Encontros, desencontros e novos encontros
62 Capítulo 62:
Notas iniciais
– Você não vai apresentar a gente Anita. – Coagiu Gustavo curioso, ao perceber o estado de inercia da namorada.
– Ah claro. – Anita sorriu disfarçando, despertando-se do transe que sua mente se encontrava, ao ouvir os apelos do garoto. — Gustavo, Ben, Ben, Gustavo. – Pronunciou ela, totalmente desconfortável.
– Prazer, eu sou namorado da Anita. – Falou o garoto do outro lado da tela do computador, tentando ser simpático com o novo conhecido.
– Namorado, bacana. – Disse Ben, encarando a garota com um olhar irônico que ele não fazia questão de esconder. – Eu sou o filho mais velho do Ronaldo. – Afirmou ele sem vontade. – Bom eu vou subir, pra deixar o casal à vontade. – Ele disse, enquanto Anita preferiu apenas ficar calada, quando percebeu que a irritação de Ben não era pouca.
– É a Anita me contou mesmo que a família dela é grande, com muitos irmãos. – Proferiu Gustavo.
– A gente não é irmão não, isso sempre foi maluquice dos nossos pais, mas eu acredito que isso já acabou. – Respondeu Ben sério, ao cruzar os braços. – Com licença, foi um prazer. – Falou o garoto seco antes de se retirar.
– Amor você disse que tinha uma coisa pra falar comigo, o que era. – Questionou Gustavo sorridente.
– Hãm, o que, eu. – Anita gaguejou enquanto observava Ben, subir as escadas em passos lentos.
– É você sim. – Riu ele.
– Eu, Gu, eu a gente pode falar depois. – Anita alegou, deduzindo o tamanho da ira de Ben depois do que havia descoberto, a essas alturas ela também tinha a sensação que sua mente não estava mais com ela.
– Tá bom, mais não esquece de me falar. – Disse ele, não notando o desconforto dela.
– Claro, tchau, é fica bem aí. – Falou ela se despedindo rapidamente.
– Tchau, te amo. – Respondeu o garoto antes dela desligar.
Ben subiu as escadas, calado, fechado em seus pensamentos, basicamente tentando encontrar uma maneira de não explodir com a garota, pois ele se viu enraivado demais, ele se via não acreditando em tudo que ouviu lá em baixo, se a situação era aquela, que ele desconhecia, o que Anita queria com ele, apenas mostrar que ela jamais precisou dele para viver, se divertir com a cara dele enquanto tirava umas férias de sua vida perfeita e incrível.
– Nossa que isso, não desconta na porta não, ela não tem culpa. – Marcelo falou de imediato, quando ouviu o enorme estrondo da porta se fechando, e levantou o olhar do livro e avistou Ben parado a sua frente com cara de poucos amigos.
– Não enche você também. – Disse Ben de volta sem paciência.
– Você sabia que, no mínimo sessenta por cento dos problemas com estruturas de uma casa, é por isso, essas batidas horrorosas aí que acabam com a estrutura, como um bom estudante de engenharia, você deveria de saber disso. – Disse Marcelo, não percebendo que o mau-humor do amigo estava fora dos limites naquele momento.
– Marcelo eu não tenho tempo pra tuas piadas tá legal, olha só me esquece tá, e vai falar isso lá pra aqueles idiotas da faculdade, que nem pra aula vão. – Disparou Ben sarcástico.
– Que houve, que bicho te mordeu, eu hein. – Marcelo indagou, ao vê-lo com a irritação transparecendo.
– Ben eu preciso conversar com você. – Anita entrou pela porta sem nem hesitar.
– Eu não tenho nada pra falar com você. – Disse o garoto, apanhando a carteira que ela havia esquecido em casa.
– Ih meu deus, vai começar o barraco. – Marcelo proferiu prevendo o que viria pela frente.
– Eu preciso falar com você, me ouve pelo menos. – Anita afirmou em suplica.
– Bom gente, eu to indo, tchau pra vocês, não vou me meter nisso mesmo. – Marcelo disse levantando da cama, com o livro na mão.
– Fica Marcelo, eu não tenho nada pra falar com ela. – Exclamou Ben irritado.
– Não saí Marcelo, por favor, eu tenho que falar com ele. – Anita rebateu. – E você vai me ouvir ponto. – Anita disse taxativa.
– Não sai Marcelo. – Retrucou ele. – Eu já disse que eu não vou falar com você, não me interessa. – Afirmou Ben, fitando a garota em um misto de raiva e decepção.
