Encontros
9 Irélia
Notas iniciais
Lucy estava parada no centro do salão, olhando fixamente para o trono de ouro a sua frente, lembrando-se da primeira vez que vira Kyrio, seus olhos bicolores a atraíram mais que qualquer outra coisa naquele enorme salão, ele a olhava frio e calculista, com certo olhar de superioridade que a fez ter vontade de arrancar sua cabeça fora, não que estivesse gostando dele agora. Ela o odiava, odiava tudo relacionado a ele! Mas ele era tão legal às vezes, tão bruto, tão carinho, tão asqueroso!
Seus pensamentos foram interrompidos pelo movimento da porta logo atrás do trono ser aberta, e de lá sair Kyrio, com o mesmo semblante autoritário e superior. Ele estava usando uma armadura leve, muito parecida com a dela, pela primeira vez usava os cabelos presos num rabo de cavalo alto, parecia uma menina, foi a primeira coisa que Lucy pensou ao vê-lo entrar, soltou uma gargalhada com esse pensamento e o deixou confuso.
-O que foi agora Lucy?
-Nada! Garcinha.
Ele arqueou a sobrancelha um tanto confuso com o comentário dela. Deu um empurrão na mesma para que ela o seguisse, eles passaram pelo portão do palácio, e pararam diante de alguns guardas que ficavam parados na frente do portão. Um deles se dirigiu até Kyrio com uma leve reverencia de cabeça.
-Senhor?
-Dois cavalos. Rápido.
Kyrio tinha o tom autoritário na voz, o que irritou Lucy, ela não gostava de ouvir esse tom das pessoas, ela deu um leve resmungo e observou o guarda se distanciar o mais rápido que podia, o que não era muito por usar armaduras pesadas, logo em seguida voltou puxando dois cavalos negros. Kyrio montou no primeiro e esperou que Lucy fizesse o mesmo com tal facilidade, engano dele, ela se atrapalhou muito para subir e quando o cavalo deu o primeiro galope ela começou a gritar desesperada e se agarrou nas crinas do mesmo. E a cada passo que o cavalo dava ela gritava mais ainda. Kyrio desceu do cavalo rindo e ajudou a descer.
-Qual o problema Lucy?
-Não gosto desse bicho ai!
-E por quê? É um dos melhores cavalos que temos por aqui.
-Não gosto de cavalos.
-Como pretende ir até a cidade então, Lucy?
-Sei lá! Mas não vou nessa coisa!
Kyrio subiu no cavalo e fez algum sinal para o guarda que trouxera os cavalos, chamou Lucy para perto de si, e quando ela foi o guarda a agarrou pela cintura e a levantou, Kyrio a pegou e a colocou a frente dele, a segurando com firmeza entre seus braços. Lucy deu um grito e se agarrou nas crinas do cavalo novamente. Os dois riram e Kyrio se despediu do guarda com um aceno, seguiram em direção à cidade, sem trocarem nenhuma palavra, Lucy apenas gritava e escondia o rosto.
Mais ou menos uma hora depois eles estavam entrando na cidade, deixaram o cavalo com um dos guardas do portão e Kyrio a ajudou a descer do cavalo, Lucy cambaleou um pouco, desacostumada com o ritmo do cavalo.
-Por que fez isso!!
-Tinha que fazer Lucy, eu não creio que tenha medo de cavalos.
-Não tenho medo! Não tenho medo de nada!
-Se você diz...
Ao terminar de dizer isso um aldeão apareceu correndo em sua direção, o segurou pela armadura e balançou seu corpo, parecia desesperado, tentava pedir ajuda, mas sua respiração estava ofegante e suas palavras não saiam da boca. Kyrio o segurou pelos braços e mandou que se acalmasse, levou ele para dentro da cidade.
Após alguns minutos o homem começou a falar.
-Atacaram minha casa... Levaram minha filha... Minha filha pequena! Minha amada filha!
-Quem? Quem levou sua filha?
-Eram homens, três ou quatro homens, vestindo roupas pretas e... E tinha uma mulher! Uma mulher loira e... E ela mandava em todos eles. Disse que só devolveria minha filha se vocês fossem busca-la! Por favor. Eu imploro que salvem minha filha!
-Onde eles estão você sabe?
-Não, eu não sei!
Kyrio pareceu um pouco pensativo, de repente certa luz iluminou seu rosto e ele suspirou.
-Não se preocupe, sei quem é o responsável pelos ataques, e logo trarei sua filha de volta.
Ele se levantou deixando os guardas cuidarem do homem desesperado. Andou até a floresta ignorando todos os chamados de Lucy. Ela se irritou, segurou o braço dele e o puxou para trás.
-Kyrio, o que foi? Diga-me o que sabe, achei que estávamos juntos aqui.
Ele suspirou cansado. Virou-se de costas para ela e continuou a andar, dessa vez um pouco mais devagar para que ela o acompanhasse, e começou a falar:
-Tem certa mulher que vive rondando nossas terras, ela é uma inimiga, já a prendemos inúmeras vezes, mas não sabemos como ela consegue fugir, antes mesmo de ser executada. Ela é subordinada da rainha de Irélia, o nosso principal inimigo. Tenho certeza que foi ela quem pegou a criança, e tenho quase certeza de que está no chalé no topo da montanha, um curandeiro mora lá, é um velho repugnante que vive tentando causar problemas, mas os guardas da cidade conseguem controla-lo, agora que Yves resolveu se aliar a ele os problemas podem ficar um pouco maiores.
-Posso mata-la dessa vez? Assim para de causar incômodos.
-Não é assim tão simples Lucy, ela é perita na arte de escapar, pode ser um pouco mais difícil do que parece.
-Pare de ser medroso Kyrio!
-Diz à menina que tem medo de cavalos.
Ela bufou e eles seguiram rumo ao topo da montanha, caminho estreito onde um cavalo não seria capaz de prosseguir.
Notas finais
Super focando na história e tentando caprichar muito nos capitulos,
Byee
Fale com o autor