— Então acho que o endereço é esse. – Anita disse checando mais uma vez a mensagem que Zelândia havia lhe mandado com o endereço detalhado da casa família.

— Nossa, teu pai tem uma mansão no Morumbi, realmente tá mesmo pra entender porque mesmo depois de ter ido pra cadeia ele não aceitava que eu ficasse com você. – Ben disse surpreendido com a fachada do condomínio luxuoso onde Caetano morava atualmente, apanhando o celular de Anita que ela lhe entregava.

— E eu lá ligo pra dinheiro Ben, só se for o meu, suado e do meu trabalho. – Anita deu um meio sorriso, nem um pouco preocupada com a vida que o pai levava enquanto ainda procurava com o olhar um lugar para estacionar o carro.

— Acho que devia né, você ainda pode ser herdeira disso tudo, já pensou. – o rapaz não confiou muito na justificativa de Anita.

— Por mim, Sofia e meu irmão podem ficar com tudo. – a moça ri atenta ao transito. – Eu nunca vim aqui depois que eles mudaram, quando o visitei nas duas outras vezes ele morava numa cobertura ainda. — conta a moça se recordando um pouco dos encontros.

— Ah sim, deixa eu ver onde, nos Jardins, Ibirapuera, Brooklin quem sabe. – Ben pronuncia com certa ironia.

Anita apenas riu. – Olha porque a gente não discute outro assunto hein, sendo sincera, eu nem queria vir até aqui, mais não conta isso pra ninguém, pode pegar mal. – ela admiti parando o carro e se livrando do cinto de segurança em seguida.

— É, eu vivo guardando os teus segredos mesmo, mas melhor você ir, vai chegar na hora do almoço desse jeito. – Ben afirma entre um sorriso. – Não me olha assim Anita, eu não vou subir com você. – o rapaz garantiu imediatamente ao notar o sorriso travesso e convencido dela lhe encarando.

— Mais Ben pensa que ia ser no mínimo engraçado. – Anita diz ainda querendo que ele mudasse de ideia. Talvez fosse pior, só quisesse mesmo uma companhia, alguém que pudesse segurar sua mão e lhe ajudar a enfrentar aquele território incerto.

— Tá bom, agora eu entendi o que você veio fazer no Brasil, além de me enlouquecer, ou de talvez terminar o serviço, você quer mesmo é um vingança completa, vai confessa, que essa tua carinha de boa moça não está me enganando mais. — Ben desceu do carro impaciente com toda insistência dela, e talvez também precisasse de ar fresco, pensou que não seria possível tal acontecido quando viu Anita bater a porta do motorista e ficar ao seu lado, com cara de quem também já perdia a paciência tentando convence-lo de fazer o que ela queria.

— Hum você até que merecia sabia... – Anita o encarou dizendo a sorrir, sorriso esse que terminou numa gargalhada. – Tá bom, olha eu sei que não tenho moral e nem créditos suficientes pra te pedir nada mais é que...

— Não... – Ben disse a interrompendo.

— Tudo bem, ótimo, vamos embora, chegando lá eu minto pra mamãe que eu errei o caminho, quem não tinha ninguém em casa, ou sei lá, tem muito chão pra pensar, sinto que essa visita só vai me desagradar mesmo. – Anita afirmou nervosamente movendo-se para longe dele.

— Que, você tá maluca, você já veio até aqui. – Ben rebateu mal crendo no que ouvia, segurando a mão dela numa tentativa intempestiva de Anita lhe parar.

— Olha seu eu não posso te convencer a entrar comigo, me convencer a ficar você também não vai. – Anita resistiu o olhando séria. – Ben, meu pai não faz muito diferente da minha mãe não, pega no meu pé, reclama da vida que eu levo, vivo dizendo por que eu nunca faço nada como a Sofia, eles devem achar que eu sou uma idiota mal amada mesmo né, cansei tá, não respiro mais o que me faz mal. – a garota revira os olhos justificando sua renuncia.

