Capítulo 52 — Que triunfe a melhor jogada!

A "luta esportiva" entre Álvaro e Nick continuava na inusitada noite da competição no Colégio Lua Minguante. E, para alguém que apenas defendia e se esquivava até agora, Nick preparava seu ataque. As posições se inverteram: agora era Álvaro que preparava sua defesa.

- Muito bem...vamos ver o que você tem — disse Álvaro, preparado para rebater qualquer bola.

- E vamos ver como você defende — disse Nick, que continuava a bater sua bola, preparando-se para o lançamento.

- Ah, o Álvaro é tenista — comentou André, que assistia a luta do lado de fora da quadra com os outros — Vai ser fácil rebater algo grande como uma bola de basquete.

- O problema é que vai ser uma bola de basquete bastante energética, né? — complementou Lien — Será que a raquete aguenta?

A resposta viria logo. Após mais algumas batidas na bola, Nick a lançou com toda a fúria. Álvaro consegue rebater sem problemas, ou pelo menos era o que ele achava.

- Heh. Não subestime um tenista experiente — disse Álvaro — Claro que eu iria rebater essa coisa espalhafatosa sem problemas e...o quê?

- Percebeu agora? — disse Nick, com um sorriso triunfante. Sim. A raquete de Álvaro havia se espatifado com o choque da bola.

- Como assim? Essa raquete é muito resistente! Devia aguentar qualquer coisa! — exclamou o pobre tenista desesperado.

- Mas acho que não uma bola de alta energia, não é? — falou Nick, já de posse da sua bola novamente — Ou talvez você tenha forçado demais, fazendo a raquete quebrar por seu próprio exagero...

- Bem...na verdade...eu achei que precisava rebater com força mesmo — disse Álvaro, coçando a cabeça — Tsc! Parece que não posso mais usar a raquete.

- Que pena, não é? Mas como um tenista marcial lutará sem uma raquete? — perguntou Nick, agora com um sorriso triunfante. As coisas não estavam indo muito bem para o lado de Álvaro.

- Aquele idiota...por que foi rebater com tanta força? — reclamou Lien — Se tivesse maneirado, talvez a raquete ainda estivesse inteira.

- Se aquela bola fez aquilo com uma raquete, imagina o que ela faz com o corpo humano, heim? — perguntou Alex, que continuava a filmar tudo, sem perder nenhum detalhe.

- Acho que também dá para usar a própria energia interior para defender golpes assim — disse Amanda — A questão é se o Álvaro tem condições de se concentrar para isso.

- Não se preocupe — falou Nick — Não lançarei a bola com energia tão alta a ponto de perfurar sua barriga..mas isso com certeza vai doer mais que uma bola de queimada.

- Tsc. Não pense que sou indefeso só porque estou sem minha raquete e minhas bolas de tênis — afirmou Álvaro — Ainda tenho muitas habilidades.

- É? Então acho melhor começar a usá-las logo! — exclamou Nick, lançando sua bola na direção de Álvaro sem dó. Ele consegue se desviar, mas foi por muito pouco.

- Isso é quase queimada mesmo — comentou Álvaro — Mas ainda tenho minha agilidade e tenho a força do amor do meu lado.

- Amor? — estranhou Nick.

- Enquanto Lien Wong estiver me assistindo....eu não perderei! — exclamou Álvaro, explodindo em entusiasmo.

- CALE A BOCA! — gritou Lien — Ou eu é que vou te derrotar no lugar desse cara!

- Não precisa usar psicologia reversa para me entusiasmar, querida Lien Wong — disse Álvaro, como sempre, não se tocando de que a chinesinha não queria nada com ele — Eu vencerei com certeza!

- Acho bom mesmo ele vencer — falou Alex — Afinal, nós caímos fora com uma única derrota.

- É...acho que acabou para você — disse Nick — Na próxima, eu não vou maneirar!

E o jogador de basquete lançou a bola mais uma vez. Álvaro sente a pancada de raspão agora. Foi como se uma fagulha passasse por seu braço. A dor da queimadura devido à alta energia da bolada foi tensa.

- Aaaaayu! Isso queima mesmo! — reclamou ele.

- Isso mesmo. A dor de uma bolada com esse nível de energia é como se fosse uma queimadura. Se desistir agora não precisa sofrer mais — falou Nick — Mas não gostaria de ganhar assim.

- E não vai ganhar — falou o tenista — Eu vou até o nocaute!

- Assim é que se fala — disse Nick, enquanto batia sua bola de novo — Sabe, eu topei participar desse desafio porque imaginei que pudesse encontrar adversário fortes. Nos jogos de basquete da escola nunca posso usar todo o meu potencial...e só de conhecer um outro esportista marcial já fiquei bem feliz.

- Então essa será uma luta entre dois grandes esportistas marciais — falou Álvaro, mantendo a guarda mesmo enquanto conversava — Mesmo que no momento eu esteja em ligeira desvantagem.

- Eu diria que você já perdeu. No momento em que está sem sua raquete, é como se tivesse perdido um membro do corpo. Você não costuma lutar sem seus equipamentos esportivos, não é?

- De fato, eu sou mais acostumado com eles — explicou Álvaro — Mas isso não significa que eu dependa totalmente deles.

- Quero só ver — falou Nick — Se eu lançar a bola seriamente na próxima vez, a luta acaba! Quer apostar?

- Veremos.

E é o que Nick fez. Álvaro tenta desviar, mas agora havia um diferencial. Nick também correu junto com sua bola e a pegava, lançando na direção de Álvaro sem descanso. O tenista penava para se desviar de todas, mas estava cada vez mais difícil.

