Notas iniciais
Pessoal mil perdões pelo atraso, estava levando dias muito corridos, totalmente se tempo para entrar aqui, mas como disse antes vou continuar a fic até o final, mesmo sem tempo não pretendo abandoná-la jamais. Um muito obrigado(a) a todos que leiam e comentam, o incentivo de vocês é sempre gratificante!!

– Cara se eu ganhar uma sócia gata dessas sempre, o Ronaldo pode ir viajar mais vezes. – Martin adentrou ao restaurante e encontrou a ex-namorada e amiga de costas para o balcão concentrada em olhar para a tela do computador, como viajou com Micaela pelas praias e lugares paradisíacos do Rio Grande do Norte, acabou perdendo a festa de Vera e Ronaldo, assim como também não tinha tido a oportunidade de rever os antigos amigos.

– Martin! – Anita se virou para ele sorridente, quando escutou aquela voz atrás de si que ela jamais esqueceria ou confundiria com outra.

– Anita... – o garoto devolveu retribuindo o sorriso com um forte abraço.

– Caramba hein, quanto tempo? – Anita especulou alegre em vê-lo. – Aliás, o senhor está me devendo uma visita não é, você e a Micaela. – ela cobrou brincalhona.

– É pois é, a gente até viajou, tirei umas férias da faculdade, vou te falar hein esses dois últimos semestres estão me matando, nunca pensei que ser CDF fosse tão difícil. – Martin esclareceu entre risadas alegres.

– O Ronaldo falou, eu estranhei você não ter ido na festa da mamãe com ele. – comentou Anita. – Até achei que você não voltava mais, achei que tinha cansado de brincar de pobre de classe média e tinha voltado pra zona sul de vez. – zombou Anita.

– Imagina. – Martin negou as gargalhadas. – E você hein, pode falar por acaso, virou essa gata, essa deusa, linda e importada diretamente de Londres. – Martin se ateve a elogiá-la, vislumbrando o sorriso iluminado e a expressão leve que Anita demonstrava.

– Seus olhos meu caro, plenamente ludibriados por uma lembrança vaga do passado. – Anita ironizou entre risadas incrédulas.

– Meus olhos uma vírgula, se eu soubesse que você ainda chegaria a isso tudo, eu não teria entregado uma mulher dessas de bandeja pro Ben, tinha dificultado mais a parada. – zoou ele entre risadas, Anita se atreve a rir ao não saber o que responder.

– Ah óbvio, eu diria mais, algumas coisas se desentortam parcialmente, mais mudar totalmente não. – ela alfinetou com um sorriso no rosto, ao perceber que Martin ainda continuava com a mesma mania de falar o que pensava sempre, o velho garoto ainda existia, aquele que perdia o amigo mais jamais perderia a piada. — Só você mesmo, não é, só podia ser. – Anita ria sem conseguir controlar o riso.

– Ok, ok, mais brincadeiras a parte, muito bom te ver. – ele encerrou o fato, feliz por ver a garota, parando ao lado do balcão para que os dois conversassem.

– É ih... – Pelo visto nem o casamento, te fez perder alguns hábitos, não é Martin. – Ben chegava e escutou parte das palavras do garoto.

– Então quer dizer que todos os filhos pródigos retornaram ao Grajaú. – brincou Martin ao ver o amigo.

– Grajaú é quem nem ímã eu acho, uma hora a gente é atraído de volta. – caçoou Ben contente por ver o antigo amigo. – Quanto tempo hein. – percebeu ele o cumprimentando.

– E como. – concordou Martin. – Mais agora voltando ao assunto inicial, eu casei, casei e não me arrependo, mais eu ainda não fiquei cego não é, e um conquistador se regenera, mas nunca se redime, de vez em quando ainda escorrega mesmo que sem intenção. – disse ele brincalhão, como era de costume. – E bom algumas coisas não mudam mesmo, por exemplo, você continua ciumento e possessivo. – caçoou ele, enquanto encarava Anita que parecia preferir não se meter. – Isso só prova também que a vida surpreende, você solto na pista, eu homem sério casado, e por aí vai, nós trocamos bons conselhos, admite Ben. – fez piada ele, só arrancando risadas de Anita e Ben.

– É e eu fiquei com a pior parte nesse caso não é Martin. – ria Ben, do comentário do garoto.

– Ou não, de repente você ainda pode ter a melhor parte, já eu... – Martin olhou para Anita com audácia, parada ao lado de Ben, que sorriu apenas com um ar risonho, sem responder a colocação do garoto.

