Notas iniciais
Capitulo totalmente atraso, mais aí esta, espero que gostem!!

–Anita você não acha que esta bebendo demais não. – Julia queria alerta-la. – Já é a segunda taça, que eu vejo na tua mão em menos de dez minutos. – Alegou ela, constatando que Anita acabaria perdendo a linha e não demoraria muito.

– Ai Julia, parece minha mãe, eu já tenho mais que dezoito anos tá. – Anita foi irônica com ela, pois se encontrava realmente bastante impaciente.

– Eu sei, longe de mim ser chata, mais é que sei lá, você nem é de beber que eu sei. – Afirmou à morena explicando sua preocupação.

– Não, não sou, ai mais eu preciso fazer alguma coisa. – Disse Anita, entornando quase todo o conteúdo da taça. – Você me conhece eu odeio ficar agitada, e definitivamente ultimamente eu ando até demais. – Anita procurou se justificar. – Eu só quero ir embora logo daqui, ainda bem que isso não vai passar de depois de amanhã, porque eu não aguento mais. – Desabafou ela, em extremo desconforto por tantas lembranças que foram despertadas ao visitar a casa da família novamente.

– Tá mais só cuidado pra não fazer nenhum ato impensado e depois colocar a culpa na bebida. – Aconselhou Julia, sorrindo em total travessura.

– Sidney é melhor a gente não fazer isso aqui, daqui a pouco tá todo mundo comentando. – Sofia alegou, separando seus lábios dos de Sidney, após um beijo repleto de saudades.

– Isso que. – Perguntou ele disperso, após a loira interromper o beijo.

– O beijo, se beijar aqui. – Exclamou Sofia sorrindo. – Eu não quero que ninguém fique falando da gente, não quero ninguém dando opinião. – A loira argumentou seu ponto de vista.

– Tá eu também acho melhor a gente ir com calma. – Disse ele concordando. – Mais me promete uma coisa. – Pediu.

– O que vai. – Sofia ficou impaciente.

– Que você não vai fugir de mim. – Alegou o garoto a fitando.

– Tá legal, e não, eu não vou fugir de você Sidney. – Respondeu ela, alegre.

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– O Ben ainda tá insistindo naquilo. – Anita comentou, ao chegar do quintal e presenciar a cena. – Que raiva. – Disse a garota impaciente, fitando Ben e Amanda.

– Também o que você queria. – Meg indagou, querendo entender o que se passava na cabeça de Anita.

– Eu queria, eu queria. — Anita respondeu apontando para si mesma. – Sinceramente. – Meg assentiu com a cabeça apenas. – Que o Ben simplesmente sumisse, deixasse de fazer parte da minha vida, e dessa família, é pedir muito. – Proferiu ela com irritação.

– Sinceramente. – A loira também argumentou. – Eu acho Anita, poxa tenta entender o lado dele. – Opinou ela defensiva.

– Ah claro, porque pra você ele ainda é a pessoa mais incrível do mundo. – Anita ralhou de volta, bastante irônica. – Me erra Meg, tá na cara que ele tá fazendo isso só pra me irritar. – Expôs ela enfurecida com o garoto.

– E pelo jeito funcionou, você tá aí louca de ciúmes dele. – Meg afirmou, percebendo.

– Não, óbvio que não, não é questão de ciúmes, mas sim a sensação, que eu estou sendo feita de idiota, porque ele entender meu lado, quando ele descobriu do Gustavo, era algo inaceitável, agora ele ficar esfregando essa loira mal oxigenada na minha cara, é normal. – Reclamou. – Quer saber Meg, eu já aturei demais esse Ben pegador que eu despertei novamente, eu vou é partir pro ataque. – Anita disse esvaziando seu copo, e o deixando na bancada da pia.

– Sua louca, o que você vai fazer, por favor, Anita. – Meg se preocupou no mesmo instante.

– Assista e olha. – Anita sorriu maliciosa. – O Ben não deu pra dizer, que eu não me pereço em nada com a garota justa que ele namorou um dia, então, ele agora vai ter certeza que ele pode ter razão. – Anita respondeu antes de sair, deixando Meg atônita, se dividindo em seguir seus passos, caso tivesse que intervir, a loira ficou ainda mais apreensiva ao vê-la pegando dois copos da bandeja que estava sob posse de uma das mulheres, que trabalhava com Vera e estavam ajudando a servir na festa.

