Notas iniciais
Mais um!!!

— Heiii, quebrar a casa alheia não é nada educado. — Anita não resiste e implica com Ben brincalhona, no momento em que os dois entram no quarto abraçados apenas sendo conduzidos pelo beijo envolvente que os guiava.

— Ah me desculpa, mas realmente sendo plenamente influenciado pela arquiteta mais desastrada que eu conheço não poderia ser diferente. — Ben ironiza olhando de relance para trás como forma de ver se de fato havia derrubado algo.

— Eu no caso, você adora me alfinetar né, se isso aqui fosse um jogo, teríamos problemas. — ela respondeu em tom de desdém.

— Teríamos alguns, muitos, todos. — o rapaz apenas ri enquanto concorda meio ácido, concentrado em beijar o pescoço dela. — Você não sabe perder. — ele acha graça sem conter, Anita imediatamente o encara ficando com uma expressão séria retirando suas mãos que repousavam na nuca do amado.

— Idiota. — ela ruboriza com semblante fechado.

— O último talvez, aquele que é capaz de te amar acima de qualquer circunstância, e que nunca desejou estar ao lado de alguém como quer ficar do teu agora. — Ben declarou, não escondendo o sorriso por trás de suas palavras, o que deixou ela o encarando alegre apenas.

— Você dúvida. — Ben cobrou com a face brincalhona, a erguendo no ar com as mãos a sua cintura, a conduzindo para sentar-se, sob a cabeceira aos pés da cama.

— Prefiro te dar o benefício da dúvida. — Anita afirmou risonha, recebendo um beijo rápido.

— De você, já é muito mesmo. — Ben implica a encarando minunciosamente.

— Mesmo, e sabe eu diria o mesmo... — Anita respondeu meio que rindo, apoiando as mãos aos ombros dele. — Nesse ponto somos muito iguais, a gente sempre dúvida um do outro, é Benjamin nosso passado nos condena também nesse quesito. — ela especulou com ar de mistério começando a desabotoar devagar os botões de sua camisa, enquanto ele somente a observava sorridente.

— Somos dois doidos não. — sorri ele, ajeitando uma mecha bagunçada do cabelo dela e logo depois iniciando um beijo carinhoso, que novamente parecia lhes tirar o rumo.

— Talvez. — Anita respondeu desconcertada, quando ambos foram obrigados a sessar o beijo por falta de respiração. — Mais mesmo assim, eu sempre fui feliz do teu lado, não houve arrependimento que fosse suficiente pra eu querer esquecer. — garantiu ela, junto a tentativas de buscar o ar.

— E eu ainda te amo muito, muito. — disse ele diminuindo um pouco mais a distância dos dois, deixando um beijo no rosto dela que lentamente foi se encaminhando para seu pescoço, enquanto ele procurava a barra de sua blusa para erguê-la. — Você acredita em mim, não acredita, se depender de mim eu nunca mais vou ficar longe de você, nunca mais vou te perder por nada, porque você é, e sempre vai ser a mulher da minha vida. — Ben afirma totalmente levado pelo que sentia ao lado dela.

Anita sorri, plenamente envolvida pelo que vivia com ele naquele momento, terminando de tirar sua blusa. — Você sabe que eu também sinto. — confessa ela recebendo um abraço caloroso como confirmação. Seus corações eram naquele instante, os portadores de tudo que podia ser dito, através de batidas fortes e já descompassadas por uma emoção sem igual que lhe guiava, onde tudo caminhava para um beijo onde todo sentimento que ambos sentiam ia ficando a flor da pele.

— Ben é... — Anita quase sussurrou, em meio a todo silêncio dos beijos deixados pelo rapaz em seu ombro, que também foi afastando de leve a alça de seu sutiã.

— Que foi. — Ben rebateu sorridente próximo ao seu ouvido. — Olha se você, acha que não é exatamente esse o momento pra gente pensar nisso, que antes ainda tem muita coisa pra gente resolver, enfim eu... — disse ele, em uma mistura de confusão e inquietude diante da falação dela. — Não vou te induzir a nada...

