Encontro do destino
12 Chapter 12

Amanheceu no hospital, era por volta das 08:00 quando o Dr. Kazuma chegou, abrindo a porta do quarto do rapaz e deparando-se com a ruiva e o moreno dormindo abraçados. O mais velho deu uma risada baixa, cutucou Ash e o mesmo acordou, corando de leve. O menino cutucou a "amiga" e a mesma acordou, deparando-se com o médico que ainda dava algumas poucas risadas da cena. Misty levantou e sentou-se na poltrona que havia no quarto.
– Bem, farei mais alguns exames e talvez às 13:00 você poderá sair... Mas antes, há uma jovem que o veio visitar Ash.
Da porta entrou uma loira muito conhecida pelo casal. Serena os fitava calmamente e havia uma expressão de arrependimento estampado em seu rosto. O médico saiu, dizendo que a recém-chegada teria meia hora para ficar. A de olhos azuis assentiu, encarando os dois jovens de sua classe. A dupla a fitava com raiva, o que ela queria? Vir caçoar dele que havia se acidentado?
– Sei que vocês tem raiva de mim... Mas, antes de qualquer coisa que vou dizer, quero pedir perdão...
– Perdoada Serena. — Exclamaram os dois. — Agora diga o que quer.
– Avisar sobre meu primo, Gary. Misty, por tudo que é santo, tome cuidado com ele! Ele é um idiota maníaco e...
– Espera, v-vocês são primos? — Exclamou o moreno.
A loira começou a explicar, seu pai era irmão da mãe do esfaqueador, nunca se deu bem com ele e sua raiva com a ruiva era que o menino sempre defendia-a. Fazia algumas horas desde que a de olhos azuis descobrira sobre o incidente envolvendo seu primo e seus "colegas". Ela se despediu, saindo pela porta e deixando o médico entrar.
Quando deu 13:00, a ruiva e o moreno saíram do hospital, com a carona de Delia. A mulher estava prestes a deixar a menina em casa quando o garoto deu uma ideia: Levar a jovem para conhecer Pallet. Misty arregalou seus olhos esmeraldinos, precisava cuidar da casa e das irmãs, e ainda tinha prova naquela semana.
– Pode estudar lá em casa, e prometi que ia te levar pra conhecer minha cidade!
– É, m-m-mas minhas irmãs...
– Misty, por favor... — Implorava o moreno.
Ela suspirou, não resistia àquela carinha fofa. A jovem entrou em casa, enquanto Delia falava com a de cabelos arroxeados sobre a outra. Não demorou muito para a ruivinha chegar com as malas prontas, despediu-se de todas e entrou no carro com os Ketchum. Após duas horas eles chegaram. O caminho fora silencioso, apenas a mulher cantava um pouco e por sinal muito bem.
Ao abrir a entrada da porta, Ash foi recebido por Pikachu, que pulou no colo do treinador. Misty e Delia riram baixinho e acariciaram o Pokémon Elétrico. O Mr. Mime da mãe do moreno estava usando um avental e aparentemente varria a casa. O de tipo Psíquico abraçou o treinador fortemente. Ele sorriu e riu, vendo que os Pokémons estavam preocupados com ele.
– Ei Misty, vamos estudar lá em cima?
– Claro! — Ela exclamou.
Ambos subiram para o quarto do garoto, pegaram os livros de Pokémons Fada e se sentaram na cama dele. Pelo fato da porta estar encostada, Delia dava uma espiada pela fresta. Ela suspirava baixinho, finalmente seu filho havia achado alguma pessoa certa para ele, só faltava o mesmo reparar.
A dupla continuou estudando até umas 17:30, haviam conseguido revisar tudo para a prova que haveria semana que vem e entenderam toda a matéria. Ash encarou Misty, sorriu e pegou no pulso da menina, deixando a mesma um pouco assustada. Os dois correram em direção a praça da pequena cidade, um local que no momento estava tranquilo, porém, costumava ser repleto de pessoas de todas as idades à partir das 18:00. Geralmente as crianças estavam brincando de empinar pipa ou jogar bola, os adolescentes e adultos conversavam ou namoravam, assim como os senhores e senhoras de idade.
– Você vai ver, daqui meia hora isso aqui tá lotado! — Disse o menino.
– É bem bonito! Melhor que a praça de Cerulean, que está acabada.
Ambos começaram a dar uma volta pelo local, falando de coisas diversas e contando histórias. Enquanto isso, em Cerulean, Serena caminhava até a casa de Misty, precisava avisar para as irmãs e a melhor amiga da garota sobre a situação da qual se encontravam com seu primo.
Ela chegava perto, mas parou no meio da rua para ficar vendo a cena na janela: Iris e Cilan riam das cenas que Dawn fazia, enquanto que May e Drew davam alguns beijos. A loira, apesar de jogar na cara de todo mundo que era rica, era solitária. Brianna era uma menina falsa com a mesma, nunca havia namorado seriamente e seus pais não ligavam para ela. Serena suspirou, lembrando-se do último desejo de sua avó: "Seja honesta e simpática minha menina...", andou até a casa e bateu na porta, sendo atendida pela menor.
– O que quer hein?! — Perguntou Dawn.
– Posso entrar, por favor? É complicado... — Disse a garota, fitando o chão com certa vergonha.
Todos se surpreenderam com o fato da mesma pedir com educação, geralmente estaria empinando o nariz e entrando direto. A azuladinha deu passagem e a outra entrou.