– Sabe que eu sempre quis fazer um curso bom em Nova York. – Amanda conversava com Ben de forma empolgada. – Acho que ainda faltou um pouco de coragem, morar sozinha e um país diferente, sei lá. – Falava.

– Ah eu acredito que você não iria se arrepender não. – Afirmou Ben. – Nova York, é uma cidade ótima. – Disse ele, se vendo receoso, quando avistou a figura de Anita se aproximando de onde os dois estavam.

– Oi gente. – Anita falou se aproximando deles com um sorriso sereno no rosto.

– Oi e aí. – Amanda respondeu simpaticamente, enquanto Ben apenas ficou a encarar a garota de forma curiosa.

– Então é Ben, você viu a Giovana, ela me pediu pra pegar um suco pra ela, só quando eu voltei ela tinha sumido do lugar onde eu deixei ela. – Anita perguntou descarada.

– Não Anita, eu não vi a Giovana. – Ben retrucou de forma seca.

– Também vocês estavam conversando tão entrosados, seria difícil ver alguma coisa. – Anita disse cínica.

– A gente tava aqui falando sobre Nova York, é que eu to pensando em estudar por lá, passar uma temporada. – Amanda falou deslumbrada.

– Ah que ótimo, quem sabe o Ben, não tem da umas dicas sobre os pontos mais badalados da cidade. – Anita alfinetou, adorando olhar para o olhar desconte que Ben e lançou.

– É eu iria adorar. – Amanda afirmou sorridente.

– É uma ideia realmente interessante, não é Anita. – Ben foi irônico ao percebe que a intenção dele era provocá-lo.

– Claro. – Anita sorriu audaciosa para ele.

– Ai mais se você se importar. – Ela acusou ao perceber um clima tenso no ar. — Eu, eu...– Amanda perdeu a fala.

– Eu? – Imagina, capaz. – Anita rebateu, escondendo sua real reação. – Porque, por causa daquele probleminha que eu tive no passado, relaxa depois que eu entendi, que gente sem moral e sem escrúpulos, que não olham pro próprio umbigo, não me atingem, com suposições falsas, eu esqueci mesmo. – Anita não poupou, saias-justas pra nenhum dos lados. – Aliás, eu sempre quis te perguntar isso Amanda, como é ficar com o Ben, porque no meu caso eu fiquei com a pior fama possível, mas pegar ele não dava má fama, não, você não teve medo na época, de se ver na mesma situação que eu, a daquela que era apontada como a vagaba. – Anita falou em total sarcasmo.

– Anita olha eu realmente podia sim, ser meio inconsequente naquela época, eu admito, acho que qualquer adolescente ao saber de uma situação, como aquela agiria de uma forma leviana, é normal quando se tem essa idade. – Amanda se explicou constrangida. – Mas eu também não tenho culpa da situação em que você se meteu. – Disse ela.

– A gente, você quis dizer, o Ben e eu, até porque não era eu que tinha um irmão mau caráter, não é. – Corrigiu ela. – E realmente, você tem razão numa coisa Amanda, quem dá o tiro é quem puxa o gatilho, quem atiçou pra isso acontecer não tem culpa nenhuma, você sabia que tem muitas garotas quem tem uma situação dessas expostas na rede, se mata, tira a própria vida, simplesmente, porque não consegue enfrentar a vergonha e as provocações e comentários maliciosos das pessoas que as cercam. – Proferiu ela. — E isso não é só estatística ou uma suposição infundada, é realidade, eu li muita coisa a respeito na época, principalmente pra enfiar na minha cabeça pra não deixar dúvidas, que a minha vida valia bem mais, do que qualquer julgamento que eu recebesse, você como uma boa advogada deveria se informar mais. – Anita afirmou.

– E eu continuo, não fazendo parte disso, com a minha consciência tranquila. – Amanda respondeu afoita.

– Que bom. – Anita respondeu.

– Anita vamos mudar de assunto, por favor, você já estava perdendo a linha. – Ben intercedeu.

– Eu não, acredita você não iria querer me ver perdendo a linha Benjamim. – Anita retrucou, debochada, encarando ele fixamente.

– É um caso a se pensar sabia. – Amanda se pronunciou, confiante pelas palavras de Ben.

– Com certeza, mais não nessa situação. – Anita disse negando novamente. — Bom eu vou procurar a Giovana, entregar esse suco pra ela. – Anita falou pegando os copos que havia depositado sobre a mesa. – Com licença, faz favor. – Disse ela, pedindo passagem a Ben que estava parado a sua frente.