– Vem cá, vocês não querem mais nada não, daqui a pouco vai ser o que festinha pra comemorar. – falou Anita não entendendo onde o rumo do papo iria parar, apenas decifrando que precisava levá-lo para outro rumo, desaprovando ainda mais o fato de que ela parecia o “objeto” que atraia a curiosidade dos dois garotos.

– Opa! — Alguém falou festa, to topando, é só buscar a bebida. – Marcelo afirmou alegremente quando chegava.

– Pronto chegou quem faltava. – Anita profanou com ironia, juntando se afastando um pouso e juntando os papéis que organizava.

– Óh a ideia não é má não, afinal o que seria da vida sem comemorações. – Martin apoiou rindo.

– Marcelo, Martin, Martin, Marcelo. – Ben os apresentou.

– E aí tudo beleza. – respondeu Martin simpaticamente.

– Tudo ótimo, primeiramente tenho que dizer que eu concordo com você, se a vida fosse festa todo dia, não teria tanta gente estressada por aí. – riu o garoto. – E aí Anita, cadê aquele menininho bonitinho, que é teu irmão, o Pedro me deu uma ideia genial agora eu preciso da ajuda dele. – questionou Marcelo sorrindo de forma empolgada.

– Tá na escola, não é gênio. – respondeu ela impaciente. — Que é ideia genial essa que ele te deu, não né porque se for pra cima da dona loira, fique sabendo que ela não vai gostar. – Anita alertou se referindo a amiga.

– Eu estou disposto a arriscar. – Marcelo não ligou para os avisos de Anita.

– Marcelo o que você anda aprontando, e ainda por cima coloca meu irmão no meio disso. – Ben alegou ficando confuso com as perguntas do amigo a Anita, conhecia até demais a capacidade do garoto em agir impulsivamente e fazer as confusões mais mirabolantes possíveis, quando estava interessado em alguém, como ele parecia encantado por Meg, a situação poderia piorar em nível considerável, o amigo era sonhador e tinha talento suficiente para isso.

– Ai credo, já tinha esquecido que você também é irmão do Pedro, aliás, pra entender a configuração de família de vocês só tendo boa cabeça mesmo. – comentou ele entre sorrisos debochados. – E eu não estou fazendo nada ilícito, relaxa!

– Claro porque você não é o rei de propagar roubadas. – ironizou Ben, maneando a cabeça negativamente, conhecia além da conta o jeito espaçoso do amigo para subestimá-lo.

– E você é o pai, não é. – Marcelo não ficar sem zoar o amigo, Ben só poderia estar falando sem pensar dele, desde o momento que o conheceu e passou á conviver um pouco mais com ele, teve certeza que ambos não tinham personalidade tão distintas assim. — Aliás, deve ter sido você a primeira pessoa a instaurar o quesito roubada no mundo. – devolveu o garoto, fazendo Anita rir e evitando encarar Ben que parecia nada satisfeito. – Que foi tá rindo gata, olha que eu nem estendi a palavra a você. – disse ele olhando Anita, que só o olhava para um canto qualquer enquanto fingia não rir.

– Marcelo vai pro inferno, tá bom, paciência com você, não posso achar mais nada engraçado agora é isso. – resmungou Anita tentando cessar seu riso e se desvencilhar dos deboches que ele tentava direcionar para si.

– Não é... – Marcelo quis argumentar, mas foi interrompido por Omar, que gritou a garota.

– Vem cá, um minuto... – o garçom e agora gerente do Embaixada pediu.

– To indo Omar. – Anita saiu rindo sem saber o que responder.

– Salva aos 48 do segundo tempo toda poderosa. – implicou Marcelo.

– E aí gente bora jogar conversa fora, ou vocês tem algum compromisso. – Martin os convidou.

– Eu não, aliás, eu me interessei muito por aquele papo da festinha. – Marcelo disse camarada, já puxando uma cadeira.

– Dá pra entrar em pauta, afinal eu casei e não morri, posso ainda me divertir acompanhado da Micaela óbvio, mas nada impede. – concordou Martin.

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Tempos depois...

– Gustavo não para de me ligar Anita, acho que ele não aceitou essa história de você terminar desse jeito com ele não. – Meg comentava com Anita, depois de vários telefonemas insistentes do ex-namorado da amiga, o que fez Meg perceber que o garoto não estava lidando com nenhuma naturalidade diante da situação.

– O que eu faço Meg, a minha decisão já está tomada, quanto mais o Gustavo encucar pior vai ser pra ele, só espero que ele esqueça disso e o mais breve possível. – disse Anita sentida pelo garoto, mas não cogitando voltar atrás.

