O fim de semana finalmente havia chegado. As três irmãs estavam com suas três primas na rodoviária da cidade de Cerulean a espera de Johanna, mãe das três menores. Naquele momento, Misty segurava a mão de Dawn, enquanto May falava com Drew pelo Whatsapp. Daisy e Lily conversavam sobre o que fazer na próxima apresentação do ginásio, pouco se importando com a chegada da tia, e Violet lixava a unha.

– Cadê o ônibus da mamãe? — Dizia a menor de todas.

– Já já chega. — Misty respondeu sorridente.

Alguns minutos se passaram e logo as seis avistaram o ônibus onde a mulher estava. Após o desembarque do ônibus e de mais ou menos sete pessoas, uma mulher com volumosos cabelos azuis, olhos azuis claros e que usava um vestido rosa simplório e rasteirinhas desceu, correndo ao encontro das jovens.

– MÃE! — As três menores disseram, abraçando-a.

– Oi meus amores! Olá minhas sobrinhas! — Johanna disse, sorrindo.

As adolescentes mais velhas deram um sorrisinho, empinaram os narizes e começaram a andar até o carro com as outras. A ruiva e a moreninha pegaram as duas únicas malas da mulher e colocaram no porta-malas do carro, enquanto a azulada menor andava no colo da mãe. Daisy dirigiu até o ginásio, a casa do trio maior, e abriu a porta, dando passagem para a tia e as primas entrarem.

– Sinta-se em casa titia! — Disse Lily.

Johanna nunca foi de se dar bem com as sobrinhas e nem com o cunhado, apenas com a irmã, que já havia falecido há três, mas depois que teve de ir trabalhar noutra cidade teve de contar com a ajuda das garotas.

– Bem, eu vou sair com as meninas. — Disse a mulher.

– Podemos ir na sorveteria? — May perguntou.

A mais velha assentiu, andando com as filhas até a sorveteria onde Misty trabalhava e Brock era o dono. Ao chegarem na rua, olharam de relance para a casa onde todas moravam juntas e felizes, e que, atualmente, somente as menores moravam. Ao chegarem no estabelecimento, o moreno de olhos puxados sorriu largamente, abraçando a recém-chegada.

– Ô dona Johanna! Quanto tempo!

– Brock! Puxa, está crescido hein! Lembro de quando você, Nando, Harley, Robert e Soledad vinham em casa!

Todos riram um pouco, pegando sorvetes e tomando-os. O dono do estabelecimento se juntou a família de mulheres e as garotas mais novas, May e Dawn, foram brincar na rua, enquanto Misty havia ido ao banheiro. Após a ida, a ruiva voltou, ouvindo uma parte da conversa entre sua mãe e o amigo-chefe.

– Mas quando vai contar pra ela? — Perguntou o moreno.

– E-eu não...

– Contar o que pra quem? — A garota disse, se intrometendo na conversa.

Johanna estremeceu dos pés a cabeça assim que ouviu a voz da garota. Ela se virou, encarou-a tristemente e com um sorriso mais triste do que todo o seu rosto. Algumas lágrimas cismaram em descer pelas bochechas da mulher e Misty não conseguia entender o que estava acontecendo.

– Misty, v-você não é minha filha...

A ruiva arregalou os olhos, sentiu uma facada em seu peito e tremeu um pouco. Tateou a procura de uma cadeira e se sentou.

– O-o que?

– Você na verdade é minha sobrinha... Sua tia Lucy, mãe das "Irmãs Sensacionais", é sua verdadeira mãe, porém seu verdadeiro pai é um homem com quem ela teve um caso, e não seu tio Walter...

A ruiva baixou a cabeça e a franja cobriu seus belos olhos esmeraldinos que agora estavam muito marejados. Ela se levantou, começou a correr em qualquer direção que viesse à sua frente, não sabia que caminho seguir. A mulher olhou para a filha adotiva e para as filhas verdadeiras, que foram atrás de Misty.

A esta altura, a ruiva "fugitiva" já estava distante, encolhida numa das pequenas vielas entre dois antigos prédios de tijolos de Cerulean. Ela chorava absurdamente, não queria ninguém ali naquele momento, os que passavam a olhavam com estranheza e também pena.

– P-por que comigo? POR QUE SEMPRE COMIGO?!