– Passa, tem espaço. – Garantiu Ben, não querendo se dar por vencido.

– E curto, não. – Anita afirmou, franzindo a testa com raiva. – Não gente essa casa é muito apertada, a mamãe deveria ter feito festa em um salão sei lá. – Anita balbuciou, caminhando para dar as costas aos dois. – Ai meus deus, gente. – Falou ela, vendo os copos escorregarem de suas mãos e voarem em cima das roupas de Ben e Amanda.

– Ahhhhh Anita, que isso. – Amanda reclamou, ao ver todo o liquido derramar em seu vestido.

– Desculpa gente, eu não consigo nunca deixar de ser desastrada mesmo. – Anita disse, sem se importar, Ben apenas ficou mudo sem esboçar muita reação. – Me desculpa mesmo. — Anita repetiu, disfarçando o riso que ficou inevitável.

– E ai, tudo bem. – Marcelo chegou até Meg.

– Não acredito, louca. – Meg disse, nem dando atenção para o garoto enquanto observava a cena que amiga havia armado.

– Meg to falando com você. – Marcelo foi insistente.

– E eu to indo ali, depois. – A loira disse saindo apressada.

– Meu deus, como que eu vou fazer pra limpar meu vestido agora, ai não gente. – Amanda lamentava preocupada. – Eu não posso ficar assim na festa, acho que vou embora. – Disse ela, tensa.

– Bom o jeito é ir embora, que chato. – Anita respondeu altiva. — É meu deus, um problemão mesmo, nossa que situação gente. – Anita proferiu se explicando.

– O que houve aqui gente. – Perguntou Meg se juntando a eles.

– Eu Meg, terminei com o vestido da garota, tropecei nesse parque solto aqui ó. – Falou apontando para o pé no chão. — E os copos voaram em cima dela. – Anita disse, com a cara mais natural possível.

– Eu acredito. – Meg afirmou, séria percebendo que aquilo não tinha nem um pouco cara de acidente.

– Eu também não, eu sou um desastre em forma de pessoa. – Anita fingiu não entender.

– Vem comigo Amanda, eu te dou uma força, acho que da pra tirar a mancha. – A loira quis contornar a situação.

– Faz isso mesmo, que eu vou limpar esse chão aqui, ficou suco por tudo. – Anita apoiou

– Vem. – Falou Meg puxando Amanda pelo o braço.

– Você não cansa não. – Ben ralhou. – Eu tenho quase certeza de que isso aqui não foi um acidente Anita. – Ben cobrou.

– Porque, tá com cara. – Anita não fez questão de negar. — Mais alguma coisa. – Anita indagou séria, não deixando que ele a intimidasse.

– Quero. – Falou ele exaltado. – Que você se comporte como gente, não como uma patricinha fútil, e sem limites. – Ben afirmou tenso, desaprovando o que ela havia feito.

– Ah que pena. – Anita fez uma cara de quem estava ofendida. – Poxa. – Você gosta tanto do tipo. – Anita desdenhou dele.

– Anita. – Repetiu ele, se irritando.

– Olha se eu fosse você, também ia trocar de roupa porque, bom morango mancha, muito mais que laranja, e claro que esse eu deixei especialmente pra você. – Anita falou debochando.

– Isso foi à coisa mais ridícula, que você poderia ter feito sabia. – Ben se aproximou mais dela, repudiando a situação.

– Então parabéns pra mim, mais uma vez eu levei a melhor, não é isso que você pensa que eu não passo de uma pessoa egoísta que só em si, no próprio bem estar então. – Ironizou ela debochada.

– Na boa, tchau pra você, vou me trocar. – Disse ele, dando as coisas e se dirigindo as escadas em seguida.

– Tchauzinho Ben. – Pronunciou ela, que acabou rindo sozinha da própria trapalhada.

– O que você fez. – Questionou Marcelo ao observar o burburinho e se aproximar.

– Nada, só estraguei o vestido da Amanda e uma das camisas do Ben, mais nada que um pouco de água não resolva. – Disse ela sem se importar com confissão.

– Você hein, com essa carinha doce. – Implicou ele, se divertindo com a situação.

– É isso serve pras pessoas pararem de achar que só porque alguém é bom, essa pessoa é idiota, só que isso não precede. – Afirmou Anita. – Bom eu vou ali, e daqui a pouco venho tá. Anita disse deixando o garoto parado onde estava.

