Notas iniciais
Mais um, até mais!!!!!!!

Continuação

— Bom dia flor. – Marcelo abordou a menina entrando em casa, repleto de simpatia.

— Hum bom dia, mais o que tá acontecendo com o mundo hoje, já tinha sido chamada de margarida de manhã. – a garota resmungou ironicamente.

— Tua mãe hein, com essa carinha de tranquila. – o garoto meio que compreende do que ela reclamava.

— As piores. – Anita afirmou e os dois riram.

— Como você demorou minha filha. – Vera foi logo reclamando quando viu a menina chegar a cozinha. – Foi fabricar um cartão. – a mulher confronta.

— Pois é quase isso, errei a senha três vezes no caixa. – Anita admitiu se perguntando onde ela andava com sua sanidade.

— Onde você anda com a cabeça Anita. – Meg riu da enrolação da amiga.

— Ou eu já perdi a cabeça mesmo. – Anita mal se defendeu.

— Anita, você lembra de ligar pra Bernadete. – Vera pediu. — Lembro, claro que eu lembro mãe. – por um momento Anita sorriu pela animação da mãe, que saiu para a sala carregando uma bandeja com copos. – E sabe o que eu lembro também, aquele dia que eu fui retirar dinheiro pra pagar o aluguel, eu digitei a senha errada, troquei a senha das duas contas, é eu devo ter perdido minha capacidade de raciocínio no mês passado mesmo né. – Anita se assustou com toda sua desatenção.

— É minha amiga, eu acho que você anda entrando em parafuso desde que recebeu um certo convite. – Meg supôs a encarando com mistério.

— Que convite, posso saber. – Ben questionou com bom humor a abraçando por trás.

— Susto criatura. – Anita afirmou exasperada o olhando, quando distraída pensando na frase da americana viu o rapaz aproximar-se de supetão.

— Realmente você tava bastante concentrada no papo. – Ben só soube dar risada.

— O convite que eu recebi foi da minha mãe, pra essa roubada aqui, que ficou maior do que eu imaginava, satisfeito. – Anita disse meio impaciente, arrancando risadas de Marcelo e Meg que até então só observavam. – Convencido, ou não? – ela perguntou ironicamente o fitando atrás de si com o queixo escorado em seu ombro.

— Sabe, pensando assim, você não foi à única pessoa a achar isso. – Ben afirmou travessamente lhe roubando um beijo.

— Ham ahan... – Anita ficou séria. – Pelo menos em alguma coisa nós concordamos de primeira, já é um avanço. – Anita brincou afastando a mão dele de sua cintura e dando passes até a geladeira.

— Olha amigo, o dia que você acabar com a marra dela, vai ficar tudo certo. – Marcelo zombou do semblante ameno de Ben.

— Nossa me senti agora, a insensível. – Anita voltou o olhar para os três com ar de decepção. – Vem cá dá pros três pararem de rirem da minha cara, perdeu a graça já, parou deu hein. – Anita ordenou em tom de pirraça ao constatar que eles apenas riram ainda mais da situação.

— Será que eu posso saber o motivo de tanta graça. – Vera voltou ao local com um sorriso que era contagiado pelas risadas que escutou.

— Minha cara tem motivo maior. – respondeu Anita com um sorriso irônico. – Deixa eu te ajudar com isso aqui vai. – Anita afirmou a o ver a mãe apanhando uma travessa de legumes.

— Acho melhor a gente parar de rir mesmo. – Meg brincou com a amiga.

— É Meg, eu sou desastrada com uma faca na mão pode ser pior. – Anita riu do fato se disponibilizando a ajudar a mãe a descascar os legumes para o almoço em família.

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— Nossa Anita, mais fazia muito tempo que a gente não se via. – a garota comentou com Anita animadamente.

— E como né, a última vez que a gente se cruzou, tua filhota era uma bebe ainda. – Anita afirmou olhando para a menininha no colo da mãe que sorriu tímida para ela.

