Encontros, desencontros e novos encontros
86 Capítulo 86:
Notas iniciais
– Sofia me fala o que aconteceu, porque você tá assim, tão agoniada. – Sidney cobrava da loira, que ela se explicasse, pois não conseguia entender o que acontecia, já que a patricinha se enrolava com as palavras e só o olhava aflita, toda vez que tentava se explicar.
– Não sei, acho que pela primeira vez na vida, eu me dei conta de como eu afastei as pessoas de mim Sidney. – ela disse, tentando engolir as lágrimas que sentia estarem prestes a se formar em seu rosto.
– Como assim Sofia, do que você tá falando? – o garoto ficou partilhando da agonia dela, e não conseguiu entender muito bem do que a menina falava.
– Eu to falando de tudo Sidney, das escolhas tortas que eu fiz, que eu achava que me levariam a felicidade, só que na verdade elas me trouxeram por um caminho terrível, isso que... – ela se calou angustiada, encarando apenas os olhos confusos de Sidney a sua frente. – Bom de algum jeito, o que eu tentei fazer não aconteceu, deu errado, mas mesmo assim as consequências das minhas tentativas elas... – Sofia explicou o que lhe agoniava não escondendo seu nervosismo.
– Sofia sabe o que eu acho. – Sidney suspirou em busca de calma para que assim pudesse ajudar de alguma forma a garota. – Você é que está com essa ideia fixa, desde que viu tua irmã retornar ao Brasil, você é que enfiou na cabeça essa teoria da conspiração. – o loirinho argumentou querendo tranquiliza-la um pouco.
– Não, não é Sidney, a Anita me odeia, ela não se conforma que eu destruí o namoro dela com o Ben, aliás ela deve odiar o Ben também, e a minha mãe ela, ela... – proferiu Sofia mal conseguindo respirar. – Ela... – Fingi, fingi toda hora que não vê, eu não aguento mais Sidney. – a menina choramingou, exausta da situação.
– Você está de exagero, talvez vocês tenham sim que aparar as arestas e resolver os problemas do passado, realmente isso pode acontecer, vocês nunca tiveram esta conversa, e ficarem próximas faz com que vocês entrem em conflito e que ela seja necessária. – opinou Sidney. – Mais a grande pergunta, você quer resolver isso, porque só tem um jeito, falando com a Anita, vocês tem que ter uma conversa franca Sofia. – ele expôs sem se importar que a loira não aprovaria sua decisão taxativa.
– É o melhor né. – Sofia confirmou, com a voz engasgada por toda tensão que se fazia presente em si. Sidney apenas concordou com um aceno de cabeça. – Só que eu não sei se eu tenho coragem Sidney, to confusa, insegura, não sei. – a loirinha confundiu.
– Então, minha linda, faz assim, quando você realmente quiser falar com ela, que você esteja certa disso... — Fale, enquanto isso, não se preocupa tanto Sofia, nem tem necessidade disso. – pediu ele, preocupado com a garota, ela sorriu em agradecimento, e Sidney poder ver o quão mais linda Sofia era quando estava feliz.
– Tá, eu vou tentar, obrigada, mais uma vez você sendo meu herói não é Sidney, essa vida é muito louca mesmo. – Sofia sorriu radiante se sentido mais tranquila, com as palavras ditas por ele.
– É essa vida da muitas voltas mesmo, quem diria, eu Sidney, o tosco, agora o herói de Sofia Toledo. – o garoto não resistiu em implicar, mesmo lisonjeado com o comentário dela.
– Ai Sidney, tá bom para. – ela riu sem graça.
– Então acabei de me lembrar que você está me devendo um jantar, que tal. — ele a convidou sorridente.
– É só marcar, já esta aceito. – a patricinha afirmou contente.
– Vou marcar mesmo hein, não vai pensando que vou me esquecer. – Sidney garante animado, enquanto contempla o sorriso feliz de Sofia a ele.
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– Acho que eu morava num lugar desses, sabia. — confessava Anita inebriada pela paz, que o silêncio da natureza, que a cada segundo era misturado ao vento suave que soprava, trazia ao bater em seu rosto.