– E ai já parou de cuspir fogo, ou vai querer me matar mesmo pra descontar a raiva. – Disse ela entrando ao quarto, avistando Ben remexendo no armário.

– Você acha, que se eu achasse que tentar te esganar, resolvesse alguma coisa, eu já não teria feito isso, e olha você já estaria morta, a mais de três anos. – Ben foi ríspido.

– É realmente. – Anita disse fechando a porta com calma. – E fácil, jurar amor eterno a algo que não existe mais, as pessoas quando morrem se santificam de uma forma surpreendente, viram santas, assim se esquece dos defeitos delas e qualquer outro sentimento que envolva culpa ou raiva. – Anita afirmou bem humorada, sentando — se a cama, fitando Ben com cara de poucos amigos.

– A tua sorte é que deixei algumas roupas aqui, que ficaram lavando aquele dia, ou você teria me metido numa encrenca. – Afirmou Ben contrariado.

– Ué o que não seria problema, você podia pegar uma camisa com o Ronaldo, ou alguém. – Afirmou com desdém. – Fala... — Você fingiu que esqueceu aqui só pra voltar, não é, pra ter desculpa. – Implicou.

– Ah jura, sério eu pensei que você ia ser mais criativa, dizer que eu deixei aqui pra você fazer ou usar em algum tipo de macumba, pra me fazer esquecer a vida dupla que você vive depois que cruzou comigo de novo. – Ben rebateu irônico, desabotoando a camisa encharcada com intuito de tirá-la.

– Ah sério, olha quem tá precisando disso aqui é você. – Anita devolveu, encarando o chão.

– Claro tudo eu mesmo, Benjamim o insensível, o impaciente, o orgulhoso... – Disse ele sendo irônico.

– Você não acha que tudo, é uma palavra muito forte. – Anita contrapôs. – Eu acho que eu não diria tudo, mais algumas coisas sim, são culpa tua. – Afirmou ela.

– Claro, essa mancha na minha camisa por exemplo. – Disse ele estendendo, para que ela visse o estrago. – E o resto eu não vou nem falar, não é Anita. – Ben não escondeu a falta de paciência.

– Relaxa a Meg é bom de tirar mancha, o vestido dá, dá... — Enfim da Amanda vai ficar inteiro. – Anita disse tranquila. – Eu vou lavar e tirar a mancha pra você também, não quero mais isso na minha conta ok. – Disse ela levantando e pegando a camisa para lavar imediatamente.

– Esquece eu não to preocupado com isso. – Ben garantiu, retirando o objeto das mãos dela.

– Hum e tá preocupado com o que então, parecia que ia me matar, há dois minutos atrás. – Alegou ela sentando novamente.

– Porque que você faz isso hein. – Disse Ben, se ajoelhando a frente dela, e colocando a peça suja sobre o bidê.

– Isso, nossa quanta profundidade numa frase só. – Anita riu.

– Não é mais fácil você admitir que a gente tenha sim, uma série de coisas pra decidir e juntos. – Repensou ele, querendo ponderar.

– E quando foi, que você se deu conta disso, agora. – Anita falou desapontada com ele. — Você mal me deixou me explicar e saiu daqui como um menininho assustado, que descobriu que a garota que ele tava afim tinha outro, como se você tivesse 14 anos de idade. – Contrariou Anita.

– Ok, talvez eu tenha sido impulsivo demais, não vou negar. – Ben confidenciou, não abstraindo sua parcela de culpa. – É que. – Proferiu ele, passando a mão pelos cabelos dela. – Eu acho que não foi legal descobrir que a gente, não tem mais nenhum laço, o que a gente viveu realmente não faz parte do nosso presente, e não da pra trazer isso de volta, se apegar nisso pra pensar num futuro. – Desabafou ele, fitando Anita com certo carinho. – E com certeza é pior ainda, ter certeza de que você não me pertence mais, que não é mais minha, e talvez nunca volte a ser, esse tempo que a gente ficou afastado, talvez tenha criado uma ilusão de que em algum momento você pensasse em mim, e eu em você, principalmente devido a tudo que veio a tona nos últimos dias, só que agora eu to percebendo que as coisas podem não serem assim. – Ben declarou, enquanto ela parecia se paralisar diante da forma como ele havia colocado as coisas.

