Encontros, desencontros e novos encontros
35 Capítulo 35:
Notas iniciais
– Bom e, é isso, a dona Vera tava trabalhando demais, e se esgotou como qualquer pessoa normal, que tenta fazer mil coisas ao mesmo tempo. – Anita contava com detalhes o que havia se passado com a mãe para os irmãos.
– Ai nossa, eu não me conformo de ter saído. – Sofia afirmava preocupada. – Mais você também disse que ela tava com um quadro de anemia, será que é sério Anita. – A loira indagou, temendo pela mãe.
– Bom segundo o médico, não é muito, mais ela tem que se tratar, mais ele vai fazer mais exames amanhã. – Justificou Anita.
– Ai gente vai dar tudo certo, tem que dar. – Giovana tentou pensar positivo.
– Isso aí, e enquanto isso, a gente vai continuar aqui, dando apoio pra mamãe, paparicando muito ela. – Disse Anita otimista.
– Mais e quem vai cuidar da casa, e a festa, caramba. – Vitor se apavorou.
– Caramba é verdade, ferrou gente, vai ter que ligar pra todo mundo cancelando. – Giovana também ficou assustada.
– Não, não, nada disso. – Falou Anita categórica. — A gente, vai cuidar de tudo. – Afirmava a garota, no instante em que Ben entrou pela porta, chegando em casa, os dois não puderam evitar de trocar alguns olhares assustados, devido a tudo que ocorreu mais cedo.
– Caramba Ben a gente tá aqui apavorado. – Giovana foi abraça-lo.
– Que foi gente. – Perguntou o garoto, nem se dando por conta da situação, parado em frente ao sofá.
– A festa da mamãe e do papai, tá ferrada agora, que ela tá no hospital, e é já nesse final de semana. – Pedro disse cabisbaixo.
– Nossa eu não tinha me ligado nisso. – Ben falou, pela primeira vez se dando por conta que fazia uma semana que estavam todos ali, e ele via seus pensamentos atormentados por Anita.
– Mais como eu estava falando pra vocês, meus amores, antes de vocês me interromperem. – Anita proferiu, com um abraço em Pedro. – A gente vai organizar a festa. – Afirmou Anita, sorrindo cheia de ideia.
– Anita a Vera tava cuidando de tudo, e a gente não entende nada de festa. – Vitor ficou receoso.
– Detesto concordar com o Vitor, mais ele tem razão, a gente não entende nada, dessa coisas chiques e cheias detalhes, era a Vera que tava cuidando de tudo. – Afirmou Giovana desanimada.
– Gente, por favor, cadê a galerinha que topava qualquer parada, que não tinha medo de nenhum desafio, poxa eu é que fiquei mais velha, e vocês que nem envelheceram muito, tão cheios de “mi, mi ,mi”, gente, Giovana você tem uma banda e estuda, Vitor você trabalha e faz faculdade, Pedro você é o gêniuzinho da casa, joga nas onze, e Sofia talento não te falta, você sabe trabalhar bem sob pressão. – Anita levantou querendo anima-los e lhes dar coragem, Ben observou as palavras dela, como se pela primeira vez estivesse vendo algum traço daquela garota do passado, o que o deixou maravilhado, apesar dele não ter demostrado. – E eu bom, eu gosto de um desafio. – Anita disse cheia de atitude. – Bom e o Ben. – Voltou-se ela para ele, se sentindo meio perdida, e se perguntando se ela ainda conhecia o garoto. – Ele sempre, enfrentou qualquer obstáculo que a vida colocava na frente dele. – Anita falou, lembrando-se de uma das frases do garoto fruto de muitas das conversa dos dois, em que ele lhe disse, “ que sempre passou a vida inteira saltando obstáculos.”, suas lembranças foram além de somente da frase, garota acabou materializando em seus pensamentos o primeiro beijo dos dois. – E gente, a mamãe e o Ronaldo merecem. – Anita tentou focar-se novamente na realidade.
– Será gente, e se a gente não conseguir e ficar pior, e decepcionar eles muito mais, do que se eles tiverem que cancelar a festa. – Sofia afirmou receosa.
– É tem a empresa à gente não vai dar conta de tudo sozinhos. – Vitor expos, nervoso. – E a casa quem vai cuidar de tudo aqui. – Questionou, nem mesmo sabendo por onde começar.
– Ué a gente, gente, por favor, somos todos bem grandinhos aqui, tirando o Pedrinho que ainda é nosso pequeno. – Afirmou Anita, beijando a bochecha do pequeno que estava parado perto dela.
– Eu acho. – Ben proferiu, se manifestando. – Que, a Anita, tem toda razão, nós todos aqui já sabemos nos virar, e eles sempre cuidaram muito bem de todos aqui. – Afirmou ele. – E eu acho bom, vocês obedecerem, porque eu e a Anita ainda somos os mais velhos aqui, e nem vem vocês dizerem, que já são grandes e não tão nem aí pra gente. – Ben pronunciou em tom de brincadeira, Anita preferiu direcionar seu olhar para qualquer ponto da sala, menos para ele, antes que ela perdesse o controle da situação e algum dos irmãos percebesse.
– Então é isso, a gente vai produzir a festa. – Disse Giovana, agora se animando pela ideia.
– Bom eu to dentro, eu vou terminar o que a mamãe já tava fazendo, com ou sem vocês. – Comunicou Anita, estendendo sua mão, querendo que todos a apoiassem, os olhando com um sorriso, como forma de coagi-los.
– Eu topo. – Falou Pedro, colocando sua mão, em cima da mão da irmã.
