Encrenca Shaolin
151 Capítulo 151
Capítulo 151 — Boa e Má Notícia
– Hiya! — gritou Lien, investindo mais um ataque na direção de seu namorado André que, por sua vez, consegue bloqueá-lo com seu antebraço.
– Muito bem — disse Ningjing, a pequena mestra de todos eles naquele momento — André tem ficado cada vez mais rápido.
"Exatamente", pensou Lien. "Como é possível? Eu treino desde criança, mas eu sinto que estou ficando para trás. Será que é isso mesmo? O André é mesmo um talento?"
– O que foi, Lien? — indagou Ningjing — Você também tem melhorado muito.
– Eu? Ah, obrigada — disse a chinesinha — Mas...será que é o suficiente?
– Contra o meu clã? Dificilmente. A Meyou Zidan é muito poderosa. — explicou Ningjing — Mesmo com todo o seu treinamento, duvido que vocês consigam me derrotar com facilidade.
– O quê?! — dessa vez foi Amanda, que descansava de seu treino tomando um chá gelado em lata do outro lado da área — Está dizendo que ainda estamos fracos?
– Estão bem mais fortes do que antes — respondeu ela — Só aceitei treinar vocês porque reconheço seu potencial. Digo que não podem me derrotar com facilidade, mas...com esforço, talvez tenham uma chance.
– Vocês são uns monstros — reclamou Alex, que vivia filmando os treinos como de praxe — O que vai ser de nós?
– Deveria ser mais confiante — comentou Álvaro, o tenista, que terminava seu treino de lançar bolas contra a parede — Eu, pelo menos, sinto que melhorei e muito minhas habilidades.
– Oh, sim. Já consegue controlar melhor seus lances? — perguntou Ningjing.
– Sim. Veja isso — Álvaro lançou uma bola com sua raquete. A trajetória da bola, que normalmente vai em linha reta, fez uma curva, como se fosse um bumerangue lançado. A bola retornou às mãos de Álvaro fielmente — Agora as bolas que lanço podem fazer curvas. Agora sim, sinto que estou chegando aos limites do tênis marcial!
Astolfo, que havia retornado à barraca após a luta contra Bao, chegou sorrateiramente e deu uma rasteira em Álvaro. Claro que isso o deixou furioso.
– Ei! Por que fez isso?! — reclamou Álvaro.
– Sua resistência física ainda está baixa — disse Astolfo — Tem certeza que dá para enfrentar os adversários dependendo apenas de bola e raquete?
– Controlar objetos pode ser uma habilidade e tanto — explicou Ningjing — Nem todos os membros da Meyou Zidan são bons em habilidades físicas. Alguns só são bons em atacar de longe. Isso pode ser uma vantagem para vocês.
– Estou preocupado com a Kéfera — comentou André — Será que tá tudo bem com ela?
– O tempo aqui passa mais rápido, né? — disse Lien — Não sabemos o que está acontecendo lá fora.
– Galera! — a própria Kéfera entrou na barraca naquele instante (e tropeçando assim que entrou, caindo de cara no chão) — Ai, o piso aqui tá meio levantado...
– Nossa, você não morre mais, menina — falou Alex — Quanto tempo se passou aí fora?
– Tenho uma boa e uma má notícia — disse a loirinha.
– Qual é a boa? — perguntou André.
Kéfera mostrou o pingente do tigre para todos eles.
– Isso é...o pingente do Tigre. Então você derrotou Shandiàn?! — disse Ningjing admirada.
– De certo modo, sim — falou ela.
– Como assim "de certo modo"? — perguntou Lien.
– Ele...acabou fugindo — disse Kéfera.
– Como? Deixou que ele fugisse? — falou Amanda — Se bem que...deve ser difícil capturá-los.
– Se ele falhou, minha irmã não vai perdoá-lo — disse Ningjing — Bom, não me importa. Nunca gostei muito daquele cara.
– Mas isso é bom, não? — comentou André, em tom esperançoso — Agora temos mais um pingente.
– Err.....mais ou menos — falou Kéfera meio sem graça.
– Por quê? O que aconteceu? — indagou Álvaro.
– Então, essa é a má notícia. Na verdade, para evitar que ele roubasse o pingente lá em casa...tive que ativar um dispositivo de ejeção de emergência.
– Como? — todos ficaram espantados.
Kéfera sentou e explicou toda a situação, para comoção geral de todos.
– E agora? O pingente do galo que deu tanto trabalho para proteger foi perdido! Estamos ferrados!
– Mas...aí é que está — falou Kéfera, tirando seu celular do bolso — A caixinha onde estava o pingente tem um rastreador.
– Rastreador? — perguntou André.
– Claro que eu não ia deixar o pingente ser jogado fora assim tão aleatoriamente. O GPS do meu celular permite rastrear a caixinha dele.
– Uau! Você é mesmo inteligente, Kefera — elogiou André.
– Obrigada, mas essa ideia foi da Frederique. Na verdade, eu nem pensei em nada do tipo...
Todos sentiram uma gota escorrer de suas cabeças. Bem, o importante é que seria possível localizar o pingente.
– Tá legal, então podemos encontrar o pingente sumido. E temos outros três pingentes do nosso lado, contando com o da Ningjing. Não estamos tão ruins assim — falou Astolfo.
– Mas agora precisamos de um plano — disse Ningjing — Pensando no que minha irmã fará...se ela recebeu a informação de que o pingente do galo se perdeu, ela provavelmente vai mandar alguém procurá-lo. Mas também mandará alguém atacar a academia.
– O que vamos fazer então? — perguntou Amanda.