— Não é isso. — ela sorri o interrompendo entre um beijo. — É que eu te amo, eu amo você, é isso. — Anita corrigiu o pensamento dele cheia de emoção. — Te amo...

Ele acabou não contendo a reação de sorrir encantado, para em seguida lhe envolver em um beijo intenso.

**********************

No dia que amanheceu Ben foi despertado, pela claridade que começava a invadir o quarto, e contraste com os ruídos de mais um dia que começava. Olhando para o lado, ele só conseguiu dar um sorriso encantado diante da imagem de Anita dormindo ao seu lado, com a cabeça escorada no próprio braço, jamais imaginou que um dia a teria assim, tão próxima de si novamente, parecia mesmo tudo um grande sonho... Ela estava ali, tão perto de si, podia sentir sua respiração calma, o calor de seu corpo, o perfume de sua pele, deslumbrado pela face da garota ao seu lado, ele podia realmente cogitar que tudo não passará só de um sonho. Ele podia ficar ali, apenas a observando pro resto da vida, sorriu abobalhado, quando tentou afastar o braço dela que repousava sob seu abdômen ao constatar, mas perdeu a coragem ao tocar de leve em sua mão e temer acordá-la. Ela era ainda mais, absurdamente linda, quando estava imóvel em um sono tranquilo, por segundos parecendo nem respirar, linda e delicada, a ponto de dar medo até de lançar um singelo toque que fosse em sua direção, só pra não correr o risco de despertá-la e quebrar a magia de a ver tão tranquila, pensava ele enquanto encarava seu rosto minunciosamente, enquanto juntava sua mão as pontas dos dedos dela, sem ter vontade ainda de a afastar de perto de si. Ben só conseguiu obter uma certeza naquele momento, que por mais louco e absurdo que podia ser para ele e até soar para todo o resto, sua felicidade era sem igual, só por tê-la perto de si novamente, nada além daquela sensação de felicidade plena tinha importância, se fosse pra ser assim, ter Anita a centímetros de distância de si, ou a nenhum centímetro como foi na noite anterior, onde os dois, foram só dois corpos colados que se entendiam e se conheciam, e mergulhados em um mar de sensações, nada mesmo teria importância, devagar ele repousou a mão dela, sob a cama, se virando para o lado, ainda a olhando compenetrado, quando a vê recolher seu braço para perto de seu corpo se mexendo lentamente, ele apenas suspirou discreto sem nenhum outro gesto por segundos. Anita saiu de seu sono profundo, buscando em mente onde estava e recordando-se dos últimos momentos da noite anterior, se tudo fora verdade provavelmente Ben, estaria ali a seu lado ainda, por um segundo ela temeu abrir os olhos e se dar conta de que tudo foi só um sonho de uma noite encantada, se pegou pensando enquanto tentava se livrar da preguiça e comtemplar a claridade que parecia instalada no local, Anita acabou sorrindo sem perceber quando se viu recebendo um beijo com ternura em sua testa.

— Ben! – Anita sussurra com a voz falha.

— Hum, fala. – pediu ele, ajeitando uma mecha de seu cabelo que havia em seu rosto.

— Que horas são, acho que já é dia. – afirmou ela, imaginando que não tinha a menor vontade de sair dali para encarar o mundo lá fora, em um misto e paz e preguiça ela ficaria ali imóvel onde estava sem nenhum problema.

— Eu não sei, mas amanheceu sim. – respondeu ele em um tom de preguiça também. – Acho que depois de ontem, eu perdi consideravelmente a noção de tudo. – Ben proferiu, dando uma leve risada que foi percebida por ela que continuava sem estática de olhos fechados, enquanto ele apenas a fitava atento.

