Encontro de almas
4 Capítulo 04
Meu celular vibrou em cima da mesa do escritório, eu estava concentrada desenhando um projeto, peguei meu celular com o intuito de apenas ver de onde vinha a mensagem para depois responder, para minha total surpresa, Grego, foi o nome que apareceu na tela. Larguei o lápis cuidadosamente sobre a mesa e peguei meu celular. Eu não esperava uma mensagem dele, tínhamos nos visto sábado, hoje já era quarta-feira e durante esses quatro dias não tivemos nenhum contato.
– Sabe quem ta sentido saudades sua? – Era tudo o que tinha escrito na mensagem. Não era um jeito convencional de começar uma conversa, mas era notório que Grego tinha um modo particular de se comportar.
– Quem? – Perguntei e imediatamente ele ficou online e me respondeu.
Ri genuinamente com sua resposta, Grego me respondeu enviando uma foto do filhote de seu cão.
– Ele está lindo e parece maior na foto que pessoalmente– Respondi e logo pude o ver digitando.
– Por que você não dá um pulo aqui hoje e vem matar a saudade do Romano? – Confesso que demorei um pouco a responder, não por não querer ir até lá ou por temer algo, apenas porque eu estava com muito trabalho acumulado e talvez fosse melhor ficar até tarde na agência.
– Eu tenho muito trabalho hoje :(
– Isso é um não? – Me senti mal com a pergunta dele, parecia até que eu estava inventado uma desculpa quando no fundo eu queria sim ir até lá e me encontrar com o Grego, conversar com ele sempre trazia descontração e me relaxava, o tempo passava sem eu nem notar.
– Isso é um: com certeza eu vou ai brincar com o Romano hoje, tenho tanto trabalho que vou precisar de descansar no final do dia e acho que Romano pode me ajudar a fazer isso – Me permitir mais uma vez ser um tanto quanto insana e me aventurar em Paraisópolis.
– Firmeza, to esperando você e prometo fazer um jantar da ora para a gente – Optei por ignorar o hora sem h.
– Você cozinhar? Acho que não poderei ir – Falei ironicamente, confesso que não tinha certeza se ele entenderia minha ironia, porém ele a entendeu perfeitamente.
– Ta cheia das graças né? Ocê vai querer é comer até as panelas – Sorri ao notar que ele tinha me entendido, ao contrário do que aparentava, Grego estava longe de ser um homem burro.
– Me deixe trabalhar e até mais tarde. Beijos – Me despedi, embora fosse um comportamento rude cortar a conversa assim, mas eu precisava focar no trabalho se quisesse realmente ir jantar em Paraisópolis.
– Bjs –
O trabalho tinha me consumido totalmente, eu já estava tonta de tanto traçar retas e formular plantas, mas ainda assim me liberei antes do normal, quando era apenas 16 horas larguei tudo e fui para casa tomar um banho.
Sai do banho e vi que tinha uma nova mensagem do Grego, pensei até que ele estaria desmarcando o jantar, mas ao contrário, era uma foto de umas sacolas de mercado com a legenda ´ingredientes comprados, daqui a pouco coloco a mão na massa`´
– Eu espero sair viva desse jantar – Respondi – Por volta das 18 horas eu chego por ai –
Coloquei uma roupa mais simples e confortável, calça jeans com uma blusa de meia manga estampada, no pé, um tênis, afinal eu queria voltar pilotando a moto. Eu sabia que Grego iria querer me trazer de volta, por isso optei por deixar meu carro em casa e ir de táxi até a comunidade.
Cheguei em Paraisópolis, porém o taxista se recusou a subir na favela, não insisti, entendo seu gesto e seu receio. Liguei para o Grego e pedi para ele vir me buscar, até porque eu sinceramente não fazia a mínima ideia de como andar por Paraisópolis sozinha e nem onde ele morava. Fiquei esperando e em poucos minutos a moto parou na minha frente e Grego apenas levantou a viseira, com um sorriso no rosto ele entregou meu capacete e me sentei no carona.