— O que eu posso te garantir, é que eles estão cegos, a pessoa que está aqui na minha frente não tem nada de superficial e vazia, só que mesmo assim ele continua sendo teu pai, não é, então ignora, o que ele talvez não te diga que no fundo ele sente falta de conviver com você. – Ben tentou tranquilizar Anita de alguma forma, o olhar dela desmentia toda sua segurança e ironia, ela parecia nervosa com a visita de fato.

— Sidney não, você não pode me culpar... – Sofia vinha pela rua conversando cheia de sorrisos com o garoto quando se deparou com algo que ela julgou muito incomum. – Anita, e Ben...

— Ham, Sofia. – Anita respondeu erguendo o olhar com a mesma perplexidade que julgou estar no olhar da loira.

— Você aqui, vocês. – Sofia indagou ainda não compreendendo.

— É, eu vim visitar. – Anita exclamou ainda sob impacto do que responderia a Ben antes de ser interrompida. – Daqui uns dias eu marco minha passagem pra voltar ih, iria acabar não conseguindo ver nosso pai, já que ele não foi na festa da mamãe né. – completou ela, soltando sua mão da de Ben ao notar Sofia olhando para a cena com um ar confuso e questionador.

— Ele vai gostar. – Sofia respondeu mesmo não tendo muita certeza, não queria ser grossa com a irmã, mais sabia o quanto Caetano reclamava das escolhas de Anita.

— Pois é. – Anita afirmou, e por um segundo Ben ao olhar para ela, entendeu o porquê da menina não querer voltar a reencontrar o pai, algo incomodava a moça por isso, algo que talvez só ela mesmo tivesse conhecimento, mas de alguma maneira pensava que os outros também sabiam, por instantes Ben se perguntou em pensamentos quantos segredos passados Anita ainda guardava somente consigo.

— E aí gente que tal nos apresentarmos. – Sidney se aproximou mais dos três brincalhão, parecendo também notar certa tensão entre a loira e Anita, no fundo queria saber mesmo o que estava acontecendo antes dos dois chegarem e porque Ben segurava a mão de Anita, se fosse mais especulador juraria que o antigo amigo estava olhando a garota com um olhar terno e certo clima no ar.

— Tudo bem Sidney, você também mora por aqui agora é. – Anita preferiu esquecer do resto.

— Não, mais eu confesso que venho sempre filar a comida e visitar meu primo quase emprestado que é a coisa mais fofa do mundo. – o rapaz respondeu sorrindo simpaticamente para Anita, e Sofia não parecia muito confortável ainda.

— Surpresa em ver vocês dois aqui Anita. – Sofia acabou perguntando, jamais saberia por que de Ben também estar ali, nunca entendia com clareza quem era a Anita de agora, ela parecia tão desconhecida a seus olhos, tão intimidadora, ela se via confusa.

Anita sorriu muda por um segundo e até mesmo segurou a provocação que estava prestes a lançar. – Ronaldo pediu, cismou que não era seguro eu dirigir sozinha, como se eu precisasse mesmo de proteção, e como se ele se importasse né, imagina Sofia. – disparou ela, Ben e Sidney apenas se olharam como se pensassem a mesma coisa, aquele encontro já começa com fogo.

— Papai também não gosta que eu vá sozinha pro Rio, acho até que ele tem razão, ainda mais você nem conhece direito o trajeto Anita. – Sofia afirmou amigavelmente.

— É, eu sempre perdendo pra irmã caçula. – Anita lhe desafiou com o olhar, se perguntou em pensamentos que diabos de fato ela estava querendo com aquilo. – Mais mesmo assim bobagem, eu sempre me virei sozinha, a julgar que Londres não é do tamanho de um ovo, e eu sobrevivi, acho que já me curei dessa fase, talvez o melhor aprendizado da solidão seja que faz você se virar sozinha. – comentou a moça com um olhar despretensioso.

— Então bora entrar. – Sofia proferiu, mas por um único segundo quis perguntar se Anita estava lhe chamando de covarde por morar com o pai, ter se refugiado e encontrado abrigo em Caetano depois que ninguém da família lhe quis, a loira pensou não ter culpa de não ser como Anita, não era sua culpa, foi a irmã que preferiu seu orgulho do que a ajuda da família, se ela fez diferente ao aceitar a ajuda de Caetano, não era agora que pagaria a conta.