– Você pensou em mim. – Perguntou. – Bom eu duvido muito, mais tudo bem. – Alegou sorrindo pouco interessada, Anita jamais gostou de ver as coisas de um ângulo tão sentimental, já que ela tinha consciência que desta forma ela estaria decretando sua ruína por completo.

– Eu pensava, às vezes. – Confessou com um sorriso desconcertado ele. – Mais eu não vou mentir, acho que eu pensava mais, quando eu estava naqueles dias e momentos, que eu parecia desistir, de continuar trilhando o caminho em que eu estava, quando tudo tava dando errado e desabando por algum motivo, o caminho que eu escolhi que era. – Disse Ben, sincero, trocando olhares confusos com ela. – Sem você. – Terminou ele.

– Bacana só lembrar da relação, com o fracasso aqui, quando teu mundo incrível, tava com algumas nuvens de tempestades. – Anita desdenhou das palavras dele, ao perceber que ela podia não fazer nenhuma falta.

– E você quer maior prova do que isso. – Indagou ofendido o garoto.

– Você tem razão mesmo, eu sempre fui péssima pra ler nas entrelinhas, por isso que eu não percebi que você terminou comigo no passado porque tava sendo coagido, já que você não era nada convincente, não é. – Afirmou Anita contornando.

– Você sempre, você com o tempo se tornou sim aquela pessoa que me fazia acreditar que eu podia ir longe, trilhar qualquer caminhou, ser qualquer coisa, enfrentar o que fosse, você virou metade das minhas forças Anita, e eu perdi, a metade delas pra sempre. – Ben procurou se justificar de alguma forma. — Nessas horas de falta de rumo, de completa escuridão, eu pensava sim, sabe por que, porque eu me dava por conta de que eu não tinha você pra me apoiar, e talvez nem ninguém, eu tava sozinho. – Afirmou ele, Anita viu as palavras de Ben lhe tocarem no fundo de seu coração. — Aí eu pensava, porque que eu não pegava um avião porque que eu não voltava, porque que eu não tentava te achar, só que ao mesmo tempo eu também não sabia o que eu poderia encontrar, por isso que eu tinha tanto receio em estar assim cara a cara com você de novo, porque eu podia descobrir que você tava feliz, que você tinha um namorado, e que não pensava em mim. – Proferiu ele com a voz amargurada.

– Eu tá com alguém virou crime, até aparece que você cultivou a solidão, não é Ben. – Anita riu iônica da situação, para esconder toda tensão e angustia que estava dentro dela.

– Não, eu não fiquei. – Admitiu ele sorrindo desconcertado. — Mais de verdade, de verdade eu nunca senti a mesma empolgação em levar uma relação adiante de novo, nunca foi igual, talvez por isso, não tenha dado nunca certo. – Contou ele.

– Eu confesso que, eu também, às vezes tenho a sensação. – Expressou ela. — Não Ben, a frustração. – Anita se corrigiu. — Por a gente ter acabado do jeito que foi, ao rumo que tudo tomou depois, mais agora que talvez eu possa consertar isso eu, eu sinto, que eu to caminhando pra um abismo que só vai me trazer tristeza, a gente é muito diferente, a gente vive vidas diferentes, e se nós fomos colocar na conta, mais a nossa família, meu deus, vira um bola de neve, que não tem mais fim. – Afirmou Anita expondo seu sentimento de agonia pelo rumo das coisas.

– Se tá querendo me dizer o que Anita. – Cobrou ele. – Que você tem medo do que você sabe que sente. – Alegou Ben com certa confusão.

– Eu não poderia ver tudo acabar de novo, em situações como essas a gente só tira forças pra superar uma vez só na vida. – Alegou ela, vendo seus olhos marejarem.

– Você não quer me amar, e sinceramente, eu acho que eu também não quero, só que, isso talvez não dependa mais só de mim. – Disse Ben verdadeiro.

– Parece coisa de gente idiota, fraca, ninguém mais lembra do que houve Ben, só a gente, só que isso, só vai funcionar enquanto a gente permanecer distantes, até quando ninguém tiver que se incomodar em falar algo, “o Ben e a Anita quem disse que eles se importam com o que houve” – Ressaltou a garota vendo sua voz lhe faltar algumas vezes. — Eles preferem pensar assim do que imaginar, que no fundo a gente sofre, e que essa situação que eles colocarem a gente é horrível, e pra falar a verdade, a gente só veio até aqui pra provar também que não se importa, que dá pra ocupar essa casa, o mesmo espaço que o outro, mesmo com tantos fantasmas, lembranças, que diferentemente do que parecem, pertencem a uma vida, que hoje a gente até acha que nem viveu. – Falou ela entre lágrimas. — E se você quer saber, eu prefiro não pensar, em nenhum dos momentos difíceis, ou sozinhos que eu vivi depois de tudo, acho que é pra evitar, que uma angústia incontrolável tome conta de mim. – Ela acabou abrindo e coração.

