Notas iniciais
Muito obrigada por lerem, comentarem!! Uma boa leitura!!

– Vera eu acho que a cebola, tá boa assim. – Meg chamava a atenção dela, enquanto reparava a panela ao fogo.

– Então põe a carne, meu amor, faz favor. – Pediu Vera lavando a pia alguns legumes, para preparar o jantar.

– Pode deixar. – Afirmou Meg se prontificando.

– Anita pega o sal pra mim. – Meg falou, para a garota que estava parada perto a geladeira inercia em seus pensamentos. – Anita. – Chamou a loira novamente.

– Aham, oi, o que foi? – Anita balbuciou em plena confusão.

– O que você tem. – Ela questionou. – Você tá dando bandeira sabia. – Alertou ela, ao desconfiar de toda distância da garota.

– E tá falando de que hein. – Reclamou Anita de volta, pegando uma maçã na sexta a sua frente.

– A saída do Ben daqui, logico que é por causa disso. – Meg sussurrou discreta.

– Droga. – Bufou ela. – Ele conseguiu né olha a cara perdida do Ronaldo. – Disse Anita, ao velo assistindo TV, imóvel no sofá. – Até o Fulano deve estar sentindo falta daquele desgraçado. – Anita proferiu, raivosa com a situação.

– É fato. – Meg concordou. – Passa o sal aí. – Pediu Meg apontando para o saleiro ao lado dela.

– Agora você diz o que eu faço. – Perguntou Anita acatando o pedido da loira e lhe alcançando

– Bate na casa do Marcelo, e fala com ele. – Opinou ela de forma prática.

– Eu não, nem sei onde o Marcelo mora. – Anita se negou. — E eu é que não vou me responsabilizar por isso, ele foi embora porque quis. – Disse mordiscando a maçã.

– Quer saber? – Os dois, são dois cabeças duras. – Chiou Meg. – Eu é que não falo mais nada. – A loira se calou, pondo um fim no assunto, voltando suas atenções em mexer a panela.

– Oi, oi, boa noite família. – Disse Giovana entrando em casa, cumprimentando o pai que estava no sofá, e se dirigindo até a cozinha.

– Boa noite. – Vera falou com um sorriso largo no rosto.

– Tudo bem. – Perguntou Meg, enquanto Anita parecia ainda remoer seus devaneios.

– Tudo sim. – Respondeu à ruiva. – Nossa por aqui é que tá um silêncio, incrível como fica diferente sem o Ben por aqui. – Comentou Giovana. – Aliás, o que deu nele pra querer ir embora. – Especulou, fazendo Anita se sentir com o semblante desmanchado, como se não soubesse que reação expressar para passar naturalidade diante do questionamento da irmã.

– Não sei, Gio, não sei. – Afirmou Meg. – Vai ver ele só quis retribuir a visita, já que o Marcelo também ficou aqui. – Ela proferiu, usando como desculpa.

– É pode ser. – Pensou Giovana cogitando.

– Gente eu vou lá em cima, lembrei que eu tenho que fazer uma ligação. – Anita disse, apenas como desculpa para não continuar presenciando o assunto, que não estava lhe agradando em nada.

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Já passavam das seis da manhã quando Anita resolveu sair da cama, ela passou a noite com a insônia lhe rondando, cansada de se revirar o tempo todo, optou por levantar e tentar concentrar suas ideias para algum projeto de arquitetura.

– Ué, quem será tão cedo. – Pronunciou ela, ao escutar o celular chamar. – Já vi que só pode ser mais problema. – Anita levantou-se da mesa para apanhar o telefone que estava em cima do sofá. – Como se eu já não tivesse o suficiente. – Ela ralhou pegando a xicara com café e indo atender.

– Marcelo! – Disse ela, ao escutar a voz do garoto do outro lado.

– É e aí Anita, fiz você cair da cama. – Argumentou ele meio sem graça.

– Bom não, eu já tava acordada. – Justificou. – Mas e você, tem certeza que não errou de número não. – Disse Anita se surpreendendo.

– Não, juro que não, eu queria falar era com você mesmo. – Marcelo riu do comentário dela.

– E o que seria? – Questionou curiosa, se deslocando até a cozinha. – Olha só, se é sobre o Ben, esquece. – Anita falou taxativa, não querendo ouvir nada que dissesse respeito a ele.

– Não, não é do Ben, na verdade, ele até saiu. – Garantiu o garoto, observando os movimentos do transito da sacada do apartamento de sua mãe.

– Hum fala logo vai, o que você quer. – Anita quis ir direto ao assunto. – Apesar de que eu não estou entendendo muita coisa. – Anita riu, tomando todo o café da xicara.