— É verdade essa cresce rápido, nunca acreditei nisso até ela nascer. – Larisse concordou.

— Olha mais o Maurício que me desculpa, mais ela é tua cara. – Anita afirmou.

— O Rodrigo diz a mesma coisa. – ela respondeu olhando para a filha com ar de orgulho. – Aliás e o Rodrigo, esse é outro que vocês nunca mais viram. – ela afirmou a respeito do irmão mais novo.

— Olha a última vez que eu vi teu irmão, já fazia uns oito meses que eu tava fora, foi quando eu vim ver o pessoal aqui de bate volta praticamente e o Rodrigo tava lá no Embaixada falando com o Ronaldo quando a gente se viu. – Anita afirmou a respeito da vaga lembrança que tinha do rapaz mal sabendo ao certo quando havia se passado desde.

— Com o Ben eu sei que ela fala bastante. – a garota alegou.

— Ah de vez em quando a gente conversa, ele andou lá em casa ano passado com a namorada. – Ben concordou.

— Eles passaram umas semanas em Nova Yorque mesmo, ele e a Lu tava fazendo um curso em Los Angeles, ele tinha me falado que tinha te visto. – disse ela reforçando. — Eu lembro que, quando a gente morava aqui, você e o Rodrigo sempre foram muito amigos desde moleque, ai minha mãe adorava mexer com você que um dia vocês iriam namorar. – ela riu do fato antigo olhando para Anita.

— Nossa eu ficava morta de vergonha sério, eu arrochava praticamente, ai o Ronaldo naquela época namorava minha mãe, Pedro nem era nascido, nem pensava em existir, ficava botando pilha dizendo que eu nunca podia namorar ele porque a gente era primo, mesmo que postiço, e eu sempre ficava em pânico pra variar, encabulada até o último fio de cabelo como eu sempre fui já viu né, jesus quando tempo tem isso. – Anita riu da lembrança despretensiosa da garota.

— Hahaha Anita, era bem assim mesmo porque eu lembrava. – Larisse acabou achando graça. – Mais agora também nem adianta mais tu querer, ele tava quase casado ,namora a três anos e os dois nem se desgrudam, impressionante. – ela entregou o irmão.

— Engraçado tu fala isso né mina, cunha sempre quis embaçar teus esquemas pra continuar na família. – Luciana não evitou de mexer com a sobrinha pela fato.

— É tia, digamos que de primo postiço, pra irmão postiço realmente é um pouco pior. – Anita respondeu sem corrigir o assunto, olhando de relance para Ben que acabou só retribuindo com um sorriso. – Mais olha só sem estender o assunto, eu nunca tive nada com o Rodrigo tá, éramos duas crianças, e depois que vocês mudaram pra São Paulo, Larisse a gente mal se falava, longe de mim querer estragar o namoro alheio, não quero mais esse papel, apesar de muita gente ter me acusado de ter desempenhado. – ela esclareceu.

— Não imagina, eu nem pensaria isso, e falando parece que faz mais tempo ainda. – Larisse a entender.

— Olha o que eu sei Anita, é que você no mínimo queria muito entrar pra família, não bastava o meu pai como padrasto. – Ben não resistiu em implicar e apenas recebeu dela um sorriso irônico como resposta.

— Ah entendi, quer dizer que o monstro da história, foi sempre eu né. – Anita lhe respondeu sem desviar o olhar. — Ih você não né, era só eu. – ela revidou não deixando a provocação passar.

— É verdade vocês namoraram, nem me toquei disso, e continue falando e falando. – a garota se preocupou com a gafe.

— Que isso relaxa, talvez pra todo mundo aqui, isso ficou mais esquecido do que minha suposta paixão de infância pelo Rodrigo, que nunca foi verídica né, a gente sempre foi amigo mesmo. – Anita não deu importância alguma.

