Notas iniciais
Quase embarcando.. Espero que gostem!!!

Nova York. – ( Estados Unidos.).

Por Ben.

Eu me sentia estranho, encarava a rua movimentada e barulhenta da janela do meu apartamento, enquanto esperava o Marcelo chegar para nós irmos para o aeroporto, a sensação que eu sentia era que eu estava caminhando para um abismo do qual eu seria obrigado a me jogar, sem uma saída se quer de me salvar, e talvez eu não estivesse errado eu não tinha mesmo como me salvar, estava a horas de embarcar no avião e depois de algumas horas eu estava no Brasil, eu pensava em desistir, mas me sentia incapaz de fazer algo desse tipo, pois toda vez os apelos de meu pai vinham a minha mente, é eu ainda continuava ligado a minha família e plenamente dependente da felicidade deles para que eu fosse feliz também, eu já podia imaginar o olhar de decepção dele se eu não aparecesse, o que me deixava angustiado toda vez, a cada minuto que eu pensava em não ir a lugar nenhum.

Que droga que maneira estúpida era essa que eu estava me comportando, feito uma criança com medo do primeiro dia de aula na escola, eu sentia um aperto dentro de mim que eu não sabia descrever, eu estava abalado antes mesmo de embarcar, ficava me perguntado o quão pior seria quando eu estivesse lá, com todos de novo, incrível como esta volta estava sendo uma porção de vezes mais angustiante do que quando eu resolvi retornar ao Brasil para morar com todos eles, e aquela vez tinha muito mais pessoas estranhas e desconhecidas que iriam fazer parte da minha vida, e agora essas mesmas pessoas estavam me trazendo lembranças confusas e agonizantes de meu passado.

Minhas lembranças eram tão nítidas de tudo que se passou naqueles tempos que eu morei com eles, que pareciam que foram ontem, só que havia milhões de dias me separando delas, e a primeira delas a me assombrar, claro que tinha a ver com a Anita, ela era a principal parte desse passado, passado que eu nem se quer podia afirmar que era um passado, o que me doía de mais em ver o que as nossas vidas e os nossos caminhos haviam se transformado.

Eu e a Anita éramos como partes de um quebra-cabeça que se encaixavam em tudo, em nossos gostos, medos, pensamentos, sentimentos, em tudo, nós éramos capazes de perceber o outro em um único olhar o que parecia ser algo de outro mundo, algo inexplicável e surreal. Até quando se tratava de um sorrido simples e sem muitos pretextos nós éramos parecidos, de repente eu vi minha cabeça navegar pelo passado sem que eu pudesse evitar.

Três anos antes. Grajaú. (casarão).

– Nossa eu juro que eu não iria conseguir imaginar a quantidade de coisas que ninguém usava mais que estava ai nessas peças, ocupando espaço somente. – Anita afirmava a Ben enquanto empilhava algumas caixas.

– Horrível, tem coisa aqui até que ainda da pra reaproveitar, sei lá pra alguém que esteja interessado. – Ben concordou com ela.

– É de repente nós podemos falar com a mamãe e com o Ronaldo, ai a gente separa o que ainda tem utilidade pra nós e o resto repassa pra alguém ou vende, sei lá. – Anita falou gostando da ideia dele.

– Perfeito, incrível como você pensa em tudo mesmo. – Ben respondeu, a fitando com um sorrido encantado no rosto.

– Eu? – Anita disse sorrindo para ele confusa. – Espera você acabou de falar isso. – Ela lembrou para ele.

– Falei, mais ai você acrescentou tudo que eu pensei e não te falei. – Ben justificou sua afirmação.

– Bobagem, vai ver coincidências realmente existem. – Ela exclamou.

– Você acredita. – Ben indagou.

– Não sei, mais é um pensamento válido certo, pra qualquer situação. – Anita afirmou alegre.

– É você tem razão. – Ben concordou com ela.

– Ai mais eu to morta, essa coisa de ficar revirando coisa acabou comigo, estou até com sono. – Anita confessou sentando-se por um momento.

– Você sabe o que é bom pra espantar o sono. – Ben perguntou com um sorriso brincalhão.

– O que, não entendi. – Anita afirmou confusa.

– Um banho de água fria. – Ben respondeu a molhando com a mangueira.

– Para Ben a água tá muito fria vai. – Anita falou se levantando.

– Ah é você não falou que estava com sono, resolve fácil. – Ben respondeu rindo continuado a molhar ela.

– Seu chato, você me paga. – Anita disse rindo e molhando ele também.

– Ai nossa tá gelada mesmo, muito gelada. – Ben falou.

– Jura, tarde de mais pra reclamar. – Anita respondeu rindo.

– Ai caramba. – Ben proferiu todo encharcado.

– Dois encharcados. – Anita respondeu, seguido de uma gargalhada.

– Muito. – Ben falou, se aproximando dela a encarando.

– Que foi. – Anita indagou com um sorriso.

– É que de repente me deu uma vontade de fazer uma coisa. – Ele justificou com um suspiro.

– O que. – Anita perguntou sem entender.

– Isso. – Ben disse afastando uma mexa do cabelo molhado dela de seu rosto, a olhando nos olhos e a beijando, um beijo cheio de vontade, e apaixonante por parte dos dois.

– Ben, irmão, acorda eu cheguei, oi. – Ben viu seus pensamentos sumirem, com alguém lhe chamando em voz alta atrás de si.

– Marcelo oi. – Ben pronunciou quando viu o garoto.

– Nossa você tava viajando ai. – Marcelo afirmou a ele percebendo sua desatenção.

– É estava, me desculpa, bom vamos então. – Ben falou lembrando-se da viagem.

– Claro, vamos embora, o táxi que eu vim ficou ai em baixo já pra esperar a gente. – Marcelo explicou.

– Sim, ótimo, vamos então. – Ben disse pegando suas malas.

– Bora lá, é Ben tá tudo bem, quer ajuda em alguma coisa. – Marcelo perguntou quando viu o semblante preocupado de Ben.

– Esta sim, é nervoso, viagem longa só isso. – Ben justificou.

– Certo, então embora pro aeroporto ou a gente perde esse avião. – Marcelo afirmou sorridente.

– É tem razão, melhor irmos. – Ben afirmou já saindo pela porta.

– Rio de Janeiro, me espera que eu estou chegando. – Marcelo afirmou com muita animação.

– Cara tu é uma figura mesmo. – Ben falou achando graça do amigo.

– Eu sou bem-humorado, ué não pode. – Marcelo respondeu rindo.

– É muito, até mais, nada contra também. – Ben riu da situação, com os dois entrando no elevador logo em seguida.

Notas finais
Até o próximo capitulo...