Ela gritou, chutando uma lata de lixo e espantando alguns Raticates que viviam ali e uns poucos Pidgeys. Em seguida, virou-se para a entrada, deparando-se com May e Dawn, que estavam assustadas e a encaravam. A pequena azulada estava agarrada à perna da morena.

– Misty, o que houve? — Perguntou a de bandana.

– É que... N-não sou irmã verdadeira... De vocês...

As duas arregalaram suas orbes azuis claras. Andaram até a irmã postiça, que voltara a se ajoelhar, e a abraçaram fortemente e com poucas lágrimas nos olhos. A ruiva levantou o rosto, encarou as menores e as envolveu em seus braços. Não importava se eram irmãs de verdade ou não, seriam sempre irmãs, amigas e companheiras. Misty explicou a confusão para as menores, que ficaram boquiabertas.

– Sabe quem é seu pai? — May perguntou.

– Não...

– Pena... Ele poderia nos ajudar talvez.

A ruiva sorriu singelamente, se levantando e pegando na mão das meninas e voltando para a sorveteria. Ao chegarem no estabelecimento, encontraram Brock dando copos d'água para Johanna, que estava aos prantos. Ao ver a ruivinha, a mulher a abraçou fortemente.

– Misty! Não me assuste mais assim!

– Calma mãe, eu tô aqui...

– Mas, eu não sou sua mãe verda...

– Não me importa! — Exclamou a menina. — Você que me criou, você que cuidou de mim e tudo o mais! Você é minha mãe de criação, tia de sangue e tenho duas mães no coração!

Os olhos de Johanna marejaram mais ainda, desta vez de felicidade. Até o amigo moreno estava prestes a chorar. Um abraço em conjunto foi o que confortou e alegrou a todos, ficaram assim por um bom tempo. À tarde, as mulheres voltaram para a casa das novas "irmãs" de Misty.

– Nossa, finalmente voltaram! — Lily exclamou.

– Eu precisava de um tempo com as minhas filhas... Só vou poder ficar até amanhã às 19:00, quando eu volto pra Saffron. E quero visitar os outros também!

As meninas se alegraram, raramente viam esses outros fora da escola, com exceção de Drew, já que o viam todo dia. Só os viam quando Johanna estava na cidade, o que tornara-se raro. Os outros no caso eram: A família de Drew, de White, de Brock, de Black, de Soledad e até mesmo a de Bianca, ou seja, seus vizinhos, que sabiam das meninas morando na rua Horsea.

– Não sei por que ainda mantém contato com essa gentinha...

– São pessoas como nós Daisy, são meus amigos e também eram amigos de sua mãe.

A loira revirou os olhos e continuou a lixar a unha. As "Irmãs Sensacionais" detestavam lembrar da mãe, Lucy. Ela era uma mulher incrível, bondosa, carinhosa e na maioria das vezes em que estava brava, severa, curta e grossa. A verdadeira mãe de Misty era ruiva assim como a filha mais nova, tinha belos olhos azuis e pele branca.

– Sua mãe era uma mulher incrível... — Disse May.

– Ela era ridícula, sempre preocupada com os outros. — Respondeu Violet.

– Isso que a fazia especial. — Johanna retrucou, deixando a trigêmea dos cabelos azuis brava.

O celular de Misty vibrou, ela pegou o mesmo e viu que era uma mensagem de Iris. A morena dos cabelos roxos estava passando o fim de semana na casa do amigo moreno, Ash, já que ela não gostaria de dormir na casa das amigas com a mãe das mesmas por perto.

IRIS: E aí? Td bem?

MISTY: Sim, só q depois vou ter q te falar uma coisa

IRIS: Ok, o Ash tá aqui, quer falar com ele?

MISTY: Sim

IRIS: Oi Misty, td bem?

MISTY: Oi Ash, td e vc?

Assim foi, ambos ficaram conversando pelo celular. Enquanto isso, Dawn e May observavam e liam a conversa do casal de "amigos", acabavam até rindo um pouco. Logo em seguida, a mãe adotiva da ruiva apareceu, lendo a conversa de Misty com Ash.

– Quem é Misty?

– AH! MÃE!

– É o namorado dela mãe! — Dawn exclamou.

Johanna arregalou os olhos, ficou boquiaberta e sorriu logo em seguida, parabenizando a ruivinha corada. Logo em seguida começaram os bombardeios de perguntas, deixando a menina mais constrangida e mais corada ainda.

