Encontro inevitável
17 Capítulo 17 – Tentação vs Proibição
No capítulo anterior...
“Yamcha: Espera. Não, isso é errado. Não posso pedir que você fique vigiando a Aiyme dentro da própria casa. Eu tenho que confiar nela. Mas... E se ele tentar alguma coisa? E se ele bater nela? Ou pior... E se ele acabar matando ela?!
Pual: Aah... Isso é terrível, Yamcha.
Yamcha: Está certo, Pual. Fique de olho nela. Mas não porque eu tenho medo que ela me traia ou coisa do tipo... É só por segurança. Única e exclusivamente pela segurança da Aiyme...
E era isso que ele dizia, mas no fundo era exatamente o contrário. Seu medo de perdê-la para o saiyajin era enorme...”
Esse era o plano de Yamcha: vigiá-la para ter certeza do que estava se passando na casa enquanto ele estivesse fora. Entretanto, violar a privacidade de Aiyme e ainda por cima duvidar de sua fidelidade faria com que ela ficasse extremamente nervosa, e acima de tudo, muito ofendida.
Yamcha: Tá certo. Então é isso que você vai fazer, mas não deixe ela perceber que você está lá. Se transforme em uma câmera e filme o que acontecer entre eles. Assim eu tenho como ver e ouvir tudo o que se passa.
Pual: Aham. Entendido, Yamcha!
E enquanto esses dois acertavam os detalhes da espionagem, Aiyme acabava de deixar Vegeta em seu quarto.
Casa da Aiyme – 4° andar
Aiyme: Pronto. Aqui é o seu quarto. – ela abre a porta e mostra o interior, entrando ela e logo em seguida, Vegeta – O quarto não é muito grande, mas tem espaço suficiente para uma pessoa.
Vegeta: Hum... Não é de tudo ruim. Mas me diga, por que raios logo um quarto nesse andar?
Aiyme: Bom, porque esse era o único quarto de hóspedes com um banheiro no mesmo andar. Mas se quiser um nos andares inferiores, então tudo bem. Não me importo, todos os quartos já estão arrumados mesmo...
Vegeta: Hunf! Tanto faz. Já que subi tudo isso, agora ficarei aqui mesmo.
Aiyme: Faça como quiser. – ela ia saindo do quarto mas antes faz um comunicado breve – Se precisar falar comigo, estarei em um dos meus laboratórios. Provavelmente no de número dois, que fica no andar de baixo.
Vegeta: Certo, mulher.
Aiyme: Aiyme.
Vegeta: O quê?
Aiyme: O meu nome é Aiyme, só pra lembrar.
Vegeta: Tá... – ela revira os olhos e sai do quarto, fechando a porta e deixando Vegeta sozinho – Hum... Esse quarto aqui é bem melhor do que aquele que tinha quando morava no planeta Freeza. Aquele lugar parecia uma lata de sardinha comparado a isso.
Vegeta observa o seu novo quarto e lembrava de como era o antigo dormitório. Aqui era infinitamente melhor e mais confortável, sem dúvidas. E quem sabe agora ele poderia fazer aquilo que há muito tempo não fazia: descansar.
A cama era de solteiro, mas muito confortável. Nem ligou para as roupas rasgadas que estava usando, apenas retirou a armadura e as botas, se deitou e dormiu.
No dia seguinte, Vegeta acorda com os raios de sol que entravam pela janela e batiam em seu rosto.
Vegeta: Aar... Maldição! Essa claridade é incômoda. Porém... não deve ser de toda ruim. Deve gastar-se muito menos com energia por aqui, utilizando desses raios solares. – Vegeta ainda pensava em economia de recursos, pois no espaço, tudo deve ser muito bem calculado – Dane-se isso. Agora eu preciso é me limpar, essas vestes imundas estão me incomodando...
Ele vai até o fim do corredor e entra no banheiro. Retira os trapos que já foram roupas decentes um dia e as joga em um canto qualquer.
Vegeta: Vamos ver... Como funciona essa tecnologia terrestre? Não vejo botões nem telas de ajuste de temperatura... Será que isso aqui é o que faz sair a água? – ele gira aquele objeto de metal que estava pregado na parede e logo em seguida a água cai do chuveiro – Esses humanos são muito atrasados, ainda utilizam desse tipo de tecnologia! Estou começando a duvidar se essa mulher pode mesmo fazer com que eu me torne um super saiyajin...
Ele refletia sobre algumas coisas enquanto tomava banho, e logo já estava limpo e saia de dentro do box. Bem... Ele estava limpo, mas suas roupas, não.
