Notas iniciais
Bem vindos . . .

Narração: Grego

Era inicio da tarde, o relógio ainda não tinha chegado nem mesmo em 14 horas, fui até a padaria trocar umas ideias com meu amigo Lindomar, mas para minha surpresa, em uma mesa no centro estava Marizete e Benjamim, o casal devidamente acompanhados de dona Izabelita e dona Deodora.

Me aproximei da mesa, dona Izabelita logo me convidou para sentar com eles, é mais que óbvio que imediatamente puxei uma cadeira e me juntei a eles na mesa da padaria, Benjamim me olhava como se quisesse me matar e Marizete não estava muito longe de me olhar diferente disso.

Pouco tempo após que sentei, vi aquela moça se aproximando da mesa, eu lembrava muito bem dela, era a Margot. Eu gostava da Margot, não vi mais que duas vezes, mas sabia que a mina era diferente dessa gente granfina, ta que de longe já dava para notar que ela era uma mina de dinheiro, toda com os perfumes importados, roupa fina, cheia das educação, se via que ela não era uma de nos, mas quem liga para isso mano? Eu gostava dela, nunca destratou ninguém aqui na quebrada, já tinha ate mesmo feito uns barracos aqui com a Marizete. Margot era gente fina.

Dona Izabelita me falou do nada que ela logo seria bisavó, olhei espantado para Marizete e Benjamim, mas agora estava tudo explicado, por isso o casamento corrido, Mari estava gravida, aquele playboyzinho não perdia tempo mesmo. Eu já ia abrir a boca para soltar um comentário, uma piadinha, mas então dona Izabelita me cortou e falou que quem estava gravida do seu neto era a Margot e não a Mari. Eu sei que minhas ideias já não são muito certas mesmo, mas agora minha cabeça tinha dado um nó, o cara deixa uma de barriga e vai casar com a outra? É isso mesmo? Isso não é certo não mano.

Margot sentou-se a mesa com a gente, eu até sai de mim e fiquei caladão, tentava organizar minhas ideias, me peguei diversas vezes olhando para a Margot, para o Benjamim e para a Marizete, Benjamim parecia confortável com a situação daquelas duas mulheres, a única coisa que lhe causava desconforto, era eu naquela mesa, porém o fato de ter uma mulher gravida dele em uma ponta da mesa e ele estar abraçado e jurando amor a outra mulher, parecia estar bem para ele.

Mano, eu já sabia que aquele homem era um babaca, mas não imaginei que era tanto. Mari também muito me surpreendeu, sei lá, mas também caberia a ela sair daquela situação, né? Os assuntos giravam em torno do casamento, Marizete e Benjamim se levantaram com a desculpa que iam fazer sabe lá o que, e a essa altura, nem me interessava para onde aqueles dois iriam, eu estava doido por Margot ao meu lado. Dona Izabelita foi logo atrás falando que ia passar na casa da dona Deodora, acabou ficando Margot e eu na mesa.

Lindomar trouxe alguns morangos para Margot.

- Você ta colocando sal no morango? – Perguntei a Margot sem querer acreditar naquilo, ela apenas fez que sim com a cabeça e balbuciou um “uhum”

- Vocês gravidas são todas loucas – Conclui.

Margot era realmente uma pessoa diferente, eu nunca tinha conhecido alguém como ela, parecia que a gente podia falar de tudo, ela não me julgava por nada que eu falava e se ela achasse graça de algo, ria sem cerimônia, mas não era uma risada esnobe, não me senti ofendido, era uma risada divertida, eu poderia até dizer que ela estava gostando de estar comigo.

Dona Deodora não voltou mais com dona Izabelita e eu fiz questão de levar Margot em casa, afinal de contas sou um cavaleiro.

Caminhei com Margot até meu carro, mas ela ficou mesmo foi encantada com a moto que estava ao lado do carro.

- Uau, essa moto parece incrível – Margot foi até o veiculo e deixou sua mão deslizar no banco de couro negro, em seguida seus dedos foram contornando o dragão grafitado na lateral.

- Gosto? Eu também amo essa moto, é uma espécie de filho para mim –

-Então ela é sua? – Ela perguntou curiosa.

- Sim –

- Vamos nela até minha casa? – Os olhos dela brilhavam feito o de uma criança vendo um doce.

- Você é louca, né? – Olhei para ela assustado – Você ta gravida, como vai ficar andando de moto por ai? –

- Eu to gravida, mas não doente ou fraca, se você for bom piloto e ir com cuidado, que mal tem? – Ela estava certa, na verdade, não teria nenhum mal desde que eu fosse cuidadoso e responsável.