– Hãmm tá, e você iria conseguir viver longe da cidade. — contrario Ben, um pouco não convencido. — Meio contraditório pra arquiteta não. — ele ironizou também se sentindo em paz consigo mesmo, em um estado felicidade enorme, por estar ao lado dela novamente.
– É ok, pode até ser mais... — retrucou ela concordando em parte. — Mais eu também ficaria aqui sem problemas. — reforçou Anita estampando um enorme sorriso no rosto enquanto fitava Ben. – Principalmente naqueles dias, que o estresse me pega, e eu quero simplesmente, sair por aí sem pensar em nada e largando tudo pra trás sem pensar. – ela afirma, as risadas. — Eu ficava por aqui, por um bom tempo até sentir falta da agitação da cidade, eu construiria uma casa com dois andares, bem ali óh só pra aproveitar a vista. — devaneou ela, apontando para mais a frente de onde os dois estavam sentados, escorados a uma árvore.
– Ah uma casa de dois andares ainda por cima, começar com toda poupa possível, é isso. — Ben achou graça das confidencias dela.
– É, dois andares sim, com aquelas sacadas tipo século dezenove, só pra sair da cama todo dia, e poder desfrutar dessa paisagem linda, só pondo o pé pra fora da cama, literalmente. — ela confirmou suas maluquices.
– Olha sempre me disseram, que todo arquiteto tem seus dias de extrema instabilidade, afinal vocês vivem de criar, não é, mais olha eu to começando a achar que isso não é só um ditado, uma falácia, é verídico. – Ben afirma, a encarando nos olhos sorridente.
– Hum, nem vem isso é papo de engenheiro, que tá querendo arrumar briga, não é, já que vocês que chegaram digamos assim primeiro, vocês acham que não precisam da gente. – Anita o olhou com desdém.
– É, é... – Então acho que a gente vai brigar muito. – ele fingiu exagero. – Até porque se é assim, vocês que chegaram por último acham que nunca mais vão precisar da gente pra nada. – ele devolveu a implicância.
– Ah então tá, então quer dizer que vocês discutir isso a partir de agora. – ela achou graça.
– Bom acho que a gente pode deixar isso pra depois da faculdade, nós vamos ter mais conhecimento sobre o assunto. – afirmou Ben se aproximando dela, e a provocando com um beijo.
– Ai meu deus! – O que a gente tá fazendo hein garoto, brincando com o destino. – ela alegou com sorriso largo.
– Ou brincando com fogo também, na verdade pra ser mais exato, nós nunca fomos muito obedientes mesmo. – disse ele com um sorriso despreocupado.
– É, cumprir ordens, não é nosso forte. – Anita concordou rindo, voltando ao beijo.
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Me aproveitou a solidão e o fato de que todos estavam mais ocupados com suas vidas naquele dia, e já que nem Anita havia dado as caras ainda desde cedo, foi ao salão conversar com Serguei e Flaviana, mas acabou só encontrando o ruivo disponível, a morena tinha ido para a faculdade.
– Ah Serguei, tenho boas lembranças disso aqui, fui muito feliz morando nos fundos desse salão. – a estrangeira recordava aqueles momentos com saudade e alegria.
– E eu confesso que senti muito tua falta sabia, quando você foi embora isso aqui ficou muito mais vazio. – o cabeleireiro comentou também saudoso.
– Louco né, essa coisa da gente lembrar do passado, aí sentir aquela vontade de estar lá, viver realmente é um enigma. – ela afirmou se sentindo em paz.
– Oh minha amiga, e eu espero poder viver muito isso ao teu lado. – Serguei declarou e os dois se uniram em forte abraço.
– Eu posso saber o que está acontecendo aqui. – Marcelo ficou totalmente confuso a respeito da cena que seus olhos contemplavam naquele momento, Meg abraçada a alguém que ele se quer sabia quem era, mas pelo visto ela sabia muito bem, já que parecia bem intima do garoto.
– Oi Marcelo. – Meg respondeu, estranhando a presença do garoto ali, a se afastando de Serguei.
– Oi Meg. – o garoto devolveu áspero.