– Eu também, não fico de fora dessa. – Afirmou Ben se unindo aos dois.
– Ah mais eu não vou perder isso por nada. – Giovana pulou do sofá, e uniu uma de sua mãos com as deles.
– É, eu, to meio confuso em como a gente vai dar conta, mais eu topo ajudar, a Vera e meu pai merecem. – Concordou Vitor também indo até o “bolo”.
– E aí Sofia, vai ajudar, bom eu não te garanto, se a gente vai dar conta, mais o que não vai faltar é atrapalharem, e boas risadas, como tudo que a gente já fez junto até hoje. – Anita perguntou bem-humorada.
– Ai gente, acho que eu, deixa pra lá. – A loira disse, espantando a emoção, e correndo para se juntar a eles.
– Então amanhã, depois da aula de todo mundo, nós vemos como vamos fazer. – Afirmou Anita, se sentindo contente.
– Fechado. – Respondeu Vitor.
– Epa, epa, tá faltando a gente aí. – Afirmou Marcelo, vindo da cozinha, correndo juntamente com Meg, os dois até então só escutavam tudo atentos enquanto terminavam o jantar.
– Ou vocês acharam que a gente iria perder isso, mas de jeito nenhum. – Falou Meg se juntando a todos assim como Marcelo.
– Então agora, estamos completos. – Disse Sofia, animada.
– Cara isso vai ser um máximo. – Marcelo disse com agitação.
– Hahahaha, um máximo vai ver o que vai sair dali de dentro daquelas panelas. – Ben zombou do amigo. – Se bem que te conhecendo, eu tenho até medo de pensar. – O garoto fez graça.
– Ai gente que desagradável, a gente tentando ajudar fazendo o jantar e vocês fazendo isso. – Disse Meg reclamando.
– Não gostei. – Marcelo se fez de emburrado.
– É né, mais eu confessou que eu tenho esse mesmo receio dona Meg, conhecendo a capacidade da senhora de se atrapalhar com o fogão. – Afirmou Anita não se contendo.
– Medo define. – Ben continuou rindo.
– Vocês tão pegando pesado hein. – Marcelo resmungou.
– Também acho, não tem nada a ver isso, dois chatos. – Meg reclamou, enquanto todos se dispersavam pela sala.
– Imagino, eu tenho é razão, isso sim, esse aqui é daqueles que vai pro fogão, pensando em fazer arroz, mais faz sopa porque se distraí e põe água demais. – Debochou Ben.
– Ah mentira. – Giovana se viu as gargalhadas.
– E a Meg, no primeiro apartamento que a gente morou, uns meses depois que a gente se cansou do alojamento da faculdade. – Anita começou a falar.
– Ah não para. – Meg começou a rir no mesmo instante.
– Eu tava chegando em casa, e gente a vizinha veio me abordar dizendo que tava vindo uma fumaça do nosso apartamento, e que tava pegando fogo, a Meg tinha se esquecido de uma panela fervendo no fogão, e foi tomar banho, e aquilo era inverno bravo, com o ar gelado dentro de casa, parecia que tava tudo incendiando, o vapor parecia fumaça, até pela janela saía. – Anita contou rindo. – E a senhora falando um inglês enrolado, coitada de tão apavorada que tava, e eu pra entender o que ela queria dizer. – Dizia ela, já em quase desespero de tanto rir.
– A vizinha, é que era exagerada. – Disse Meg, cruzando os braços.
– É a cara dela, fazer isso. – Ben concordou achando mais graça ainda.
– Total. – Afirmou Anita, não se contendo, e os dois riram juntos por alguns segundos até se darem por conta da situação, e esboçarem um semblante sério.
– É, eu vou ajudar a por a mesa. – Disse Anita, indo até a cozinha, se sentindo totalmente confusa.
– Sabe o que vocês são, você e a Anita, dois ingratos. – Marcelo se sentiu como o palhaço da situação.
– Relaxa tá, tava brincando, nãoé você, que adora rir da cara de todo mundo. – Falou Ben.
– Parei contigo. – Disse ele de volta, dando um sorriso irônico.
E todos jantaram em um clima de descontração, logo depois Ben estava sentando no sofá mergulhado em seus pensamentos, quando viu Anita sair da cozinha.
– Ei, a gente pode falar um minuto. – Falou ele se levantando e caminhando até ela, à abordando.
– Ben eu acho melhor, não, o dia já foi cheio de mais, chega. – Pediu Anita, quase suplicando, ela estava exausta fisicamente e emocionalmente.
– Eu não vou falar daquilo, quer dizer, você sabe, enfim, também acho que não é hora, mais uma hora vamos ter que tocar no assunto, mais acho que por hoje, realmente não dá. – Ben explicou-se, enquanto encarava os olhos de Anita atentos às palavras dele. – Eu só queria te agradecer, por ter juntado todo mundo, e convencido eles a ajudarem na festa dos nossos pais, acho que eles merecem, obrigada, eu acho que eu também não poderia esperar outra atitude tua. – Afirmou ele, para a surpresa da garota, que esperava ouvir qualquer coisa, mas não aquilo.
– Tudo bem, você também ajudou. – Anita respondeu, não encontrando as palavras.
– Anita, eu não sei o que fazer, eu me perdi. – Ben confidenciou, com os olhos fixos nela.
– E eu to me preparando pra criar coragem, pra fazer aquilo que a vida, vai me colocar. – Respondeu Anita, também confusa. – Boa noite. – Disse ela ainda, antes de dar as costas ao garoto.
– Boa noite. – Ben falou, pensando em uma maneira de livrar-se de seus devaneios, enquanto escutava os passos da garota subindo as escadas.
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