Capítulo 87 — Que os jogos comecem

- Bom...se não se importa — Geraldo adentrou pelos portões do local, seguido de seus campeões — Vamos entrar. Com sua licença..

Os cinco entraram em silêncio, com exceção de Lisandra.

- Nossa, aqui é grandinho, heim? — comentou ela — O IPTU deve ser caro...e pagar a dívida que é bom, nada, né?

- Isso não é da sua conta, garota — reclamou Wong — Tudo bem, entrem. Logo começaremos as festividades.

Lien e os outros estavam por ali, mas ficam surpresos em ver que os grupo de Geraldo havia chegado primeiro.

- Como vai, futura noiva? — provocou Golias — Espero que esteja pronta!

- Vai sonhando... — reclamou Lien — Você vai sair daqui chorando que nem um nenénzinho!

- Heh! E algum de vocês tem chances contra mim? — ele continuou provocando — Aliás, essa é a sua equipe? Duas menininhas e um palhaço vestido de quimono?

- Como é que é?! — reclamou Astolfo — Olha aqui, cara. Tô aqui na humildade, esperando uma luta na boa, mas se vai ficar tirando...a gente pode resolver isso sem cerimônia nenhuma, tá ligado?

- Acalme-se, Astolfo — disse Amanda — Mantenha o controle. Um bom artista marcial precisa saber manter a compostura diante de provocações e..

Foi aí que ela viu Lisandra, olhando e xeretando pela academia. Obviamente, uma morena com mais atributos curvilíneos sempre mexeria com os complexos de Amanda. Embora a presidente do grupo disciplinar já tenha visto Lisandra por vídeo, não era a mesma coisa que vê-la pessoalmente.

- Olha só...você tem uma academia bem da hora mesmo, heim, vovô? — Lisandra comentava, enquanto olhava cada canto da academia.

- Ela também é da equipe adversária, não é? — perguntou Amanda.

- Sim — respondeu Golias — Mas não pensem que ela é fraca.

- Lisandra! Lisandra! — Samuca, o mais novinho da equipe chega gritando — Tem um lanche legal aqui na outra sala!

- Sério? Oba! Tô com fome!

- Aquele menininho também é da equipe? — comentou Kéfera — Vocês não tem muita moral pra falar da gente...

- Heh! Não se engane — continuou Golias — Aquele moleque consegue derrubar muito marmanjo por aí.

- Sério mesmo? Fiquei curiosa — falou a loirinha, esperando mesmo encontrar adversário fortes.

- Mas já estão comendo nosso lanche? — reclamou Alex — Que caras mais folgados!

- Ué? Não era pra gente? — perguntou Samuca.

- Tudo bem, Alex. Não vamos negar comida — comentou Wong.

- Fico feliz em ouvir isso — comentou Tanaka, o lutador de sumô, cujas roupa devia ser bem difícil de encontrar — Apesar de que só isso não dá nem pro buraco do dente...

- Oh, cara...e eu achando que iriam sobrar uns pãezinhos de queijo pra mim — reclamou Alex.

- Imagino que você cuidará do áudio-visual de nossa luta, não é? — perguntou Geraldo, ao se aproximar do rapaz.

- Hã?! — o coração de Alex começou a bater mais rápido, afinal, Geraldo sabia que Alex andou espionando os treinos do grupo — Bem...eu...gosto dessa parte de filmagens...

- Eu sei, eu sei..hohoho — riu o velho mestre — E imagino o quanto deve ser bom nisso.

Alex engoliu seco. Mais do que isso, Alex sabia o quanto aqueles caras eram fortes. Mas ele também tinha acompanhado todos os treinos de André.

- Bem, seja como for... — balbuciou Alex — Um lanche não vai fazer diferença no final dessa disputa.

- É, tem razão. Vai ser difícil viver com essa vergonha. Meu caro, Wong...podemos começar?

- Um de nossos membros ainda não chegou — comentou Wong — Achei que já tivesse dito..

- Bom, já se passaram alguns minutos da hora combinada. Se ele não aparecer em pelo menos dez minutos, vamos considerar W.O...ou talvez um dos outros membros deverá luta mais de uma vez, o que seria a mesma coisa de perder.