— Ahan, engraçado nisso tudo é que você e o Ben, não chegaram a se cruzar quando criança, é muito doido isso. – ela justificou.

— Algum dia o Ronaldo deve ter se perguntado, se o erro dele não foi esse, ter apresentado a gente antes. – Anita riu tendo certeza que um dia isso passou pela cabeça do padrasto.

— Eu me mudei antes de você virem morar aqui, eu acho. – Ben riu ao concordar.

— Foi sim, a gente morava na Barra ainda naquela época, logo quando minha mãe se separou do meu pai, a gente veio morar aqui mesmo, quando ofereceram um emprego de confeiteira pra ela, ai a gente se mudou, mais você já tinha de mudado pra Florida com a Cícera. – Anita concordou.

— E eu não muito tempo depois pra Niterói, eu lembro que eu nunca quis sair daqui, tinha uns doze anos, e chorei a viagem toda e pra piorar, de lá pra São Paulo. – Larisse lembrou-se com melancolia. — Nossa tempo passa né que loucura, essa aqui já tá com quase seis anos, faz tempo isso hein... – ela falou com certo espanto.

— É mais nem vem que pra se classificar como velha, você ainda tem tempo, a gente é o que, uns três anos de diferença. – Anita riu dela.

— É mais ou menos isso, dessa geração de primos eu sou quase a mais velha, o Rodrigo é o caçula, mais acho que ele ainda é mais velhos que vocês. – a garota disse alegremente.

— Não é não, acho que o Rodrigo é mais novo que eu Larisse. – Ben repensou.

— Eu acho que quando a gente morava aqui, eu era a velha. – Larisse disse rindo.

— Ela tá querendo ser elogiada, só pode. – Anita acabou rindo da garota. – Mais não, o Ben tem razão, o Rodrigo é uns meses mais novo que eu, e o Ben também é uns meses mais velho que eu, mais não dá ano acho.

— E Eu que descobri esses dias que vocês fazem aniversário no mesmo dia. – Marcelo que olhava o celular manifestou-se.

— Dia trinte e um, mais de meses diferentes né Marcelo, a minha mãe faz aniversário dia trinta e um também, mais em outro mês. – Anita tratou de explicar. – E eu realmente espero que em todos os casos seja só uma coincidência. – Anita ri.

— Bom gente eu vou ali dar mais uma filada no churrasco, e eu vou deixar vocês a vontade pra recordar o passado, vai que rola também uns Flash backs aí, sintam-se a vontade. – Luciana foi saindo respondendo bem humorada a todos.

— To bom Lu, não bebe muito só. — sugeriu Ben.

— E tu para de tentar embebedar a outra ai. – Luciana não deixou barato, apontando para o copo que Anita entregava novamente a Ben.

— Hahaha, fica fria tia Lu, eu não caio mais nesse truque. – Anita não conseguiu ignorar a brincadeira da tia.

— Essa Luciana. – Meg que até então só ouvia a conversa não conseguiu parar de rir alto.

— Não muda, fico me perguntando como vai ser, tia Lu na velhice, doida desse jeito. – Anita afirmou, percebendo que a tia nunca perdia uma oportunidade se quer.

— Não mais, eu ouvi gente falando pro Ronaldo, que o Ben tava te dando cerveja mesmo Anita. – Marcelo contou a garota.

— O Vitor, é Marcelo. – Anita supôs.

— Adiante eu te negar. – o garoto respondeu.

— Ele tá me tirando há dias, não sei qual o problema dele comigo, mais eu vou acabar descascando ele, não sou muito de escutar muito e fingir que não ouvi nada. – Anita já via-se perdendo a paciência por completo com o garoto.

— Pior Anita, se eu não conhecesse eu ia dizer que é ciúmes de você, sabe mais do que. – Meg disse também meio indignada com a forma que o garoto parecia querer interferir na vida de Anita.