Vegeta: Oh, droga! Me esqueci de que não tinha roupas limpas, nem tampouco trazido outras. As únicas eram as que eu usava no corpo, e essas estão imundas! – ele resmunga um pouco – Acho que vou ter que falar com aquela mulher e ver se ela me arranja algumas roupas. Hunf... – por um instante ele se lembra dela e de como fazia questão de que a chamasse pelo seu nome – Aiyme. Hum... É um belo nome. Pena que não vou dar a ela o gosto de chamá-la por ele... – sorria debochado, pois achava graça em vê-la irritada.
Laboratório N° 2 – 3° andar
Vegeta decide então procurá-la, e como ela havia dito, resolve ir até o seu laboratório para falar com ela.
Vegeta: Mulher, abra essa porta! – ele batia à porta para que ela a abrisse – Abra logo essa droga ou eu vou derrubá-la!
Aiyme: Ai mas que saco! Nem bem tem um dia que está aqui e já está me infernizando! Que cara folgado... – ela se levanta e sai da bancada do laboratório, gritando em resposta – JÁ ESTOU INDO! – ela então abre a porta e dá de cara com um Vegeta seminu, coberto apenas por uma toalha branca enrolada na cintura. Aiyme quase cai para trás. Não acreditava no que via – Ma-mas o que significa isso, Vegeta?!! São 08:00 horas da manhã e você me aparece assim!...
Vegeta: E o que tem a ver o horário? Preciso que me arrume roupas, mulher.
Aiyme: O quê? Quer roupas? Há! Quase não reparei que você estava sem elas... – ela diz com tremenda ironia.
Vegeta: Ora, sua insolente...! Eu falo sério, preciso que me arranje o que vestir.
Aiyme: Vou ver o que posso fazer por você... – ela sai do laboratório e tranca a porta – Anda, me siga.
Eles sobem as escadas e voltam novamente ao 4° andar.
Vegeta: Ora, por que estamos aqui de novo, mulher?
Aiyme: Porque vou até meu quarto procurar algo para você vestir.
Vegeta: Seu quarto fica nesse andar?
Aiyme: Sim. É aquela porta logo à frente. Mas nem pense em entrar! Fique aqui, eu já volto.
Vegeta: Hunf!
Depois de alguns minutos, Aiyme abre a porta e entrega algumas roupas para Vegeta.
Aiyme: Pronto. Aqui estão algumas roupas para que você não fique andando por aí desse jeito. Essas são só para quebrar o galho. E não reclame! São as maiores roupas que eu tinha, já que as do Yamcha não serviriam em você... Experimente e veja se sevem.
Ele entra em seu quarto, que também ficava naquele mesmo andar e logo em seguida sai de lá. Vestia as roupas de Aiyme: uma calça de moletom cinza claro e uma regata preta, que era larga nela, mas que havia ficado um pouco apertada em Vegeta. Por isso ele a retira e resolve usar apenas a calça.
Aiyme: Bom... Pelo menos agora não está só de toalha, não é mesmo? – ela fala debochada e risonha – Hum... Depois compro roupas do seu tamanho certo, mas por hoje acho que está bom.
Vegeta: Não quero que me compre nenhuma dessas roupas terráqueas! Prefiro o traje que os saiyajins usavam.
Aiyme: Ora, mas é mui... – ela pensa melhor e não completa a frase – Espera! Por acaso você ainda guardou aquela roupa velha que vestia?
Vegeta: Sim. Por quê?
Aiyme: Me dê ela que eu faço um traje novo para você. Só preciso saber os materiais que preciso para fazê-la.
Vegeta: Acha mesmo que consegue?...
Aiyme: Ah... Não duvide de mim. Vamos, me entregue logo a roupa que eu termino o quanto antes. – ele entra no quarto e entrega o macacão e a armadura na mão de Aiyme – Obrigada... – ela fala, sarcástica e com um riso falso. Logo em seguida Vegeta já ia entrando em seu quarto, mas é impedido – Ei! Onde pensa que vai?
Vegeta: Ia para o meu quarto, não está vendo, mulher?!
Aiyme: Você não disse que queria a porcaria da sua roupa? Pois bem... Venha comigo até o laboratório para tirar as medidas.
Vegeta: Novamente vou ter que ir nessa porcaria de laboratório?!
Aiyme: Se quiser logo esse seu traje, sim!
Vegeta: Aar... Isso já está me irritando!
Aiyme: Ah... Não reclame. Ainda que eu estou sendo muito boazinha e perdendo o meu valioso tempo em que deveria estar trabalhando, para fazer esse seu traje!