- Como é? — reclamou Wong.

- Ora...se com toda a força vocês tem poucas chances, cansados de outra luta, vocês não teriam chance nenhuma — disse Geraldo.

- Você está mesmo confiante, não é? — disse Wong.

- Só estou sendo realista, meu caro amigo — respondeu o mestre rival.

- Se o Álvaro não vier... — disse Lien, entrando na conversa — Eu luto no lugar dele.

- Troféus não lutam — disse Geraldo, para deixar Lien ainda mais furiosa.

"Velho nojento!", pensou ela, "Se eu pudesse..quebrava a cara dele agora!"

- Acalme-se, noivinha — disse Golias, que estava perto, tocando o queixo dela — Depois dessa luta vou cuidar muito bem de você e..

Um amendoim que André estava comendo atingiu a bochecha de Golias. Foi o próprio André quem jogou.

- Algum problema? — perguntou Golias.

- Não vou deixar que toque nela até nossa luta acabar — disse André, sem mostrar receio.

- Heh! Não se preocupe...logo, logo isso vai acabar — falou o jovem gigante — Se quiser, podemos ser os primeiros a lutar.

- Não, não — falou Geraldo — Será mais interessante se os herdeiros lutarem por último...dá mais emoção.

- Tá legal. Seremos os últimos, então. Assim você terá bastante tempo pra rezar, amiguinho — falou Golias, bagunçando o cabelo de André.

"Mas é melhor assim", pensou Amanda, que ouvia a conversa toda, "Se garantirmos três vitórias logo no começo, André não precisará lutar"

- Boa, vamos decidir a ordem das lutas! — disse Samuca, todo animado — Quero ser o primeiro!

- Eu também quero ir primeiro! — disse Kéfera.

- Ah, vai, deixa eu ser o primeiro, não seja má, vai? Eu quero ser o primeiro! — disse Astolfo, animado.

- Mas o Álvaro ainda nem chegou — lembrou Wong.

- Talvez tenha ficado com medo mesmo — disse Lisandra — Vamos considerar a luta dele como perdida...W.O, vovô.

"Se ele desistiu mesmo...", pensou Wong.

- Não! Vamos esperar mais um pouco! — falou André — Eu...tenho certeza de que o Álvaro nunca deixaria a Lien na mão!

- Está bem — disse Geraldo — Mais cinco minutos. Se ele não chegar nesse meio-tempo...vamos considerar W.O.

- De acordo — respondeu André.

Enquanto isso, Lien se aproximou do namorado.

- Nossa, André...você confia tanto no Álvaro...apesar dele viver dando em cima de mim e...

- É diferente — balbuciou André — O Álvaro é muito diferente do Golias. O Golias...não parece ser uma boa pessoa...já começa por aí.

- Entendo... — falou Lien — Mas...espero mesmo que o Álvaro não nos deixe na mão.

Assim que Lien terminou de dizer essas palavras, a campainha tocou.

- É ele! — todos falaram ao mesmo tempo.

Alex correu para atender a porta. Sim, era o próprio Álvaro.

- Desculpem o atraso — disse o tenista — Eu me perdi.

- Se perdeu? E o mapa que eu te mandei?

- Achei que já tinha memorizado — falou ele — Mas acho que troquei a rua que precisava entrar...ainda bem que peguei um táxi. A propósito..

- O que foi?

- Pode me emprestar um dinheiro para pagar o taxista? Eu saí de casa meio desprevenido....tenho só dez reais aqui e precisava de mais seis — pediu Álvaro.

- Tsc...se for pra você entrar logo e começarmos a luta....toma!

Finalmente Álvaro chegou, pagou o táxi e chegou no saguão, acompanhado de sua mochila com bolas e raquetes.

- Nada temam, amigos! — disse ele — Estou aqui para salvá-los..

Pena que ele não viu uma de suas bolas de tênis caírem no chão e tropeçou nela. Mas nada grave.

- Ai, ai, eu tô bem...eu tô bem — falou o tenista.