— Não Meg é pior do que isso, a pessoa acha que pode me mandar. – Anita disse demonstrando impaciência. – Parece que esqueceu que eu faço o que eu quero, e ele que vá ficar na dele... – Anita julgou que teria que ter uma conversa definitiva e clara com o irmão.

— É melhor nem da bola gente esquece. – Meg aconselhou.

— Isso vai acabar em tragédia ainda, e vocês dois ai com essa cara de que não tão entendendo nada, eu morro com vocês. – Marcelo julgou realmente preocupado com a situação de ambos.

— Estou zem, só não sei até quando. – Anita quis garantir. – Né pequena. – Anita sorriu fazendo um carinho no rosto da garotinha no colo da mãe.

— Tá é ficando louca de sono. – Larisse previu olhando para a filha.

— To não. – a menininha resmungou sussurrando.

— E a faculdade Anita, firme e forte. – ela indagou.

— Olha Larisse, eu diria que mais firme do que forte, porque realmente tem dias que eu acho que vou largar, trancar não sei, porque fica complicado de dar conta. – Anita confessa um pouco de sua exaustão.

— Ai duas, eu to no terceiro ano, mais tá puxado, ainda mais por ter parado uns anos né, porque essa dessa aqui, imagina eu com 19 anos grávida, minha mãe quase surtou. – a garota confessou.

— Acredita de um jeito ou outro elas sempre surtam, a minha é porque eu moro fora, não ligo, de cinco em cinco minutos, não visito meus parentes, não dou notícias enfim. – Anita comenta risonha. — Gente a culpa também as vezes não é minha, minha mãe não entende que muitas vezes o único tempo e pouco ainda que me sobra é pra dormir e olhe lá. – Anita admite.

— É mais você vai se formar antes de mim ainda, vai ter que me dar umas dicas de mercado futura arquiteta. – Larisse brincou.

— Ué viramos sócias que tal. – Anita propõe.

— É, quem sabe, eu sou apaixonada por arquitetura mais conciliar tudo é puxado. – ela não discorda. – Mais no geral não me arrependo não, sou louca por esse aqui, e pelo pai dela, e o Mauricio sempre me apoiou então, valeu muito a pena sacrifício, apesar dos dilemas. – ela diz olhando sorridente para a filha.

— E nem deve, você tem uma família linda, o resto se ajeita. – Anita elogiou. – Até porque felicidade varia muito né, tem muita gente que trocaria de lugar com você sem medo, só pra ter visto uma história de amor assim dar tão certo. – ela disse.

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— Ben. – Anita surgiu de relance na porta. – Acho que não né, to te atrapalhando, eu vou volto depois. – ela riu com ar de diversão pensando em se retirar novamente.

— Ah não faça isso. – o rapaz se levantou da cama soltando o notebook e caminhando ligeiramente até ela. – Você tá intimada a ficar, e aliás, eu nem lembro mais o que eu tava fazendo mesmo. – o rapaz brinca, a fazendo sorrir com ironia em sua direção.

— Sei. – Anita sorriu brincalhona, fugindo do beijo saudoso que recebeu.

— Achei que você tinha ido pra praia com o pessoal. – afirmou Ben curiosamente.

— É, pois é... – Mais eu suponho que o Vitor não estava estendendo o convite a mim quando convidou todo mundo, e depois eu não tava muito a fim mesmo. – ela esclareceu indo sentar a cama dele.

— Digamos que algo diz a ele que tem alguma coisa errada. – Ben cogitou voltando sua atenção para ela.

— Nesse caso o erro é nosso. – Anita especulou com ar de deboche, sentando sob a cama com as pernas cruzadas. – Na verdade acho que foi um pouco pior do que isso. – a garota se vê confessando.

— Do que você tá falando Anita. – Ben questionou com expressão séria, se acomodando a ponta do colchão ao seu lado. – A Meg me disse que a Vera, bom...