– Eu sei, às vezes é melhor mesmo. –Falou Ben se vendo tão abalado quanto ela, apenas a puxando para um abraço, que a principio, ele achou que garota recusaria, mas mesmo assim não hesitou em tentar. Anita quando se deu em si, já estava debruçada nos braços do garoto, e mesmo passando por sua cabeça que aquilo não era uma boa ideia, ela permitiu-se sentir aquela relação de silêncio, de corpos colados novamente, no fundo experimentar aquela sensação de proteção de novo, que já era tão vaga em suas lembranças, lhe fez viver parte um sentimento que ela achava que já havia se perdido em um caminho sem volta dentro de si, no fundo nunca ninguém se propôs a cuidar e entendê-la um dia, como Ben já havia feito, e como se a aquela sensação de entendimento mutuo que ela sentia ao lado dele, tivesse ido embora juntamente com a presença do garoto em sua vida, mesmo depois de tantas coisas ruins, todas as promessas que haviam se dissolvido em meio a tantas tempestades, ela não pode deixar de se sentir em paz nos braços do garoto.

– É melhor a gente voltar, lá pra baixo, não é. – Anita usou como desculpa ao perceber uma sensação de incomodo lhe rondar.

– Não foge não vai. – Afirmou Ben, desfazendo o abraço dos dois.

– E não se acha não, que é melhor. – Anita retrucou, se fazendo de emburrada.

– Certo. – Riu ele. – Vem cá, porque você não me contou nada que tava namorando com outro, no fundo você pensou sim, que dava pra esquecer a confusão com o ex numa viagem, e depois voltar pra onde você tava, com a cara que supostamente, não vai te fazer sofrer como eu fiz um dia. – Ben quis entender, o que se passava com ela.

– Realmente. – Anita revirou os olhos, incomodada. – Não da pra falar nada com você, melhor a gente parar por aqui. – Afirmou ela, se vendo contrariada, misturada com uma sensação de ofensa pela desconfiança dele.

– Porque, eu só estou querendo que você me diga a verdade, não custa, custa. – Levantou colocando a camisa limpa que ele havia deixado, sobre o bidê. — Se você queria ser honesta em relação a isso, porque não me disse, você inventou mil motivos, pra não ter nada comigo, mas esse nunca foi um deles. – Afirmou ele, não deixando ela escapar de uma resposta.

– Faz um favor. – Alegou ela, levantando enraivada. – Esquece o que eu te disse aqui, finge que não foi com você, eu falei demais mesmo, aliás, eu tomei uns goles de bebida demais, deve ser isso, que tá me afetando, bêbado embriagado não tem consciência e nem noção de nada. – Disse ela impaciente, se perguntando por que ele tinha sempre que complicar tudo com a mania de querer sempre uma única posição em relação a tudo.

– Anita foi uma pergunta tão simples. – Ele tentou contornar, vendo sua calma desaparecer. — Caramba você também quer que eu pense o que. – Ben quis de justificar.

– Nada, não precisa mais, desisto, com você não da mesmo, você insisti em me dizer que eu tava tentando te enrolar, quer saber, pensa o que você quiser – Falou ela exasperada, caminhando, levando a mão na maçaneta da porta para deixar o local.

– Não, para você agora. – Disse ele, tentando impedi-la.

– Que saber, você é igual ao Ronaldo, como pode sabia, você só vê e credita naquilo que tá ali, na frente do teu olho, e mesmo assim não consegue distinguir um ato falho de um ato de total cinismo de alguém. – Anita esbravejou.

– Não mete meu pai no meio disso, da pra ser. – Retrucou ele.

– E sim, porque quando o Ronaldo descobriu a falcatruas do meu pai naquela época, a mamãe não quis entregar o pai das filhas pra polícia, quando ele soube fico louco, fez o maior escândalo, e eu não sei como que eles estão juntos, o que não deve te faltar é companheirismo ali mesmo. – Explicou ela irritada.