– Pois é, e o Ben, Marcelo tá sabendo o que rolou ontem. – Meg a encheu de perguntas, também com as atenções voltadas para a mesa onde os dois garotos conversavam com Martin.

– Não sei, eu não perguntei nada pro Ben, na verdade a gente mal se falou hoje. – afirmou Anita. – Porque ele te disse algo. – indagou ela curiosa.

– Não, acho que ele não sabe, mas pelo que entendi desconfia e muito. – a americana riu. – Você já contou pro Ben, que terminou teu namoro com o Gustavo. – ela ainda questionou.

– Não, aliás, deve ser isso que tá afligindo ele, tadinho, tá morrendo de medo que eu volte atrás quando for voltar pra Inglaterra. – imaginou Anita não evitando achar graça.

– E você não fala nada pra ele, credo Anita. – Meg implicou.

– Não, nem deu tempo, você conhece o Ben né, e me conhece, ou seja, a gente tentou viver milhões de anos em um misero segundo ontem, você acha que sobrou tempo que fosse suficiente pra falar. – argumentou ela, tomando um gole de água.

– Bom então eu só posso agradecer que esse fogo todo não se propagou pelo casarão. – brincou Meg as gargalhadas, que se espalhavam pelo restaurante rindo ainda mais ao perceber o olhar ressabiado que Anita a lançava.

– Tá louca, quer me desmoralizar de vez, para de pensar bobagem hein, não rolou nada do que você tá imaginando. – Anita procurou contê-la sorrindo sem jeito.

– E mesmo se tivesse acontecido, não é problema meu, e também Anita não seria novidade nenhuma não é. – a loira contornou risonha. – É isso não é, a gente pensa demais, fica bancando nossos instintos certinhos que não nos abandonam, aí na primeira oportunidade vem outra e ponto, passa na nossa frente, enquanto cultivamos moralismo, juro as vezes eu não queria ser assim. – confidenciou ela entre suspiros calmos.

– Meg, hahahha. – Anita começou a rir em desespero sem se preocupar onde estava. — O que você pensou em aprontar, por favor. – foi à vez de Anita de não resistir em rir da cara da amiga.

– Eu nada, esse é o problema nada. – a garota revelou séria. – Agora para de rir que o Marcelo tá se olho espichado pra cá. – observou ela, os olhares atentos do garoto na conversa das duas ao balcão.

– Pra mim isso acaba em namoro sério ainda hein. – expôs Anita, constatando que americana estava pra lá de envolvida com Marcelo.

– Será, eu já me iludi algumas vezes, acho que parei de acreditar nesse tipo de coisa Anita. – Meg falou com ar incrédulo.

– Eita o que é isso, o discurso da garota romântica que pensava demais, de minutos atrás foi parar aonde. – Anita cobrou sanando o baixo astral dela. – Para com isso não é Meg, deixa jeito eu vou me sentir péssima, porque mesmo sem querer quem começou a alimentar essa tua histeria aí fui eu. – pediu ela incomoda.

– Que viagem Anita. – a loira riu. – Eu não era mais namorada do Ben, quando eu vim atrás dele, para você né. – alegou ela.

– Não ok, mais talvez vocês pudessem ter ficado juntos mesmo sem filho nenhum. – contrariou Anita.

– É mais não fosse essa a escolha que o Ben fez. – Meg afirmou. – Que saber nossa vida é essa, fomos unidas pela desgraça, mais um afeto muito maior nos fortaleceu até aqui. – declarou a garota entre sorrisos.

– Espero que continuem sendo assim, não é, porque se nós resolvemos brigar pra valer um dia, o meu mundo acaba, é muita teimosia e persistência juntas. – zoou Anita.

– Hum nunca, eu te amo demais pra isso. – falava Meg com um forte abraço, enquanto Julia chegava.

– Oi, posso me juntar a vocês. – a morena indagou.

– Deve. – garantiu Anita sorridente. – Tudo bem. – ela perguntou.

– Tudo saí do trabalho agora, e tipo to passando aqui e vejo as duas dondocas super à vontade. – brincou Julia.

– Relaxa que o assunto é menos irrelevante possível. – disse Meg com um sorriso.

– E a Anita hein, que isso, pelo visto os ares europeus fizerem muito bem pra ela. – comentou Martin sem fazer cerimônia, fitando a menina conversando com Meg e Julia por um repente.

– É bom eu não posso falar com tanta certeza, mais você pode estender a pergunta pro Ben. – Marcelo afirmou em um tom implicante ao amigo que se manteve sério apenas. – Mais não posso negar, que ela é estupidamente linda. – concluiu o garoto sorridente.

