Encontros, desencontros e novos encontros
94 Capítulo 94:
– Ué tá aí ainda, achei que você tivesse saído com os meninos também filha. – Vera se surpreende ao dar uma fugida da empresa até em casa e encontrar Anita, sentada a mesa da sala extremamente concentrada debruçada sobre alguns papéis.
– É eu ia, mais aí me enrolei aqui e acabei ficando. – Anita respondeu com um sorriso bem-humorado, parando o que fazia para conversar com a mãe.
– E acabou se envolvendo com teus projetos. – deduziu Vera sorrindo de um jeito iluminado, fitando as ideias de Anita no papel, não entendia absolutamente nada dos “rabiscos” da filha, mas desde que a menina era muito pequena a via ter plena certeza que queria ser arquiteta que até conseguia decifrar do que se tratava seus desenhos.
– É. – Anita confirmou em um tom empolgado, com certeza lidar com seus projetos, e colocar algumas das ideias, da imensidão delas que tinham em sua mente em prática lhe faziam bem, era umas dentre algumas coisas que a faziam se desligar de tudo e todos e se concentrar somente ali, em uma folha de papel.
– Eu não entendo muita coisa mais... – Dá pra ver teu empenho. – Vera sorriu puxando a cadeira e sentando a cabeceira da mesa, a observar Anita com um sorriso orgulhoso.
– Obrigada mãe, é aquilo né, há coisas que a gente sente não é, nem precisam ser ditas com tanto louvor. – Anita dá um sorriso leve a ela, até esquecendo de todas as desavenças, apesar de tudo sempre amaria e admiraria a mãe acima de tudo... Não se importando muito que isso poderia significar que ela era simplesmente alguém de coração mole. – Mais não é pro escritório lá de Londres, é pra uma amiga, conhecida na verdade, ela é irmã de uma menina que fazia curso com a Meg, e brasileiro né, do outro lado do mundo acaba sempre fazendo procissão e virando tudo intimo um do outro, talvez uma forma de não sentir falta do Brasil, ela vai se casar, morar com o namorado, não sei ao certo, descobriu que estava grávida e os dois resolveram se render a uma vida a dois. – ela contou a mãe, entre sorrisos de animação. – Ai eu acabei aceitando da uma força pra eles de graça, bom que eu me distraio também, eles era amigos de infância você acredita, se conhecem desde os 10 anos de idade, quando ele recebeu uma proposta de trabalho em Londres, a doida largou tudo e foi junto, corajosa até demais, aí como a irmã já estava por lá não quis voltar mesmo. – contou Anita a mãe que ouvia tudo atenta.
– Linda história de amor então. – Vera falou sorridente.
– É, e com final feliz, e que continue assim. – concordou Anita, voltando sua atenção para seu trabalho novamente.
– Você hein filha, gente nunca conversou sobre isso, mais eu to muito feliz com você aqui pertinho de mim. – Vera aproveitou para puxar o assunto, mesmo estando receosa, da reação que receberia de volta. – E... — E também. – a mulher hesitou, devido ao olhar que recebeu quando Anita a encarou. – Bom você e o Ben... – disparou a mulher ao passe que Anita soltava o ar dos pulmões devagar, evitando transparecer a chateação que sentiu com o assunto.
– O que tem eu e o Benjamim mãe. – rebateu Anita, já em estado de nervos com a colocação de Vera, desviando os olhos a juntar os papéis.
– Ah vocês, bom eu e o Ronaldo estávamos com medo, desse encontro dos dois, pra todo mundo enfim, no início creio que foi meio difícil para os dois, mais hoje eu vejo vocês conversando, até rindo, convivendo numa boa. – Veta tenta explicar de alguma forma ao perceber que Anita não parecia muito contente.
– A gente tem educação, mesmo que não pareça às vezes. – Anita encarou firmemente a mãe, não escondendo sua ironia. Inquieta ao tentar compreender onde Vera chegaria com tal assunto, procurando esconder a respiração ofegante.