— E o mundo real ainda existe, eu acho né. – ela afirmou tentando se despertar, mas sabendo que seu inconsciente queria mesmo era esquecer-se de tudo e continuar ali. — Nossa minha mãe vai me matar. – ela já previa quando finalmente conseguiu se esgueirar o suficiente para alcançar o celular sob o bidê, e ver os diversos recados da mulher. – Também que explicação eu tenho, nenhuma seria plausível pra definir porque eu praticamente fugi do casarão. — Alias, quando que eu dei essa moral toda pra você, porque quando dona Vera começa ela não para mais. – a garota provocou entre um sorriso brincalhão.

— Ai e você por acaso precisa de mim pra tomar bronca da tua mãe, Anita você só faz o que você quer, não precisa ser muito esperto pra entender isso. – Ben retruca nada convencido da explicação torta da menina.

— E você não devia de confiar tanto no meu bom senso, e se eu falo o que não devo. – Anita ironiza com a voz sonolenta deixando o telefone ao lado do travesseiro.

— Eu não tenho porque esconder qualquer coisa deles. – Ben responde não muito preocupado.

— Olha só você. – Anita se alertou para se ajeitar na cama e se recostando sobre ele, o encarando. – Nada do que foi proferido ou feito ontem por mim, vai poder ser usado contra mim hoje, não adianta nem você cogitar, entendeu. – garante ela, o olhando entre um sorriso, descansando a cabeça em seu peito.

— Ah não. – Ben rebate fingindo não aprovar. – Mais qual é a graça, conseguir dobrar, a implacável e decidida arquiteta, sem nem poder usar isso contra ela depois. – ele provoca debochado.

— Nenhuma talvez, mas só simplesmente pelo fato de que se você tentar, eu mato você. – ameaça ela com ar de riso, virando-se para o outro lado, ajeitando travesseiro pensando em voltar a dormir.

— Ok, é um risco gravíssimo, eu até posso concordar. – Ben se move indo ao encontro dela, e deixando um beijo em seu ombro enquanto a encarava alegre. – Mas, você sabe que não se arriscar, nunca foi algo que eu tenha feito em toda minha vida. – zoou ele, fazendo Anita tirar a concentração do sono que lhe dominava para rir ao não se conter.

— Para de ser besta garoto. – implica ela, voltando toda sua atenção para ele novamente, Ben sessa as risadas quando a envolve em beijo demorado, a puxando para deitar em cima dele.

— Acho que eu to sendo afogado pela minha própria felicidade sabia. – confessou Ben a encarando.

— É né, pena que a realidade a nossa volta não seja tão perfeita assim. – Anita estava também flutuando de tanta felicidade, mas não iria conseguir esquecer tão facilmente tudo que a cercava, por mais que às vezes nem se importasse.

— Eu sei Anita, nada é tão simples. – ele concordou, também tendo em mente que muitas coisas os uniam, mas inúmeras ainda os separavam e os deixando a quilômetros um do outro.

— É, e nem tão complicado também. – sorriu ela, amenizando o peso das palavras que havia dito anteriormente, enquanto distribuía beijos pelos pescoço dele. – Ah mais eu tenho que ir de volta pra onde eu estava ontem, e rápido não é, precisou do meu foco de volta. – lembrou-se Anita, se obrigando a e afastar dele, e erguendo-se.

— Exatamente pra que. – Ben quis debochar de tanta racionalidade.

— Por um motivo bem importante. – ela garantiu. – Eu tenho que terminar um projeto, que deve ser entregue até a noite de hoje, ou caso contrário descubro que perdi o emprego quando retomar a Londres. – a garota debochou de seu prazo pra lá de atrasado.

— Achei que você tivesse de férias. – ele não curte muito o fato dela querer se afastar.

— E eu to, mas acabou ficando esse projeto pra trás, e tecnicamente eu teria que esperar até o final do mês pelas minhas férias, mas né minha mãe e o Ronaldo tinham que dar uma festa justo agora e fazer chantagem emocional praticamente pra todos os filhos comparecerem. – Anita explicava em total bom humor, enquanto Ben ria a cara desgostosa dela, por se ver contrariada ao ceder a imposição da mãe e do padrasto.

