Encontros
1 Capítulo 1
Lyan
Mais uma manhã seguida de caça, odeio acordar cedo, caçadores não precisam dessa baboseira de escola, por mim estaria cruzando o pais atrás das bestas para exterminá-las. Eu divido meu quarto com meu melhor amigo Peter, desde momento que ele descobriu meu segredo ele foi obrigado a viver comigo, pobre Pet, poderia ter sido mais cuidadoso ao sair com uma visitante da cidade, mal sabia ele que a noite ia terminar com ela tentando estraçalhar sua jugular.
E agora temos mais uma companhia, a Ivy, ela se diz uma serva da linhagem da minha família, meu pau parece confiar, então confio também, mas com um pouco de receio, afinal ela também é um ser das sombras. Ela e meu pai acreditam que vão encontrar uma cura para o que eu sou agora, tudo graças a aquela noite, a noite que me afastei por um segundo do mundo e nesse tempinho a sobra do ninho que destrui na noite passada, antes de morrer ela fez questão de acabar comigo.
Agora estou vivendo no porão da escola durante os dias e quando a noite cai, e a escola fica vazia eu me escondo nas sombras da biblioteca, é lá que eu encontro a Ivy, ela tem roubado bolsas de sangue para mim. No fundo eu sei que essa cura não existe, mas não quero acabar com as esperanças dela e do meu pai, ele prometeu não contar nada disso para a família, ou seria uma coisa difícil de lidar.
_Ivy, eu vi nesses livros que você, sua espécie, só aparece da forma que mais precisamos, sei lá de uma forma mais aceitável, uma que não desconfiem de nós.
_Sim isso é verdade, quando estou próxima de mais de humanos que não são como você, eu fico mais parecida com os monstros, e quando estou mais perto de você eu fico normal, como se realmente fosse humana, tirando o fato de aos olhos deles eu envelheço junto deles, é a névoa para proteger o que você realmente vê que é eu parada no tempo, sem envelhecer, a menos que eu me apaixone, ai a névoa se torna real.
_Então, o que a sociedade diz que você seja para mim?
_Na festa da Kar você vai descobrir.
_O que? Com tudo o que aconteceu eu me esqueci disso, mas eu não posso vou matar todos.
_Não vai, por que eu estarei ao seu lado cuidando de você, e Peter está preocupado com o seu sumiço, ele acha que é pela festa. Prove que não é pela festa, e diga a verdade ao seu único amigo.
_Sim eu vou, mas você virá comigo, como minha companheira.
_Sim
Ela veio comigo e nem reclamou, eu tive que passar maquiagem para esconder todas aquelas olheiras, mas estava odiando cada segundo daquela coisa na minha cara, se bem que era por um bom motivo, era pelo Peter, meu único amigo, o único que em vida se preocupou comigo, e o único que seria meu amigo mesmo se eu fosse o pior monstro de todos.
Assim que chegamo-la me olhou, deu uma ajeitada no meu cabelo e me puxou para dentro da festa, ou pelo menos tentou, havia um detalhe que impediu o fato de eu ser proibido entrar na casa sem um convite do dono da casa, então enquanto ela entrava eu dei a volta e entrei pulando o muro ficando apenas no quintal, ficou esperando que Ivy me encontrasse na beira da piscina, mas a Kar me encontrou antes.
_Onde foi que você se meteu mocinho? Você desaparece e não da nenhuma noticia a mim e nem ao seu amigo? Qual é o seu problema?
_Cadê ele?
_Me responda antes!
_Não interessa a você o que eu estou passando, pode chamar ele?
_É assim que vai me tratar agora? Não vou chamar ele, vá você mesmo atrás dele.
_Sabe você já esta me irritando Karlly, e não quero que o meu amigo me odeie por eu ter matado a namorada vagaba dele, mas se não chama-lo agora haverá consequências._ eu não percebi, mas ela sim, meus olhos passaram de aqua para branco, e pude ver o medo tomando o corpo daquela pobre garotinha irritante, então tive que hipnotizá-la._ Olha Kar, chama o Peter, e diga para ele me encontrar na ponte da cidade, diga que eu passei aqui e te dei um lindo presente, eu até te apresentei minha namorada Ivy. E pare de se meter na vida de todos da escola, agora vá.