– Eu sei filha. – Vera sorriu ao não entender exatamente em que sentido seria a colocação de Anita. – Na verdade eu não quero causar nenhuma confusão, é que bom vocês dois, foram namorados, e, além disso... – ela continua a argumentar.
– Mãe você não precisa me lembrar do que eu tive com o Ben, ou o que eu não tive, eu sei exatamente, foi de verdade fato. – levanta ela, apanhando o celular com impaciência de cima da mesa. – Mais em tudo na vida, a uma grande diferença entre brincar de casinha, e suporta a realidade, não que a gente não tenha gostado bastante do fato. – Anita proferiu bruscamente, ao final se fez um sorriso de ironia em seu semblante. – Bom eu vou trocar de roupa que, fiquei de fazer uma aula de dança com a Meg, melhor eu ir, se não ela vai ficar chateada, fica fria tá, eu sou plenamente responsável pelas consequências dos meus atos, se não ficou claro pra você eu quis dizer que, eu respondo e arco com aquilo que eu faço doa a quem doer, e não vai ser diferente nunca, valeu pela preocupação tá, mais não esquenta, beijo. – ela beijou a mãe com ternura e saiu apressada até o andar de cima.
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– Anita. – Ben a chama com a voz calma da porta.
– Eu. – ela devolveu virando para encarar Ben parado a porta do quarto, jogando a blusa que retirou do guarda roupas sob a cama.
– Ou ouvi sem querer, quando eu ia descer a escada, não meti por que... – Ben foi se explicando ligeiro quando constatou que o olhar cansado dela, queria dizer só uma coisa, Anita estava remoendo a conversa com a mãe.
– O que, o que minha mãe me perguntou lá em baixo. – Anita se surpreende com o fato, questionando somente segundos depois.
– Olha eu não sei o que a Vera está querendo mais, isso não significa que... – o rapaz fala partilhando um pouco da confusão dela.
– Tudo bem, podia ser pior. – ela o entendeu, pondo o celular dentro da bolsa.
– Só não entendi direito onde ela queria chegar. – especula Ben, vindo até ela.
– Eu resumo pra você, na felicidade da família dela, família que eu nem faço mais parte. – Anita rebateu com total impaciência, fazendo um coque nos cabelos pensando em ir esfriar os pensamentos embaixo do chuveiro. Não era que realmente achasse que a mãe não ligava para si, mas se ligar para ela significasse para Vera ir contra todos os membros da família, e ameaçar a união de sua prole, Vera nunca tentaria a entender ou apoiá-la, era algo que Anita não podia mais pensar em ter da mãe, por mais que isso a chateasse e até lhe deixava com certa raiva.
– Hey, auto piedade não né Anita. – Ben procura acalmá-la de algum jeito, definitivamente ela não merecia tal fato.
– Não é auto piedade, minha mãe não se importa comigo Ben, ela só se importa com o quanto eu posso fazer ela sofrer, ou o quanto tudo que eu já fiz, afetou a família, a gente não é nada. – Anita diz sem se conter. — Mas tudo bem, eu não vou ficar de auto piedade realmente, você é um problema exclusivo meu, e eu não vou abrir mão disso jamais. -
– Do que de mim ou do problema. – Ben fez graça como maneira de fazê-la desfazer o semblante sério e impaciente.
– Dos dois não é. – ela ri por um segundo. – Vai ver é fato mesmo, eu gosto de uma confusão bem formada. – cogita ela, por um segundo esquecendo de seu estado nervoso.
– Então que tal nós esquecermos do resto. – sugere ele, se aproximando sorridente e segurando sua mãos.