– A Kéfera tem o GPS, certo? Ela pode localizar o pingente — disse Ningjing — Eu até poderia criar um portal de teletransporte, mas teria que conhecer a região para isso. Além disso, tenho que continuar aqui.
– Será que não é hora de agirmos? Já treinamos demais, não? — perguntou Lien.
– Só o necessário — disse Ningjing — Na verdade...Lien! André! Gostaria de treiná-los mais.
– Mais? — exclamou Lien.
– Vocês são um casal e podem criar um vínculo bastante forte. Se conseguirem estabelecer uma sincronia, serão oponente valorosos. E isso será necessário, se quisermos enfrentar minha irmã de frente.
– Então...está pensando em atacar e não só defender? — perguntou Astolfo — Da hora.
– Mas na hora certa — falou ela — Assim que estiverem mais treinados, planejaremos um ataque. Não precisamos esperar nossa irmã nos incomodar. Vamos nós mesmos resolver essa situação de uma vez por todas.
– Como poderíamos resolver isso? — perguntou André.
– Eliminando os pingentes de vez — explicou Ningjing — Se conseguirmos destruir todos os pingentes, ela não terá mais motivos para querer conseguir esse poder. Mas isso não será fácil...ainda temos muitos pingentes espalhados por aí.
– Creio que a prioridade agora seja procurar o pingente, não? — indagou Kéfera.
– Sim. Você pode ir atrás dele, não pode? — perguntou Ningjing.
– Posso. Eu consigo me virar — disse ela — Mas...acho melhor alguém vir comigo.
– Por quê? — perguntou André.
– Eu...não sei ler esse mapa direito — respondeu a loirinha.
– Eu irei — falou Álvaro — Já estou mais confiante.
– Mesmo? E se os inimigos resolverem te atacar? — perguntou Alex.
– Ora, eu não falei que estou confiante? Irei derrotá-los com toda a minha força!
– Kéfera, cuide bem dele — disse Alex.
– Ora, seu...
A ação foi decidida. Kéfera e Álvaro foram procurar o pingente. Os outros continuaram treinando. Astolfo, em especial, estava interessado em algo mais.
– Ningjing — chamou ele.
– O que foi?
– Não sei, mas...acho que esse pingente do boi ficou bem em mim.
– Hmm...explique melhor.
– Bom, eu... — ele socou o piso da academia e conseguiu fazer uma grande rachadura no chão — ..me sinto...com o dobro, não, o triplo de força.
– Entendo. Você deve ter se harmonizado com o pingente do boi — explicou a garota — Ele multiplicou sua força. Isso pode ser útil.
– Legal! — comemorou Astolfo — Agora posso quebrar a cara daqueles safados e..
– Mas não é o suficiente — falou Ningjing.
– Como não? Eu..
– Tente me socar..
– Como?
– O que ouviu, Astolfo. Tente me dar um soco.
– T-Tá...mas não vá se arrepender depois, heim?
Astolfo tentou atacá-la, mas na mesma hora um portal se abriu e ele recebeu seu próprio soco no rosto.
– Existem infinitas técnicas que superam a força bruta — explicou a garota — Se tivesse visto meu portal com seu ki isso não teria acontecido.
– Putz...então, preciso treinar mais a minha energia interior.
– Faça isso. Treinem o máximo que conseguirem. Quando a hora certa chegar, irei avisá-los — continuou Ningjing.
– Quando será a hora certa? — perguntou André.
– Tenham paciência...estou medindo o avanço de vocês. Eu saberei quando a hora chegar — disse a garota, sorrindo. Ela realmente estava ajudando todos.
Longe dali, os inimigos também faziam seus planos.
– Shandiàn não voltou — disse Chibang, a líder da Meyou Zidan para seu principal assistente Long — E nem deu notícias...talvez tenha sido derrotado.
– Nesse caso, precisamos enviar outros membros para a tal mansão — disse Long.
– Sim. Precisamos de alguma informação.
Mas nisso Shandiàn conseguiu atravessar os portões da base secreta da Meyou Zidan com ferimentos evidentes.
– Mestre...Chibang — disse ele, praticamente caindo ao atravessar as portas.
– Shandiàn. Finalmente. O que aconteceu para você demorar tanto? — perguntou ela.
– Ela...não apareceu por aqui? — perguntou ele.
– Ela quem? — Long já estava furioso — Está delirando, Shandiàn? Você falhou, não falhou?
– Peço perdão...tive meus problemas, mas...aquela pirralha voltou.
– Por acaso está falando de...
– Yin! Ela mesma! Fui nocauteado por ela...e não vai demorar para que nos ataque.
– Onde está seu pingente, Shandiàn? — perguntou Chibang.
– Meu pingente? Bem, eu...eu..
– Você falhou como o Bao, não falhou? — disse Chibang, com um olhar impiedoso — E ainda passou pela humilhação de ser derrubado por Yin...isso se o que você diz é verdade mesmo.
– Os inimigos não são qualquer um! Já vou avisando! E..e...o pingente do galo acabou se perdendo.
– E onde ele está?
– Eu não sei — foi tudo que Shandián disse.
– Long. Livre-se dele — ordenou Chibang.
– Sim, senhora.
– Não. Não, espere. Pode me dar mais uma chance..eu...
– Você será punido e deserdado do clã — falou Chibang — Mas...agora posso mesmo ter certeza de que não estamos lidando com qualquer um. Nunca tivemos tanto trabalho para conseguirmos aquilo que queremos.
– Mestre Chibang — disse Long — Se for mesmo verdade que Yin está de volta, então...
– Já sei o que está pensando e sim, é o que vou fazer. Depois de dar um jeito nesse lixo...traga Yang até aqui!
Mas afinal, quem são Yin e Yang? A luta dos pingentes continua...
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