– Me desculpem, eu não queria atrapalhar, mas é sobre o Gary... — Após isso, a mesma explicou tudo.
Iris suspirou, vendo que Serena tremia um pouco foi acalmá-la. A recém-chegada estava prestes a chorar quando foi abraçada pelas menores da casa e não aguentou, chorou tudo que precisava há alguns anos. Cilan deu um singelo sorriso e foi para a cozinha, indo pegar um copo d'água para a garota que chorava.
A mesma agradeceu quando recebeu o copo em suas mãos, tomou um gole e voltou a fitar a família. A moreninha e a azulada suspiraram, não sabiam se acreditavam em Serena ou se davam de ombros para aquilo.
– Acho melhor vocês seguirem meus conselhos... Ele conhece vocês muito bem...
Após aquelas palavras, muitas lembranças vieram em suas mentes.
[...]
Uma tarde de verão alegre em Cerulean. Misty, na época, estava com 6 anos, May havia 4 anos e Dawn tinha apenas 3 semanas de vida. O trio estava no parque com os pais e alguns amigos da família, no caso, Elena e Mark Carvalho, amigos de Johanna. Junto deles estavam seu filho e sua sobrinha, Gary e Serena. As crianças brincavam de bobinho no extenso parque da cidade, naquele momento, a loira era a bobinha.
O menino lançou a bola na direção da morena, que pegou e passou para a ruiva. Infelizmente a maior das Waterflower não conseguiu, já que o brinquedo fora parar mais longe. Uma corrida entre Serena e Misty se iniciou, a de olhos esmeraldinos chegou um pouco antes e pegou a bola, mas a de olhos azuis pulou em cima da mesma, iniciando uma briga.
– CHEGA SERENA! — Trovejou Gary. — A Misty pegou a bola antes, você continua sendo a bobinha!
– EU CHEGUEI PRIMEIRO! — Comentou a loira. — NÃO QUERO MAIS BRINCAR!
Após isso, a menina saiu correndo em direção aos tios, sentou-se com lá e ficou observando May, Misty e Gary brincarem juntos. Detestava a ruiva, sempre seu primo defendia-a e deixava a garota dos olhos azuis chateada e com um sentimento de traição. Não demorou muito para Serena ficar com seus tios, as verdadeiras pessoas que se importavam com ela. Seus pais mal e mal davam bola para ela, sempre dizendo estarem ocupados ou que ela os atrapalhava no serviço.
–X-
Haviam se passado 2 anos, Johanna estava com as filhas no enterro de Elena, que havia falecido na noite anterior. Gary chorava ao lado do caixão da mãe, queria dar-lhe um último abraço, um último beijo, dizer um último "eu te amo". Serena apenas chorava abraçada ao pai, que deixava algumas poucas lágrimas escaparem. Ela se soltou e foi ao lado do caixão, chorando com o primo. Misty andou até os dois, abraçou os mesmos e ficaram daquela forma por um bom tempo.
– E-EU QUERO MINHA MÃE! — Berrava o menino.– E-ELA TEM QUE ESTAR VIVA!
– Minha tia... POR QUE?! O QUE ELA FEZ ARCEUS?!
[...]
A loira suspirou, vendo que todos estavam fitando-a. Ela se levantou, agradeceu e foi para sua casa calmamente. O pessoal da casa se entreolhava, deveriam confiar mesmo nela ou era somente fachada?
Voltando para Pallet, já era 18:10. A praça estava repleta de pessoas e todas aparentemente se conheciam. Ash ia apresentando Misty para todos os moradores que lá estavam e sempre havia alguém dizendo que ambos eram namorados. A dupla corou de leve, mas estavam acostumados com aquilo. Não demorou muito para irem para um boliche próximo da praça. Era um estabelecimento de aparência agradável, parecia algo dos anos 70 e haviam as famosas luzes neon daquela década.
– Uau! — Disse a ruiva.
– Que tal jogarmos?
– Uma ótima ideia!
Ambos alugaram uma pista por 30 minutos. Ele ganhou por poucos pontos de diferença, mas ganhou o que queria, um sorvete de chocolate. Enquanto a dupla andava por aí de mãos dadas e tomando seus sorvetes, o moreno parou bruscamente no meio do caminho, chamando a atenção da ruiva. Ela fitou o garoto, que agora estava ajoelhado e segurava uma caixinha azul nas mãos. Ao abri-la, a ruiva deparou-se com um anel prateado com uma pedrinha azul escura em cima.
– Misty Waterflower, aceita ser minha namorada, futura noiva e futura esposa?
– Sim... SIM! — Ela disse, pulando nos braços do mesmo, o derrubando no chão e lhe dando um beijo. — Eu aceito ser sua namorada, futura noiva e futura esposa...
Ambos continuaram daquela forma por mais alguns minutos, logo, se levantaram e voltaram para a casa dos Ketchum. Ao chegarem, cumprimentaram Delia e foram assistir TV. Passava algumas reportagens sobre outras cidades e até mesmo sobre Pallet, mas nada fora do comum.
– Misty, seu pai e a Iris ligaram, acho melhor falar com eles. — Disse a mulher da casa.
A ruiva assentiu, indo até o telefone e discando o número de seu lar. Foi atendida por May, que contou sobre Serena e também o que a mesma dissera sobre Gary. A ruiva estava levemente espantada, não tão surpresa pois já saber do que se tratava. Conversou mais um pouco com a menor e em seguida ligou para James. O coordenador comentou que passaria no tribunal com a garota na semana que vem e a oficializaria como filha.
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