– Talvez. – Anita suspira não muita certa. – Foi mal pelo chilique, é que às vezes as coisas me sobem a cabeça em tempo recorde, principalmente quando as pessoas acham que devem me dizer o que eu devo ou não fazer, como se soubessem tudo, menosprezando que eu também sinto as coisas, e talvez eu realmente não sinta da forma abrandada delas, como se de alguma forma maluca eu tivesse mesmo cansado disso sabe, de todo mundo achando que sabe mais da minha vida e dos sentimentos do que. – explica-se ela, querendo realmente por um fim ao assunto. – Mais uma coisa eu também sei Ben, eu não quero te trazer problemas, e nem te prejudicar com ninguém, eu sei que em muitos momentos eu fico jogando tudo pra cima de você, e muitas vezes só por raiva besta mesmo, mas eu tenho consciência que você teve que aguentar muita coisa por conta dessa nossa história maluca e com final quase trágico, principalmente Ronaldo, não quero que vocês se desentendam de novo por minha causa. – alega ela, realmente se preocupando com a situação, não querendo de forma alguma bagunçar a vida do rapaz.
– E você não acha que isso ainda sou eu que decido, a vida a minha Anita, e eu não nisso enganado nem lá atrás e nem dessa vez ok. – respondeu Ben sendo sincero.
– Ok, mais caso você não tenha entendido a minha explicação. – Anita começar a rir. – Eu no caso sou a encrenca mesmo, a chave de cadeia, ou pra ser mais direta ainda a roubada do século, de toda tua existência. – a garota fala, só conseguindo fazer com que Ben dê gargalhadas do assunto e do jeito que ela fala.
– Mais então, será que eu posso responder se você tá certa daqui uns cinco anos, é tempo suficiente pra você. – Ben opina com o olhar sobre ela.
– Você não vai aguentar até lá, e nem eu, é muito tempo pra gente, você não acha. – Anita ri da proposta disfarçada dele.
– Olha que eu sou mais otimista. – Ben sussurra cheio de travessura no ouvido dela, pra logo depois distribuir beijos lentos em seu pescoço. – E depois eu confio no meu poder de insistência. – afirmou ele a fazendo rir apenas, e diante do olhar de audácia dele a ela, Anita preferiu mesmo não responder.
– Então tá né. – Anita o olhou, irônica.
– Tá. – Ben abriu um largo sorriso, aproximando seu rosto do dela.
– Anita. – Meg aparece na porta a chamando.
– Ai Meg. – Anita começar a rir do susto que levou quando ouviu uma voz atrás de si a chamar pelo nome.
– Foi mal gente, eu não queria matar ninguém juro, só queria chamar vocês pra se juntarem a aula de dança comigo. – a loira da risada da forma como Ben a olhou aliviado.
– Eu até acredito mais da próxima vez não chega assim, por favor. – Ben implica. – Quase engasguei aqui de tanto susto... – ele procurando refazer-se.
– Bom, que bom que eu não cheguei dois minutos depois não é, porque consequentemente a Anita também acabaria engasgada né. – a loira controla o riso com dificuldade.
– Ai que linda. – Vem cá onde você aprendeu a fazer essas piadinhas sem graça, com teu novo pegue-te o Marcelo. – Anita virou para ela debochada.
– Ai Anita, não fala assim que eu choro. – a estrangeira, fez pirraça com a ironia destinada.
– No caso do peguete, não tinha nenhuma frase de duplo sentido, e não chora que se não eu não resisto. – Anita tentou contornar o mal entendido, correndo para abraçá-la. – E pra ser mais exata se você não me convidar pra ser madrinha desse casório, eu te mato, te juro que aí sim a gente vai rolar naquele asfalto ali, como muitas vezes a gente teve vontade e não fez, porque bancamos a fina. – ameaçou Anita, enquanto as duas riam.
– Hãm, e que te disse que eu quero casar e ainda mais com o Marcelo. – Meg arqueia uma sobrancelha a soltando, negando qualquer coisa que Anita pudesse perceber em seu olhar.
Deixa eu ver, meu sexto sentido aguçadíssimo. – rebateu Anita a fitando séria.
– Tá quebrado então. – gargalhou a loira desfazendo a face de seriedade.
– Ou vai ver faz tempo também não é, por isso que eu só me meto em furadas. – Anita cogita mexendo nos cabelos desarrumados e olhando para o chão.