- Eu não to certo que isso é uma ideia boa – Falei sincero.

- Poxa, Grego, você não confia em ti como piloto? – Ela me desafiou.

- Claro que confio – Respondi rápido e ofendido.

- Então, vamos? – Olhei para Margot e agora seus olhos pareciam mais brilhantes, um sorriso doce se desenhou em seu rosto. Droga, eu não sei dizer não para as mulheres bonitas.

- Você venceu, mas a gente vai na disciplina, vamos bem devagar, nada de aventura – Foi só eu acabar de falar que iríamos na moto para Margot montar nela e assumir o espaço do piloto – Seu lugar fica um pouco mais atrás, você sabe? Eu fico no tanque e você no carona – Expliquei a ela como se fosse para uma criança.

- Quem disse? Eu piloto e você vai no carona – Margot tinha um sorriso travesso, totalmente arteiro – Eu tenho carteira, relaxa que sou habilitada para pilotar motos – Ela falou me deixando feito pedra, eu não sabia muito bem como assimilar tudo aquilo, aquela mulher era um rio de surpresas.

- Mas essa não é uma moto qualquer, é quase uma filha para mim –

- Por Deus – Ela reclamou – Você já passou da idade de brincar de boneca e achar que um objeto é sua filha –

- Ta me tirando? Respeita a minha história –

- Ta bom Grego, agora sobe logo nessa moto e vamos que já to cansando –

Naquele momento, percebi que discutir com Margot era perda de tempo, como todas as mulheres, ela era cabeça dura, ninguém nunca tinha dirigido minha moto, mas agora cá estava eu, sentado pacientemente no carona enquanto Margot descia a comunidade na direção da minha moto.

Ela estacionou na frente do prédio da doutora Patrícia, tenho que confessar internamente que ela sabia pilotar, mas óbvio que eu nunca assumiria isso em voz alta, não daria essa moral toda para ela. Margot me convidou para subir, provavelmente por educação, eu aceitei, estava gostando de ficar conversando com ela.

Já na sala, Margot lutava para tirar suas sandálias, sem maldade, me ofereci para ajuda-la, lembro de quando minha tia ficou gravida, os pés sempre ficavam inchados, com Margort e aqueles saltos enormes, com certeza ela deveria estar com os pés inchados e doendo.

- Como você conseguiu pilotar minha moto com esses sapatos? Sinceramente, se eu tivesse reparado nesses saltos, não tinha deixado você vir guiando – Margot riu, ela sabia que eu estava certo, que ela não deveria ter vindo dirigindo com saltos tão altos, acabei sendo contagiado pelo riso dela e rindo também, estava começando a perceber que aquela mulher era mais louca que eu.

Me ofereci para fazer massagem em seus pés, eu fazia sempre na minha tia quando ela estava gravida, no começo Margot rejeitou, mas assim que comecei a massagem ela desistiu de contestar e começou a desfrutar do meu gesto.

- Como você pode se envolver com o Benjamim? Aquele cara é um babaca e você parece ser gente boa – Perguntei enquanto massageava seus pés.

- Marizete também é babaca e careta e pelo que eu saiba você morre de amor por ela – Touché, aquela mulher sabia como responder a altura.

- Sabe de uma coisa? Não vamos falar deles –

- Certo, me fale de você Grego –

Contei parte da minha história para Margot, eu já tinha parado a massagem e estava sentado no chão, não sei em que ponto da história, Margot acabou saindo da poltrona e se juntando a mim no chão, com dois copos de suco, ficamos conversando e eu lhe contando de como foi crescer sem mãe em Paraisópolis, Margot ria de parte da história e criticava abertamente outra parte.

Doutora Patrícia chegou sem aviso, afinal era a casa dela, simplesmente abriu a porta e nos pegou sentados no chão da sala, Margot a essa altura tinha seus pés em meu colo e eu novamente lhe massageava os pés, ambos estávamos rindo de uma história que Margot contou sobre sua época na faculdade.

- Está tudo bem aqui? – Patrícia perguntou e demorou uns segundos para conseguirmos parar de rir e responder a ela, nitidamente Patricia estava desconfortável comigo em sua casa, eu sabia que ali não era meu lugar, levantei e logo fui embora, quando sai daquele prédio me assustei em ver que o sol já tinha dado lugar a lua, passei a tarde inteira com Margot e nem tinha me dado conta disso.

Notas finais
Espero que gostem da história e comentários sempre são bem vindos.