– Você veio falar comigo. – ela questionou apreensiva, levantando de onde estava e vindo mais para perto dele.
– É, o Omar me disse que você viria para o salão, e como esse aqui parece ser o único salão do bairro. – Marcelo rebateu ainda na defensiva.
– É eu vim conversar com o Serguei. – ela anunciou não vendo nada de mais em falar do assunto.
– Eu vi, até demais. – a rapaz afirmou fitando Serguei de forma séria.
– Você é o amigo do Ben, não é, a Anita me falou de você. – Serguei procurou puxar assunto e desfazer qualquer mal entendido que pudesse haver.
– Acho que sou sim, você conhece a Anita. – devolveu Marcelo curioso.
– Sim, ah muito tempo, tanto que até já perdi a conta. – Serguei sorriu, ao falar da também amiga.
– O Serguei, é o melhor amigo da Anita, os dois se conhecem desde criança acho. – Meg reforçou, mudando o rumo das coisas.
– Ah é, amigo é, tipo o Ben assim. – falou ele impulsivamente, tomado por uma ponta de ciúmes por ter visto Meg e o ruivo pra lá de entrosados.
– Não, não, amigos mesmo, a Anita sempre foi como uma irmã pra mim, eu, ela e a Julia nos criamos fazendo estripulia por esse bairro, a partir daí, a amizade não acabou mais. – Serguei explicou entre uma risada, ao começar a entender o que atingia Marcelo. – O Ben, como vocês desconfiam ou sabem, é um outro departamento na vida da Anita. – ele disse ainda, sabendo que a amiga jamais poderia escutá-lo, com tal certeza em sua boca. – Bom Meg, se você quiser esperar a Flaviana chegar, ela já deve estar pintando por aí, conhecendo minha namorada e sabendo que ela saiu de casa atrasada e sem tomar café da manhã, vai vir correndo pra almoçar. – brincou Serguei com os horários da garota.
– Bom Serguei é... – Desculpa qualquer coisa aí, invadindo assim, interrompendo vocês, foi mal, eu costumo ser mais educado do que isso, posso te garantir. – Marcelo achou mais aconselhável ser cordial, já que se viu agindo como uma criança mimada, que perdia o melhor amigo, para o coleguinha recém chegado na creche. – Prazer viu. – afirmou ele estendendo a mão direita ao ar para cumprimentá-lo, procurando começar de novo.
– Imagina, tá zerado, nem se preocupa. – Serguei sorriu simpaticamente e os dois encerraram o assunto com um aperto de mão. – Então vamos marcar alguma coisa, todo mundo um dia desses, sinto falta de reunir a turma, e as vezes isso é tão difícil, tá convidado também Marcelo. – sugeriu Serguei.
– Claro, eu posso falar com a Anita, com o Ben. – Meg sorriu gostando da ideia. – Você tá dentro também né. – a loira reforçou o convite a ele.
– Óbvio, e eu iria perder essa, sem chances. – Marcelo sorriu a ela.
– Marcado então, e eu vou falar com a Julia. – disse Serguei.
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– Tá, tá bom já entendi eu vou, não precisa usar de chantagem emocional não. — brincava Anita ao falar ao telefone com Julia. — Eu vou, só pra ti provar que no fundo, eu sou uma ótima amiga, ouviu, beijo, até daqui a pouco. — encerrou ela a conversa bem humorada que tinha com Julia ao telefone, desligando o celular em seguida.
– Era a Julia. — supôs Ben, após ouvir de relance o nome da morena.
– Era sim, quer que eu vá a todo custo jantar com ela ,alegando que eu desde que cheguei, não a dei a devida atenção, vê se pode. — Anita achou graça do jeito apelativo da amiga.
– Sinal que ela te conhece, não é, sabe que se a gente não pegar no teu pé, você não se dá o trabalho nem de se mover até a gente. — alfinetou Ben
– Ai o que, carência dupla agora, nem vem. — Mais você pode me deixar lá, até é bom assim ninguém repara que a gente chegou junto. — ela o pediu.