— Marcelo ligando, sinal que hoje não fez hora na cama até tarde. – comunicou ele, com ar de riso quando checou o próprio celular tocando sobre o bidê.

— Quer apostar quanto que eles já estão de volta à praia. – supôs Anita. – Acho que dessa vez, algo muito forte me diz que a Meg vai parar de dizer que está só. – ela alegou muito feliz pela amiga.

— É, e eu também nem sei oque ele quer comigo há essa hora. – Ben concorda.

— Seria difícil não imaginar. – reforçou Anita rindo. – Nem a Meg e jamais o Marcelo seriam curiosos. – ri ela. – Tá parei, até porque toda vez que eu tento alfinetar aqueles dois, acabo levando a pior mesmo... – repensa.

— Ahan sei, ou melhor sei mais ainda, ali juntou a fome com a vontade de comer. – diz Ben achando graça, não podendo perceber uma pitada de verdade no fato, era percebível que Marcello e Meg tinham muito em comum.

— Ah Ben para de implicar com os dois, olha que daqui a pouco vai ter gente achando que você está com ciúmes hein. – Anita afirma.

— Não, mas quem pensou foi você, não joga indireta não. – Ben fala negando, a direcionando um olhar de implicância.

— Ah ridículo. – Anita perde a paciência com ele que ri.

— Estou sendo sincero, mais sério agora, sem brincadeira, eu espero que de certo com os dois. – ele responde sorrindo.

— Tomara, eu também torço, na verdade eu acho que a Meg, fingi não estar mais envolvida, e que realmente ela tá, mais óbvio, que dizer isso pro Marcelo não está nos planos dela. – Anita também expõe os votos de felicidades aos dois. — E mais óbvio ainda, que você não vai contar pra ele, que eu te falei isso. – Anita quase o ordenou. – Ouviu. – ela indagou com um olhar curioso.

— O que, se eu nem ouvi nada hein. – Ben afirma lhe roubando um beijo.

— Para que é serio. – Anita contesta. – Isso é a campainha. – a garota explicou melhor do que falava.

— É, pode ser o porteiro. – Ben supôs finalmente também ouvindo

— Ou o dono do apartamento, a mãe dele, não do porteiro, do Marcelo. – Anita murmurou meio enrolada.

— Eu vou lá, ver. – Ben afirmou quando se levantava. – Celular de novo, atende aí pra mim deve ser o Marcelo de novo. – Ben argumenta quando chegava até a porta.

— Tá bom. – Anita disse se esgueirando para o lado para apanhar o celular dele. – Trás minha bolsa daí da sala. – ela lhe pediu sorridente com um grito.

— Alo. – uma voz calma do outro lado da linha se pronunciou, Anita que disse um oi desatento pensando mesmo ser Marcelo, já que nem havia olhado o nome no visor, ficou apreensiva devido ao pouco de sono que ainda a rondava, mas identificou de imediato que era uma voz feminina.

— Esse celular é do Ben, porque eu queria falar com ele. – insistiu a pessoa também constatando que não falava com o garoto.

— É sim, só que... – Anita insistiu numa conversa educada sem desligar, afinal quem havia dito pra ela atender tinha sido ele, agora não desligaria na cara de quem quer que fosse, não agora que uma certa curiosidade já lhe atingia.

— Ah será que eu posso falar com ele, quem que tá falando hein, o assunto é muito importante. – Anita revirou os olhos impaciente ao ser cortada pela garrota, era garota, julgou a voz era suave demais para ser uma velha, não sabia nem nome ou fisionomia, mas se viu já impaciente com tanto nariz em pé, já que se não era Ben ao telefone, ela estava falando com uma desconhecida então podia ter ao menos um pouco de educação.