— Sei lá, acho que esse retrato de família feliz me fez ficar de fora. – Anita afirmou vagamente. – E óbvio que assim a bronca da minha mãe, ficou bem mais coercitiva na minha cabeça. – ela revelou a respeito do papo com Vera pela manhã. – Será que eu mudei tanto assim, e pior, nem percebo, no fundo eu sou exatamente aquilo que minha mãe pensa, alguém mimada, rancorosa e tão egoísta a ponto que, só pensa em si. – Anita especulou, com vez decepcionada.

— E porque isso te preocupa tanto hein. – Ben a questiona.

— Não, não tem muito a ver com preocupação, talvez chateação. – Anita respondeu com um suspiro que em parte desaprovava seus pensamentos. – Eu só queria que ela me entendesse, e talvez me apoiasse, não né, estou sendo ilusória demais. – ela repensa entre um sorriso de descaso. – Ou pior, é só os pensamentos de alguém medrosa, ou é besteira da minha cabeça... – ela repensou, e Ben só a fitava calado.

— Olha, acho que nem uma coisa e nem outra. – ele afirmou indo sentar ao seu lado. – Você tá longe de ser uma pessoa medrosa Anita, e se no fundo você se sente chateada de alguma forma com a Vera você tem teus motivos, e eu não diria que é somente pirraça porque você nunca foi disso. – falou o rapaz com um meio sorriso.

— Aquilo que você sente falta quando está longe, e aí de repente também descobre que estar perto não é nada fácil. – a garota acabou rindo de suas confusões. – Ai uma dura confusão e uma total realidade. – Anita proferiu um pouco exausta de seus dilemas. – Ah Ben, porque eu tenho que complicar tudo bilhão de vezes mais hein, sendo o pior, eu acabo fazendo isso porque no fundo eu não quero magoar minha mãe... – Anita confessou em tom exaustivo jogando-se para trás na cama.

— Sabe o que eu acho. – Ben indagou com um ar sorridente, esgueirando-se até ela.

— Que? – Que eu precise de terapia, tá talvez eu devesse tentar, quem sabe. – Anita levantou o olhar a ele afirmando em um misto de ironia e deboche.

— Não. – Ben riu negando distribuindo beijos em seu rosto. — Mais consequentemente, você fica tão mais linda com essa carinha preocupada, esse biquinho, e essa ruguinha bem aqui. – ele afirmou a beijando.

— Ah é, pois só pra você saber eu fico com um péssimo mau humor, quando estou assim também. – Anita afastou o rosto dele, mas riu. – Você tá zoando com mina cara, só que eu to tensa de verdade com isso, poxa brigar é o fim não é, você nem pode dizer que tem razão, não antes de se sentir insuportável por isso. – ela expôs abrupta.

— E quem disse que eu ligo, hein. – Ben sorriu debochando da colocação dela.

— Pois devia. – Anita deu risada, enquanto ele lhe beijava o pescoço. – Nesse caso eu posso ser mais do que detestável, e olha não é uma forma deu conseguir que você diga o contrario, estou sendo realista mesmo. – Anita não rendeu-se.

— Ah Anita. – Ben riu dela, demonstrando falta de interesse no assunto, apenas a contemplando em um beijo.

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— Hum é. – Anita fugiu dele se erguendo. — Você devia atender. — ela disse com um olhar de provocação.

— O que hein. – Ben afastou seu celular, nem se disponibilizando a checar quem era.

— Eu falei alguma coisa, apenas disse que deixar as pessoas te ligando e sem resposta, não é educado, né. – Anita respondeu travessamente.

— E eu falei alguma outra coisa que não fosse isso. – rebateu ele. – Vamos fazer o seguinte, dar uma volta, não é chega de ficar trancado nessa casa. – o rapaz convidou.