O cão estava no quintal e assim que me viu veio fazendo festa, eu era consciente que ele não estava me reconhecendo, que ele era apenas um filhote indefeso que queria brincar com todos, mas ainda assim me senti recepcionada por ele, me curvei e o peguei no colo.
– Você vai entrar com ele novamente em casa? – Grego me perguntou impaciente.
– Só hoje – Falei
– Já ouvi isso de só hoje antes, vamos logo antes que eu me arrependa –
A cozinha de Grego estava uma bagunça completa, eu não podia acreditar que ele realmente estava fazendo a comida por si só.
– Meu Deus, é você mesmo que está cozinhando – Disse espantada.
– É claro, acha que sou mentiroso? Se falei que ia fazer a comida eu vou fazer – Grego logo lavou as mãos e voltou a picar tomate – O menu de hoje é espaguete ao molho bolonhesa - Ele me informou
– Eu adoro, mas agora vamos ver se você vai consegui fazer direito né –
– Você tá me tirando né mano? – Ele perguntou e eu ri – Senta ai e para de reclamar, alias, senta não, vem aqui e vai lavando a louça – Ele pediu.
– Não posso porque sou convidada – Me esquivei com um sorriso cínico.
– To nem ai, faz esse favor aqui – Ele insistiu
– Não posso porque estou gravida – Tentei uma nova desculpa e dessa vez ele riu.
– Você não é mole hein?! Não facilita em nada para mim. Senta logo ai e vamos conversar então –
Eu fiquei impressionada com o Grego na cozinha, ele se mexia de um modo que demonstrava o quanto ele dominava aquele ambiente, os temperos eram cortados meticulosamente do mesmo tamanho e ainda assim de forma rápida, o molho ele fez colocando ingredientes que eu nem mesmo sabia o nome, o cheiro era incrível, a aparência melhor ainda.
– Onde aprendeu a cozinhar assim? – Perguntei curiosa.
– Um pouco aqui, um pouco ali, você sabe, necessidade – Ele respondeu de imediato, mas logo ele se aprofundou e me contou até mesmo que tinha sido preso e lá também o serviu de escola de culinária.
O jantar estava delicioso, se eu não tivesse lá e o visto fazer, jamais acreditaria que tinha sido ele o cozinheiro. Eu já tinha comido massa em grandes restaurantes e aquele prato estava equiparado a qualquer um que neles comi, Grego era um talento na cozinha.
Terminamos o jantar e fomos para a sala conversar. Me admirei quando ele perguntou sobre meu dia e em seguida se ofereceu para me fazer massagem novamente em meus pés, massagem essa que prontamente aceitei.
– Você acha que é menino? – Ele perguntou do nada, mas entendi perfeitamente que ele se referia a minha gravidez.
– Eu não faço ideia, embora dona Izabelita jura que será uma menina e vai chamar Maria – Coloquei a mão na minha barriga e a acariciei.
– Posso tocar? – Ele pediu e pude ver o receio em sua voz.
– Claro – Grego que estava sentado no chão massageando meus pés, ficou de joelho na minha frente e tocou minha barriga por cima da blusa, seu gesto me deixou muda, eu não esperava isso dele, ninguém ainda tinha pedido para tocar minha barriga, até mesmo porque ela ainda nem tinha se colocado formalmente gravida a ponto de gerar interesse em tocá-la.
– Eu acho que é menino – Ele disse, sem me consultar levantou um pouco minha blusa e colocou a mão por dentro dela – Você é menino, não é? — Ele disse olhando para minha barriga – Vai ser menino sim e vai jogar bola comigo, vamos juntos assisti futebol e depois comer churrasco – Grego cada vez mais me deixava encantada com seu tato comigo, eu não sabia nem como reagir naquele momento, eu só sabia que ele era encantador, apaixonante, eu estava prestes a cair de amor por aquele homem que me surpreendida cada dia mais.
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