— Sim, é dele sim, mais ele não pode atender, quem tá falando. – Anita respondeu, mas sem dizer quem era, não contendo dessa vez um apitada de audácia, já que a voz meio irritada da outro lado linha não fazia questão de lhe tratar bem, também não se importaria de devolver na mesma moeda.

— Então pode chamar ele por favor, é a namorada dele que tá falando. – a garota retrucou com pressa. – Logo não é, pode ser, é a Alice. – falou seu nome pretenciosa.

— Namorada. – foi à única palavra que a mente de Anita assimilou, palavra está que ecoou por seus pensamentos durante segundos, já nem distinguindo se era raiva, decepção, ou certeza plena que estaria prestar a matar os dois, Ben, e principalmente a voz abusada que falava com ela se identificando como Alice.

— Não ele tá meio ocupado agora, pode ligar depois, tchau. – Anita impôs deixando parte de sua irritação se ir junto com a voz ao falar, e desligando o telefone impaciente e sem a menor vontade de tentar não parecer ríspida.

— Anita. – Ben voltou à porta fitando uma Anita sentada a cama, parecendo nada cordial. – Quem era. – ele indagou mesmo assim, não sabendo se era uma boa ideia perguntar.

— Tua namorada. – ela disse raivosa e levantando com pressa.

— Como assim, minha namorada, a Alice, o que... – Ben balbuciou em um misto de apreensão e desconfiança.

— Exatamente isso, liga pra ela, ela deve estar com muitas saudades, afinal. – Anita saiu correndo da cama apanhando sua saia de chão com ligeireza.

— Anita. – Ben ainda tentou argumentar com a menina procurando alcançar seu braço, mas só o que conseguiu foi ver Anita bater a porta do banheiro quase em sua cara em total raiva. – Anita, para com isso, eu não sei por que ela foi dizer isso, foi ela que terminou comigo Anita, você acha mesmo que eu estou mentindo. — Ben quis explicar com o rosto apoiado contra a porta.

— Foi é, curioso. – Anita voltou a abrir a porta ríspida. – Ela me parecia bem ciente do que falava. – a moça ruborizou impaciente jogando a camisa dele que vestia contra o rapaz, enfurecida.

— Anita me escuta. – Ben quis chamar atenção dela, que desviou o corpo de seu alcance.

— Porque eu deveria, afinal apontar o dedo pra mim, e falar que eu estava te enganando era fácil, só que na verdade eu nunca quis te esconder nada, e nem fazia sentido te contar de um namoro, que apesar da situação, não fazia parte da nossa história, humilhar ninguém, não está dentro os meus muitos defeitos Ben. – ela argumentou tremendamente nervosa, vestindo sua blusa.

— Anita, eu sei que minha reação não foi a melhor, mais você também queria o que de mim naquele momento, as coisas saíram do nosso controle, e às vezes não dá pra negar isso. – ele iniciou uma explicação, que Anita julgou com desconfiança, juntamente com o olhar que lançou a ele.

— Tá eu não fiz de propósito, mas realmente o Gustavo faz ou ainda faça parte de um pedaço da minha vida. – Anita tentou olhar para toda situação de uma forma racional. – Só que eu não estou afim de ficar sobrando novamente nessa história Ben, eu já fiz esse papel antes, e eu me senti simplesmente uma completa idiota tá legal... – Anita quis justificar sua ira. – Então se você e essa garota vocês, vocês tem ainda alguma coisa pra...

— Esquece isso, eu não to mentindo pra você, foi ela que terminou comigo Anita, não faz sentido ela ficar me ligando agora. – Ben pediu a interrompendo taxativo, não entendendo o que de fato Alice ainda podia querer, o que estaria por trás dos recados e telefonemas insistentes.