— Bom é, me liga quando você tiver vindo, caso eu não esteja aqui só pra garantir. – informou Ben, mesmo não sabendo se era recomendável deixar Anita sozinha, a moça parecia estar um tanto mais impulsiva naquele momento.

— Que isso Ben, entra com a gente, Zelândia vai adorar te ver. – Sidney convidou mesmo que a casa no fosse sua.

— Ah acho melhor não. – Ben continuou a hesitar.

— Bom agora são dois contra um. – Anita piscou audaciosa para ele.

— E a minha resposta continua sendo não Anita, melhor você ir logo. – Ben afirmou a olhando calmo.

— Ben, não custa vai, pensa que assim você vai ter um ótimo motivo pra nunca mais me fazer um favor. – Anita sugeriu entre um sorriso astuto e Sofia se perguntou qual era o plano da primogênita, acabar com o pai, nem Caetano merecia ser tão afrontado.

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— Anita minha filha amada, até quem enfim você aceitou meu convite. – Caetano respondeu a moça de braços abertos.

— Oi pai, e não exagera tá, eu vim não vim. – ela sorri o abraçando, apesar de tudo tinha carinho por Caetano, ele era seu pai, e de alguma maneira a moça preferiu guardar as boas lembranças da infância, e os poucos momentos saudosos de hoje.

— Veio, mais como demorou hein. – Caetano disse a soltando. – Mais o que, o que... – É isso, Anita explique-se. – Minha filha. – Caetano alegou todo engasgado ao notar Ben logo atrás de Anita.

— Ué minha mãe, não te ligou não, não me deixou vir sozinha, o Ben teve que fazer a caridade né de me acompanhar. – Anita exclamou com um olhar de deboche que só Ben percebeu.

— Mais ele. – Caetano indignou-se com a filha.

— Pai releva, ele só me fez um favor, e depois somos todos da mesma família não, irmãos... – Anita foi dissimulada. – Que importância tem as coisas do passado que você considera bobagens, sem importância, ninguém liga não é isso, vocês nem lembram. – ela usou a insensibilidade de todos ao seu favor.

— Anita, Ben entrem. – Zelândia veio carregando o filho pela mão e disse em plena simpatia.

— O que é isso. – Caetano ainda não se convencia.

— Entrem sim, são bem vindos, vamos ficar em paz. – Zelândia disse taxativa, lançando um olhar de quem ordenava que o marido não lhe contrariasse, Caetano se rendeu abraçando Sofia que com o olhar parecia lhe apoiar, e não entender a sandice de Anita.

— Oi Otávio, você ainda lembra de mim. – Anita questionou se abaixando para falar com o garotinho que timidamente segurava a mão de Zelândia, e fazendo sinal positivo apenas deu um abraço todo terno na irmã mais velha. – Dá última vez que a gente se viu você ainda era bem menorzinho, cresceu hein. — ela disse olhando toda emocionada para o garotinho que só sorria.

— Ontem ele perguntou por você Anita, quando eu tava vendo umas fotos tuas que você postou na praia. – Zelândia revelou, olhando emotiva para o filho.

— Óh trouxe um presente pra você, espero que você goste. – Anita alcançou o embrulho ao garotinho que com as mãozinhas mal conseguia segurar.

— Agradece a mana filho. – Zelândia pediu delicada ao filho.

— Bigada... – o menino resmungou sem jeito voltando a abraçar Anita que sorria.

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— Então Ben, o que você faz da vida. – Caetano perguntou enquanto esperava a mesa do almoço em um silêncio ensurdecedor do sofá com Anita e o rapaz.

— Vive não... – Anita atropelou o pai debochando.

— Particularmente também, mas eu digo o que ele faz, se formou, arrumou um trabalho, ou vive pro nada, fazendo companhia a classe operaria desse país. – Caetano foi explicando altivamente.

— Ué mais ele mora em Nova Iorque. – dessa vez Ben quase não segurou o riso das ironias de Anita ao pai.

— Me falta três períodos pra me formar Caetano, mais eu espero chegar lá sim. – Ben respondeu cordialmente.

— Ah sim e enquanto espera vive de bicos, de garçom, não era o que você mais fazia no Brasil. – ele insistiu em confrontá-lo.

