Capítulo 95 — Kendou vs. Tênis

Até agora a batalha entra a Liga e a Academia Wong estava empatada. Astolfo perdeu a primeira luta, mas Kéfera venceu a segunda. E isso significava que nenhum dos lados poderia amolecer: quem vencesse a próxima ganharia a vantagem da competição.

- Nossa, achei que minha luta fosse demorar mais — comentou Kéfera — Agora é o Álvaro, né?

- Sim — respondeu Amanda — E essa luta pode definir muita coisa...

Amanda sabia que se Álvaro perdesse, André teria que lutar, mesmo que ela vencesse a outra luta. O destino do rapaz dependia dessa batalha.

- Muito bem...podemos iniciar nossa próxima batalha, não acham? — disse Geraldo, mantendo um sorriso confiante como se já soubesse que sua equipe iria vencer — Agora...entram em cena...Gaspar da Liga de Academias contra Álvaro, representando a Academia Wong.

Lien olhou para Álvaro que preparava seus equipamentos para enfrentar seu adversário. Gaspar era o rapaz quieto da Liga, que não havia pronunciado uma única palavra até então. Já Álvaro parecia ser exatamente o oposto: falar e contar vantagem de si era com ele mesmo.

- Não se preocupe, Lien Wong — disse ele — Irei vencer essa batalha e garantir que nunca cairá nos braços daquele monstro!

- Agradeço sua preocupação — respondeu ela — Se manter essa determinação durante a luta, tenho certeza de que poderá vencer.

- Boa luta, Álvaro — disse André, sorridente — Contamos com você.

- Não se preocupe, meu caro — falou o tenista — A honra de sua prima estará garantida!

- Mas ela não é minha...bom, deixa pra lá — disse André, coçando a cabeça.

- De qualquer modo, vai lá e arrebenta — falou Alex — Estarei filmando tudo!

- Ah, sim. Como pude me esquecer? — falou Álvaro, tirando uma garrafa de sua mochila — Minha bebida milagrosa!

- Do que está falando? — ralhou Mestre Wong — Não admitimos dopping aqui, ouviu?

- Não é dopping! Segundo a Juliana, é uma bebida perfeitamente legal — respondeu o tenista.

- Mesmo assim...não vai valer se vencer com uma coisa dessas — reclamou Wong.

- A Juliana? — perguntou Lien — Não é aquela louca que disputou uma partida de futebol na nossa escola?

- Ela me ajudou nos treinos. É uma ótima amiga! — respondeu Álvaro.

"Acho que a Juliana pensa bem além disso", pensou Lien.

- Infelizmente — continuou Álvaro — Ela tinha um treino importante hoje e não pode vir aqui torcer pela nossa equipe.

- Graças ao bom Pai — comentou Lien.

- Mas...tenho certeza de que tomando essa bebida, ninguém ficará no meu caminho! — insistiu o tenista, até Alex fazer uma pergunta essencial.

- Se fosse tão fácil assim, ela poderia ganhar milhões com isso, não acha? — disse ele.

- Hã? Está dizendo que ela...

- Deixa eu ver isso aí, eu não vou lutar mesmo — disse o filmador, pegando a garrafa das mãos de Álvaro e experimentando um gole.

- Ei, vê se não baba na minha garrafa! — reclamou Álvaro.

- E aí? Você tá mais forte? — perguntou Astolfo.

- Tá me zuando, né? — ralhou Alex — Isso aqui é só um energético comum!

- Quê?! — Álvaro ficou arrasado.

- Não fique chateado com a Juliana — disse André — Ela deve ter dito isso para você se sentir mais confiante.

- Err...Álvaro? — chamou Lien — Você não achou mesmo que ficaria mais forte por conta de uma bebida, achou?

- O..Ora, é claro que não! Hahahauhauha! — gargalhou o tenista — Eu treinei muito! Não preciso de algo assim para vencer!

- Fico feliz em ouvir isso — sorriu Lien — Agora...sobe lá na arena e arrebenta aquele cara!

Lien praticamente arremessou Álvaro no ringue para o início da luta.

- Finalmente — reclamou Geraldo — Achei que ficaria falando ali embaixo o tempo todo.

- Só estava me preparando psicologicamente. Hehe — disse Álvaro, de certa forma, suando um pouco.

- Será que tá tudo bem mesmo? — comentou André, percebendo uma leve mudança no tom confiante que Álvaro exibia agora pouco — Ele estava realmente acreditando que estava mais forte.

- Se estava mesmo, não seria melhor ter continuado com a mentira? — perguntou Kéfera.

- Então se ele perder, a culpa vai ser do Alex? — perguntou Lien.

- Por que vocês sempre tem que colocar a culpa em mim? — reclamou Alex, mas a verdade é que Álvaro realmente perdeu um pouco de sua confiança inicial. Por outro lado, era verdade que ele havia treinado bastante. Ainda haveria chances de vitória. Bastaria Álvaro lutar com tudo.

- Comecem! — gritou Geraldo, anunciando o início da luta.

Gaspar sacou sua espada de madeira imediatamente e fitava Álvaro com atenção, como uma serpente preparada para dar o bote. Ao que parecia, Gaspar era um artista marcial treinado com espadas, mais especificamente, o kendou, a arte marcial japonesa que luta com espadas de madeira, muito embora ele não usasse capacetes de proteção (é claro que ele era muito treinado para isso).

- Vai lutar comigo com uma espada? — perguntou Álvaro — Interessante...eu sempre digo que a raquete é como a espada de um tenista.

Álvaro sacou sua raquete e também fitava o adversário. Um deles esperava a hora certa de atacar.

- Essa é obrigação do Gaspar vencer — comentou Golias — De longe dá pra ver o quanto esse cara é ridículo!

- Já disse para não subestimá-los, Golias — falou Tanaka — Mas é verdade que o oponente do Gaspar não parece muito sério.

- Tenista marcial...faz-me rir — zombou Golias. Álvaro não ouviu isso, estava extremamente concentrado em sua luta. Quem atacaria primeiro?

- Então...se não vai atacar...eu vou fazer você se mexer — o tenista prepara seu serviço, o lançamento inicial do tênis, lançando uma bola na direção de Gaspar com toda a energia. Mas a bola é rebatida sem que ao menos qualquer pessoa visse Gaspar mexer sua espada.

- Ele...rebateu? — perguntou André — Não conseguir ver nada...

- Espera aí — Alex parou o filme e reproduziu em câmera lenta — Rebateu...tão rápido que a gente nem percebeu.

- É tudo? — foi o que Gaspar disse — Então...agora eu ataco.

Álvaro engoliu seco. Aquele adversário não seria tão simples assim de derrotar.

Notas finais
Na semana que vem, a luta começa a ficar tensa de verdade. Até lá!