Encontro do Destino
9 Capítulo 9
[Visão do Gerard]
estava assistindo à aula quando as duas voltaram pra sala. Emily me lançou um olhar de cansaço e depois se sentou. Minutos depois, quando todos estavam em silêncio copiando o exercício do quadro, a diretora entrou na sala e me chamou. Olhares da sala inteira se voltaram a mim. Emily me olhou preocupada. Fui com a diretora e ela me levou novamente pra sala da Jude, a psicóloga. Me sentei e Alice saiu da sala nos deixando a sós.
J: mais uma vez não é Gerard? – e ela me lançou um sorriso e pegou uma pasta e abriu.
G: o que foi dessa vez?
J: ok, vamos ver...acusado de entrar o banheiro das meninas novamente, dessa vez no campo da escola. – dizia lendo uma folha. – foi acusado também de ameaçar uma aluna...acusado de ameaça de morte...acusado de bater em alguém...
G: bater em alguém?
J: é o que disseram...acusado de roubar coisas de colegas...
G: roubar?
J: é isso...o que está havendo? – e fechou a pasta.
G: eu não sei nada disso. Realmente eu entrei no banheiro das meninas, ms foi por uma boa causa.
J: ver mulheres nuas? É essa a boa causa?
G: não, estava procurando uma pessoa.
J: e quanto às outras coisas?
G: ta, eu ameacei uma garota sim, mas foi de brincadeira, nunca ia fazer nada com ela, foi mais pra ela calar a boca.
J: mas isso é grave. A menina ficou realmente muito nervosa.
G: mas quanto bater em alguém, furtar...eu nunca fiz isso.
J: ok, você me parece bem sincero, mas eu vou ter que fazer uma coisa.
G: ok. E o que é?
J: revistar sua mochila.
G: tranqüilo, pode revistar a vontade.
J: ótimo. Vem comigo?
G: claro.
E voltamos pra sala de aula. Jude interrompeu a aula e todos nos olharam novamente. Olhei pra Maggie e ela ria pra mim bem cínica. Jude chamou o professor pra que revistasse minha mochila. Ele tirava tudo de dentro dela e eu estava encostado na parede de braços cruzados esperando tranqüilamente. Foi quando o professor levantou um cordão e perguntou.
P: é isso? – perguntou a jude.
J: Maggie. – ela chamou a menina que veio com cara de choro.
M: meu cordão de ouro. – disse ela pegando no cordão e olhando pra mim. – não sabia que além de tudo era ladrão Gerard.
J: ok. Vem comigo Gerard.
G: não fui eu que coloquei esse cordão aí.
J: desculpa professor o incomodo.
P: nada.
Saí da sala seguido por Jude e voltamos pra sala dela.
G: foi a Maggie que denunciou não foi?
J: não.
G: ela armou tudo. Só não sei como ela conseguiu colocar o cordão lá.
J: não foi ela que denunciou. Foi uma outra pessoa.
G: e quem foi?
J: Jane Smith.
G: e qual será minha punição? Expulsão?
J: eu não queria Gerard, mas acho que serei obrigada. Conversarmos da outra vez e pensei que mudaria, mas são acusações sérias que eu recebi.
G: garanto que não fiz nada disso.
E: Com licença. – Emily apareceu na porta.
J: aguarde lá fora por favor, depois entre. Já estamos terminando.
E: ok. – e ela se retirou.
J: daqui a pouco eu te chamo pra assinar a talvez expulsão. Aguarde lá fora. – e eu me retirei da sala.
Quando saí Emily me abraçou.
E: o que aconteceu?
G: sua amiga me denunciou de um monte de coisas. Acho que vou ser expulso.
E: não, você não pode.
G: fui injustiçado. Ela me odeia.
E: quem fez isso?
G: Maggie e sua turma. Uma delas Jane Smith, conhece?
E: Jane? Tem certeza?
G: foi o que a Jude disse.
E: eu vou conversar com ela. – disse entrando na sala antes que eu a impedisse.
Minutos depois ela saiu da sala com uma cara nada boa...
E: conversei com a Jude e ela prometeu relevar tudo, mas se conseguirmos provar que realmente não teve culpa.
G: mas como vamos provar?
E: não sei, mas se você não roubou aquilo lá, temos que descobrir quem foi que roubou e Jane está por trás disso.
No final da aula Emily foi até a minha casa pra me esperar pra irmos na casa de Jane. Quando cheguei no andar de baixo Mikey me olhou com cara de culpado e Jane estava ao lado dele.