— Quando surge a oportunidade porque não, dinheiro é sempre bem vindo, mais eu estou trabalhando como assistente de produção em uma construtora, o dono é pai de um grande amigo meu. – disse Ben sendo paciente e tentando ignorar o homem.

— Ah ficou mais fácil, assim com certeza. – falou ele com uma pitada de desdém.

— Na verdade não, o Marcelo trabalhava de entregador de documentos com o pai, e quando eu fui fazer a entrevista acho que tinha uns cinquenta candidatos, achei até besteira tentar, mas deu tudo certo. – contou Ben munido de uma paciência que ele nem o reconhecia. – Por fim eu ganhei além de um amigo um ótimo parceiro de trabalho, o Eduardo readmitiu o Marcelo como engenheiro o que foi ótimo pra ele. – alegou.

— Mais e você filha, como vai sua vida, e o namorado, estou curioso para conhecer de vez o ilustre Gustavo, outro dia até descobri que o pai dele já fez negócios com minha empresa, também um empresário renomadíssimo como ele. – Caetano perguntou a Anita que só coçava a cabeça, e via Ben lhe fulminando com o olhar.

— Esqueci. – Anita respondeu atrevida, não deixando nem um pouco Caetano se meter em sua vida, aquela pompa toda com Gustavo era ridícula julgou ela. – E eu não conheço os pais dele totalmente, e quando os vi, achei burgueses demais pra meu padrão de gente simpática. – Anita não deixou de dizer o que pensava. – E agora nem vou os conhecer pai, cansei, eu terminei tudo. – a moça falou toda direta.

— Como assim minha filha, porque isso, um rapaz com gabarito. – ele ficou perplexo com a frieza de Anita.

— É mais não rolou, foi isso pai o namoro subiu no telhado, eu cansei, acabou, coisas da vida não é isso que você diz. – Anita confirma cheia de riso.

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— Um almoço digno de requinte. – Caetano afirmou reunindo a família na mesa.

— Ai que bom to morrendo de fome. – Sidney comemorou.

— Então bom apetite, escargots a todos. – revelou Caetano vendo a empregada trazer os pratos.

— Que diabos é isso. – Anita olhou para a mesa incrédula. – Aquele caramujinho que dá no jardim, é parecido né gente, aquele que a gente cata de brincadeira na infância, e parecido não, tinha muito isso no jardim lá de casa, a gente apostava corrida entre eles. – ela agia com a mesma ironia que parecia ver em Caetano, usando a lembrança desajustada como explicação.

— Eu preferia eles lá viu. – Sidney zombou um pouco, recebendo um cutucão de Sofia.

— Anita, eu juro que ia fazer um peixe pro almoço, mais teu pai você conhece, sempre com manias. – Zelândia ficou envergonhada, já que tinha certeza que Caetano queria mesmo era impressionar, e achar que podia lubridiar a filha e estar humilhando Ben.

— Minha filha, você é uma moça viajada. – Caetano justificou.

— Preferia não ser então. – Anita não se convenceu.

— É de pensar que na América as pessoas se matam por um prato assim, rico tem cada mania mesmo. – disse Ben apenas observando a cena e a cara tonteada de Anita.

— Jura é. – Anita fez cara feia.

— É eu trabalhei em um restaurante há uns dois anos atrás. – ele voltou a contar.

— Eu nem sei comer isso. – Zelândia se estressou.

— Claro que sabe e as aulas de etiqueta meu amor. – Caetano sorri vitorioso.

— Bom eu vou ficar com a salada né, eu ando meio gorda mesmo, melhor vai que tem muitas calorias. – Anita afirmou servindo seu prato apressada. – E se você comer esse negócio, eu juro que eu nunca mais te beijo na minha vida. – a garota cochichou apressada a Ben ao seu lado.

— Nesse caso eu sinto todo prazer em te obedecer se contrariar. – o rapaz brincou de volta.

— Vinho. – Caetano ofereceu.

— Obrigada, mas estamos dirigindo. – Ben tentou recusar cordial. -

— Eu quero, não tenho aula mesmo. – Sofia comemorou já com seu prato servido.