- Não acho que eu fosse deixar fácil sempre, achou? — disse Nick — Vamos ver se você é bom atleta mesmo!

- Droga — reclamou Álvaro, enquanto ficava cada vez mais complicado se esquivar dos lançamentos de Nick.

- Putz, esse cara é bom mesmo — comentou André — Agora ele está totalmente na ofensiva.

- Será que não tem nenhuma brecha? — perguntou Alex.

- Sim, tem sim — falou Amanda — Na verdade, é algo óbvio.

- Como assim? — perguntou André.

- Nick precisa da bola para atacar, mas...e se ele perder a bola? — disse Amanda, com uma pose pensativa — Ele também seria um atleta sem sua principal arma.

- Mas...ele é um jogador de basquete — falou Lien — Mesmo que o Álvaro pegue a bola dele, o Nick com certeza deve recuperá-la bem rápido.

- Sim. O Álvaro teria que se virar para conseguir pegar a bola do Nick.

"Exatamente", pensou Álvaro, embora tivesse ouvido bem pouco do que Amanda sugeriu, "E se ao invés de fugir eu tentasse...usar o golpe dele contra ele mesmo?"

- Agora...essa é para marcar o fim da partida! — exclamou Nick, com um sorriso satisfeito, preparando para lançar com toda sua energia.

"Tudo bem ,tudo bem, é só me concentrar...concentre a energia interna nas mãos e tente pegá-la como se fosse uma bola de queimada", pensou Álvaro concentrando-se como nunca havia se concentrado na vida.

- Prepare-se! — Nick lançou a bola com tudo e Álvaro se concentrava ao máximo. Embora tenha sido difícil aguentar a dor do impacto, o tenista consegue pegar a bola com as mãos.

- Aaaaaaahhh!! — ele gritou, mas conseguiu pegar a bola.

- Você é louco? Pegou a bola com as mãos nuas? Com essa energia, é quase como queimar as mãos — retrucou Nick.

- Mas o importante é que eu peguei a bola — disse Álvaro — E agora quem está desarmado?

- Aeeeh! Ele conseguiu! — comemorou André — Deu certo.

- Só espero que ele consiga manter a vantagem — disse Lien.

- Boa jogada — disse Nick — Mas você está enfrentando um jogador de basquete. Posso pegar essa bola em um piscar de olhos.

- É? Então pode vir pegar — provocou Álvaro — Está aqui...para você!

- Não me subestime — disse Nick, correndo na direção de Álvaro, mas dessa vez o tenista conseguiu uma vantagem. Quando Nick se aproximou o suficiente para pegar a bola, Álvaro conseguiu encaixar a esfera bem na barriga do adversário. Aqueles poucos segundos de conversa serviram para Álvaro concentrar mais energia interior na bola e causar uma dor terrível no desavisado Nick.

- Aaaaaaah! Minha...barriga — falou o jogador de basquete, recebendo uma bolada de alta energia no estômago.

- Não é muito diferente concentrar energia em raquetes ou em bolas. Trata-se só de concentrar energia em algum objeto — falou Álvaro.

- D...droga — reclamou Nick — Você me pegou! Ai!

O pobre jogador de basquete caiu no chão com as mãos na barriga. Alex começou uma contagem imediatamente.

- Opa! Ele caiu no chão! Um, dois...

- Acho que não levantar nos dez segundos — falou Nick — Ai, essa doeu demais. Você levou essa, tenista marcial.

- Ora...eu...eu venci? — Álvaro não podia acreditar.

- Dez! O Álvaro venceu! — anunciou Alex.

- Sim, venceu — falou Nick, ainda aguentando a dor da pancada — Tome..

Ele tirou uma chave dos bolsos.

- A chave do próximo desafio? — questionou Álvaro.

- Sim. A próxima luta será dentro da escola. Boa sorte — falou ele — E valeu pela luta.

- Heh! Você tem um bom espírito esportivo — reconheceu Álvaro. Nisso, o resto da turma entrou na quadra, parabenizando o tenista.

- Aeh, valeu Álvaro! — disse André — Aquele ataque à curta distância foi o máximo!

- Bem, modéstia à parte, tenho muitas habilidades — disse ele, gabando-se e, claro, aproveitando a deixa para pegar nas mãos de Lien — Lien Wong. Essa vitória me deixou mais perto do seu coração?

- Nos seus sonhos! — retribuiu ela, lançando Álvaro para longe — Sua obrigação era ter vencido!

- Calma, calma, não precisa ser assim — falou Alex — Vai deixá-lo nocauteado mesmo tendo vencido a luta.

- Bom, acho que agora continuamos a batalha, não é? — falou Amanda — A próxima luta será no prédio do colégio...imagino que outros lutadores eles tem lá.

O diretor Mendonça acompanhava tudo pelas câmeras. Agora ele já estava mais preocupado.

- Esses moleques...acho que são mais fortes do que eu pensei — disse o diretor, com uma voz não muito satisfeita — Draco! Tem certeza que pode com eles?

- Não se preocupe — falou Draco, o jovem rapaz que o acompanhava — Essa luta é nossa, e além disso...eles precisarão passar por mais um lutador até chegar aqui.

- Não estou acreditando muito — reclamou o diretor.

- A vitória é garantida — confirmou Draco — Eles são fortes, admito, mas ainda precisarão de muito para vencer essa competição.

Será que os próximos adversários são tão fortes assim?

Notas finais
Continue acompanhando essa saga. Até o próximo! ^^