– Tá bom, eu acato teu pedido mais é só porque eu to de bom humor hein. — Ben afirmou brincalhão, se dispondo a mudar o que caminho, para deixar Anita na casa de Julia.
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– Até que enfim, né dona Anita. – Julia só soube sorrir contente, quando ouviu alguém tocar a campainha da porta de sua casa e após abrir contemplar a imagem da grande amiga parada.
– Tá vendo. – Anita sorriu a cumprimentando. – Demorou um pouquinho, mas aqui estou eu, não falei que vinha. – recitou Anita divertidamente, em relação a sua demora de ceder aos pedidos de Julia e vir passar um tempo com ela.
– Sim claro, mesmo que isso tenha demorado alguns e longos dias. – a morena disse em um tom meio irônico, implicando com a demora de Anita em relação ao pedido feito por ela.
– Desculpinha, prometo que serei mais pontual daqui pra frente, ok. – Anita ria. Ela era desatenta e até omissa com os amigos por isso, e ninguém melhor que Julia para ter certeza de tal fato.
– Hum, e eu vou cobrar. – garantiu Julia também rindo.
– Anita, olá. – Frédéric, veio da cozinha com um sorriso animado, logo que ouviu a voz da menina.
– Oi, tudo bem com você. – ela respondeu dando um forte abraço no velho amigo.
– Tudo sim. – Fred reforçou sorrindo de maneira serena.
– Eu te procurei o dia todo. – Sabia? – alegou Julia, relatando as horas que perdeu a procura de Anita, para convidá-la a jantar em sua casa.
– Ah é que eu dei uma sumida mesmo. – Anita admitiu.
– Fui no casarão, a Meg disse que sabia que você tinha saído, mais quando dor pra dizer pra onde ela se enrolou toda. – a garota contou.
– É na verdade, nem eu sabia pra onde eu iria, quando saí hoje. – Anita achou graça da situação, que viveu por aceitar o convite de Ben.
– Ah entendi. – Julia encarou a amiga desconfiada, principalmente do sorriso empolgado e do ar feliz que ela apresentava, que eram evidentes. – Quando te liguei a primeira vez, você disse que estava longe do Grajaú, mas pelo visto chegou rapidinho. – alfinetou Julia querendo arrancar mais detalhes da amiga.
– Foi sim. – confirmou Anita. – O Ben me trouxe de carro até aqui. – não escondeu ela. – Mais mudando de assunto, vamos falar de você por exemplo, dona Julia, disse que tinha uma coisa muito bacana pra me contar. – Anita preferiu levar o rumo da conversa para outro canto, antes que ela começasse nitidamente a “enfiar os pés pelas mãos” ao falar de sua vida, tinha certeza que suas ações ainda estavam sob efeito de toda magia vivida no dia de hoje. – Então, estou aqui, agora eu quero ouvir tudinho. – afirmou Anita entre sorridos de animação.
– Tá bom vai, eu vou te contar tudo, afinal insisti tanto pra você vir. – Julia se rendeu, mas guardou em pensamento que também precisaria intimar Anita a ser submetida ao rito de interrogações, tinha certeza que a amiga tinha muito a contar. E se tinha alguém que sabia com maestria, fazer Anita falar aquilo que não queria, essa pessoa era Julia.
– Bom, e eu vou cuidar do nossa jantar, antes que ele desande. – informou Fred.
– Opa, então quer dizer que é assim Fred, ela decide recepcionar os amigos, e te põe na cozinha. – Anita brinca com ele. – Poderosa ela, não é!
– Pra você ver. – Frédéric saiu da sala rindo.
Enquanto Anita e Julia engataram um papo animado, e perderam totalmente a noção de tempo a conversarem, Frédéric terminou o preparo do jantar e achou melhor colocar a mesa sozinho também, já que as duas garotas, só se preocupavam em fazer confidencias e distribuir risadas largas que irradiavam por toda sala.
– Lindo, essa mesa, tá parecendo jantar em restaurante chique. – Anita elogiou a mesa posta pelo amigo e namorado de Julia. – Olha Fred, você já pode casar viu, e eu espero que pra sorte da Julia, que seja com ela mesmo. – disse Anita em um tom divertido, enquanto se servia.