– Você pode vir aqui em casa, eu te mando o endereço. – Perguntou Marcelo apreensivo.

– Até posso. – Afirmou. – Mais eu tenho medo no que vai dar isso. – Disse ela desconfiada.

– Relaxa eu vou tentar não te por em nenhuma roubada, ok. – Ele disse rindo de tanta desconfiança.

– Ok, manda o endereço vai. – Anita acabou cedendo.

– Certo, então até daqui a pouco. – Pronunciou desligando em seguida, já mandando a mensagem que havia prometido a ela.

– Nossa! – Disse ela voltando para sala. – Isso que eu chamo de rapidez. – Anita sentou-se ao sofá para ler a mensagem do garoto. – Ipanema, número tal, e traz um biquíni. – Disse ela ao ler. – Oi, biquíni. – Pronunciou com espanto. – Porque que eu sinto cheiro de roubada no ar. – Resmungou ela, não gostando nem um pouco.

Anita arrumou suas coisas na bolsa resolvendo ir conferir o que Marcelo realmente queria com ela.

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– Oi bom dia. – Disse ela ao ver alguém atender a porta e a figura do garoto se instalar a sua frente. – O que foi isso hein. – Anita já foi questionando.

– Você é sempre desconfiada assim. – Brincou Marcelo. – Entra, por favor. – Disse ele solicito.

– Sou, e muito mais, a vida me ensinou a ser assim. – Afirmou. – Mesmo eu achando que está no meu DNA. – Respondeu a garota entrando, e retirando os óculos de sombra.

– Na verdade eu queria que você fosse a um lugar aí comigo. – Marcelo comunicou.

– E onde seria. – Anita perguntou sorrindo de maneira curiosa.

– Filho. – A mãe do garoto ao ouvir vozes veio até a sala. – Ah você esta com visita, me desculpa. – Disse ela ao avistar Anita que apenas sorriu, se perguntando o que ela fazia ali.

– É mãe imagina, essa aqui é a Anita. – Exclamou ele. – Ela é meio parente do Ben. – Disse ele, não sabendo como explicar o parentesco da garota com o amigo.

– Marcelo eu não sou parente do Ben, pra ser exata, a gente não é nada um do outro. – Anita interrompeu.

– É que, vocês tem uma família diferente, não é. – Riu Marcelo.

– O Ben é apenas o filho do homem que casou com a minha mãe. – Pronunciou, vendo que às vezes até ela se confundia. – Eu acho que essa é a forma mais simples de se entender. – Anita afirmou entre um sorriso.

– Ok certo. – Bom essa aqui é a Fátima, minha mãe. – Apresentou ele.

– Mais que mãe gata hein, não parece tua mãe. – Elogiou Anita. – Muito prazer. – Disse cumprimentando.

– Obrigada, você também é muito linda. – Disse a mulher de volta. – Aliás, você anda bem famosa por aqui. – Afirmou Fátima sorridente.

– Rasgação de cena agora. – Marcelo falou brincalhão.

– Não imagina, só falei a verdade. – Anita afirmou entre risadas. – Ah ando é, olha que eu achei que fosse outra pessoa, que tinha ganhado fama por aqui. – Anita brincou com Marcelo. – E muito obrigada, pelo elogio, mais nessa caso eu ainda fico com a modéstia. – Disse Anita.

– Bom então vamos, não é. – Marcelo convidou. – Se não a gente vai se atrasar. – Afirmou.

– Tá mais você ainda não me disse pra onde. – Anita teimou em perguntar.

– Já vai saber, fica tranquila. – Marcelo sorriu.

– Tá bom. – Anita se conteve.

– Tchau mãe, não vou demorar também. – Disse ele justificando.

– Tchau, adorei te conhecer. – Anita falou a mãe do garoto.

– A reciproca é a mesma, aparece mais vezes, e dessa vez não tão rápido. – Falou a mulher.

– Pode deixar. – Anita respondeu, para ser simpática.

– Por favor. – Falou Marcelo abrindo a porta para Anita.

– Mãe entrega aquele papel pro Ben, manda ele procurar o Felipe. – Marcelo disse a mãe enquanto Anita esperava já do lado de fora.

– Claro, não vou esquecer. – Afirmou ela sorridente.

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– Marina, pra que? – Disse ela quando os dois chegaram ao destino.

– Pra aquilo ali, topa dar uma volta. –Marcelo convidou animado.

– De lancha. – Perguntou ela confusa.

– De lancha sim. – Afirmou. , não precisa ficar com medo não, que eu sei o que faço. – Ele garantiu.

– É assim só pra te avisar eu quero viver muito ainda. – Afirmou Anita pensando se era uma boa ideia.