– E aí Ben responde ou passa. – Martin usou a deixa dada por Marcelo para perguntar.

Ben esboçou uma risada discreta apenas, de alguém que se dizia negando a dar uma resposta. – Você dois juntos, não podia dar boa coisa mesmo. – afirmou ele se esquivando.

– Ué tecnicamente não foi uma pergunta tão obtusa assim, você e ela tiveram uma história pra lá de forte, eu diria. – disse Martin contornando.

– É pode até ser, e você não deve ter esquecido que fez parte de alguns capítulos. – alfinetou Ben com ar risonho.

– É fiz, fato. – ele foi obrigado a concordar. – Mais eu casei não é, e você ou seria muito mentiroso em não admitir, ou concordaria que bate uma curiosidade em ver ela de novo. – exclamou falastrão.

– Martin olha só não me comprometa, com opiniões que proveem de você, por favor. – Ben ficou a achar graça, mal sabendo decifrar se era de nervoso pelos questionamentos do garoto, ou por parecer dar a razão a ele.

– Ok tudo certo. – Martin riu sem insistir.

– Gente infelizmente eu vou ter que abandonar vocês, pra resolver o problema que eu mesma causei com minha desatenção pra tudo. – anunciou Anita as duas garotas.

– Você ainda não resolveu a história da mala. – indagou Julia, pensando em como a amiga tinha conseguido fazer tal proeza.

– Não, e eu acho que eu posso pensar seriamente em desistir. – disse ela sem muitas esperanças. – Que droga gente. – Anita ficou a rir. – Tchau!

– Tchau... – as duas responderam juntas.

– Ué já está debandando. – Marcelo disse ao vê-la cruzar perto do balcão para buscar a bolsa.

– Vou tentar resolver um assunto. – revelou ela. – Mais não fica triste não, porque a Meg vai ficar. – implicou Anita apontando para a americana, em sorriso que continha certo veneno.

– Que engraçada você. – o garoto a encarou escondendo o riso.

– To indo mesmo, tchau pra quem fica. – ela desejou.

– E Anita vê se não esquece de ir lá em casa pra um jantar, aliás convite estendido a todos. – convidou Martin simpaticamente.

– Eu vou pensar no teu caso. – ela fez a difícil. — Brincadeira Martin, eu vou sim. – riu Anita. – Bom então tá, tchau. – despediu-se enquanto tentava fugir dos olhares que recebia de Ben.

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– Demorei muito! – Anita perguntou com um largo sorriso de animação, parando ao lado de Ben o fitando sentado a areia extremamente próximo ao mar.

– Um pouco, mais eu acho que já estou acostumado. – ele sorriu audacioso, despertando do transi que encontrava seus pensamentos, que viajavam ao longe, sendo guiados pelas ondas revoltas do mar que ele observava com ímpeto e concentração.

– Jura? – Anita se abaixou para sentar ao lado dele, sorrindo debochada apenas. – Se eu fosse você não dizia isso, eu não costumo deixar passar os trunfos que põem na minha mão. – Anita fez piada com o fato. Ben desviou o olhar da imensidão que se fazia em mar a sua frente, ficando a sorrir enquanto fitava Anita que lançava um sorriso leve a ele, ambos pareciam sem pressa alguma para iniciar a tal esperada conversa, aquela que parecia trazer um espera tão longa que nenhum e nem outro sabia como conduzi-la...

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– Fla é... – A gente pode falar um segundo. – Sofia chegou ao salão de um jeito tão descompensado, que só em olhar para a amiga Flaviana teve a certeza de que ela não estava bem.

– O que foi. – a morena perguntou se levantando em um rompante e deixando a contabilidade do salão de lado.

– Eu, ai não sei. – Sofia jogou o corpo contra uma das poltronas que as clientes costumavam esperar enquanto não eram atendidas, se vendo totalmente confusa.

– Bom, se você começar pelo começo talvez eu entenda algo. – sugeriu Flaviana simpaticamente, sentando ao seu lado. – Aliás, você não tinha ido pra São Paulo maluca, faz o que aqui de novo. – recordou-se a patricinha.

– Estava, vim hoje só pra pegar um trabalho que esqueci no casarão acredita, e pior protagonizei uma tremenda roubada. – a loira declarou com um sentimento de arrependimento profundo. – Ai é pra resumir, a Anita estava falando hoje cedo, algo da Giovana e o Vitor ficarem fora de casa até tarde, nem sei ao certo, ai eu acabei falando pra ela que não era legal ela se meter desta forma, que ninguém precisava ser tão controlado assim pelo Ronaldo e minha mãe, a gente se estranhou. – Sofia contou tão exasperada que atropelava as palavras.