– Ai tá cheia de graça ela, bom humor incrível. – Julia retrucou, encabulada pelas insinuações que recebia.
– Olha se tem uma coisa que eu descobri, há um bom tempo já, é que sem dúvida eu não nasci pra viver de mau-humor, no meu estado normal, às vezes já sou ruim de te aturar, mal- humorada, basicamente, ninguém me aguenta mesmo, nem fazendo muito esforço. – Anita disse debochada, a respeito de si mesma.
– Nem é boba né. – Julia ironizou, rindo da amiga.
– É ué, é verdade. – reafirmou Anita entre uma gargalhada. – Mais então falando sério agora, acho que essa pessoa incrível, que eu conheço desde o jardim, quando a gente fazia castelo de areia na pracinha, mais que uma amiga, minha irmã de alma, porque não foi um laço de sangue, ou de família que nos uniu, que nos foi imposto, foi algo muito mais além. – declarou Anita. – Merece um brinde só pra ela, muitas pessoas podem até acharem que não é um grande feito receber o um elogio do chefe, por trabalho bem feito, e o direito a cuidar de mais matérias por semana, mais como eu sei e admirou muito o talento dela e sei que ela vai muito mais longe, e sei disso desde que ela enfiou na cabeça que seria jornalista um dia, acho que ela merece todos os brindes do mundo. – parabenizou ela. – Parabéns Ju, que essa seja o primeiro passo de muitos, você sabe que merece. – afirmou Anita contente pela garota e os três levaram as taças ao centro para brindarem.
– Ai Anita, desse jeito eu vou chorar, só que de alegria. – Julia proferiu, ficando com a voz engasgada pela emoção.
– Não chora não, se não eu vou chorar também, e aí esse banquete do Fred vai ser desperdiçado, e isso não é educado. – Anita riu disfarçando e procurando conter os olhos lacrimejados também.
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– Sei lá acho que... – Hoje quando se fala em curso no exterior, tem muita gente, que é contra, afinal Brasil pode não ser o país sempre adepto a grandes oportunidades, que caem do céu sem a gente correr atrás, mais pra quem quer de verdade mesmo, há grandes oportunidades, faculdades ótimas, cursos incríveis, mas acho que mais que você conhecer outro país, fazer um curso no exterior, o que vale mesmo é a experiência, a cultura que se adquiri, a vivencia mesmo, que no fundo acaba sendo um conhecimento a mais, além daquela área que se queira se especializar. – Anita afirmava animadamente aos amigos. – Se vocês pensam mesmo em fazer algum curso, estudar fora, que seja por um mês, dois, seis meses, o tempo que for, com um bom planejamento eu do maior força. – ela afirmou. – Tem muito curso bom aí fora, Estados Unidos, por exemplo, tem muita faculdade que oferece cursos de curto período, justamente pra aqueles que querem se especializar, ou até mesmo pra se ter uma noção a mais daquilo que se está cursando, na área de Engenharia mesmo é o que mais se tem, por ser justamente uma promissão que está sempre em evolução, ninguém consegue acompanhar o mercado hoje se não se reinventar. – opinou Anita aderindo a ideia dos amigos.
– Vem cá, dona Anita pra quem mora do outro lado do mundo, você não está informada demais sobre o assunto não. – alegou Julia com um sorriso extremamente debochado.
– Ai exagerada. – devolveu Anita, no intuito de disfarçar qualquer percepção que a morena estivesse tendo.
– Não. – Julia negou. – Ou será que eu estou certa mesmo, você anda tendo altos papos, com um certo brasileiro que mora há anos na América. – Julia passou a distribuir ironias em direção da amiga. – Como mesmo o nome dele, ah lembrei Benjamim, isso né. – debochou ela, enquanto Anita procurava ignorar, abaixando a cabeça e remexendo a salada em seu prato.
– Julia não entendi a ironia, sabia. – Anita levantou o olhar para fita-la, querendo ao máximo não rir.
– Óbvio, não foi uma ironia, talvez por isso. — exclamou Julia risonha.
