Notas iniciais
Voltei com mais um capitulo!! Esbarrão bem vindo, só que nem tanto... Narrado pela Anita, assim como o próximo.

Por Anita:

Eu me revirei um pouco na cama, e depois adormeci, eu estranhava tudo ali, o lugar, o quarto, a cama, era real eu me sentia uma estranha na minha própria casa, a casa que um dia eu fui tão feliz, e saber que o Ben dormia no quarto ao lado como antes, não estava me ajudando em nada, ao contrário.

Avistei os raios de sol, adentrarem o quarto pela janela, me levantei caminhei até a janela, e vi o dia lindo lá fora, eu não conseguiria mais dormir, então fui até uma mala, peguei uma calça legging preta, e uma blusa bege de manga comprida, e solta que dava bem abaixo da minha cintura pelo comprimento, o ar da manhã parecia frio lá fora, calcei um tênis rasteiro, que avistei no canto da mala, enrolei meus cabelos em um coque bagunçado, e sai do quarto devagar, para não acordar a Meg, que dormia em um sono tranquilo, desci as escadas abri a porta devagar, e sai caminhando meio que sem rumo pela rua, precisava andar para espairecer minha cabeça.

Eu andava pelas ruas totalmente, confusa, o amanhecer no Grajaú continuava calmo, apesar de toda agitação diária. Era tão bom estar ali, e ao mesmo tempo tão frustrante, minha alegria não era completa eu me sentia dividida em meio às sombras e alegrias de um passado e de meu presente, que eu não sabia o que representava hoje em minha vida, eu não sabia até que ponto eu era dependente daquele lugar, daquelas pessoas que eu amava tanto, e que eu me sentia tão culpada pelo sofrimento que eu causava nelas, pela minha insistência em continuar distante.

Eu caminhei até o bosque, senti o ar tranquilo que estava presente ali, o cheiro suave de mato, um barulho tão silencioso da mata, que parecia me acalmar só de fechar os olhos e ficar ali, sem pensar em mais nada, era como se eu pudesse apagar tudo que me atormentava, tudo que me paralisava. Eu tinha que admitir para mim mesma, eu sentia um vazio e uma frustração enorme me assombrando por todos os planos que foram feitos no passado e jamais se concretizaram, mas a última coisa que eu queria era ser uma coitada, diante das outras pessoas. Meus sentimentos pelo Ben foi o que mais ajudou, eu a sucumbir esse buraco dentro de mim, foi um amor abortado, pela vida, pelo tempo, e até por nós mesmos, um amor que durante muito tempo foi a razão pela qual me deu forças pra lutar pra sair da escuridão que virou minha vida depois de tudo que o Antônio causou com aquele vídeo.

Essa história ficou em mim, como eu sempre achei que ficaria, tudo permaneceu até hoje, o começo de tudo, as zoações, os comentários maldosos das pessoas, minhas brigas com o Ben, as nossas acusações, as chantagens do Antônio, quando eu finalmente descobri toda a verdade, e finalmente achei que me livraria dele e seria livre de novo, tudo era um passado que permanecia em meu presente, que eu carregava por todos os lados, que atravessava oceanos comigo.

Eu fui capaz de deixar o Ben nos braços da Sofia, afastei ele da minha vida, por medo do Antônio, medo das ameaças dele contra o Ben, e “sim”, eu deixei o Ben com ela, porque eu sabia que o Antônio era capaz de tudo, a minha dor era maior de saber que ele poderia sofrer alguma retaliação, daquele infeliz, eu odiava o Antônio om todas as minhas forças, eu jamais acreditei que ele se arrependeu e mudou depois de tudo aquilo, eu queria o Ben vivo, e não morto do meu lado. E finalmente quando eu achei que meu pesadelo iria acabar, a Sofia deu o golpe final em mim, ela contou pra todos que estava grávida do Ben, eu não podia lutar contra isso, era de mais pra mim, depois de tudo, o cara que eu amava iria ter um filho com minha irmã, depois de um tempo o Ben descobriu que foi uma armação dela, pra ele não desistir da viagem pros Estados Unidos, mais já era tarde, pra se tentar colocar as coisas no lugar, a distância era grande de mais, a mágoa se fez maior que tudo em mim, as minhas forças tinham acabado, eu me sentia fraca, esgotada, minha vida se esgotou, minhas forças se foram de uma vez por todas. Eu e a Sofia, por incrível que pareça eu não conseguia culpar ela por tudo, naquela época a minha raiva dela foi inerente, mas o tempo fechou essa ferida, ela era minha irmã eu a amava, e eu queria realmente que nós duas voltássemos a nos dar bem, sem aquela tensão que sempre permanecia entre nós.