E: fala Mikey. – disse ela dando ordem ao mikey e olhando pra mim.
M: foi eu que coloquei aquele colar na sua mochila.
G: o que? Mas por que?
M: eu juro que não sabia pra que ela tinha me pedido. Eu juro. Foi ontem quando você estava na casa da Emily, veio uma menina ruiva aqui e perguntou se você estava.
E: era a Jane.
M: ela pediu que eu colocasse o colar na sua mochila por que era uma surpresa da Emily pra você e não era pra eu dizer nada. Não sabia que ia te ferrar desse jeito. Foi mal.
G: ok, você não teve culpa. Essa sua burrice é de nascença mesmo...
M: foi mal mano... – dizia todo cabisbaixo.
E: pense bem Gerard, foi mais fácil do que você pensava. seu irmão é testemunha e sabemos que foi realmente a Jane.
G: nem um plano decente essas meninas tem capacidade pra bolar...
Minutos depois estávamos na casa da Jane, mas a mãe dela atendeu e disse que ela não estava, tinha ido passar a semana na casa da tia.
E: não percebe? Ela está fugindo por que sabe que você ia descobrir e iríamos atrás dela.
G: não entendo por que ela faria isso comigo.
E: é Maggie. Com certeza ela está por trás disso...
G: te disse que essa garota é falsa.
E: e ela ainda me pediu desculpas no banheiro, chorou e tudo.
G: lágrimas de crocodilo. pelo menos podemos levar o Mikey pra Jude amanhã.
E: é. Pelo menos isso. Assim você não irá ser expulso.
No dia seguinte fomos na sala da Jude assim que chegamos junto com o meu irmão. A psicóloga e a diretora conversavam com ele a sós e nós esperamos do lado de fora da sala. Logo Mikey apareceu na porta e nos mandou entrar.
E: e então?
J: além de o seu irmão falar tudo eu liguei pra Jane e ela confessou. Ela virá hoje dizer porque fez tudo isso. Você está livre dessa acusação Gerard. Mas eu vou te dar uma advertência pelas outras acusações que você admitiu ter feito.
G: tranqüilo.
E: mas agora precisamos da Jane pra terminar logo tudo isso. Ela não deve ter planejado tudo sozinha.
J: eu vou conversar com a Maggie que é a dona do colar.
G: com certeza ela tramou tudo isso. Essa garota não vai com a minha cara desde que eu vim estudar aqui.
A: realmente a aluna Maggie sempre criou confusões com alunos...eu entendo. Bom, vocês podem ir pra suas salas.
E: obrigada vocês duas.
A: eu os acompanho, vou chamar a Maggie pra conversar.
Entramos na sala e Maggie se fez surpresa quando a Alice a chamou em sua sala. Pouco depois ela entrou e nos olhou com um olhar ameaçador. Emily sentou do meu lado nas aulas. Na hora do recreio Emily foi ao banheiro e eu fiquei com Frank no mesmo lugar de sempre esperando por ela.
[Visão da Emily]
Tinha que pôr final nisso tudo. Fui no banheiro do campo e tirei o uniforme do grupo de lideres de torcidas do meu armário. Quando saia do banheiro vinha Maggie.
M: você é uma traíra. – disse parando na minha frente.
E: traíra é você. Como pôde armar tudo isso pra cima do Gerard? Ele não
tem culpa de nada.
M: ele é um ladrão.
E: esquece Maggie, não acredito mais nas suas mentiras. Sei que ele não fez nada. Quando eu achar a Jane, você vai estar ferrada.
M: isso se você acha-la.
E: não se preocupe, hoje mesmo ela dá as caras no colégio.
M: está fora do time. Dê adeus a tudo isso. – disse apontando pro campo.
E: toma. Eu me retiro do time com prazer. – e joguei a roupa nos pés dela.
M: como joga as roupas assim? Abusada.
E: faz o seguinte? Me deixa em paz e eu te deixo em paz? Justo?
M: some sua morcega. Mais uma pro grupo dos esquisitos.
E: bye. – dei um tchauzinho sarcástico pra ela e voltei pro pátio da escola.
[Visão do Gerard]
depois de alguns minutos Emily apareceu no pátio e sentou ao meu lado.
G: aconteceu alguma coisa? Eu vi a Maggie indo pra lá.
E: sai do time.
G: mas por que?
E: primeiro que ela não iria querer mais eu no time e depois eu não estava mais suportando esse espírito de liderança dela. Prefiro ficar com você. – disse abraçando meu braço.