— Você, é só isso que ela quer, o fato dela ter posto um fim na relação de vocês não significa que ela não te queira mais. – Anita retruca direta. – Ben olha só. – ela parecia suspirar perdida, e tentar conter o nervosismo e qualquer sentimento de pena de si mesma que pudesse estar lhe atingindo naquele momento. – Eu já fiz papel de otária nessa história antes, e eu não estou nem um pouco afim de ser a outra, porque é exatamente isso que está prestes a acontecer, sei lá pela milésima vez. – Anita dispara com extrema pressa e nervosismo na voz enquanto o encara. – Então, por favor, em nome de toda consideração que nós dois já tivemos um pelo outro um dia, não me promete aquilo que você se quer vai pode cumprir, antes de qualquer coisa resolve a tua situação com essa garota, seja ela qual for. – afirmou Anita apenhando sua bolsa e caminhando com lentidão até a porta, deixando apenas um silêncio angustiante tomar conta do local.

– E foi mal, se eu to parecendo chata e até repetitiva, careta, certinha demais, é que desse jeito não dá pra mim, não é questão de orgulho, mas sim de amor próprio... — Eu fui extremamente sincera com tudo que eu te falei ontem, eu juro... – afirmou ela, querendo ainda pensar no que faria. — Eu quero muito tentar, e nem que seja pra gente desencanar desse sentimento um pelo outro e seguir em frente, dessa vez sem nenhuma sensação de que alguma coisa diferente tinha que ser feita. – disse a garota agindo com sinceridade. — Mais eu ainda prefiro que seja com honestidade, eu não pretendo jogar com os teus sentimentos, eu nunca faria isso, nem antes e muito menos agora, principalmente em nome de todo carinho e respeito que eu tenho por você, e então se você tem algo com essa menina, resolve, pensa no que é mais importante pra você, uma história que até ontem dava certo com ela, ou um sentimento que apesar de descomunal, nós não podemos viver até o final. – Anita afirmou perturbada. — Me desculpa...

— Me ouve, por favor. – Ben lhe pediu em suplica entre um olhar de extrema insistência, deixando a garota meio confusa acerca do que faria. – Anita. – o rapaz quis argumentar uma última vez. — O amor que eu tenho por você é o mais importante. – garantiu ele.

— Me escuta, por favor, confia em mim, eu sei que eu não tenho direito nenhum de te pedir isso, mais acredita em mim Anita. — Eu sei exatamente o que eu estou fazendo. — Ben declarou a impedindo de sair pela porta que estava entreaberta. Ela ainda parou sem se mover, parecendo um pouco em dúvida a respeito do que faria.

— Você quer saber. – ela virou o corpo para ele, parecendo desconfortável com a confissão que faria. – Eu aprendi a me livrar e a lidar com meus medos, minhas inseguranças, a gente tem que lidar com as frustrações, é isso. – pronunciou ela engasgada por um nervosismo que mal sabia de onde vinha. – Só que com você não dá pra agir assim, pra ser assim, a verdade é que não consigo, eu sou incapaz... – É isso, eu continuo sendo a mesma menina insegura, incerta de tudo, eu sou fraca, eu sou medrosa, eu sou inimiga de mim mesma, porque eu me detono, me destruo, é isso. – ela acaba entre lágrimas.

— Ei me ouve, por favor. — Ben pediu encarecidamente tocando o rosto dela. — Eu não menti, eu realmente estava falando sério quando eu disse que queria tentar, tentar de verdade. — alegou o rapaz, enquanto ela só tinha a reação de lhe fitar muda.

— Droga, porque tudo com a gente têm que ser confuso e intenso ao extremo. — Anita expressa olhando para ele um pouco tensa.

— E nem mesmo assim a gente desistiu, não de verdade, não foi. — Ben argumentou a envolvendo em um abraço.

— Desculpa se parece exagero da minha parte, é só que eu... — justifica ela impacientemente.

— Tudo bem, vamos esquecer isso, ao menos por enquanto vai. — ele alega seguido de um beijo, Anita somente atreveu-se a esboçar um sorriso em concordância.