— Porque não né. – Anita o fuzilou com o olhar ao perceber sua intenção de fugir do papo. – Eu vou só responder um e-mail de trabalho, que eu acabei de lembrar que eu não poderia ter esquecido, cinco minutos. – Anita caminhou até a posta rindo da expressão desapontada de Ben. – Mais óh, eu acho assim, que você deveria ligar pra ela, afinal te apostaria meu salario de um mês inteiro, que com certeza era tua ex-namorada... – Ou tua namorada te ligando pela milésima vez né... – alfinetou ela debochada.

— Anita. – Ben quis intercepta-la contrariado pela provocação, ao processar o que a garota lhe dizia.

— Nem vem, porque a errada não sou eu. – ela gritou em meio as gargalhadas, correndo pelo corredor em direção a seu quarto.

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— Anita vai dormir. – Meg quis saber depois que notou Anita retornando a cozinha.

— Seu te falar que não sei. – Anita se viu com pouco sono para o feito. — Mais vou dormir por aqui hoje né, ou minha mãe amanhã tem outro surto. – imaginou ela.

— Hahaha, ela tava bem furiosa com você. – a loira acabou achando engraçado o semblante de Anita enquanto afirmava.

— Nossa. – Me deu maior sermão. – a garota não esconde.

— Mãe é assim Anita, você não imagina o que eu já ouvi da minha. – Larisse afirma.

— Elas não reformam o discurso nunca. – Anita brincou, mesmo percebendo que o fato era verídico.

— Mais o que houve pra Vera ficar tão irada, porque eu vejo ela sempre tão calma. – a garota pergunta despretensiosa.

— Detalhe minha cara, só acho. – Anita se viu rindo de sua situação. – Não, eu não dormi aqui ontem aí ela ficou furiosa somente. – ela acabou não escondendo o fato da prima postiça.

— E nem disse a ela onde estava e com quem. – Meg foi provocando a amiga brincalhona.

— Devia ter dito, não tenho cinco anos né. – Anita retruca fingindo cara de dúvida, olhando para a loira escorada a pia.

— Namorado. – Larisse quis entender.

— Não, quer dizer. – Anita ficou confusa diante do que tentava explicar e acabou rindo de si mesma. — Na verdade eu to enrolada, namorado virou ex, mais aí que o ex virou namorado . – ela ainda ria enquanto falava ajeitando os cabelos. — Não, é melhor eu não explicar... – ela cogitou.

— Ai até me desculpa, tua mãe disse que você tava namorando por isso que eu disse. – a outra garota justifica não querendo que Anita a julgasse como intrometida.

— Não imagina, de boa. – Anita apanhou um copo com suco mal ligando. — Terminei com ele, enfim, mais acabou que eu nem falei com a dona Vera ainda, mais um surto. – prevê Anita já imaginando o interrogatório cheio de “porquês” da mãe.

— É né só tem um detalhe enrolado nisso. – Meg afirma sorridente.

— Não, não tem Meg. – Anita contrariou pausadamente. – Não existe possibilidade qualquer deu ser submissa ao o que eu sei que minha mãe pensa disso. – diz garantindo que nada mudaria o que ela e Benjamin já viviam sem ninguém desconfiar.

— Vem cá alguém me explica o que aconteceu com a Giovana, me pentelhou o dia inteiro pra me mostrar uma música, e agora está lá no quarto completamente fora do mundo real, acho que ela nem ouviu o que eu disse a ela. – Ben veio até a cozinha um tanto receoso com o comportamento da irmã.

— Ih coisa séria. – Meg proferiu, mas não sabendo se deveria falar, apenas deixando Ben a fitando confusamente pedindo com o olhar que ela dissesse logo.

— Não Ben é que, ela brigou com o Júnior, parece que o namoro dela com ele, subiu no telhado, acho que terminaram. – Anita acabou compartilhando o que foi contado pela ruivinha.

— Tá, mais então porque ela tá tão chateada, quando os dois terminam existe um término, então ela também assentiu, exatamente porque ela também deve ter concordado. – respondeu ele.

— Não, acho que eles brigaram, e ela só concordou meio que por pirraça gente. – Meg afirma chateada pela menina.