G: eu sinto muito.
E: por que?
G: por ter acabado com seu sonho.
E: meu sonho é você Gerard. – a beijei.
F: vamos parar com essa beijação, por favor.
Rimos de Frank e ficamos zoando ele e nos beijando mais e mais.
No mesmo dia, só que de tarde, Jane apareceu com sua mãe no colégio e confessou ter sido ela a entregadora do colar e por ordens da Maggie que a ameaçou cortar da escola. Maggie não foi expulsa, mas ganhou uma advertência. Enfim, eu não fui expulso do colégio.
Uma semana depois Emily e eu estávamos no pátio do colégio no mesmo local que ficávamos em todos os recreios e percebi seu olhar triste pro pessoal das cheerleaders.
G: que foi em? – disse levantando o rosto dela pra mim.
E: nada não.
G: está triste não é?
E: não...
G: é por causa da Maggie?
E: ah...é...não sei, to meio sem acreditar ainda em tudo que aconteceu. Éramos tão amigas...
G: se você quiser, pode voltar a falar com ela, não vou esquentar.
E: agora acabou Gerard. Caiu a máscara dela. Só fico triste mais pelas outras meninas que não falam comigo por causa da Maggie.
G: não fica assim amor. um dia acabamos descobrindo quem é nosso amigo
de verdade.
E: você tem razão...
Emily e eu estávamos cada vez mais juntos. Ela agora só andava com a gente. Ainda falava com os outros, exceto com o grupo das patricinhas que a ignorava. Com o tempo ela foi deixando de lado a tristeza e não ligava mais pra babaquice das outras meninas.
Meses depois terminamos o segundo grau e ainda continuávamos juntos. Nosso amor estava cada vez mais forte. Estávamos felizes juntos, os pais delas davam todo apoio e enfim pegaram a confiança em mim.
Mikey ainda continuava estudando, agora estava preste a terminar o segundo grau. Ele e Donna estavam melhores do que nunca, mas eu...ainda não falava com ela direito. A gente se cumprimentava, mas não era aquela coisa de mãe e filho.
Eu só pensava em uma coisa depois da escola: me dedicar ao máximo à banda. Estávamos prestes a gravar um CD. Estava com um monte de músicas escritas e ensaiadas, tudo pronto. Fazíamos até show em alguns bares. E Emily estava fazendo aulas de dança e se aperfeiçoando cada vez mais na área.
Meses depois...
Estava péssimo. Fazia um ano da morte da minha avó. Não tinha ânimo, estava triste, chorava e tentava esconder ao máximo minha tristeza. Ainda não tinha conversado com ninguém sobre isso, só com o Frank. Ele sim sabia de tudo e me deu a maior força.
Nesse dia Emily foi até minha casa e ficamos juntos na varanda da minha casa. Emily nunca soube do que aconteceu com minha avó.
E: que foi? Ta tristinho hoje...ta quieto...
G: nada... – disse com a cabeça no colo dela.
E: Gerard, você às vezes fica tão estranho, se perde no pensamento, fica calado. O que é que você fica pensando nessas horas? Aconteceu alguma coisa? Não gosta mais de mim é isso?
G: não, não é nada com você.
E: então o que é?
G: umas coisas...do passado.
E: é aquela tal de Michelle, ainda gosta dela?
G: não. Também não tem nada a ver com ela.
E: vai ser melhor pra você colocar tudo pra fora Gee, guardar tudo isso pra você só vai te fazer mal.
G: me desculpa Emily, mas eu não gosto de falar sobre isso. Quero guardar pra mim. – me levantei do colo dela e fiquei sentando ao lado dela.
E: desculpa...não queria te irritar.
G: não irritou. Hoje não estou bem mesmo.
E: coloca tudo pra fora. Tudo o que sente.
G: já disse que não quero falar nisso. Não consigo falar nisso, dói demais.
E: então se expresse numa de suas músicas. Se não quer falar com alguém, escreva. Cante. Sei lá...só não vai ser bom você ficar assim guardando pra si. Desabafe Gerard.
Aquilo tinha sido uma boa idéia. assim que ela foi embora eu peguei uma folha de papel e escrevi a letra de uma música. A música se chamava Helena, nome da minha avó. Tentei pôr todo meu sentimento naquela folha de papel. Toda dor que eu sentia.
Conseguimos um contrato com uma gravadora e Frank viajou pra resolver as coisas da banda em nova Iorque e nós ficamos aguardando ansiosos.
