Encrenca Shaolin
136 Capítulo 136
Notas iniciais
Capítulo 136 — Preparando o terreno
– O QUÊ?! — o espanto de Mestre Wong se espalhou por toda a academia em poucos instantes — Vocês tão me dizendo que essa pirralha é da Meyou Zidan? E que os Wong são da mesma linhagem sanguínea deles? E que ela passou para o nosso lado? E que a gente precisa acreditar nisso?
– Olha, resumindo é isso aí — falou Alex, juntamente com toda a turma presente ali na sala de treinos da Academia Wong (inclusive Álvaro, que alcançou o grupo meia hora mais tarde depois da zeladora do colégio convencê-lo de que ele não havia sido sugado para uma dimensão paralela).
– Sei que parece complicado, mas Ningjing parece mesmo disposta a bater de frente com o próprio clã — disse professor Márcio, que também acompanhava o grupo, no tom tranquilo de sempre.
– Bom, eu ainda estou meio com o pé atrás — disse Lien — Mas parece que não temos outra fonte de informações melhor contra nossos inimigos.
– Mas nem pense que eu vou dizer onde está o pingente ouviu? — disse Mestre Wong, olhando fixamente para a menininha.
– Quanto a isso, não se preocupe — disse Ningjing — Prometi que não iria perguntar nada a respeito. A única forma de eu ficar sabendo é se vocês mesmos me contarem sobre isso.
– Não iremos contar nada! — enfatizou Ming, o amigo da família e, por sinal, um dos maiores responsáveis por toda essa encrenca — E eu ainda não confio em vocês!
– Você não é o pasteleiro que trabalhava perto da nossa base lá na China? — perguntou a garota — Achei que já tivesse voltado para lá depois de liberarmos você.
– E moler de pleocupação com os meus amigos aqui? Nunca! — disse Ming, que deixava seu sotaque chinês ficar mais forte quando ficava nervoso.
– De qualquer modo, minha intenção é verdadeira. Quero ajudá-los a se prepararem para enfrentar o restante da Meyou Zidan. Garanti pelo menos dois dias de paz.
– Como? — estranhou Álvaro.
– Ela ligou para a família e disse que precisa de pelo menos dois dias para conseguir o pingente — explicou Márcio — Mas...como poderemos nos preparar em apenas dois dias?
– É impossível — falou André — Treinamos um mês para enfrentarmos a Liga de Academia e ainda tivemos problemas. O que dizer desses caras?
– Pelo contrário — discordou Ningjing — Dois dias é mais do que suficiente.
– Como assim? — perguntou Mestre Wong — Acha que consegue treinar todos esses garotos em apenas dois dias? Deixá-los prontos para enfrentar inimigos poderosos como eles nesse período de tempo? Você só pode estar brincando!
– Não estou — disse Ningjing, mantendo a seriedade e calma — É perfeitamente possível, só vou precisar de...
A garotinha olhou em volta e viu um enorme pedaço de lona abandonado.
– Acho que aquilo pode servir — falou ela, apontando para a lona.
– Hã? Mas aquilo é só uma lona que não uso há séculos — falou Mestre Wong — No que isso irá ajudar?
– Confie em mim — disse a garotinha, acariciando seu pingente do coelho — E me dê apenas alguns minutos...pelo menos uns trinta.
Ningjing pediu que todos saíssem da sala, mas Lien insistiu que pelo menos alguém ficasse.
– Você tá louca se pensa que a gente ainda confia em você — reclamou a namorada de André.
– Já que insistem...o professor pode ficar — disse ela.
– Eu? — disse Márcio.
– Sim. Acho que pelo menos você entenderá — falou Ningjing, falando em um tom realmente sério. Talvez ela tivesse mesmo um plano envolvendo aquela lona.
Sem muita escolha, toda a turma sai do salão e aguardam em outro local, acompanhados de um lanche reforçado. Lien andava de um lado para o outro preocupada.
– Calma. Ela realmente parece ter boa intenção — disse André, tentando tranquilizar a namorada.
– Você é bonzinho demais — falou Lien — Não devia confiar em alguém que tentou nos matar.
– Concordo com Lien — disse Ming — Aqueles bandidos não são de confiança.
– Mas se ela estiver dizendo a verdade...ganhamos um reforço e tanto — disse Amanda — Bem, isso considerando que o nível de força dos adversários seja parecido com o dela.