– Vocês são doidinhas na boa. –Ben só consegue zombar das duas.
– Olha aqui doida é a senhora sua mãe tá, e nem vem que eu não vou te pedir desculpas por isso. – desdenha Anita rindo.
– É não rola. – a loira também concorda as risadas.
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– Ah o debaixo era meu. — Ben ri brincalhão, dançando com a loira.
– Brother, sinto muito mais acho que só era mesmo. — Marcelo também ajuda a Ben a implicar com a loira.
– Ai gente como vocês são chatos foi só um pizãozinho ninguém morreu não. — Anita disse em defesa da amiga, olhando os três de palhaçada escorada ao muro digitando algo em seu telefone.
– Ah é tá dizendo isso porque o pé não era teu. — reforça Ben.
– Meg eles tão fazendo de propósito já viu né. – Anita disse levando o olhar a ela.
– E a senhorita solta esse celular e vem aqui agora. — Marcelo deu um passe até ela arrancando o objeto de sua mão e a puxando animado.
– Gente não, eu como dançarina sou uma ótima arquiteta, já chega a dança de antes, agora a dois não rola mesmo. — Anita procurou esquivar-se.
– É o que vamos ver. — Marcelo não cai no papo dela.
– Não achei que te veria por aqui. – Sidney vê Sofia acomodada com uma garrafa de água em mãos, em banco onde a sombra amenizava o sol meio forte.
– Já você né, nem posso dizer que to surpresa, você sempre foi fã da Meg. – a patricinha acaba sendo um pouco irônica, devido a pitada de ciúmes que sentiu quando viu o garoto falando com a americana.
– É Sofia, apesar de tudo nós sempre fomos amigos. – o rapaz sentou ao lado dela sem esconder.
– É tipo aqueles três ou quatro ali. — Sofia afirma observando ao longo as brincadeiras Ben, Meg, Marcelo e Anita.
– Porque o problema. – Sidney fica curioso com o comentário da amada.
– Não, tem nenhum não Sidney, só comentei. – Sofia diz sem mentir.
– Teus pais devem estar felizes, aposto que eles temeram, esse encontro do Ben com a Anita. — o rapaz diz, nem esperava tanta entrosamento do ex-casal.
– Depois de tanto tempo, não é possível que eles ainda nutririam qualquer tipo de ilusão com o outro, a Anita não seria tão avoada assim, seria criancice demais. – Sofia já estava a alguns dias desconfiada dos olhares e brincadeiras que Anita e Ben faziam um com o outro.
– Bom Sofia, isso não sei meu contato com os dois é muito pouco fato, falo mais com o Ben mesmo. – ele também opina a respeito. — Mais o que eu sei é que amar não tem nada a ver com tempo, e o Ben amava muito tua irmã, eu não me surpreenderia se ele tivesse atrás dela novamente. – fala Sidney tentando captar a reação do loirinha com sua suposição.
– É Sidney só que a Anita namora um carinha lá em Londres que a mamãe disse. – Sofia pensa que seria bobagem da parte de Ben, Anita não o perdoaria assim.
– O que também não quer dizer nada né. — Sidney ri astuto.
– Ah não chega, já me basta às vezes que você me arrasta pra alguma festa e quase me mata né. – Anita acaba cansada.
– E você nem reclama não é. – Meg implica.
– Não só meu pé, meus dedos entram todos em sofrência, e a vontade de jogar o sapato fora fala mais alto. – ponderou Anita.
– É que a gente é muito encalhada aí eu tenho que te arrastar. – brincou Meg.
– A gente disfarça né mais... – concorda Anita fazendo graça.
– Principalmente se abrir a geladeira lá de casa, o que não falta é sorvete e brigadeiro, provas fortes disso. – Meg afirma se escorando ao muro.
– Vocês adoram um elogio, não é possível. – Giovana fala rindo do drama das duas.
– É realismo demais, de fato faz mal mesmo. — zoa Meg.
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