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— Bom à vista é bonita. – Ben trocava algumas palavras com Sidney depois que viu Anita sair com Zelândia.

— Tinha que ter alguma vantagem, morar num lugar desses. – Sidney expressa brincalhão também olhando pela janela.

— Pois é. – Ben concordou meio desatento.

— Sabe Ben, por um momento, eu juro que pensei que... – Ah não, esquece, deixa pra lá. – Sidney recou ao temer estar se metendo demais em um assunto que nem lhe pertencia.

— Fala Sidney, bom apesar dos pesares, eu acho que eu ainda posso te considerar um amigo, espero que você pense o mesmo. – Ben lhe pediu com a face saudosa.

— Claro que sim. – o loiro concordou na hora. – É que por um momento eu jurei que o tempo não tinha passado, lá quando eu vi você e a Anita, lá no fundo mesmo que no olhar de vocês ainda parecia aquele mesmo casal de antes. – ele foi em frente no que revelaria mais se viu com receio.

— Não, que isso. –Benjamim só conseguiu negar sem jeito.

— Bom eu iria ficar feliz, de verdade. – Sidney preferiu não se meter mais. – E relaxa que eu não quero me meter e nem te comprometer de modo algum. – disse o rapaz já se desculpando.

— Não, e nem eu estou querendo mentir a você, ou te recriminar... – Ben quis ser objetivo ao se explicar dessa vez mais não soube novamente. – É ah Sidney... — Enfim é mais complicado do que parece. – ele entregou sem querer esboçando um largo sorriso.

— Espera, espera, que eu conheço esse sorriso de gato de vitrine admirando frango de padaria... – Que dizer você e ela, eu não... – o menino se viu tonteado com o que descobria só pelo olhar de Ben.

— Hahahah, só você mesmo meu amigo. – Ben riu alto das palavras do amigo. – Como eu disse é complicado. – ele não quis confirmar nada. – E eu sei que nem precisa pedir mais, mesmo assim sob hipótese alguma comenta não isso com ninguém não. – ele lhe fez um pedido. – Mesmo que você não tenha certeza de nada claro...

— Pode deixar, pode deixar. – Sidney sorriu satisfeito.

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— Ah menina me desculpa. – uma empregada se assusto totalmente quando derrubou água em Anita quando saia da cozinha.

— Ai não eu, desculpa eu, te atropelei. – Anita riu tentando ajuda-la com a bandeja que quase caia.

— Ai meu deus eu te molhei toda, me desculpa, eu não tive a intenção eu juro, não te vi somente. – ela apanhou um pano aterrorizada com o que havia feito.

— Não imagina, nem molhou tanto assim, e acredita com minha capacidade de agir assim com os outros quase sempre, eu nem posso reclamar. – Anita ficou a secar sua blusa meio a rir de toda preocupação dela.

— Ai não sei o que dizer. – a senhora ficou a repetir consternada com o que havia feito.

— Casa cheia não é. – Anita afirmou a respeito de bando que ocupou a sala, Zelândia havia explicado que eram amigos e empregados de Caetano para uma reunião de trabalho.

— Pois é, aqui é sempre assim. – a mulher confirmou. – Você quer alguma coisa, me fale que eu te levo na sala. – ela pediu.

— Não, é na verdade eu quero, um café, mais só me arruma uma xicara que eu mesma faço, sem problemas. – Anita revelou meio atrapalhada entregando o guardanapo de volta a ela.

— Tá bom, aqui. – ela entregou uma xicara do armário para Anita.

— Eu vou na sala rapidinho tá, qualquer coisa pede pra ela. – a senhora comunicou apontando para uma moça que lavava a louça na pia. – O adoçante, e o açúcar estão sob a mesa. – revelou.

— Ah o açúcar sem dúvida, e pode deixar. – Anita só sorriu de volta.

— Você quer um bolo. – a simpática senhora oferecia quando logo voltou da sala.

— Claro lindo desse jeito, é até pecado recusar. – Anita aceitou na hora, e formiga do jeito que era nem tentaria dizer não mesmo. – Tá maravilhoso, se eu comi melhor foi da minha mãe. – Anita elogiou sem falsidade, o bolo ao que parecia de laranja com chocolate, estava pra lá de divino.