— Ou pra não admitir que não queria. – supôs Anita, ao menos foi o que o discurso de Giovana lhe fez pensar.

— Ai Anita to com pena dela, vai lá falar com ela vai, ela tá precisando de alguém. – Meg imaginou, entre gestos afoitos.

— Eu, bom no mínimo ela vai dizer que eu não tenho moral alguma pra falar, na idade dela eu quebrei a cara muito mais. – Anita não achou que tivesse algo a dizer que ajudava a menina, e talvez Giovana nem quisesse seus concelhos. — E gente na boa quem sou eu pra dar concelhos, minha fila de relações naufragadas com certeza me condenam e muito. – julgou. – Na verdade é que tem um momento da vida que a gente descobre que tudo passa né gente, mais dizer isso pra quem está sofrendo por uma relação não adianta, ainda mais pra uma menina 16 17 anos. – disse Anita ciente de que não estava sendo leviana. – E depois eu nem sei muita coisa da relação dela com o Júnior né.

— Ah não, Anita a Giovana chega a te ligar na madrugada pra falar desse namoro, vocês sempre foram ligadas, e isso não mudo não, até vai que você não queira muito se meter. – Meg achou que a amiga estava sendo movida por modéstia e agindo cautelosamente a cerca do apresso enorme que a ruiva tinha por si. – Na real se meter nessas horas, dependo da pessoa é bom nem ouvir, você acaba é pior, não que eu ache que esse seja o caso. – fala ela tendo consciência de que era uma decisão delicada mesmo.

— Não gente eu sei, eu adoro a Giovana, ela sempre vai ser minha irmã, minha irmãzinha do coração, mesmo com a minha distância isso não mudou, mas... argumenta Anita dando total razão a estrangeira. – Meg pensa comigo, o que eu diria que a ajudaria, se eu for bancar a racional e sensata vou deixar a menina é pior né. – ela afirma. — Não vou dizer pra ela que os dois vão se acertar e amanhã vão serem plenamente felizes, e blá blá, aí eu estaria mentindo, o que nesse caso pode ser pior. – Anita diz falastrona. — E fora que a relação perfeita não existe, ou alguém estraga de fora, ou você estraga, ou o outro, os dois, se declarar amando alguém as vezes pode ser o pior erro que eu ser humano comete, infelizmente é isso, construir uma relação e ainda mais que seja duradoura não é fácil e quase sempre também não é um mar de rosas. – afirmou ela.

— Não gente, ai Anita. – Meg ri mesmo sem querer.

— Ah o que Meg, vai me dizer que você acha que eu to errada, às vezes a gente se ilude mesmo, cria expectativas onde nem deveria, desenha o sonho da felicidade que nunca acaba, faz um monte de plano, ai depois acaba no fundo do poço, e ainda pior sofre, sofre, às vezes na primeira oportunidade continua achando que tem concertando e insistindo, insistindo, pior é que acontece ué. – Anita ri do jeito sisudo da loira... – Se apaixonar nem sempre é um ato sensato fazer o que...

— Não Ben, por favor, aproveita que você tá mais próximo dela, e da na cara dela, pra vê se a pessoa para de olhar tudo de um ângulo tão cômodo. – Meg sugeriu sorrindo, arrancando risadas do rapaz.

— Porque você não se vê com coragem. – Anita brinca rindo com malicia para a amiga.

— Não eu nada. – Meg se defende prontamente. – Você é que tem demais, como a pessoa fica com alguém e diz na cara dela que gostar de alguém é uma burrada total. – a americana justifica sem segurar o riso.

— Meg ter essa certeza não me torna uma incapaz, até porque ser feliz ainda vale a pena. – Anita respondeu sem perder a calma. — E talvez eu seja ciente disso, porque no fundo eu também sei que eu sou intensa o suficiente pra não conseguir por isso em prática totalmente, eu não sei ser nada pela metade, quando eu não quero, não quero e ponto... – Mais quando minha resposta é sim pra qualquer coisa na minha vida, é porque eu estou consciente do que eu estou fazendo, assim como sou plenamente responsável pelas consequências, o que nem sempre pode ser bom mas... – ela disse, pensando que mais uma vez estaria numa bela sinuca de bico.