– E eu também. – Marcelo falou entre sorrisos. – Vem, te garanto que você não vai se arrepender. – Disse Marcelo a puxando pelo braço.

– Eu vou, mais cuidado hein. – Anita ameaçou travessa.

– Pode deixar. – Ele respondeu.

– Quer dizer que você simplesmente tem uma lancha. – Anita disse enquanto observava o mar aberto.

– Na verdade é do meu avô. – Contou ele.

– Ah normal, teu avô tem uma lancha, nossa pra quem disse que conquistava as coisas na base do suor, isso é que eu chamo se suor, não é. – Anita zombou um tanto espantada.

– Meu avô é rico, digamos assim, ele é rico, não é bilionário, mais é, só que o meu pai não aceita o dinheiro dele, porque ele se casou com uma, como diz meu avô, uma pobretona. – Marcelo tentou explicar. – Minha mãe. – Completou.

– Tua mãe pobre, com aquela cara de aristocrata da alta sociedade. – Ela caçoou. — Quem diria, jura que eu não iria achar isso. – Anita achou graça.

– É você, dona Anita, bem que passa por uma burguesinha inglesa, tem cara. – Devolveu ele entre risadas.

– Ok, tem razão essas coisas não tem cara mesmo. – Admitiu. – Mas meia hora ao meu lado, qualquer pessoa percebe que eu não entendo nada de etiqueta, e ser educada simplesmente por ser, não é meu forte. – Anita garantiu. – Mais voltando a você, ter uma lancha e ainda por cima um empregado pra conduzir, é uma moral. – Ela sorriu ainda surpresa.

– Meu vô, sempre foi contra o casamento dos meus pais, mas não pode impedir, deixou que o tempo fizesse isso, mais isso não aconteceu, e ele bom, no fundo amoleceu o coração pra conviver com o neto, a gente tem as nossas diferenças. – Marcelo comentou.

– E você adora ele pelo jeito. – Comentou Anita.

– Muito. – Concordou admitindo.

– E esse lugar é lindo. – Disse Anita visualizando em volta.

– Bora dar um mergulho. – Convidou ele empolgado.

– E eu tenho que te avisar, que eu não sou uma exímia nadadora, vai que dá o azar. – Anita afirmou confessando.

– Eu vou pedir pra ele parar perto de uma praia que tem por aqui. – Marcelo informou. – E relaxa, eu te desafogo se for o caso, não vou querer ter os meus dentes arrancados pelo Ben depois, não é, se alguma coisa te acontecer, ele vai querer me matar. – Falou ele com travessura.

– Até aprece. – Anita desdenhou não acreditando.

– To falando. – Marcelo falou levantando. – Eu vou pedir pra ele parar. –Repetiu ele, indo falar com o empregado do avô que guiava a lancha. – Rapidinho já venho. – Falou fitando Anita.

– Vai lá. – Disse ela consentindo, e depois voltou a encarar o horizonte.

Momentos depois os dois conversavam sentados a areia da praia.

– Você jura que não sente falta disso, porque conhecer um lugar como esse realmente é pra nunca mais querer sair do Brasil. – Anita afirmou encantada.

– Sinto, eu acho que todo brasileiro que mora fora, sente. – Marcelo respondeu. – Diz ai. –Proferiu ele a indagando.

– É, eu tenho vontade de voltar sim, tirar os planos que estão na minha cabeça e no papel. – Anita confessou. — E botar pra funcionar, aqui na minha terra. – Anita admitiu, pensando consigo mesma se eu dia isso aconteceria mesmo.

– Hum planos? — Que planos?. – Ele perguntou curioso.

– Planos! – Senhor curioso, coisa minha, mais quem sabe um dia. – Anita não entrou em detalhes. – Eu gosto de Londres, apreendi a gostar na verdade, eu pude ter a oportunidade de cursar e me especializar numa universidade incrível, aprendi coisas que eu jamais pensei, o que fez meu amor pela profissão que eu escolhi só aumentar ainda mais. – Anita afirmou.

– É né, arrumou um inglês por lá também. – Alfinetou ele. – Aliás, o Ben não gostou muito disso, detestou pra ser mais claro. – Riu o garoto.

– Não, o Gustavo não é inglês, ele é brasileiro, os pais deles se mudaram pra lá, quando ele era muito pequeno ainda, e eles são meio metidos a ricos que eu sei. – Anita exclamou.

– Você conhece. – Perguntou ele.

– O que vai me interrogar pra contar por Ben depois. – Anita brincou, ele apenas riu da afirmação dela. – Eu não conheço muito, na verdade eu sou, sou uma menina de subúrbio, acho que eles nem imaginam isso, ou pelo menos nunca perguntaram, e o Gustavo também não falou, com certeza. – Anita expos.