– E concluindo, ela te respondeu extremamente a altura, como nunca faria antes de imediato. – Flaviana acrescentou, tendo um olhar calmo lançado a melhor amiga.

– Por aí, mais ela foi de uma audácia, de um deboche, uma segurança, uma falta de arrependimento, eu nunca vi a Anita falar assim com ninguém antes, com aquela frieza e indiferença. – Sofia afirmou, mexida com o embate travado com a irmã.

– É normalmente quem agia assim e causava essa sensação, era você nela. – a morena atuou com sinceridade e uma postura racional diante do que a loirinha contava.

– Ai Flaviana, não entendo essa mania da Anita, a sensação que eu tenho é que ela prioriza essa situação, e a vive até hoje, não permite que ninguém esqueça, sempre controladora, crítica, implacável. Como se quisesse agora o que? – ela mexeu os ombros confusa, ao não saber explicar ao certo o que percebia na irmã mais velha. – Que todo mundo viva as sombras disso, será que ela não cansa de semear a integridade dela, esse jeito caxias de ser, como se quisesse todos os dias lembrar do que houve pra não esquecer como é ser boa e justa, aff, pra mim ela não admite que tudo nessa história pra ela é mau resolvido. – declarou a loira angustiada com o comportamento de Anita em relação a ela. — Se o problema dela é isso, porque não agarra o Ben de uma vez, fica bancando a politicamente correta e sofrendo, acho que faria muito bem pra Anita apagar o rótulo de garota certinha e fazer uma loucura uma vez na vida, fica sempre evitando se jogar nas coisas, e depois fica aí parecendo culpar todo mundo por tudo. – imaginou, Anita sempre era tão correta, jamais se permitiu fazer nada impensado, e parecia sempre querer criticar os outros por não terem medo de errar.

– Sofia eu sou tua amiga, por isso eu acho que eu tenha majestade em dizer isso. – Flaviana o fitou receosa. – Mais será mesmo que a Anita que se prende ao passado e que não se permite viver ou essa pessoa é você minha amiga. – a garota questionou sem rodeios olhando a amiga nos olhos. – Sofia me desculpa, mas é você que liga qualquer situação, qualquer coisa que seja mal resolvido dentro da tua família com essa história, logo você já vai achando que é por conta disso se for com a Anita então. – disse Flaviana percebendo que Sofia parecia nunca se perdoar pelos erros cometidos no passado, mesmo que não admitisse. – E com sinceridade a Anita me parece muito bem, e por tudo que o Serguei andou me falando, e devido ao que você acabou de me contar, a Anita deixou bem longe de partida dela pra Londres o rotulo de menina certinha. – ela afirmava entre olhares apreensivos.

– Ai Flaviana não sei, talvez eu e a Anita não tenhamos nascido pra conviver mesmo, não tão de perto. – Sofia falou com uma voz embriagada pela ansiedade que lhe dominava.

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– Como eu disse você não deveria ser tão sincero. – Anita quebra o silencio, deixando de se seduzir pelo longo mar a sua frente e voltou a olhar Ben, escondendo por trás de um enorme sorriso sarcástico todas as sensações ruins que devida à ansiedade e nervosismo ela sentia naquele momento, estava ali em um ponto qualquer do Rio discutindo com o Ben mais uma vez uma proposta de futuro, talvez sentir suas mãos frias a boca seca e um coração que batia descompassado, não era algo tão surreal, tão perto de estar com Ben novamente e buscando no olhar do garoto a confiança que ela desejava sentir.

– Por que. – Ben deixou as ondas do mar de lado, e ficou a olhar fixamente para ela, os dois estavam tão cientes que se perderem na imensidão a sua frente era mais fácil do que lidar com a conversa que tentavam ter.

– Simples, exercer poder sobre alguém ou algo, não é uma coisa que as pessoas deveriam me mostrar, eu me seduzo rápido demais, me acostumo. – Anita filosofou risonha, a respeito de suas ações.

– Você sempre foi assim. – respondeu ele com o olhar para a areia, e um sorriso plenamente zombeteiro nos lábios.

– E seu eu fizer isso com você. – ela o desafiou travessa, com o argumento usado por ele, devido a seu comportamento. – Você não tem medo de descobrir, que o que eu quero de você é exatamente isso, fazer com você o que muitas tentaram no passado, mas não conseguiram por muito tempo, o que eu como a boa moça que sempre fui nunca cogitei. — ela parecia movida pelo impulso de decifrá-lo, talvez só assim entendesse o que sentia. – E se não for real Ben, e se no fundo você descobrir que aquela Anita, que um dia você tanto amou, realmente se foi, e deu lugar pra uma pessoa realmente não muito preocupada em medir esforços pra ter o que quer, mesmo que ela não seja desonesta pra isso, alguém competitiva que raramente perde com prazer e aceita isso, alguém que não se preocupa de fato em bagunçar toda a família e a vida dela, porque se descobriu plenamente encantada pelo namorado do passado. — ela não mediu questionamentos, enquanto Ben hora sorria hora desviava o olhar para o mar.