– Deixa o casamento deles fora disso. – Disse Ben, segurando as mãos dela para que ela não saísse pela porta. — É melhor, para de bancar a maluca vai, é assunto proibido agora o teu namoro, com aquele ser humano perfeito lá, que eu não fiz nem questão de memorizar o nome. – Afirmou Bem enciumado.

–Eu maluca, e você um idiota, você acha que é quem hein. – Anita devolveu.

– Você é que louca, se estressa com qualquer coisa, que eu diga a você. – Ele defende-se, chegando mais perto.

– Ah para. – Anita disse não acreditando. – Que foi, sai de perto de mim. – Anita retrucou não aprovando os dois tão próximos.

– Que foi, tá com medo de que. – Perguntou ele, fazendo que ela batesse ainda mais as costas contra a porta atrás dela. – Eu ti fiz uma pergunta óbvia, não quer responder paciência, assim eu vou continuar enfiando coisa que não existe na minha cabeça, como você mesmo disse. – Ben afirmou. – Eu não mordo não, aliás, você tem medo de que. – Falou ele sorrindo brincalhão.

– Eu medo, de você. – Anita debochou. – Sonha Ben, mais sonha muito. – Achincalhou ela séria. – Você não significa muita coisa, a nossa distância não é nada, perto ou longe, continua sendo nada, nada se tá me entendendo. – Afirmou ela, em um misto de perturbação e irritação, batendo no ombro dele. – Você e que se acha né, o bonzão. – Continuou ela, enquanto ele apenas a fitava, sem muito interesse. — Você pode até achar que tem algum poder sobre mim, mais não tem. – Garantiu.

– Já ouvi ok, esta entendido, você não sente nada por mim, zero vezes zero, nada, e jamais isso muda quando a gente tá assim pertinho. – Falou ele segurando o riso, encantado pelo jeito brava da garota.

– Ahan, quer ver. – Respondeu Anita o encarando.

– Que como assim, ficou maluca de vez é, olha cuidado com escândalo porque tá cheio de gente por aí. – Ben afirmou totalmente confuso devido à cara que ela fazia. — Muito mais do que é de costume. – Alertou ele com certo receio. – Se você aprontar mais uma eu não vou ser complacente, não vou nem querer saber se alguém vai achar esquisito qualquer coisa. – Ben esbravejou já sem paciência para os intempéries dela.

– Hei calma, e cala a boca, que já tá chato essa tua mania de me dar lição de moral. – Anita zombou maliciosa.

– Que saber Anita, vamos parar com isso, concordo com você , somos dois casos sem volta, eu não aguento mais brigar com você, cansei disso, no início pode até atiçar, mas depois só serve pra desandar. – Ben acabou recuando, pesando que viria mais uma tempestade pela frente. — Melhor a gente fingir que não existe nada entre a gente, talvez você esteja usando a técnica certa desde o início. – Ele foi reclamando sem pausa.

– Bom isso já não depende só de mim, mais quem disse que eu quero brigar com você. – Disse ela, aproximando um pouco mais seu rosto do dele. – E você fala mais do que deve às vezes. – Alegou.

– Você sempre tem que dar a última palavra não é, mas eu não sei se eu to a fim de continuar com isso. – Disse ele repensando se afastaria ou não.

– E você não né, se você não me contrariasse tanto, pra ficar por cima, a gente não brigaria, já pensou nisso. – Anita respondeu roubando um beijo do garoto, que acabou desistindo de lutar compra e retribuiu também, e foi o que os dois fizeram por um extenso momento, beijaram-se sem pensar no resto.

– Como eu disse você fala demais. – Anita respondeu parando o beijo, com um sorriso satisfeito nos lábios.

– E você também. – Disse ele um tanto sem folego, envolvendo as mãos na cintura dela que entrelaçou os braços em seu pescoço, e eles voltaram ao beijo dessa vez com ainda mais empolgação.

– Ben o que a gente tá fazendo. – Anita falou empurrando ele, percebendo que os dois tinham que parar com aquilo, antes que ambos perdessem o resto do controle.

– Se beijando, não tá vendo. – Afirmou ele sem ar, com um sorriso no rosto. – Ou você já esqueceu como é. – O garoto pronunciou voltando a beija-la com vontade.

– E você, cala a boca. – Anita repreendeu afoita. – A gente vai acabar se arrependendo disso. – Alegou ela, pensando o que se passava com ela para deixar tudo chegar naquele ponto tão critico em que ambos já não se importavam muito com as consequências.