– Ai caramba vocês dois hein. – Anita revirou os olhos, ficando nervosa com a situação e os olhares curiosos de Julia e Fred a ela. – Vocês querem saber o que? – ela alega exasperada. – Realmente pode ser estranho até pra vocês dois, que nos conhecem, mais eu tenho conversado com o Ben sim, sobre muitas coisas, por mais que a gente se estranhe e se arranhe, pior que cão e gato, eu gosto de conversar com ele, nós não temos personalidades tão distintas assim, gostamos das mesmas coisas, em alguns casos pensamos da forma. – ela justificou.
– Ai amiga na boa, fala a verdade vai, até porque ninguém aqui vai sair espalhando isso por aí. – Julia cobrou que ela fosse sincera. Havia um algo a mais por trás da justificativa dado por ela, e a morena tinha certeza disso. – Anita tá rolando, tá certo que tava rolando, eu já estava sabendo, só não tinha entendido que tinha ficado sério a esse ponto, até porque você me garantiu que não iria mais tentar. – a garota a pressionou, Anita por sua vez só soube sorrir sem saber o que dizer em sua defesa. – Ok, você não quer responder não responde, é um direito teu, tua vida né afinal, mais que vocês estão ficando, vocês tão, e nem adianta dizer que sou louca por afirmar isso. – Julia desistia de insistir, devido ao silêncio instaurado por Anita.
– Ai Julia, tá bom, o Ben e o eu, a gente não sei, tem rolado sim. – Anita confidenciou suspirando confusa ao não saber que palavras usar de fato. – Agora o que isso significa, bom nem eu vou saber te dizer, mais também óbvio que eu não posso negar que nossa ligação é perigosa, fora do comum, quase um caso a ser estudado, e nem nego também ,que eu tenho curtido muito tudo isso. – ela afirmou deixando um sorriso alegre transparecer. – Satisfeita!
– Muito. – Julia riu.
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– E aí, e o casório, vai ser pra quando mesmo. – Anita brincou com a amiga, enquanto a ajudava com a louça na cozinha.
– Ai não sei, calma tá, não é nada pra agora, no momento a gente só pretende fazer um jantar de noivado, e que ainda vai demorar um pouquinho. – argumentou Julia rindo de toda pressa da amiga.
– Quem diria hein, você aí fazendo planos de casar, toda feliz e animada. – comentou Anita entra risadas debochadas já terminando de lavar os pratos. – E eu né, aquela que tinha plena certeza que iria encontrar meu príncipe encantando, estou aqui ainda, roendo meu cotovelo, solitariamente, e a vida continua surpreendendo. – ela disse.
– Que dramática você hein. – Julia achou graça. – Mais você tá com uma carinha de apaixonada. – ela não resistiu e comentou. – E o príncipe, ainda existe, né Anita. – Julia afirmou com um sorriso esperto a ele.
Anita preferiu fingir que não tinha entendido. – É e, apaixonada, não sei se é bem a palavra, mais eu estou mais leve, são tantos conflitos internos pra administrar, sei lá resolvi me permitir, viver, deixar o resto que se ajeite com o tempo. – Anita confidenciou, não podendo negar que estava feliz.
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– Piquenique na praia, a luz da lua, não sabia que você era tão romântico. – Meg afirmava a Marcelo, junto a um sorriso contente devido à surpresa feita por ele.
– Bom talvez eu não seja mesmo. – ele riu brincalhão. –Será que é você que tá despertando esse meu lado. – o garoto cobrou com um beijo.
– Não sei também. – a loira ria, enquanto desviava o olhar. – Mais eu tenho gostado, de ficar do teu lado, confesso que mais do que eu podia ter imaginado. – Meg afirma, e Marcelo só sabe estampar um sorriso bobo e apaixonado no rosto.
– Meu deus, pera aí, que isso. – Marcelo rebateu com certo drama, fazendo gesto de erguer as mãos para o céu. – Eu preciso urgentemente, comprar os fogos pra comemorar, porque dobrar essa pessoa deve ter sido a coisa mais difícil que eu fiz em toda minha vida. – o garoto garantiu alegre.