Vegeta: Hunf! – ele descia as escadas, já irritado.
Aiyme: Pronto, já chegamos. Viu, não mata subir e descer escadas. – ela fala debochada e destranca a porta do laboratório – Pode entrar...
O laboratório 2 era grande, o maior que tinha dentro da casa. Só perdia para o que estava no seu quintal, que era pertencente a assuntos da Corporação Cápsula, o CERAM. Centro Especializado de Reparos e Ajustes Mecânicos.
Vegeta se senta em um sofá que tinha no local e enquanto isso, Aiyme procurava a maleta com equipamentos de medição.
Aiyme: Achei! Agora, levante-se, Vegeta. – ele se levanta do sofá e ela começa por medir a sua altura – 1,72m. Agora vamos medir a circunferência do seu bíceps... 42cm. Cintura... 73cm. Agora só falta a coxa. – ela se abaixa para medi-lo e, nesse momento, Aiyme engole à seco. Se recriminava mentalmente pelo pensamento sujo, e também por Vegeta estar usando uma calça de moletom que marcava muito a região de sua virilha... E por julgar pelo que vislumbrou, ele estava sem cuecas – 58cm de coxa... Bem, é isso. Já terminei de tirar as medidas. Agora já pode ir para o seu quarto, Vegeta. – ela o apressa a sair de lá, antes que ele perceba a vermelhidão de seu rosto e fecha logo a porta. Depois de fechada, ela se escora com as costas na porta – Uffa... Mas o que foi isso? Desde quando eu sou desse jeito e penso esse tipo de coisa?! Vou me concentrar e fazer logo essa roupa para esse homem. Kami-Sama!! Me ajude...
Ela abre todas as janelas na tentativa de que o ar entre e resfrie seu corpo quente. Em vão, é claro. A imagem daquele homem parecia ter se fixado em sua mente. O corpo dele era muito bem trabalhado, fora construído por anos e anos de treino pesado e intenso. Todas suas cicatrizes e machucados eram a prova e também o certificado de o quão dura e sofrida foi a vida que levou enquanto trabalhava para Freeza. E ao mesmo tempo que ela suspirava e o admirava pelo seu físico, também sentia uma profunda dor por ele ter sido criado à esse modo...
Aiyme: Nem tudo é tão superficial assim. No mesmo lugar em que há toda essa beleza e sensualidade, a brutalidade e as marcas de um passado obscuro também estão lá... E mesmo que tenha sido tão cruel com os outros, também foram muito cruéis com ele. Vegeta foi doutrinado como um bárbaro, e por consequência se tornou nisso... Talvez esteja ficando louca mesmo, e vendo um lado nele que não exista. Entretanto, a mim não fez nenhum mal. Muito pelo contrário... Salvou minha vida, e isso eu devo a ele.
Deixando todos esses pensamentos de lado, Aiyme começa a se empenhar a construir um tecido de mesmo material que aquela roupa surrada. E para isso, ela recorta um pequeno pedaço da malha e o coloca em uma lâmina para observá-la no microscópio.
Aqueles materiais, por sorte, se encontravam na Terra com certa facilidade. Mas ela nunca pensou que eles pudessem ser combinados para se fazer um tecido daquele tipo.
Aiyme: Isso é mesmo muito interessante. Vou fazer uma encomenda e pedir que tragam aqui esses materiais para fazer essa combinação com eles. Depois de pronto o tecido eu mando para uma costureira. Nunca fui boa com isso, sou apenas uma cientista, não tenho a obrigação de saber costurar...
Casa da Aiyme – quarto de hóspedes
Yamcha estava deitado de ponta-cabeça na cama e surtava com alguns de seus pensamentos. Tentava achar uma solução para seus problemas...
Yamcha: ... Hum... Isso já é mau o suficiente para mim! Tenho que dar um jeito de me acertar com ela... Eu sei que não estamos oficialmente brigados, e ela ainda fala comigo. Mas mesmo assim não é a mesma coisa... Pra piorar, hoje mesmo vou ter que me mudar daqui e levar todas as minhas coisas para o meu apartamento. – então, de repente ele se levanta da cama com um pulo – Já sei! Eu vou ter que me mudar, mas antes de sair definitivamente, farei uma surpresinha para a Aiyme. Como uma espécie de “despedida”. Aposto que assim a gente volta ao normal! Ou melhor... A gente se acerta, porque o normal entre a gente é assim: brigar o tempo todo...