– Você não acha que faz um julgamento muito a quem de você. – Ben argumenta de forma séria, desviando o olhar para depositar o celular que segurava sobre o chão.

– A diferença entre mim e as outras pessoas, é que hoje eu sei exatamente o que eu sou e sou capaz de verdade, eu não sou mais aquela menininha insegura. — Anita ponderou, talvez se tudo acontecesse no tempo de hoje muitas coisas seriam diferentes e abrir mão de tudo que ela abriu mão no passado, em prol de um outro alguém não seria tão fácil hoje, não para alguém que sabia lutar por si acima de qualquer outra coisa.

– Porque a fuga então. — Ben a confrontou, se era só um "jogo" dos dois, nos quais as principais armas era acusar o outro com as memórias do passado que eram despertadas a cada olhar, de forma fria e calculista sem o menos resquício de sentimento, porque Anita parecia temer o que sua presença a causava em cada gesto dele na direção da garota. – Por quê? — a questiona procurando manter de qualquer forma seus olhos aos dela, que tentava ininterruptamente desviar o olhar.

– Por isso. – Anita riu descompensada, olhando para longe e avistando um casal jovem caminhando com uma garotinha na praia, os três pareciam felizes, e entusiasmados, os dois jovens pareciam ter mais ou menos a mesma idade que ela e Ben, talvez eles tivessem vivido um amor que deu certo até na mesma época dos dois, nesse instante ela se viu se perguntando e se os dois ainda estivessem juntos, qual seriam suas vidas hoje... – Você desperta ela em mim, você acorda aquilo que pros outros, eu não confesso jamais, eu não consigo pensar com clareza quando eu to do teu lado, pra ser sincera eu nunca consegui não é. — Anita finalmente lhe deu uma resposta sincera e emocionada, sem defesas, sem medo de comprometer.

– Isso foi uma confissão . — Ben devolveu escondendo sua felicidade pelo que ouvia por trás de um enorme sorriso

– Talvez. — Anita o aconselhou orgulhosa. – Mais é melhor você esquecer – Anita desconversou olhando para longe, maneando a cabeça negativamente com um sorriso arisco.

– E se... – Ben soltou o ar dos pulmões apreensivo. – Seu eu te dissesse que o problema é exatamente esse, que o meu fascínio, a minha inquietude, venha exatamente disso, por eu querer não a Anita que ficou pra trás, mas a Anita que está aqui agora na minha frente. — Ben pronunciou com a mesma sinceridade que Anita havia imposto a palavras anteriormente. Não se tratava apenas do amor do passado, da garota que um dia ele amou como nunca, a garota que ele julgou ser a mulher de sua vida, mas sim da garota, da mulher, da Anita que estava a sua frente agora, não era o resgate de um sentimento que talvez se quer existisse devido a todas as confusões e obstáculos que o mundo impôs, mas sim da vontade viver um sentimento que lhe confrontava agora que era despertado pela pessoa que estava a sua frente naquele momento.

– Isso não é amor Ben, é obsessão. — Anita bufou um protesto, pressentindo que sua insegurança era maior que tudo naquele segundo. – A gente deu tanta volta pra isso, estar aqui novamente, pra que, por que. – É estanho é desastroso. – Anita jogou palavras ao vento deixando seu nervosismo a respeito da forma como Ben parecia despertar algo muito intenso dentro de si vir à tona. — Isso não é amor não é possível, é obsessão. – Anita repetiu defensiva, depois de alguns segundos o fitando como se não soubesse o que dizer. – Que dizer, gente deu tanta volta pra isso, estar aqui novamente, pra que, por que. – Anita gesticulou procurando explicar o que pensava de forma inquieta, parecia tão equivocado admitir que o magnetismo que os unia era real. – É estanho é desastroso e... – calou-se ofegante quando não soube o que falar, como podia ser daquela forma, fazia tanto tempo que os dois não se viam, nem se falavam, e num simples olhar suas almas pareciam falar por si só, ignorando qualquer razão que suas mentes e corações podiam ter e quererem expressar.