– Espera ai gente é pra eu sair, ou pra eu ficar, eu to ficando confuso. – Pronunciou Marcelo, nervoso, com o disse me disse dos dois.
– Sai agora, que droga. – Gritou Anita, perdendo as estribeiras.
– Não tem essa, você não manda nele, e você não vai me obrigar o conversar com você. – Ben disse não se dando por vencido.
– Ben, essa não é mais uma escolha tua. – Anita afirmou, enquanto Marcelo se perdia nas falações dos dois.
– Cara vocês são loucos, na boa. – Ralhou o garoto confuso. – Eu é que não vou ver isso. – Disse ele abrindo a porta. – Ah só mais uma coisinha antes de vocês se matarem aqui, pensem nos pais de vocês, por favor, e maneirem nos gritos né. – Aconselhou ele.
– Ben, você tem toda razão pra estar irritado comigo, mais eu ia te contar, só que eu achei melhor conversar com ele primeiro, na verdade isso é um problema meu, que eu tinha que resolver. – Anita quis explicar, após Marcelo sair e fechar a porta com calma.
– Ah e quando você iria fazer isso. – Disse ele de cara amarrada. – Não é mais fácil você admitir que isso aqui foi só um passatempo pra você, que quando acabasse iria voltar tudo a ser como sempre foi. – Acusou Ben irritado pela situação.
– Não, isso não é verdade, e se você me conhecesse um pouco que fosse ainda, você iria ver que eu jamais faria algo do tipo. – Falou ela, alterada devido a afirmação dele.
– Tá aí, a única coisa que a gente concorda nesse momento, eu não te conheço, e talvez você também não me conheça mais. – Rebateu Ben, sentindo que os anos que os distanciaram continham um obstáculo maior do que eles mesmos previam.
– Eu não sabia como te contar, se você tivesse perguntado talvez eu tivesse conseguido, talvez coragem não foi meu forte nesse ponto. – Concluiu ela, se vendo abalada.
– E o que você ia me contar Anita, que enquanto eu to aqui, correndo atrás de você feito uma anta, teu namorado real tá lá, te esperando, achando que você vai voltar pra ele, e que nada vai mudar. – Disparou ele, esperando uma resposta sensata dela.
– Talvez isso não aconteça mais, você acha mesmo que eu iria conseguir, fingir que nada ouve. – Especulou ela. – Então você me julga muito mal. – Disse a garota, frustrada.
– Você foi no mínimo egoísta, e se você quer saber é o que eu penso. – Afirmou Ben, não escondendo.
– Egoísta? — Repetiu ela perplexa. – Eu, é impressionante. – Ela praticamente riu. – Você acha o que, que eu deveria ter esperado a hora que o destino nos desse uma ajuda, pra gente se rever de novo, ah e enquanto isso eu ficava arrastando corrente, me punindo, me lamentando, esperando sentada que um milagre acontecesse. – Anita advertiu irônica. – Ah me poupe, até parece que você fez isso, não é, pelo que eu saiba há duas semanas atrás, quem tinha uma namorada era você, aliás, você também não me contou esse detalhe né. – Jogou de volta ela, a respeito do que Meg havia lhe dito, Ben apenas a fitou confuso, se perguntando quem havia falado tal informação a ela.
– Ai Marcelo. – Meg resmungou, quando tropeçou no garoto. – O que você faz aí. – Disse ela, ao vê-lo sentado ao chão do corredor, lendo.
– Ah na verdade, eu não estou querendo escutar a conversa de ninguém tá, mais a Anita tá lá conversando com o Ben. – Explicou ele apontando para a porta do quarto um pouco ao longe.
– E. – Meg quis entender.
– E que o Ben tava com uma cara que iria esganar ela, aí eu fiquei preocupado, vai que os dois perdem a cabeça, e a casa inteira descobre do novo caso dos dois. – Alegou ele.
– O que será que houve hein. – Meg se perguntou.
– Não sei, mais que os dois estavam bem nervosos isso eles estavam. – Marcelo afirmou. – Achei melhor ficar meio perto né gente. – Esclareceu ele.
– Será, pra mim você queria ouvir a conversa deles, de curioso mesmo. – Implicou Meg.
– Hahahah, fica quietinha. –Ironizou ele. – Até porque eu acho que a coisa é séria. – Alegou Marcelo receoso.
– Ai gente. – Disse Meg impressionando pelas palavras dele.
– Não mete a Alice no meio disso, e quem te contou isso. – Ben retrucava Anita no quarto, achando que era diferente.