– Já conheço três deles — disse Lien — Essa menina, aquela mulher que controla a água e aquele palhaço que joga cordas. Os três são bem fortes. É impossível ficar no mesmo nível deles em apenas dois dias. Talvez em dois meses, mas dois dias..
– O professor Márcio parece confiar nela. E nós confiamos nele. Acho melhor contarmos com a fé agora — comentou Amanda.
– Hmm. Você é bem próxima do professor, não é? — comentou Alex.
– Algum problema? — ralhou Amanda, praticamente agarrando o pescoço do pobre fotógrafo.
– Ei, calma, calma, só tava comentando — defendeu-se Alex.
– Ela disse meia-hora, né? — perguntou Kéfera — Ai, já tô ansiosa! Quero treinar logo!
– Eu também! — disse Astolfo — Meu sangue tá fervendo! Quero só ver que tipo de caras são os outros portadores dos pingentes. Tem pelo menos onze deles, né?
– Esses dois não tem jeito — reclamou André — Mas é bom estar entusiasmado, não é?
– Disse tudo! — concordou Álvaro — Prometo que defenderei Lien Wong de qualquer perigo. Não há com o que se preocupar!
Mas o chute que Álvaro levou por dizer isso segurando as mãos de Lien não inspiraram muita confiança.
– Tsc. Eu não queria envolver mais ninguém nisso — reclamou Lien.
– Relaxe — disse Kéfera — Agora já estamos mais do que envolvidos. Vamos nessa até o fim!
– Obrigada — Lien agradeceu sorrindo. E, finalmente, os trinta minutos que Ningjing pediu passaram. Professor Márcio chamou a todos.
– E então? Qual é o seu grande plano? — disse Lien.
– Entrem na barraca — falou Márcio, mostrando a barraquinha que Ningjing montou com a lona do salão.
– Na barraca? — estranhou André — O que tem dentro da barraca?
– Chamar para debaixo da lona, é? — comentou Alex — Que tipo de treino essa garota tá pensando. Ela não tem idade para essas coisas não, heim?
Isso foi o suficiente para levar um tapa de Amanda e Lien.
– Cala a boca, Alex! — reclamou Lien.
– Não é hora de pensar nessas coisas! — ralhou Amanda, bem ruborizada.
– Tá vermelha, Amanda? — reparou Alex.
– Cala a boca! — respondeu ela, juntamente com um soco.
– Deixem de brincadeira. É sério — disse Ningjing — Basta entrarem na barraca.
– Tudo bem. Eu vou primeiro — falou André, se abaixando e entrando na barraca. Na mesma hora, ele saiu com cara de espanto.
– O que foi, André? — disse Lien — Parece que viu um fantasma ou algo assim.
– Veja você mesma — falou ele.
Lien ficou de joelhos e se abaixou para ver o que tinha lá. Tempo suficiente para Alex filmar a visão traseira da garota de modo discreto.
– O que está filmando? — perguntou Amanda.
– Nada, nada. Só achei que seria um momento que valesse a pena guardar — disse ele.
Já Lien voltou com a mesma cara de espanto de André.
– Impossível — disse a garota.
Nessa altura, todos ficaram curiosos para ver o que tinha lá. No final, toda a turma entrou na barraca e viu o fenômeno mais do que espantoso. Havia um espaço gigantesco dentro da barraca. Sim, a barraca era muito maior por dentro do que por fora.
– Mas é....maior por dentro! — exclamou Mestre Wong.
– Não dá! Isso é impossível! — reclamou Alex — Professor! O senhor é o físico aqui! Diga pra essa menina que isso é impossível!
– Bem, teoricamente é bem possível. Vocês estão aqui, não estão? — disse ele.
– Agradeça ao pingente do coelho — disse Ningjing — Posso deformar o espaço à vontade com ele e isso me permite criar um espaço interno desse tipo. Impressionante, não?
– Pode até ser — falou Lien — Mas não precisamos de espaço. Precisamos de tempo! Ainda só temos dois dias até que seus parentes venham atrás da gente, não é?
– Sim — disse Ningjing — Mas é aí que está a melhor parte desse plano. Ainda não mostrei todo o potencial do meu pingente.
O que mais Ningjing teria em mente?
Fale com o autor