Emily e eu estávamos na sala da minha casa conversando ao lado do telefone, já que eu esperava a ligação de Frank a qualquer momento.
E: eu adorei sua última apresentação. – disse ela fazendo carinho em meu cabelo.
G: gostou mesmo?
E: ahan.
G: então me dá um beijo pra dizer isso.
E: isso eu faço com o maior prazer. – e nos beijamos.
G: sabe, estamos sozinhos...
E: é, eu sei. Quando cheguei sua mãe estava de saída com o Mikey lembra?
G: então...podemos namorar.
E: e o que estamos fazendo?
G: eu digo fazer outra coisa. – ela arregalou os olhos assustada e eu me levantei do colo dela.
E: está falando de sexo?
G: sim, mas...
E: Gerard...Eu sei que você tem suas necessidades...
G: calma, eu só dei uma idéia, se não quiser ok.
E: Deve me achar uma idiota, mas é que...
G: não, claro que não te acho idiota. Eu te entendo perfeitamente.
E: se quiser eu deixo...
G: deixa o que?
E: você procurar outra pessoa que queira. Não quero que você fique sem isso por causa de mim.
G: eu não estou desesperado, calma.
E: olha, eu prometo que vou pensar no assunto ta bom? Só me dê mais um tempo. Ta?
G: claro. Não precisa ficar assim, não estou com raiva ta bom? – e a abracei. Foi quando o telefone tocou. – alô. – atendi. – lógico, ótimo...ok. tchau.
E: que foi?
G: a gravadora gostou da gente, querem que a gente abra o show do green day amanhã.
E: nossa não acredito!? que bom!
G: ficaremos famosos baby!
E: estou muito feliz por vocês. Sério mesmo. Mesmo que não continuemos juntos pra sempre, eu desejo mesmo toda sorte pra vocês e muito sucesso.
G: o que está dizendo? Você e eu ficaremos juntos pra sempre. A senhora Way.
E: é tudo o que eu quero. – dei um grito de alegria pela notícia que o Frank me dera e depois nos beijamos.
No dia seguinte estávamos todos prontos pro show e decidimos finalizar nossa apresentação, cantaríamos três músicas, com a música que eu tinha acabado de escrever, Helena. Emily e Donna ficaram no camarim aguardando o final do show.
Quando subi no palco foi uma adrenalina que invadiu meu corpo. Quando começamos a tocar uma de nossas musicas o pessoal pulava junto com a gente. Frank fazia umas maluquices no palco, bem o tipo dele, que fazia geral gritar. Foi uma coisa que eu não sei nem explicar o que eu senti naquele momento. uma energia imensa estar lá no palco cantando pra milhares de pessoas, foi como se eu estivesse no meu próprio show. Foi maravilhoso. Indescritível.
[ Atrás deles ]
Emily e Donna assistiam a apresentação do grupo no palco só que lá no cantinho escondidinhas. Emily estava empolgada e cantava junto e pulava também.
E: nossa, incrível. São os máximos.
D: meus filhos. Estou tão orgulhosa. – disse emocionada.
E: ih, acho que é a música nova que o Gerard escreveu. – disse Emily quando ouviu uma música que não conhecia ainda começar a tocar. – estou curiosa pra ouvir essa música.
A música começou e Emily junto com Donna aprestavam atenção a letra. Emily se empolgava com a música quando olhou pra Donna e percebeu que ela não estava bem. Estava mais pálida do que nunca.
E: Donna, está tudo bem?
D: estou...só que...
E: o que houve?
D: essa música...
E: não gostou?
D: não é isso, é que...qual o nome da música?
E: se eu não me engano é Helena. É o nome de uma mulher.
D: sabia!
E: sabia o que? – perguntou Emily sem entender.
A apresentação deles acabou e Gerard agradeceu a todos e então as luzes se apagaram. Quando Gerard viu Emily a abraçou e os dois foram juntos abraçados pro camarim mas no corredor Donna parou os dois gritando por eles.
D: temos que conversar. – disse pro Gerard quando ele parou.
G: sobre?
D: sobre sua avó Helena.
E: Helena é sua avó? — perguntou Emily não entendendo nada.
Os dois ficaram se olhando por alguns segundos e Gerard não conseguia se mexer de onde estava até Mikey carregar sua mãe pra outro lugar.
E: o que está acontecendo? – perguntou sem respostas. Gerard entrou no camarim sem responde-la e ela continuou no corredor confusa.
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