– Como você pode ver eu sou mais bem informada do que você. – Anita esbravejou, de braços cruzados.
– A Meg. – Deduziu ele. – Claro, o último, a saber, das coisas sou sempre eu, né Anita. – Disse Ben debochando. – Só que eu não estou mais com a Alice, como a Meg mesma disse, a gente terminou uns dias antes de eu vir pra cá. – Se defendeu ele, com o semblante de ironia.
– Quem me garante. – Anita devolveu.
– Ninguém, sou eu que estou te falando, mais se a minha palavra não vale nada, eu to nem aí também. – Ben exclamou, irado.
– Com certeza você acha que vale mais que a minha né. – Anita rosnou de volta. – Quer saber a situação é essa, infelizmente eu não tenho como mudar, se você querer morrer por isso, morra. – Disse ela, furiosa.
– Que saber pra mim deu, pra mim chega. – Afirmou Ben, elevando o tom de voz.
– Pois pra mim também. – Anita respondeu, exausta pela falação que não saía do lugar.
– Melhor assim mesmo. – Falou ele concordando e saindo pela porta.
– Melhor coisa que eu poderia fazer, parar de perder meu tempo com quem não merece. – Gritou Anita para ele, esmurrando a porta ao fecha-la.
– Gente não bate a porta, já disse que a casa vai cair desse jeito. – Marcelo alegou tentando contê-los.
– Cala a boca Marcelo. – Ben e Anita devolveram em um uníssono.
– Também não falo mais nada. – Marcelo disse, incomodado.
– Eu tenho mais o que fazer. – Disse Anita, quase atropelando Ben e Meg e caminhando em direção a escada.
– É, tchau pra vocês. – Meg pronunciou saindo atrás de Anita de forma apressada.
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– Na moral eu juro que eu não esperava isso da Anita. – Ben se lamentava com o amigo.
– Na boa você não acha que tá bancando o exagerado não. – Marcelo interviu.
– Eu, a claro, o namorado dela também deve de concordar comigo. – Ben rebateu irônico.
– Ben pra que tanto drama, não é mais fácil você admitir que ficou foi com muito ciúmes de saber que talvez a Anita não precise tanto de você assim, que ela tava numa boa, tocando a vida dela, e que você era no máximo uma lembrança. – Marcelo quis ser prático.
– Não, não é ciúmes, pra mim ela, ela tava me fazendo de idiota, simples. – Ben respondeu se defendendo.
– Pra mim é ciúme, porque hoje você descobriu que você não foi, ou é o único cara importante pra Anita, quando você conheceu a Anita ela era uma menina, e você era o único que mexia com ela, que se fez presente na vida dela, só que hoje não é mais. – Explicou tal teoria o garoto. – E outra você perguntou pra ela, se ela tava sozinha mais enrolada, solteira, namorando. – Questionou Marcelo, percebendo certo exagero de Ben.
– Não, mais eu acho que ela tinha que ter me dito, né. –Afirmou Ben contrariado.
– Pode até ser, mais na boa se eu encontrasse minha namorada de infância, tivesse uma coisa com ela, eu não iria sair falando assim da outra lá, que realmente não tem culpa nenhuma da minha situação. – Entendeu ele. — E ela tinha decidido tentar com você, normal que ela quisesse falar com ele primeiro. – Marcelo alertou. – E você saiu falando da Alice pra ela, e nem vem tá porque se ela não tivesse terminado com você, você tava com ela, você queria que ela viesse com você pra essa viagem, e ela só te intimou porque achou que assim você iria mudar de ideia, e pensar em levar a relação de vocês pra tua vida no futuro, e você não pensava, ficava naquela vamos viver o hoje. – Disse ele, querendo abrir os olhos do amigo.
– A situação era completamente diferente, eu não sei se a Anita iria mesmo me dizer algo, na verdade eu acho que não. – Afirmou Ben, não se convencendo.
– É por isso que ela te disse que precisava de um tempo pra se resolver, pra mim ela não tá errada cara, mas se eu estivesse no teu lugar, claro que eu iria surtar com isso, óbvio. – Marcelo quis entender o lado dele também. – E também pra que isso tudo, o corno não é você, é o cara lá, que nem deve sonhar o que tá se passando aqui. – Debochou Marcelo do rosto emburrado de Ben.
– Eu não vou nem te responder né, melhor. – Ben falou, encerrando o assunto, enquanto Marcelo apenas deu de ombros para a situação.
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