- Hauhauahhaa! — Golias caiu na gargalhada — Era esse cara que vocês estavam esperando?! No fim, não fez diferença nenhuma ele vir ou não! Por que não desistem logo?

- Ora, seu — reclamou Álvaro — Não subestime o poder do tênis marcial.

- Tênis marcial? Isso deve ser engraçado — falou Samuca.

- Bom, já que tá todo mundo aqui — disse Lisandra — Por que não começamos logo essa bagaça?

- Sim, sim...vamos nos organizar — falou Geraldo — Os herdeiros lutarão por último...mas podemos decidir a ordem dos outros combates via sorteio. Caro Wong, você teria algum pedaço de papel e uma caneta com você?

Lien trouxe os materiais e Geraldo cortou o papel em oito pedaços. Depois disso, escreveu pares de números do um ao quatro e colocou quatro pedaços em um copo de plástico e os outros quatro em outro

- Cada equipe ganha um copinho tem números de um a quatro...

Lisandra pegou um copo e Kéfera pegou outro.

- Agora — continuou Geraldo — Cada membro tira um papelzinho e seu adversário será a pessoa com o mesmo número da outra equipe. Seguiremos a luta na ordem numérica...de 1 a 4. As lutas não terão limite de tempo e a única limitação para armas é que não sejam letais. A primeira equipe com três vitórias vence. Não é muito difícil, é?

- Heh! Perfeito — falou Álvaro — Vamos logo!

E assim se fez. Cada um tirou um papel e a ordem das lutas foi verificada. Astolfo e Tanaka tiraram 1. Kéfera e Samuca ficaram em segundo. Álvaro e Gaspar em terceiro. Amanda e Lisandra em 4.

"Ótimo", pensou Amanda, olhando para Lisandra, que parecia indiferente a seu adversário. "É com ela mesma que eu queria cair.."

- Uma menina — disse Samuca -Mas não pense que eu vou pegar leve, heim?

- E não pense que eu vou pegar leve por você ser criança — falou Kéfera.

- Opa. Vou ser mesmo primeiro. Hehe! — disse Astolfo, olhando para seu enorme adversário Tanaka, que ainda estava devorando alguma coisa do lanche.

- Eu começo? Então tá — disse Tanaka, ainda mastigando algo.

- Certo — disse Mestre Wong — Decidida a ordem das lutas...vamos para a arena.

- Arena? — perguntou Lisandra.

- Sim. Lien e eu preparamos um palco especial para as lutas do lado de fora da academia. Por favor, sigam-me.

- Tudo isso pela gente? Que consideração — falou Golias.

- Não. Fizemos isso em consideração às artes marciais — respondeu Lien — Respeito...algo que você deveria ter.

- Quando nos casarmos, você não vai falar assim comigo — comentou Golias, para fúria de André e Álvaro que ouviam a conversa.

- Não se preocupe — Álvaro disse baixinho para André — Eu vou defender a honra da sua prima.

- Nós não somos...ah, faça o seu melhor, Álvaro — suspirou André.

Todos saíram e viram a enorme arena com decoração chinesa por cima e um grande palanque com cerca de dez metros quadrados.

- Uau! Então vamos usar mesmo a arena especial, mestre? — perguntou André, que embora já tivesse visto aquele local, nunca havia treinado ali.

- Nós separamos esse local para eventos especiais da academia...gostaria que você lutasse aqui em outras circunstâncias, Andre, mas...um evento tão decisivo para nós quanto este exige uma arena assim. Temos a nossa honra!

- Gostei — falou Golias — Vai servir bem para os nossos treinos...

- Sempre falando como se já tivesse vencido, tsc, odeio esse cara — reclamou Lien.

- Muito bem. Agradecemos seu esforço, Wong — disse Geraldo — Sendo assim, acho que podemos começar. Os primeiros lutadores estão prontos?

Astolfo e Tanaka se encararam. A primeira luta será deles.

Notas finais
Eu sei, eu sei que falei sobre começar a luta nesse capítulo, mas não resisti em aprofundar o primeiro contato dos nossos heróis com os adversários. Mas no próximo a porrada vai comer! Eu prometo!

Até lá!