Capítulo 96 — Rebatendo as Espadas Luminosas

A presente batalha era Álvaro, o tenista marcial, contra Gaspar, o portador da espada de madeira. O primeiro ataque de Álvaro não surtiu muito efeito em Gaspar que rebateu a bola facilmente. Mas é claro que a luta não iria se resumir a isso.

- Não sei, não... — Alex não parecia muito confiante — Acho que o Álvaro vai ter problemas.

- Vira essa boca pra lá! — reclamou Lien — Esse imbecil tem que ganhar ou a situação do nosso lado vai ficar feia.

- Vamos ter fé nele, Alex — disse André — Se é a felicidade de Lien que está em jogo, ele vai dar o melhor de si. Eu garanto.

- Você sabe que ele dá em cima da sua namorada, não sabe? — lembrou Alex.

- Deixe isso de lado agora — falou André — O importante é a luta.

- Você deve ser um anjo.. — comentou o amigo, voltando a filmar a batalha. Kéfera e Astolfo não tiravam os olhos da arena e Amanda estava com os neurônios a mil imaginando os possíveis cenários daquela luta.

"Se o Álvaro perder", pensava ela, "Teremos que confiar em André. Tsc. Essa é umas poucas vezes na vida que eu realmente sinto medo."

De volta à luta, Gaspar mantinha sua postura imóvel. Álvaro sorriu.

- Heh! Não pense que é só isso! — falou ele — De onde veio essa...tem muito mais!

O tenista lançou pelo menos mais quatro bolas na direção de Gaspar. No entanto, ele rebateu todas sem precisar sair do lugar. Sua habilidade com a espada era impressionante.

- Essa tá no papo — comentou Golias, com os braços cruzados e um sorriso maldoso no rosto.

- Não adianta — disse Gaspar — Posso rebater qualquer coisa que você jogar.

- Agora está falando como um tenista de verdade — disse Álvaro — Ou seria mais como um jogador de baseball...enfim, não subestime um tenista marcial. Se o negócio é sacar...eu sou a pessoa certa para isso!

Álvaro pegou uma quinta bola e atirou no adversário. Mas agora aconteceu algo diferente: Álvaro não mirou aquele saque em Gaspar e sim no chão. A bola soltou uma cortina de fumaça. Pelo que parecia, Álvaro não tinha apenas bolas comuns em sua mochila.

- Beleza! Ele começou a agir de verdade! — comemorou Astolfo.

- Isso está dentro das regras? — questionou Kéfera.

- Se aquele cara pode usar uma espada, o Álvaro pode usar bombas de fumaça — completou Wong.

Gaspar ficou mais atento, já que Álvaro saiu de sua vista. De repente, o lutador de kendô sente dois impactos fortes e dolorosos em suas costas, jogando-o para longe. Álvaro finalmente estava agindo.

- Tsc! — reclamou Gaspar, voltando-se para trás após o impacto, apenas para receber mais uma bolada nas costas.

- Ora, ora... — provocou Álvaro, assim que a fumaça havia abaixado — Você não disse que podia rebater qualquer coisa?

- Então...é assim que você quer jogar? — perguntou Gaspar, sem tirar sua postura séria do rosto.

- Se for para vencer, usarei o que for necessário. Os fins justificam os meios — disse o tenista, voltando a assumir uma pose confiante.

- Ué? Agora ele voltou a ter marra? — estranhou Alex.

- É verdade que fui enganado com aquele tônico fortificante — falou Álvaro — Mas isso não quer dizer que não tenha chances de ganhar!

Mas, de repente, Álvaro tirou o sorriso de seu rosto. Gaspar, que raramente mudava de expressão, agora lançou um olhar gelado. Ele parecia bem sério com o que viria a seguir. Álvaro deu um salto para trás.

- O que foi? — indagou Lien.

"Esse garoto", pensou Álvaro, "Meu instinto diz pra tomar cuidado...mas tudo bem. Tenho mais bolas especiais na minha mochila...só preciso continuar tomando cuidado"

- Você parece sacar bem — disse Gaspar, mantendo o tom sério — Mas será que consegue rebater bem?

- Heh! Claro que sim! Tenistas são bons tanto para atacar quanto para defender — disse Álvaro, tentando ao máximo parecer confiante diante de seu adversário.

- Sendo assim....acho que não vai se importar de eu usar tudo o que tenho — Gaspar deixou claro.

- Venha com o que tiver — confirmou Álvaro.

Gaspar segurou sua espada no alto e concentrou todas as suas energias no seu braço. A espada parecia brilhar, de alguma forma.

- O que ele tá fazendo segurando a espada para cima? — questionou Alex.

- Ki — disse Amanda, que havia treinado isso por bastante tempo — Como você não tem treino, não deve conseguir ver direito, mas aquela espada de madeira está emitindo um brilho graças a energia interior dele. Esse cara não é um adversário comum!

De fato, Gaspar continuava a concentra a energia. Claro que Álvaro estava preocupado com isso e aproveita para arremessar mais uma bola enquanto ele estava se concentrando.

- Tá bom que eu vou deixar você fazer o que quiser — disse ele, enquanto mandava mais um saque na direção dele. Infelizmente, Gaspar terminou seu ritual de concentração bem na hora certa, o suficiente para rebater o saque (que quase atinge Álvaro, se ele não tivesse desviado) e agora todo o seu corpo parecia emitir o brilho (pelo menos para aqueles que tinham os olhos treinados).

- Agora a coisa ficou séria — disse Kéfera.

- O que ele vai fazer? — perguntou André.

Gaspar girou rapidamente sua espada e atingiu o chão com ela. Sim, o chão. E assim que o fez, diferentes feixes vermelhos de luz em forma de espada (ou algum tipo desconhecido de energia) aparecem flutuando.

- Vamos ver...se você é capaz de rebater isso. Espadas Luminosas — disse Gaspar, com uma expressão séria e fria, ao contrário de Álvaro que fez a primeira coisa que seus instintos mandaram: correu.

- Que é isso? — estranhou ele, desviando-se da primeira luz.

- Heh! Aquela técnica — ralhou Golias — Não chega a ser leta, mas se alguma daquelas coisas te pegar, dói tanto quanto levar um choque.

O tenista continuava a se desviar. As espadas que atingiam o chão sumiam, mas as outras continuavam a perseguir Álvaro. Gaspar controlava tudo com sua energia interior, sem o mínimo abalo.

"Droga. Não tenho brechas para preparar um ataque", pensou Álvaro, "Como eu vou sair dessa?"

Finalmente o inevitável ocorre. Uma das espadas atinge Álvaro. Assim que o atinge, ele sente uma dor terrível. E não foi a única: quase que imediatamente outra espada luminosa o atinge de novo.

- Aaaaah! — gritou Álvaro, enquanto Gaspar preparava o mesmo ataque de novo.

- E então? O que mais você consegue rebater? — perguntou o sério rapaz. Álvaro estava em maus lençóis.

"Preciso...sair dessa", pensou o tenista. O que será dele?