– Cara, mais e aí. – Marcelo disse. – E pelo visto você nem se importa com isso, não esta nem ai, com a aprovação deles. – Previu ele.

– Sinceramente não, eu namoro o Gustavo e não eles, e na boa quem quase teve uma sogra como a Cícera, pode ter pior. – Anita brincou as risadas. – Acho que não. – Gargalhou.

– Hahaha, não, o Ben que não nos ouça, mas a Cícera é fogo. – Marcelo não se conteve pelo comentário. – Pra ser mais exato, não é atoa que o Ben não da nenhuma satisfação pra mãe. – Marcelo confidenciou.

– Jura, achei que fosse ao contrário. – Anita não levou muita fé. – A Cícera é fogo, terra, ar, e sei lá quantos mais elementos da natureza. — Anita afirmou. – e a Meg, não era mais normal você chamar ela, pra um lugar como esse. – Anita acabou perguntando de forma curiosa.

– E você acha que ela cogita ter algo comigo. – Marcelo disse apenas. – E ela não iria vir. – Disse ele, desapontado.

– Olha, eu não sei, não sou ela, mais, eu acho que ela sente alguma coisa por você sim. — Anita respondeu verdadeira. – Mais ó, vê se não vai fazer ela de idiota, porque se não quem vai brigar com você sou eu. –Anita falou soando como eu aviso.

– Eu não tenho essa intenção, juro. – Garantiu. – E mais, eu não chamei ela, porque eu sabia que ela não viria, na verdade eu queria te pedir uma força, pra uma última tentativa, quem sabe. – Disse ele, confidenciando.

– Eu ajudar você. – Anita hesitou receosa.

– É, em troca, eu posso tentar ajudar a convencer o cabeça dura lá, de que você não chifrou ele. – O garoto acabou não segurando o riso.

– Ben. – Imaginou. — E quem te falou que eu ainda quero ficar com ele. – Anita desdenhou.

– Quer, quer sim, vocês no fundo, se gostam, o Ben gosta de você, vocês vão achar um caminho pra ficarem juntos, vocês vão ver. – Afirmou ele, expondo o que pensava.

– Ah sim, eu acredito em milagres também. – Anita disse descrente e as risadas.

– Tá mais, me ajuda vai, pelo menos me ajuda a aparecer na tua casa, no dia da festa, já que eu não sei se o Ben não desertou. – Disse ele, insistindo com ela.

– Posso pensar nisso, se você quiser ir sem ele, eu te ajudo. – Aceitou. — Mais a convencer a Meg, eu penso e depois te falo. – Anita afirmou. – Na verdade, eu não gosto muito dessas coisas, nunca da certo. – Pronunciou ela opinando.

– Ótimo, tá bom, já é um começo. – Disse Marcelo, empolgado por ela ter aceitado.

– E que fique bem claro, isso não tem nada a ver com o Ben, aliás, eu quero que ele se exploda. –Anita deixou claro.

– Vocês dois hein, gostam de complicar tudo, não sei por que, se eu fosse o Bem eu tinha feito diferente mais tudo bem. – Marcelo rebateu rindo.

– Diferente como, pode me explicar? – Anita perguntou, curiosa.

– Ah, eu tinha falado a verdade pro teu namorado, olha só que incrível. – Riu ele. -

– Ah é, muito prático. – Anita disse. – Tremendo golpe baixo isso sim. – Anita deu um tapa no braço dele.

– Ué ai, ele terminava com você, quer dizer se ele tivesse vergonha na cara né. – Marcelo falou. – Tá chega, parei, não to mais aguentando. – Afirmou ele, já sentindo sua barriga doer de tanto rir. – Sem brincadeira, eu acho que eu não seria tão radical, mas quem sou eu pra julgar alguém, vocês tem um passado difícil, isso complica. – Afirmou.

– E eu só espero que você, não de conselhos pra ele, ele bem que seria capaz, só pra ver eu me ferrar inteira, pra poder provar que eu não sou nenhuma santa. – Anita respondeu debochada, se vendo sem saber como resolveria todo o “novelo”, que ela mesma criou.

– É, mais se ele descobriu isso só agora, também demorou. – Marcelo disse rindo, não se contendo em não fazer piada com a constatação da garota.

– Ah engaçado, muito. – Anita se fez de brava, mas acabou achando graça.

– Que palhaçada é essa, você pode me explicar Marcelo. – Ben disse quando chegou por trás e avistou o dois conversando entrosados e com muitas risadas, jamais imaginando encontrar Anita ali com o amigo.

Notas finais
Obs: Fátima, mãe do Marcelo, será representada pela Maitê Proença.