– E o que a gente faz. – Ben repetiu a pergunta que fazia a si mesmo há dias. – Anita eu não achava que dava, não achava que um dia eu fosse viver isso, pra mim você era pra o mesmo que eu era pra você passado, apenas passado. – Não dá negar que bateu um medo, em colocar o olho em você de novo, mais à medida que isso foi acontecendo foi como se uma parte de mim tivesse acordado ao mesmo tempo se dado conta de que não vivi sem você. – ele confidenciou seus anseios

– Eu não sei. – ela deu um sorriso desconcertado em resposta. – Mais eu admito que a minha vontade de descobrir é enorme, como se eu tivesse a plena certeza que essa é a minha única chance de descobrir, de tentar. – deduz ela olhando para o nada enquanto enxuga do rosto uma lágrima de emoção. – Ou é isso mesmo, não é!

– Eu não consigo, se eu deixar você ir agora, eu sei que disso eu vou me arrepender pra sempre, não dá pra entregar a garota que um dia eu amei, de bandeja pra um cara que se quer eu sei quem é. – admitiu Ben seus temores, Anita por sua vez ficou a encarar o garoto em um olhar vago e extremamente emocionado. — E o que a gente faz? – Ben volta a questioná-la em olhar tenebroso, enlaçando suas mãos as dela.

– Um cara que eu expulsei da minha vida por tua causa, por causa desse sentimento maldito que você me traz, que eu pensei que eu tinha esquecido. – Anita encoraja-se a dizer num tom de voz falho. – Ele pode ser alguém muito importante pra mim, eu sei disso, mais eu também sei que eu não sinto por ele o que você me desperta, pode ser muita burrice te falar isso, mais é o que tá acontecendo aqui dentro, e... – ela se calou sem ar que fosse suficiente. – Como se meu coração fosse brasa e o mesmo tempo uma imensidão, um mar de água cristalina, atormentado por ondas revoltas que podem te levar pra qualquer lugar, mais mesmo com todo perigo, é aquela paz que fica no final depois que ele se acalma, a água volta a bater calma na sob a areia da praia. – ela disse com lágrimas nos olhos sem conter.

– Você tá querendo dizer que você e ele. – Ben se quer conseguia acreditar no que ouvia.

– Eu... O que a gente viveu foi sempre muito intenso, eu não preciso te dizer isso pra você entender, eu sei, tudo que aconteceu foi doloroso sim, só que eu sei, de algum jeito eu usei está situação pra me refazer, corrigir de alguma forma minhas inseguranças, meus medos, em nenhum momento eu usei isso tudo pra amargura, se fosse eu seria uma pessoa muito diferente dá que eu sou hoje. – Anita se via suspirando fundo numa tentativa de segurar o choro. – Mais eu também aprendi errado ou não, de que a pessoa mais importante na minha vida, era e é eu mesma, que antes te me sacrificar de fazer milhões de besteiras, eu tenho sim que pensar em mim, hoje eu sei que eu não me humilharia, não perderia minha dignidade, meu orgulho por ninguém, eu sei que você também não teve culpa de muitas coisas, mas por um caminho torto ou não, eu aprendi que eu tenho que cuidar de mim, que eu tenho que pensar em mim, acho que é por isso que no fundo eu preferi tentar ignorar o que tava acontecendo, pela certeza de que as coisas poderiam mudar de um jeito absurdo. – ela encerrou deixando que o silêncio se instalasse entre os dois, que se perdiam em olhares vagos em ao outro apenas. — Ai o que eu quero dizer é que mesmo eu ciente de tudo isso, o que eu sinto por você ainda é muito forte, é além de algo que eu pudesse controlar, eu queria não ceder a esse impulso, a esse sentimento tresloucado que me tira o ar, detona minha paz, mais até isso foi e tornando difícil.

– Então você, bom teu namoro. – Ben pergunta, se quer conseguindo esconder a ansiedade que lhe corria por dentro.

– Eu acabei tudo que eu tinha com o Gustavo sim, não sei se foi realmente por tua causa mais, foi isso. – confirmou Anita com um nó de nervosismo se formando em sua garganta.

– Então quer dizer que... — Ben parecia não acreditar, tamanho era seu contentamento.