– M-mãe! Somos só amigos!

– Sei... — Disse a mulher num tom malicioso.

Foi então que Daisy apareceu na sala, dizendo que ia pedir uma pizza. As convidadas assentiram, sorrindo. Após o jantar, todas foram dormir em seus devidos quartos. Quase todas estavam dormindo, menos Misty, que mantinha-se acordada pensando sobre o dia e também em seu amado amigo.

– Ainda tá acordada? — Perguntou uma voz familiar.

– Você também está May.

– Posso ir aí com você?

A ruiva assentiu, sentou-se na cama e esperou a "irmã" sentar-se na cama. Após isso ambas começaram a conversar baixinho. A mais velha começou a contar que estava pensando em dizer a mãe sobre a aposta e que estava morando com as menores na antiga casa onde moravam.

– Será que ela vai aceitar?

– Eu não sei... Mas e você e o Drew?

– Nós?! — Gaguejou a menor. — B-bem...

– Vai me dizer que não se amam.

May corou violentamente, seria impossível negar que amava aquele Alface Ambulante que era praticamente sua babá. Ela fitou Misty com um olhar inocente e um sorriso tímido, corando mais ainda. A ruiva riu um pouco e apertou a bochecha esquerda da irmã do meio.

– Mas e você e o Ash?

– Vou falar com ele, pedi-lo em namoro...

– Oba! Vou ter outro cunhado além do Paul! Bem Misty, vou dormir... Boa noite...

– Boa noite...

Assim foi, May desceu da cama da irmã mais velha e ambas foram dormir calmamente cada uma em sua cama. Na manhã seguinte, Johanna arrumou as malas, iria partir para a cidade de Saffron de noite, mas já queria deixar tudo arrumado. As hóspedes, depois do café, foram para a rua Horsea, reencontrar os velhos amigos.

– HILDA! — Exclamou a mulher, sendo atendida por uma garota.

– Dona Johanna? — A garota perguntou e a outra assentiu. — MÃE!

– O que foi Whi... JOHANNA!

As mulheres se abraçaram fortemente, afinal, fazia quase dois anos que não se viam. Hilda era uma mulher da idade de Johanna, era baixinha e meio gordinha, possuía pele branca, olhos azuis e cabelos castanhos escuros, curtos e lisos. Em seguida, todas entraram na casa.

– White, não quer ir com as meninas chamar a Lola, o Flint, a Felina, a Flora, a Mary e a Rosie?

As quatro menores assentiram, se retirando. White era uma garota que estudava na sala de Misty, tinha a pele branca, olhos azuis claros e cabelos castanhos escuros, longos, lisos com pontas encaracoladas e que viviam presos em um rabo de cavalo alto, mas que ficava com duas mechas na frente. Passaram primeiro na casa de Flint e Lola, em seguida, na casa de Mary, Rosie, Felina e Flora.

Ao chegarem na casa de Hilda, depararam-se com Johanna e a cumprimentaram, dando abraços calorosos e chorando de saudades, o que não foi diferente pela parte da visitante. Enquanto os adultos conversavam, as crianças iam para a rua brincar de Polícia e Ladrão. Os policiais eram: Salvadore, Cindu, Tilly, Billy, Yolanda, Timmy, Suzie e Tommy, irmãos de Brock, e os ladrões eram: Black, White, Misty, May, Forrest (o outro irmão de Brock), Drew, Bianca e Dawn.

A correria logo começou, Drew correu rapidamente para a parte de trás da rua, ou seja, a Rua Goldeen. O de cabelos verdes olhava para trás, por fim, trombou com sua amada morena de bandana.

– Desculpa May! — Ele disse, se levantando.

– Tudo bem... Aliás, estamos no melhor esconderijo possível!

– E qual seria?

– O pequeno galpão da Sorveteria.

Assim Drew decidiu que se esconderia com a amiga no lugar. Ele a seguiu, escondendo-se junto dela atrás de milhares de caixas geladas com sorvetes, afinal, o galpão era frio e muito gelado. Ambos estavam meio espremidos, porém confortáveis e aquecidos, amavam ficar juntos daquele jeito. May fitou o chão, entristecida.

– O que houve?

– Drew... Você me ama?

Ele fora pego de surpresa com tal pergunta vindo dela. Fitou a amiga e se aproximou perigosamente dela. O verdinho não hesitou, beijou a morena calmamente. De começo fora apenas um toque, mas depois ela pediu passagem e ele cedeu. Eles estavam perfeitamente bem assim, até que alguém os atrapalhou.