— E o namorado deixou na sala. – ela atreveu-se a perguntar.

— Ah não, ele não é namorado não, aliás, se você dizer isso na frente do meu pai ele entra em colapso na hora. – Anita gargalhou alto da situação, bem que queria ver tal cena, e mal sabia o pai que era tudo verdade.

— Ai você me desculpa, pela intromissão. – preocupou-se a senhora.

— Não tudo certo. – respondeu Anita.

— É irmão, muito pior. – Zelândia brincou com Anita.

— Zelândia. – Anita sorriu sem graça ao ver ela adentrando o local.

— Ai Anita, fico imaginando a cara do teu pai mesmo, e como você, eu adoro ver teu pai sem chão. – a sobrinha de Maura admitiu.

— O que é perigoso às vezes. – ponderou Anita, sabia onde pisava ao menos neste fato. – E eu acho que eu e o Ben além da família, nós tenhamos em comum, dois pares de olhos claros talvez, e melhor que continua assim ou seria um surto coletivo demais pra todos eles, melhor não ser tão dura. – ela pensou.

— Mais que teu pai nem ouça, o Ben continua lindo e vocês ainda formam um casal bonito, ou você é cega. – Zelândia não resistiu.

— Uso óculos, não seja por isso. – Anita fugiu de responder. – E melhor mesmo é deixar o Ben só sendo meu irmão postiço, e filho do meu padrasto, e eu gosto muito de viver sem as broncas que eu tomei no passado acredita. – Anita pensou que o silêncio podia ser mesmo seu caminho para a felicidade. – E obrigada pelo café, mas melhor eu pensar em ir indo, daqui a pouco a noite caí e o caminho é longo até o Rio. – disse Anita.

— Ah já. – Zelândia não se convenceu.

— Sim, infelizmente, mais quem sabe uma outra hora eu não volte. – Anita quis pensar. – Tchau viu e adorei o bolo, muito obrigada. – Anita agradeceu a senhora.

— Que isso nem precisa agradecer. – a senhora respondeu alegre.

— Eu vou com você, o Otávio foi brincar com a Sofia em algum lugar. – Zelândia disse saindo juntamente com Anita.

— Ela é mesmo irmã da Sofia, e filha do Caetano. – a moça que lavava a louça se atreveu a perguntar.

— Muito diferentes as duas, não só fisicamente eu diria. – a senhora concordou também se surpreendendo com a personalidade singela que via em Anita.

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— Ai você tá com pressa. – Anita dizia caminhando pela calçada com Ben.

— Porque, não me diz que você tem outro pai Anita. – Ben questionou brincalhão fazendo cara de apavorado.

— Não, seu idiota. – Anita riu sarcástica dele. – É que eu to com fome, pensei da gente procurar um café por aí pra gente lanchar, e tem uma feira de artesanato que eu to louca pra ver mais é um pouco longe daqui. – Anita sugeriu em tom animado.

— Ué desdenhou do almoço e agora tá com fome gata. – Ben a alfinetou as risadas.

— Ai para tá, eu não vou comer nada, que um dia foi meu amigo de infância, e depois requintado ou não, cada um que faça o que quiser, só sei que eu to fora. – disse Anita vestindo seu casaco.

— Depois eu e que sou o doido princesa. – Ben ria das caras e bocas de Anita, nada contente com o que o pai havia lhe aprontado.

— Hem do que você me chamou. — Anita sorriu surpresa encarando Ben fixamente, que desviou o olhar sem se dar por vencido.

— Nada, saiu sem pensar, e a gente vai aí nesse lugar, mais você vai dirigir. – Ben interrompe o assunto.

— Não eu não, você reclamou a estrada inteira, não parou um segundo quieto, assim eu não aguento. – Anita parou perto do carro a discutir com ele. – E vai dirigir, não quero nem saber esse transito acabou comigo. — ela ordenou falastrona.

— E você queria o que, horas dentro de um carro pra mim cabo né, eu não tenho paciência não. – Ben alegou.

— E eu tenho que ter, muito engraçado. – Anita contrariou emburrada.