– Ai pode parar, ou eu vou retirar o que eu disse, ok. – Meg fez-se de chateada pela brincadeira dele.
– Vai é. – ele provocou aproximando seu rosto do dela.
– Vou, e vou mesmo. – a americana deu uma leve risada o ameaçando novamente.
– Vai nada, eu sei que você não vive mais sem mim. – Marcelo proferiu audacioso, a calando com um beijo, antes que ela se desse ao trabalho de respondeu qualquer coisa que fosse.
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– O silêncio hein, essa casa já foi mais animada. – Anita falou a si mesma, quando voltava do jantar na casa de Julia entrava em casa. E não encontrando ninguém ela caminhou a passes divagares até o andar de cima. – Oh Meg, Meg! – ela ficou surpresa quando escancarou a porta do quarto e não encontrou se quer vestígios da loira, apenas sua cama arrumada, com nenhum traço de que alguém tinha ido dormir nela aquela noite.
Com isso Anita deu volta e foi checar se havia alguém no quarto de Giovana que também se encontrava vazio, entediada e sem a mínima vontade de ir dormir, devido a falta de sono, após estar voltando a seu quarto, resolveu checar se Ben ainda estava acordado, depois que passou ao corredor e notou a porta de seu quarto entreaberta. Ela entrou sorrateiramente pelo local, logo depois fitando Ben, que dormia tranquilo, provavelmente havia cochilado enquanto lia, constatou ela depois de notar o livro, debruçado sobre si . Ela aproximou-se da cama tentando não ser notada, e sentou-se devagar na ponta da mesma, enquanto o observou por alguns segundos, só pode ter certeza de que tudo que ela pensava do garoto não eram ilusões, ou algo que só existiu em sua mente, onde a imaginação lhe levou, não apenas devaneios, ela continuaria o achando um cara perfeito, lindo, a melhor pessoa para estar ao seu lado, aquela que sempre a entenderia, as afinidades ainda existiriam, e Ben continuaria sendo a pessoa que a conhecia, alguém que perto Anita seria sempre ela mesma, sem rótulos, sem se preocupar em ser julgada, sem medo de ser verdadeira e parecer tola por isso... Alguém que a amaria, e a protegeria acima de tudo, ela nunca sentiria medo algum, se continuasse o tendo ao seu lado, seria sempre assim, não importava a distância, o tempo que passasse, mesmo impiedoso, ela sempre o veria com os mesmos olhos, olhos de apaixonada talvez. Talvez fosse, cogitou em sua mente, entre suspiros discretos. A constatação de Julia, estaria certa afinal, no fundo Anita tentou, mas nunca de fato conseguiu se desligar daquele amor todo, por mais absurdo, surreal que fosse, essa era sua verdade, e esconder de todos até daria, confundir com outras coisas dentro de si mesma, as vezes também, mais em algum momento, bobo que seja, ela teria certeza disto dentro de si, era inevitável, não dava pra fugir, não mais, não dela mesma. Um sorriso bobo e sereno apareceu em seu rosto, sem se quer ela perceber, enquanto encarava Ben, não sabia explicar, o porquê o achava tão mais lindo, enquanto dormia, talvez fosse porque ele não a contrariava, não confrontava e se quer dizia, o quanto ele achava errado as acusações que ela destinava a si, impiedosamente... Pensou ela por segundo, e até achou graça do fato. Por mais que tal cena, já tivesse sido presenciada por ela, em algum momento muito distante do passado, que um dia os dois tiveram, olhar para o garoto da mesma forma hoje, fazia seu coração sorrir, do mesmo jeito que seus lábios não conseguiam esconder sua alegria. A garota hesitou em aproximar a mão ao rosto dele, quando o viu fazer menção de despertar-se, Anita apenas puxou devagar o livro das mãos de Ben, e o colocou no bidê próximo a cama, levantou devagar, evitando ao máximos ser notada, o olhou uma última vez, talvez fosse o caso de registrar uma “foto” daquele momento, para que ela fosse colocada na parede das grandes lembranças que nutria em seu inconsciente e deixou em seguida o quarto calmamente...
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