– A MAY E O DREW TÃO SE BEIJANDO! — Dawn, que havia chegado na hora H, berrou, correndo para fora.

– D-DAWN!

Uma pequena corrida se iniciou, enquanto Littleblue berrava o ocorrido para todos, que lançavam olhares maliciosos para o casalzinho corado. A azulada ria um pouco da cena, enquanto a morena de bandana vermelha e o verdinho a olhavam bravos.

– Não adianta negarem. — Black disse, sorrindo sarcasticamente.

– Cala a boca... — May murmurou.

– Ele está certo. — Começou Drew. — Se me ama mesmo deveria não ter vergonha.

– E não tenho!

– Então prove May...

Ela provou, tascando-lhe um beijo melhor que o anterior. Ele sorriu no meio do beijo, e todos aplaudiram o novo casal que havia na rua Horsea. Após a cena, todos foram almoçar na casa de Rosie, mãe de Soledad.

– E a sua irmã? — Perguntou White para Soledad.

– Está viajando em Hoenn... Espere, cadê a Misty?

Enquanto isso, a ruiva estava no cemitério, em frente o túmulo onde sua mãe verdadeira estava enterrada. A garota segurava entre seus dedos uma tulipa, a flor favorita de Lucy. Misty deu um beijo na flor, se agachou e colocou a planta próxima a lápide. Algumas lágrimas cismaram em cair dos olhos da menina, mas ela as limpou.

– Agora me caiu a ficha, do porque você me dava tanta atenção e vivia em casa... Desculpa, mas considero minha tia mais mãe que a senhora, mas ainda assim te amo mamãe... Seria bom se estivesse aqui...

– E ela está. — Comentou uma voz doce, vindo de trás da ruiva.

– So-Soledad?

– Sua mãe nos contou já faz uns anos... Me escute Misty, não importa o que aconteça, cuide da May e da Dawn, certo?

– Ok. — A ruivinha murmurou.

Ambas encaravam a lápide, escrita: "Aqui jaz Lucy Waterflower 1970 — 2012". A menor tinha uma lágrima escorrendo pela bochecha, mas secou-a em seguida. Ela olhava em volta e pensava o quanto sua vida havia mudado em apenas um fim de semana, o por quê sua "tia" vivia indo em sua casa e o por quê ela era sempre a mais mimada entre os sobrinhos de Lucy.

As duas notaram que já eram 14:00, voltaram para a rua onde todos faziam coisas diferentes: Drew e May davam uma volta juntos, já que agora eram namorados. Bianca brincava de maquiagem com Dawn. Forrest e Brock distribuíam alguns sorvetes. Black, White, Yolanda, Cindu e Suzie brincavam de vôlei e os outros tomavam sorvete.

– Sabe, nunca mais vi o Nando... — Comentou Misty.

– Ele esta morando em Kalos, virou modelo. — Soledad respondeu e encarou Johanna, que ria e sorria.

– Por que minhas mães são tão importantes aqui?

– Sabe Misty, quando eu era criança vivia brincando na rua com o Brock, o Harley, o Nando e o Robert. Suas mães, quando viam que nós nos machucávamos, elas nos socorriam, elas que davam os melhores doces no dia das bruxas e cuidavam de nós quando nossas mães e pais estavam trabalhando.Elas sempre foram queridas.

A ruiva menor sorriu, encarando a mãe adotiva.Após algumas horas, a azulada maior foi buscar as malas na casa das sobrinhas, recebeu carona de Floraa e chegou no ponto do ônibus. Todos davam despedidas calorosas na mulher.

– Tchau mamãe! — May disse, abraçando-a fortemente.

– Tchau minha moreninha...

– Tó mamãe... — Dawn murmuou, dando um desenho a ela. Eram as quatro, na casa onde viviam felizes.

– Obrigada minha Littleblue...

– Mãe... Volto a dizer... — Dizia Misty. — Mesmo que você não seja minha mãe de verdade, te considero mais mãe que minha mãe Lucy... Eu a amo, mas você que me criou, você me conhece melhor...

– Oh minha ruivinha...

Ambas se abracaram e desataram a chorar. Soluçavam a cada minuto. Logo em seguida, o ônibus chegou, todos começaram a chorar de tristeza.