— Não na boa, essa tua maturidade às vezes me assusta, por isso que os caras correm de você, quando você na dá a mínima pra insistência deles. – Meg fez graça.

— Nossa tem uma fila da porta da nossa casa até o campus da faculdade né. — Anita não aprovou o exagero da amiga. – E olha só quando você fizer uma panela de brigadeiro, e vir me contar da tuas desilusões pode deixar, vou mandar você procurar um psicólogo tá. – Anita agiu com implicância a loira. — Não eu que não mereço depois ouvir isso aqui, que eu sou exagerada total. – alegou ela, deixando Meg com ar sério.

— Anita vai falar coma Giovana e para. – Meg quis safar-se.

— Nem tenta sair pela tangente. – Anita não aceitou a tentativa dela.

— Tá entendi hoje você tem outras prioridades, alias eu também. – Meg riu desconcertada percebendo que era melhor deixar as implicâncias de lado. – E melhor mesmo é eu parar antes que eu apanhe. – a estrangeira brincou.

— Meg eu ti amo, mesmo você não merecendo às vezes. – Anita garantiu apanhando um copo com água. – Vou ver se ela me atende. – Anita se disponibilizou a falar com Giovana.

— E você não me olha assim, cobra dela depois ué. – Meg quis se desculpar com Ben, que a fitava com certo ar de mistério.

— Olha eu diria que eu já estou ferrado o suficiente pra isso. – Ben só riu do semblante aflito da garota.

— Olha você e a Anita... – a loira hesitou por um segundo, olhando ara Larisse que parecia sorrir brincalhona diante de todo nervoso dela. – Se merecem, ponto, pronto falei, se merecem, mesmo nunca pensei que eu fosse concordar tanto com isso... – ela afirmou meio impaciente, diante de um Ben despreocupado que sorria maneando a cabeça negativamente. – Você não acha. — a loira estendeu a pergunta a outra garota.

— Olha eu... – Larisse riu apenas por segundos. – O que eu sei, é que essa história já rendeu um pouco, se ouviu falar né, agora quem tem que responder se ainda rende mais ainda é você Ben. – ela perguntou com a expressão brincalhona.

— Me abstenho, posso. – Ben fugiu de uma resposta concreta. – Ou quem sabe vocês estão certas, eu sou o último inconsequente do mundo, a Anita é a penúltima, logo ambos nos merecemos por isso. – ele disse com mistério.

— Gio, Giovana abre a porta, sou eu. – Anita insistiu com a ruivinha.

— O que você quer hein. – a menina atendeu o pedido dela, mas a questionou sem vontade.

— Olha eu sei que você tá chateada, mais... – Anita sentou a cama dela ao seu lado tentando agira com tranquilidade.

— Eu to é com raiva Anita. – Giovana admitiu seu mau humor.

— Olha eu sei que eu não posso ser muito boa nisso, e também se concelho fosse tão bom como dizem por aí, a gente vendia e não dava. – ela afirmou em tom paciente. – Mais conversa com o Júnior antes qualquer coisa conversa com ele, só com ele, e não fica assim desse jeito também, afinal problemas e tristezas vem e vão na vida da gente, e por mais que nós sempre nos pegamos tentando evitar, muitas não dá, faz parte do viver, do amadurecer as coisas são assim. – ela quis garantir deixando a mais nova com a face pensativa.

— Será. – Giovana proferiu desconfiada.

— Você ainda vai ver. – sorri Anita. – Agora vem cá, minha pequena, e desmancha essa cara amarrada, por favor. – Anita pediu com um ar divertido lhe dando um abraço bastante apertado.