Encrenca Shaolin
153 Capítulo 153
Capítulo 153 — As duplas se encaram
A intenção era simples: procurar o pingente do galo que Kéfera havia ejetado emergencialmente para defendê-lo de Shandiàn. Porém, no meio do caminho, dois sujeitos claramente mal intencionados apareceram diante de Kéfera e Álvaro. Sim, eram da Meyou Zidan.
– Vocês parecem nervosos — disse o rapaz mais baixinho — Por que essa reação? Não queremos machucá-los.
– Basta entregarem os pingentes — disse o mais alto — Iremos embora logo depois.
– Cuidado, Álvaro — disse Kéfera — Nunca pensei que eles fossem enviar duas pessoas.
O tenista estava tenso, mas sabia que teria de lutar se fosse necessário.
– Ei, vocês estão nos ouvindo? — perguntou o baixinho.
– Sabem que não podemos entregar os pingentes. Vocês querem dominar tudo, não é? — reclamou o tenista.
– Ora, ora — disse o mais baixo coçando a cabeça — Vocês se apegam a cada detalhe.
– Não acho que eles vão colaborar, Yang — disse o mais alto.
– Verdade, Shuìmían (*). Vamos mesmo ter que trabalhar, não é?
Kéfera ficou mais tensa ao segurar seu celular. Álvaro estava pronto para a luta. A única parte realmente crítica de toda essa situação era que justamente aqueles dois é que receberam a missão de recuperar o pingente perdido...e, infelizmente, nenhum deles era lá muito genial.
– E agora? Isso vai atrapalhar nossos planos — reclamou Kéfera.
– Planos? O que estavam fazendo? Saindo juntos? — provocou Yang, o mais baixinho.
– O quê? Não diga bobagens! Sou fiel ao meu grande amor, Lien Wong! — retrucou Álvaro.
"Ele não desiste mesmo", pensou Kéfera, enquanto suspirava.
– Oh, entendo...então o que será que estavam fazendo? Algo a ver com os pingentes? — continuou Yang.
– Não é da sua conta! — reclamou Kéfera.
– Verdade. Se estamos procurando o pingente perdido ou não, não te interessa! — ralhou Álvaro.
– É isso aí...ei, espera — Kéfera percebeu o problema da frase bem mais rápido.
– Ah, pingente perdido? — repetiu Yang, com um sorriso cínico (embora seus olhos não pudessem ser vistos muito bem pela franja enorme que cobria seu rosto) — Entendo..estão procurando o pingente do galo que foi ejetado, não é?
– Oh, droga. Eles já sabem! — disse Álvaro recuando.
– E imagino...que a localização dele esteja em algum GPS desse celular — disse Shuìmían, o mais alto.
– Ei, como podem ter certeza? — perguntou Kéfera.
Yang mostrou uma adaga (ou algo parecido) em suas mãos e lançou na direção de Kéfera. Ela conseguiu se desviar, mas, por alguma razão, a arma alterou sua trajetória e bateu na mão da garota. Não houve nenhum corte, mas o celular caiu da mão dela. Ao tentar pegá-lo, Yang já havia tomado o aparelho.
"Ele é rápido!", pensou a garota.
– Não nascemos ontem — disse o inimigo, com o celular na mão direita — Sabemos que existe tecnologia para isso. Sim, vocês estão procurando pelo pingente. Ei, Shuìmían, pegue isso!
Ele atirou o celular para o parceiro, que entendeu rapidamente a mensagem.
– Entendido. Irei atrás do pingente — respondeu ele, partindo imediatamente.
– Ei, volte aqui. O celular é meu! Isso é roubo! — reclamou Kéfera.
– Não entenda como roubo — falou Yang — Estamos apenas pegando emprestado até conseguirmos o que queremos!
– Tsc...vou atrás dele antes que o perca de vista! — disse Kéfera, saltando e perseguindo Shuìmían.
– Ei, deixe que ele acha o pingente sozinho — prosseguiu Yang — Não me faça cortar sua pele tão macia..hihii.
E antes que Yang lançasse outra lâmina, uma bola de tênis o atingiu na bochecha. O garoto foi jogado para a direita.
– Vá, Kéfera. Eu cuido dele — disse Álvaro.
– Certo! — a garota continuou sua perseguição. Álvaro assumiu a batalha.
– Tsc...uma bola de tênis carregada com ki? Se não estivesse preparado, isso podia me causar muito dano... — reclamou o garoto.
– Não deixarei que interfira em nossos planos — falou Álvaro — Álvaro Kurtis, o mestre do tênis marcial será seu oponente!
Ele parecia estar bem confiante. Mas Yang apenas riu.
– Tênis marcial? Essa é a coisa mais imbecil que já ouvi hoje...e olha que já ouvi muitas coisas imbecis antes! — falou Yang.
– Mostre do que é capaz. Estarei pronto! — falou Álvaro.
– Mesmo? — o garoto mostrou, de suas longas mangas, várias lâminas. De alguma forma ele conseguia manter armas escondidas — Nós, a Meyou Zidan, nos orgulhamos de acabarmos com nossos oponentes sem utilizar armas de fogo. Mas somos muito hábeis com armas brancas. Eu principalmente.
Álvaro permanecia alerta.
– É verdade, já que você se apresentou, seria bom eu dizer meu nome, não é? — o garoto continuava — Sou Yang, o mestre das lâminas ocultas e portador do pingente do rato!
O garoto revelou o pingente na forma de um pequeno rato que carregava no pescoço.
– Lâminas..ocultas? — repetiu Álvaro.
– Exatamente. É uma técnica milenar. Facas, espadas, adagas..não importa. Não só as domino, como posso ter muitas escondidas comigo. Quer mesmo se arriscar a lutar comigo?
Álvaro apenas sorri.
– Venha com o que tiver — disse ele — Não importa o que você jogar em mim, irei rebater com toda a minha força!
Álvaro pareceu ter comprado a briga com confiança. Mas que tipo de oponente será Yang?
(*) = Pronúncia aproximada para o ideograma 睡眠 do chinês tradicional que significa "sono" (ficará claro mais para frente).
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