Já era de tarde, por volta de umas 18:00 horas, e Yamcha estava em frente do laboratório onde Aiyme trabalhava na criação do tecido para a roupa de Vegeta, e esperava que ela saísse de lá para falar com ela. Ele usava um terno cinza, camisa branca e gravata preta. Tinha se arrumado para essa noite e aguardava ansioso pela saída dela. Mas se passou uma hora, duas, três horas... E ela não saía de lá.
Yamcha: Ah... Acho que é melhor eu ir embora, parece que hoje vai ser mais um dia que ela via a noite trabalhando... – quando ele já estava quase desistindo, Aiyme finalmente abre a porta.
Aiyme: Yamcha?! O que você faz aqui à essa hora? E ainda por cima vestido dessa forma?? – ela o analisava de cima a baixo, vendo as suas vestes. Ele se levanta do chão em que estava sentado e se põe à sua frente.
Yamcha: Ãmm... É, Aiyme. Bem, eu estava te esperando.
Aiyme: Esperando? Pra quê? Pensei que você já tivesse se mudado para o seu apartamento novo...
Yamcha: É, seria hoje mesmo. Eu já até levei minhas coisas para lá, mas...
Aiyme: Mas...??
Yamcha: Ah... – ele suspira – Olha, me desculpa, Aiyme. Eu fui um idiota por ter discutido com você, e não queria sair daqui sem ter certeza de que a gente está bem. Por favor, vai... Passa essa noite comigo. – ele segura na mão dela e olha em seus olhos, com jeito manhoso.
Aiyme: Aai... Yamcha... Você sabe que eu estava até agora trabalhando, não é? – ela o encara com uma expressão cansada.
Yamcha: Sei. Mas eu só quero ficar com você.
Aiyme: E eu só queria ficar longe de tudo... – pensamento – Deixa eu só tomar um banho então.
Yamcha: Tá bem, meu amor. Vou estar no quarto te esperando.
Aiyme: Tá... – ela dá um sorriso forçado e o vê subir as escadas. Depois disso ela fecha o laboratório e vai até o banheiro.
Aiyme toma um banho rápido, coloca uma camisola azul clara de cetim, e ao sair do banheiro dá de cara com Vegeta. Eles se encaram por um único segundo que pareceu eterno. Ele fica encantado momentaneamente por aqueles olhos azuis turquesa, que pareciam ter um imã neles, atraindo seu olhar ao dela. Mas logo tratou de desviar quando percebeu que ela poderia notar isso, e também acaba jogando mais algumas de suas palavras tipicamente grosseiras para disfarçar...
Vegeta: Por acaso você não olha por onde anda, mulher?!
Aiyme: Eu estava saindo do banheiro, quem devia olhar melhor era você, que estava querendo entrar. Por acaso não percebeu que ele estava sendo usado?! – ela dá as costas para ele e sai bufando de lá.
Ela seguiu para onde iria e ele entrava no banheiro. Mas antes disso, ele para com a mão na maçaneta e involuntariamente dá mais uma olhada para aquela mulher, que estava particularmente mais linda naquele momento em especial, cobiçando-a. Logo em seguida ele vê Yamcha abrir a porta do quarto dela para que ela entrasse, e seu olhar toma um ar pesado.
Vegeta: Hunf! Esse inseto tem muita sorte, não merecia uma fêmea tão atraente como essa para si... – ele solta esse comentário e só depois percebe o que disse – Ah, e o que me importa isso?! Não sou esse verme, e nem tampouco o possuidor desta tão bela criatura... – com aquilo, Vegeta termina com seu comentário, admitindo achar Aiyme muito bonita e atraente, e que no fundo se indigna por Yamcha estar com ela. Assim, ele entra no box e toma seu banho para esquecer o que havia visto e o que tinha pensado...
O que ele não tinha percebido, era que não fora somente ele que havia ficado abalado com esse encontro. Não só nesse de agora, mas desde a primeira vez em que se viram em Namekusei.
Uma sensação tão familiar, tão intima e compartilhada. Aparentavam ter vivido toda uma vida lado a lado, e uma outra separados...
A confusão era demais em suas cabeças e em seus peitos também. Sentimentos não eram o forte de Aiyme, e muito menos de Vegeta. Reprimir aquilo que estavam sentindo agora era a única coisa a fazer. Cada um por seus próprios motivos: ela por já ser comprometida com outro homem, e ele por causa de seu orgulho. Não aceitaria atribuir sentimentos a alguém, ainda mais por uma terráquea. Se fosse para se entregar, seria para apenas uma pessoa, e essa não era Aiyme...
Fale com o autor