– Não, não, você vai, eu não. – Ben quis garantiu, a fitando sério se aproximando devagar para um novo beijo.

– Para, já disse, nós não temos mais idade pra isso garoto. – Anita afastou o rosto dele, de cara amarrada com a insistência.

– Faz uma coisa, eu não vou mais encher a tua paciência, se você quiser namorar, noivar, casar, com esse mauricinho que você arrumou lá em Londres, ok, mais não me pede pra anular o presente por conta de uma suposição estupida do futuro. – Pronunciou Ben. – Deixa eu viver o hoje, vamos viver o hoje, o agora.

– E isso é uma tremenda proposta indecente Ben. – Disse Anita debochada, passando em seus pensamentos que ela só podia estar louca, e que tudo aquilo não passava de um grande abismo que lhe traria consequências sérias a ela e para sua vida. – E você tá fazendo ela pra pessoa errada. – Ela entornou o tom de voz raivosa, pensando consiga mesma na forma mais rápida de juntar forças suficientes para parar com aquilo.

– Tá bom, minha culpa, minha culpa, só minha. – Respondeu ele sem se importar, esboçando uma risada e a envolvendo em um beijo.

– Cara eu só posso estar louca, pra estar comendo tanto assim. – Dizia Meg, se acabando em devorar os docinhos da festa.

– Se tem maior cara de formiguinha mesmo. – Riu Marcelo implicando com ela.

– E você tá só olhando por que. – Retrucou ela debochada.

– Ah é que você tá parecendo uma criança, em festa de aniversário. – Disse o garoto, sorrindo encantado para ela.

– Yes, sou só uma ridícula, it is not ( não é). – Questionou a loira fazendo uma cara séria.

– Não , eu diria, que você é . – Ele negou. — The most beautiful girl i've ever seen ( A garota mais bonita que eu já vi.). – Declarou Marcelo aos sorrisos para ela.

A garota somente esboçou um sorriso torto, por alguns instantes. – Você não cansa não. — Perguntou ela desconcertada.

– Ué, digamos que. – Ele fez mistério. – Meus pais sempre me ensinaram a lutar pelo que eu quero. – Afirmou Marcelo, a encarando com olhar interessado.

– Não tá lutando demais não. – Alegou Meg.

– Bom eu não vejo problema. – Garantiu ele. – Afinal qual é o problema, eu to sozinho, você também, porque que você não quer tentar. – Pressionou o garoto taxativo. – Ou tem alguém ocupando espaço aí. – Perguntou Marcelo esboçando um sorriso descarado.

– Não, pra uma pior pra mim, não tem ninguém. – Exclamou Meg sorridente.

– Gostei de saber. – Confessou ele. – Loira, cadê o Ben, faz um tempinho que eu não vejo ele. – Marcelo indagou, ao perceber que o amigo havia sumido.

– Bom, eu não vejo ele desde o episódio com a Amanda, espera e cadê a doida da Anita. – Afirmou à garota confusa, Marcelo apenas sorriu brincalhão ficando mudo.

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– Ben! – Chega né, a gente não pode ser tão levianos assim, isso não está certo e nós sabemos disso. – Ponderou Anita procurando se desvencilhar dele.

– Anita presta atenção. – Quis argumentar ele, mas ela o interrompeu.

– É a Giovana. – Anita se questionou ao ouvir uma voz familiar no corredor.

– Ela deve estar procurando a gente, eu acho que eu sei porque é. – Afirmou Ben respirando decepcionado.

– Hãm, o que você disse pra ela. – Anita ficou receosa.

– Nada. – Ele revirou os olhos contrariado. – Ela tava com a ideia de organizar uma viagem com nossos pais, algo assim não sei direito. – Explicou Ben.

– Ah bom, legal, eu ajudo. – Se dispôs ela.

– Então é isso né. – Perguntou Ben não muito convencido.

– O que. –Anita organizar em sua mente uma linha de pensamentos que fizesse sentido.

– Deixa pra lá, eu já entendi que você vai continuar fugindo do assunto, então chega mesmo né, fim, acabou. – Afirmou Ben se irritando com ela, escancarando a porta e saindo do quarto apressado.

– Grosso! – Anita esmurrou a porta entreaberta, se estressando com o garoto.

Notas finais
Até o próximo que não irá demorar tanto como esse!!!