Ela foi sem questionar, foi mais fácil do que eu esperava então finalmente Ivy me encontrou e saímos dali, direto para a ponte, fomos conversando no caminho.
_Eu quase a matei ali na frente de todo mundo.
_Fico feliz por ter se controlado, seria um estrago e tanto. Morrer na festa de 17 anos, que terror. Prometa que vai amar alguém humana e normal, não quero ter que abandonar minha juventude.
_Eu só disse aqui para ser mais aceitável, tive que hipnotizar ou eu a mataria. Agora vou poder conversar com ele em um lugar mais tranquilo, sem pessoas a minha volta para eu querer matar.
_Ei se você estiver com fome pode beber de mim.
_Eu drenaria sua vida inteira em menos de um segundo, se o seu cheiro já me do prazer em fazer isso, imagina o seu sabor.
_O meu o que?
_Opa, falei de mais... Bem, vamos, já estamos quase lá.
Ele já estava lá esperando na ponte, não sei como pode chegar tão rápido se ele nem tem carro, achei meio estranho ele estar carregando com ele uma shotgun, e também estranho da Ivy se por a minha frente.
_Sai da frente dele Ivy, quero ter que gastar apenas uma bala no coração dele. É eu sei bem o que você virou cara, eu vi você quase matar e depois hipnotizar minha namorada, eu vi você no porão da escola. Se você não me contou por achar que eu n iria aceitar isso, bem você acertou na mosca, você me treinou para isso, lembra?
_Para Peter, você não é assim, você não é um caçador, e mesmo que ele seja uma das criaturas que ele caçou a vida toda, você nunca vai odia-lo mais do que ele já odeie a si mesmo, por ter se desligado do mundo e por este momento de desvio ter sido atacado por um fugitivo da vida que ele destruiu, na ultima caçada que ele fez. Acha que ta sendo fácil para ele? Não sair durante o dia, ter que lutar contra si mesmo para controlar os instintos, com tanto cheiro de sangue de jovens na escola, o único lugar que ele pode entrar sem que tenha sido convidado.
_Agora amigo você sabe, que tal abaixar essa arma? _ senti o forte cheiro de sangue da Ivy, ela havia se cortado, e seu braço estava a centímetros da minha boca, ela queria e eu também, ali na frente dele eu a bebi.
_Não faça nada Peter, meu sangue é a única forma dele se controlar, não sou humana, mas de algum modo é o meu sangue que o torna mais humano e o afasta dos instintos, por algum tempo, mas tempo o suficiente para vocês conversarem.
_Como descobriu isso Ivy?
_Quando ele quase me matou, na sua primeira noite como vampiro, e eu me arrisquei a invadir o muro que ele montou ao redor de si, em uma parte ele perdeu as presas, e mesmo que ainda bebesse de mim, seus olhos estavam aqua novamente, e ele me olhou com uma cara de porque estava fazendo aquilo comigo, e reclamou de estar com fome de ter que comer milhões de hamburguês, então está fazendo uns testes com o meu sangue para encontrar uma cura para ele.
Eu já tinha bebido o suficiente dela, e então Ivy foi andando para um pouco mais longe de nós, pudemos conversar sobre muitas coisas, acho que foi depois dessa noite que realmente nos tornamos irmão, mas não de sangue, simplesmente irmãos. É a única noite que eu me lembro dos poucos minutos que eu tive como humano, o tempo foi apagando minha memória, mas esta foi à única que restou para mim.
Eu estou seguindo com a Ivy para outra cidade, é uma cidade de crimes, uma cidade que eu posso ser quem eu sou agora, e para trás deixei a cidade em que vivi parte da minha vida, deixei também um irmão, que um dia talvez eu possa voltar a vê-lo.
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