– Você entendeu, não espera agora que eu diga o quanto você é maravilhoso e eu idiota pra ter feito isso. — ela disse meio irônica. — Eu também não sei com clareza o que tá rolando, mais eu quero tentar, eu sinto que eu preciso me dar essa chance, se o que eu sinto com você é tão real a esse ponto, é porque tem algo sim muito mal resolvido entre a gente, e não porque eu acho que nós merecemos devido a tudo que nós vivemos pelo tamanho do sentimento que tínhamos um pelo outro, ou porque foi injusta a forma como tudo acabou, não que não tenha sido, mas simplesmente porque meu coração está me pedindo isso, que eu dê uma chance pras sensações que você me desperta, porque não é algo do passado, é algo que está aqui hoje, agora unindo nós dois um ao outro. – ela encerrou sua fala, mal sabendo como puxar o ar dos pulmões para controlar sua respiração ofegante, tinha dito pela primeira vez o que realmente, o que passava em sua cabeça de forma exaustiva, toda vez que se via cara a cara com Ben, sentia vontade de se deixar levar por suas percepções e estar com ele e fugir disso parecia algo tão complicado, que quanto mais ela tentava mais enrolada e ligada a ele se via.

Ben por sua vez a encarava ainda atônito, como se quisesse memorizar cada palavra dita por ela, só pra repetir em sua mente, mais tarde e ter certeza que realmente tinha ouvido o que ouviu, ambos baixaram o olhar a fitarem suas mãos entrelaçadas, apoiadas sob quase sob a areia, os dois tinham a sensação que viveram aquele cena em algum momento, e por incrível que parecesse, não era só uma sensação, era real, eles estavam ali novamente se perdendo entre sorrisos largos e alegres e olhares que não conseguiam esconder todo encantamento que um sentia pelo outro.

– Eu... – Parece um sonho sabia, a gente, esse lugar, eu como se eu não conseguisse acreditar, porque de alguma forma em algum momento eu imaginei que isso acontece, nem que tenha sido só na minha cabeça. – ele disse inebriado de felicidade esboçando um sorriso sincero.

– Eu não vou te recriminar por isso, eu não sei se eu também acredito.- Anita concordou com ele, em um olhar terno, Ben apenas a encarou com um sorriso depositando um beijo carinhoso no rosto dela, Anita só teve certeza que não dava mais para negar, de alguma forma muito doida e surreal, o que os unia era forte, algo tão forte que se quer respeitava as razões e os argumentos racionais que ambos empunham para evitarem viver aquele amor. Eles somente permitiram se envolver em um beijo calmo e sem nenhuma pressa, como se o tempo pudesse parar o resto que esperasse a prazo que fosse.

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– E a família. – Anita tirou seus pensamentos de Ben, dos beijos trocados e da imensidão ensolarada que os iluminava para questioná-lo.

– Você faz tanta questão em se explicar a eles. – Ben perguntou, acariciando os fios de cabelos dela extremamente bagunçados pela ventania que soprava na praia.

– Sendo sincera. – ela indaga em um sorriso, continuando com a cabeça apoiada ao braço de Ben.

– É ué. – ele ri da pergunta dela.

– Não, eu não faço nenhuma questão, zero. – Anita responde e no final acaba rindo sem parar. – Eu não tenho porque falar alguma coisa a eles em primeiro lugar, a vida a minha, eu pago minhas contas, responde pelas minhas mancadas, não é agora que vai ser diferente, mais se você quiser contar, bom também não to dizendo que não vamos falar nunca né, mais nesse momento eu preferia que não. – expôs ela com sensatez.

– É, até porque você já imaginou a cara de todo mundo. – o rapaz ficou a gargalhar ao tentar imaginar a cena.

– Não quero nem ver Ben, para, a primeira reação vai ser dizer que nós já estávamos juntos, que escondemos isso, que não possível que essa confusão se formou em menos de vinte dias, vai ser épico e constrangedor. – a garota concorda rindo.

– Poder ser. – ele admitiu. – Mais a vida é nossa, mais do que nunca quem decide somos nós, eu já quebrei a cara demais pra querer e achar que eu posso controlar tudo a minha volta, uma coisa de cada vez né. – afirmou ele entre um beijo intenso.

– Tipo o que? – Ela indaga segurando o rosto dele para interromper o beijo. — Olha pra gente, deitados em plena areia da praia, com esse sol, não quero nem ver a gente vai sair daqui fritado. – Anita se dá conta do fato.

– Por quê? — Ben contraria seguido de um beijo. — Você quer parar. – ele questiona em um sorriso provocante.

– Não, acho que não, até porque eu tenho algumas pra não dizer muitas teorias pra decifrar. – ela retruca brincalhona. – Foram longos anos não é, muita coisa entre a gente caiu no esquecimento, pra não dizer que eu nem sei quais eram. – provoca ela.

– Ah é, mesmo será. – Ben responde divertido, os unindo em um beijo envolvente.

Notas finais
O outro virá com mais pontualidade, não vou demorar pra atualizar, só preciso fazer alguns ajustes no capítulo. Muito obrigada!!