabe que talvez isso seja impossível, que isso seja insuportável para o coração de Anne, mas ele sabe que foi necessário, preciso e doloroso. Ele tenta correr de suas dores mas isso não foi o bastante para fazê-lo um pouco mais frio sobre isso. Então, ele bota sua pequena, folha, carta, todo seu coração, dentro da jaqueta de Anne. Ele olha mais uma vez para seu belo rosto e diz: "Eu te amo", sim quase aos sussurros para que ela não possa escutar, então ele chega mais perto de seu pescoço, acariciando seus belos e lisos cabelos castanhos e dá mais um beijo, e parte para o mundo.
Ele se levanta, caminhando calmamente pela grama, na parte dos fundos de uma casa abandonada no subúrbio, pega sua bicicleta, lágrimas começam escorrer de seus olhos cor de mel, com uma raiva apertando seu peito, seu coração recusa a entrada de qualquer outro sentimento que o possa fazer a esquecer, mas por mais uma vez ele acha que não há outra maneira de fazer isso, ele está suando frio, com medo, e ainda nem saiu do pequeno cercado, talvez ainda seja 6h00m da manhã, ou menos, seu estômago nem pensa em comida ainda, mas ele sente que precisa se manter durante essa nova possível viajem que virá.
Não há uma razão para Peter estar tão assustado a ponto de olhar para os lados verificando se alguém está o observando, essa decisão virou uma paranóia inexplicável, ele tenta se livrar dessa maldição que o persegue, mas já é muito tarde, ele se prendeu a ela. Talvez ele não tenha muita escolha do que fazer para não magoá-la, mas ele tem em mente que ela irá compreender suas palavras, nem sempre as coisas funcionam do modo que ele pretende ser, mas ele mantém sua fé naquelas palavras.
Finalmente, ele está saindo pelo buraco feito na grade da casa abandonada, pela lateral, ele se vira e olha, Anne, ainda adormecida em si mesma, ele espera não ter cometido m erro grave, mas está na hora de partir, um último suspiro para seguir em frente.
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