Eu fechei meus olhos e senti minha cabeça rodar, aquela situação toda estava me consumindo, de repente eu senti algo me empurrar.

– Ai seu. – Me irritei de imediato, quando me dei por conta que foi alguém que me empurrou, me desequilibrei e vim ao chão.

– Você, só podia ser você, você não cansa, não, de ficar me dando tranco toda hora. –Resmunguei quando ergui minha cabeça e olhei para o rosto do Ben em cima de mim.

– Ai, me desculpa, mais você estava aonde, você veio do nada na minha frente, eu não consegui desviar. – Ben respondeu e eu pude sentir a respiração dele perto do meu rosto.

– Idiota, você garoto. – Falei paralisada.

– Você tá bem. – Ben me perguntou calmamente.

– To, mais agora dá pra sair de cima de mim, por favor. – Eu esbravejei atordoada, quando ele me encarou fixamente, eu prendi minha respiração por um momento.

– Você tá bem. – Ele me questionou novamente, se levantando. – Vem cá eu te ajudo a levantar. – Ben disse estendendo sua mão até mim, eu o encarei pensativa por alguns instantes.

– Eu consigo levantar sozinha, não preciso dá tua ajuda. – Falei me levantando rapidamente.

– Ben me olhou com uma cara de desaprovação. – Vem cá, qual é o teu problema, precisa disso tudo. – Me disse ele, enquanto eu me debatia tirando a terra e as folhas da minha roupa.

– O meu problema. – Sarcástica eu respondi. – Você cai em cima de mim, quase me mata, e o problema é meu. – Eu afirmei sem paciência.

– Eu já disse que não te vi, e eu não estou falando disso – Ben afirmou. – Vim andar, fazer parkour um pouco, minha cabeça tá a mil. – Confidenciou ele.

– E tá falando de que, então. – Perguntei me fazendo de desentendida.

– Vem cá, o que você aprendeu morando fora, a ser mal-educada e tratar as pessoas que um dia fizeram parte da tua vida, como se você estivesse em um pedestal acima de tudo. – Ele disse me encarando, enquanto ajeitava o casaco.

– Não, mais seu eu tivesse, você não tem nada a ver com isso, você não tem o direito de falar que sabe alguma coisa da minha vida. – Eu retruquei sem me intimidar.

– Então, pra que isso Anita, bem ou mal a gente faz parte da mesma família. – Ben me afirmou com o olhar perdido.

– De boa, esse é a última desculpa, que não cola, aliás, eu era pra ter ouvido a mamãe e o Ronaldo lá atrás, e nunca ter me envolvido com você. – Eu esbravejei para ele, o encarando.

– E dai, do mesmo jeito iria ser tarde de mais, porque você se apaixonou por mim, muito antes de saber quem eu era. — Disse ele com audácia.

– É, mais eu realmente me arrependo, de não ter escutado eles. – Menti.

– Demorou, mais escutou, não é, fugiu de mim igual uma menininha mimada, tá fugindo agora, fazendo pose pra todo mundo. – Ben afirmou me olhando nos olhos, e eu não pude deixar de ver minhas pernas convalescerem diante da situação.

– Cala a boca, você não sabe de nada, quem você pensa que é, meu mundo não gira em torno do teu, nunca girou. – Eu falei vendo a irritação se instará em mim, e querendo esconder meu incomodo.

– Ai Anita, porque você bagunça, tudo que eu tenho certeza, que não tem mais volta. – Ben me confessou, passando a mão no rosto.

– E eu tenho culpa das tuas loucuras, me deixa em paz tá bom. – Eu disse quase sem voz.

– Eu só acho que a gente não precisa ver as coisas dessa forma, meu pai e a Vera não merecem isso. – Ben argumentou.

Continua: