Encontro Sobrenatural
1 Encontro sob a Árvore Sagrada
Notas iniciais
Estou animada para postar, por isso se tiver pequenos erros, não desista de mim.
Pretendo terminar essa história no 12º capitulo.
Ilustração da capa foi feita por Mari Morgan, apenas editada por mim.
Isso é tudo, vamos lá.
Meu avô sempre me alertou sobre a importância das tradições. Tudo bem, eu entendo a importância das tradições, o que eu não entendo é porque elas ficam em lugares escuros e pesam tanto, concluí enquanto arrasto a última caixa grande coberta de poeira para fora do depósito. Está tão pesada que uso o peso do meu corpo para ajudar, mas minhas mãos escorregaram e caio de bunda no chão.
Risadas explodem atrás de mim. Viro rapidamente para ver quem é, apenas para confirmar que são as minhas amigas da escola Eri, Ayumi e Yuka. Ainda bem que vieram! O que eu não esperava é ver o Houjo aqui também, ele fica sério e vem me ajudar estendendo a mão.
—Você está bem Higurashi? — pergunta gentilmente.
—Sim, estou bem, não se preocupe — eu ignoro sua mão e ele parece não se importar, levanto sozinha limpando a poeira da saia, definitivamente preciso limpar esse lugar — Mas, porque você está aqui? — pergunto um pouco confusa.
—Bom, percebi que você não foi pra aula hoje. — ele diz olhando para baixo um pouco decepcionado — Então perguntei para as meninas o que houve e elas disseram que você recebeu uma permissão especial para estar aqui cuidando dos preparativos do festival. Eu vim ajudar também. — concluiu sorrindo para mim.
—Ah, foi? — respondi lançando um olhar de repreensão para minhas amigas e depois olhei para ele com um sorriso tímido- Será que você pode me ajudar levando essa caixa lá pra frente onde o pessoal está montando as tendas?
— Claro! — ele acena positivamente, levanta a caixa com os braços e vai embora. Até que não foi má ideia das garotas, com certeza ele vai ajudar muito.
— Nossa! O Houjo está mesmo caidinho por você Kagome! O que você acha dele? — Eri pergunta cheia de insinuações.
— Ele é muito gentil, mas não estou interessada. — respondo enquanto tranco a porta do depósito.
— Hum… por acaso você está interessada em outra pessoa? — agora é a vez da Yuka ser curiosa.
— Não meninas, a única coisa em que estou interessada é o festival. — digo suspirando — aliás obrigada por terem vindo me ajudar, nosso templo é bem pequeno, por isso precisamos de voluntários…ali na varanda estão as caixas com materiais para a decoração que eu falei, daqui a pouco eu levo chá gelado pra vocês.
— Tudo bem, vamos te deixar em paz, nos vemos mais tarde então! — respondeu Eri.
Atravesso o pátio para chegar em casa, visto as roupas tradicionais de sacerdotisa e pego acessórios para ensaiar o Kagura¹ sob a supervisão da Sra. Kinomoto. Eu gosto da roupa, é bastante simples e confortável, mas com certeza não sairia de casa com ela. Antigamente dançava-se o Kagura para agradar os Deuses, mas agora a dança perdeu seu significado e é apenas mais uma forma de entretenimento.
A Sra. Kinomoto é muito atenciosa, mas muito exigente. Bastante exigente! Após o ensaio fiquei cansada, meus braços e pernas doloridos. Agradeci e me despedi dela com um abraço, sentei no canto da sala. Será que esse esforço todo vai valer a pena? Respirei fundo, sem vontade de sair dali, mas levantei resignada porque ainda precisava checar uma última coisa.
Atrás do templo há uma árvore sagrada chamada Goshinboku. Ela é enorme e muito bonita, é o meu refúgio favorito, quando estou triste ou cansada gosto de ficar sentada próximo. Infelizmente quando chego, encontro um garoto que nunca vi antes de pé observando a árvore. Ele é alto e muito bonito, seus cabelos negros e longos balançam suavemente na brisa, ele parece estar hipnotizado pois nem me nota.
Aproximo-me devagar para não assustar. Agora mais de perto percebo que está perdido em pensamentos, sua expressão é triste e melancólica. Enfim percebendo minha presença, ele se vira, e quando me vê um lampejo de reconhecimento e esperança brilha em seu olhar.
Ele vem em minha direção, sinto um frio na barriga. O que está acontecendo aqui? Esse garoto me conhece? Quero voltar ao normal, mas meu corpo parece ter criado vida própria, tudo que consigo fazer é cruzar os braços como se me protegesse. O estranho para abruptamente a poucos centímetros de mim, ele é ainda mais lindo assim de perto, seus olhos são da cor do sol e parecem enxergar a minha alma.
Kikyo…? — sussurra ele.
Eu…? Não... — é tudo o que consigo dizer.
Ele recua um passo como se minhas palavras o despertasse, fecha os olhos cobrindo o rosto com a mãos.
Eu aproveito para respirar fundo e limpo a garganta tentando encontrar minha voz. Acalme-se Kagome! ACALME-SE! Quero correr, mas meus joelhos parecem gelatina. É difícil negar a atração que estou sentindo. Você nem conhece esse cara e quem é essa Kikyo? Minha consciência finalmente dá as caras e obviamente tem razão.
Nossos olhares se encontram novamente, ele parece muito confuso como se estivesse lutando consigo mesmo. Quero perguntar o que está atormentando, mas não sei se devo. Um silêncio tenso cresce entre nós e a cada segundo a situação fica mais estranha. Até que eu não aguento mais:
— O que é que você quer? — pergunto atordoada.
— Olha aqui, eu não quero nada de você! Só vim avisar que está correndo perigo, fique longe daquele lugar! — ele grita exasperado apontando para trás de mim.
Eu viro para ver do que ele está falando. Atrás de mim está o casebre que abriga o poço come ossos². Um arrepio de medo cruzou minhas costas. Diz a lenda que os antigos jogavam os ossos de pessoas e youkais naquele poço e eles desapareciam misteriosamente. Eu não sabia se a lenda era verdadeira ou não, mas evitava aquele lugar desde criança.
Quero perguntar de que tipo de perigo está falando, mas ele não está mais lá. Sumiu?! Corro contornando o templo, passando pela minha casa e pelas minhas amigas, até chegar na entrada mas não o encontro. Encaro a escadaria vazia e não quero admitir, mas me sinto um pouco triste. Gostaria de saber quem ele é e porque se importa comigo. Será que vamos nos ver de novo?
Notas finais
1. Kagura: é a mais antiga forma de dança no Japão. Segundo um antigo mito nipônico, a deusa Amenouzume-no-Mikoto (deusa da alegria) dançou na frente da Amano Iwato (caverna celestial) para atrair a atenção de Amaterasu (deusa do Sol) que tinha se escondido na caverna, trazendo escuridão ao Mundo.
2. Poço come ossos: na história original de Inuyasha quando um Youkai era morto eles jogavam seus restos no poço e eles desapareciam. Pode ter sido originada de uma historia muito famosa no Japão chama "A virgem do poço".
Obrigada por ler até aqui!
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