— Ansiosa para vê-la? Sabe que nem eu acredito as vezes? Quanto mais eu paro para refletir sobre sua história, mais inacreditável me parece. E mais eu te admiro, minha mãe – Com todo carinho e amor que a mulher que o criou merece, Bento levou a mão que ele segurava aos lábios, para um beijo terno!

Vitória, já bastante emocionada, não consegue formar uma palavra. Apenas retribui o gesto atencioso do filho postiço lhe afagando os cabelos (..) Se Bento soubesse da história completa, talvez fizesse mais sentido...

— Perdoem-me pela demora. Bernardo acabou de ligar, desculpando-se pelo atraso, imprevistos do transito. mas está para chegar. Aceitam um drink enquanto esperamos? – Luis adentrou a sala, interrompendo a sintonia entre mãe e filho

— Prefiro Wiski, sem gelo… Se não for problema – Segeriu Bento

— Claro que não, eu o acompanho. E você, Vitória? – Ofereceu, já começando a servir os copos de whisky

— Por enquanto nada, obrigada Luis... Você estava falando de Bernardo, não é?. A esposa dele também vem não é isso? Soube que ela é promotora e que vai nos ajudar nas cláusulas do contrato – Vitória perguntou, tentando soar indiferente

— Emilia Beraldini? Sim, é uma promotora estupenda. Também, sendo filha de quem é… Admito ter certa implicância com ela por assuntos que não vem ao acaso. Mas sabe que não consigo deixar de gostar dela? Você vai gostar também. Ela é uma mulher de fibra, gênio forte, sabe? Me lembra muito você até quando mais nova –

Ela sorrir, feliz pela comparação, apesar de um pouco preocupada com essas implicâncias entre eles.. daria um jeito de descobrir depois. E ao fitar Bento, só ele entenderia a mensagem nas iris que brilhavam de modo peculiar “Viu? Ela se parece com a mãe dela”

— Ela também perdeu o pai não tem muito tempo, não é mesmo? –

— Sim, grande amigo Alberto. Ela teve que ser muito forte para superar. Era muito agarrada ao pai. Emília era mina dos olhos do Dr. Beraldini. Mas ela teve muito apoio, meu e do seu marido Bernardo. Acredita que.. (...) –

Nesse momento, Emília e Bernardo acabaram de chegar na nada modesta mansão do Carmosino. Emília estava elegantíssima em seu vestidinho da Calvin Klein. Um vestido todo preto, moderno, que roubava a cena com seus detalhes de renda. O tecido é leve, poliéster, perfeito para o verão. A combinação que forra o vestido produzia um lindo look de camadas. O vestido tem mangas de comprimento médio, e o acabamento até a altura dos joelhos. A modelagem marcada modelava seu corpo, evidenciando as formosas curvas. O decote redondo valorizando seu colo... tão belo e lisinho, que Bernardo não parava de admirar. Mas ele não estava diferente. Camisa polo listrada, de listinhas fininhas, as mangas e o colarinho de uma cor bem viva. Camisa que combinava perfeitamente bem com a calça clara de linho que ele usava, tão sofisticada que deixava a polo cool. Como a calça é molenga, ele deixou a barra da camiseta um pouco para dentro e um pouco para fora da cós, dando um ar despojado á vestimenta. Emília prenderia Bernardo dentro de casa, se pudesse -n.

— Dr.Carmosino, acabam de chegar Senhor e Senhora Sartorini – Interrompeu a criada, dando então passagem ao casal que adentrava a sala.

Vitória, que estava de costas, virou para vê-la, e seus olhos a contemplaram. Passariam milhões de anos, mas ela a reconheceria, mesmo que a mil léguas de distância, ela a reconheceria. Ela jamais esqueceria aqueles olhinhos inquietos e curiosos. Vivos, intensos.. Olhos que queriam comer o mundo e absorver tudo de uma vez só. Olhos que a seduziram desde o primeiro momento que a viu, quando a enfermeira a pôs em seus braços. Emília, sua menina, que carregava o fogo pela vida no olhar. O sorriso.. Tao cativante, radiante, alegre de sempre… Sorriso que sempre a acalentava, que era um balsamo para sua dor. Ahh.. Todos os problemas iam embora, a vida tinha cor, amarelo, rosa, qual for… quando Emília sorria. Cor que se foi, deixando tudo cinza, quando foi obrigada a deixa-la.

— Emília Sartorini.. Sua elegância e beleza é tão evidente que só um tolo não a exaltaria – Luís a cumprimentou, sorrindo-lhe em simpatia. Pedindo-lhe a destra, sentindo a pele perfumada quando lhe foi estendida

— Como sempre, muito gentil. Obrigada, Dr. Carmosino – Ela o retribuiu o sorriso, sendo contagiada pelo dele tão fácil e sincero. E não pode faltar aquele abraço apertado tão característico do anfitrião. Emília as vezes se perguntava como um homem tão gentil podia ter feito uma peste da Lucrécia...

— Bernardo, que bom vê-lo, e vivo... Não imagina as hipóteses que correram pelo hospital por causa de sua ausência – Ainda mantinha o sorriso nos lábios quando cumprimentou Bernardo com um abraço desajeitado acompanhado de uns tapinhas nas costas

— Perdoe-me, tive assuntos urgentes para resolver. Mas deixei Raul a par de tudo, não tem o que se preocupar – A Beraldini teve vontade de rir. Tão importante que passaram praticamente o dia na cama...

Um pouco distante, Vitória prestava atenção ao diálogo e em cada gesto de Emília. Como se um suspiro que fosse pudesse dizer sobre a vida da menina. Ela não cansava de admirar o quão bela mulher Emília tinha se tornado

— Ora, deixe disso. Você tem trabalhado bastante, eu que o diga. Uma folga é merecida. Mas deixe-me apresentá-los – Então ele conduziu para mais perto de onde os outros convidados estavam – Vitória e Bento Ventura, estes são os senhores Bernardo e Emília Sartorini –

Emília foi a primeira a tomar partida. Aproximando-se de Vitória, a presenteando com um pequeno sorriso, a evidenciar as covinhas graciosas

— Prazer – Disse de modo singelo, admirando a beleza da senhora, e o tão belo sorriso que ofereceu em troca

— Vitória Ventura, e o prazer é todo meu. Luís estava falando de você agora mesmo – Vitória tentou conter as emoções, o bater acelerado do seu coração… E apertou a mão da jovem, incrível como ainda parecia pequena aos seus olhos

—Só coisa boa, eu imagino.. Se me permite a nobre modéstia, é claro — Emília alargou o sorriso ao ouvir a risada de Vitória pelo comentário nada modesto da filha..

— Certamente, e vejo que ele não mentiu – Olhos nos olhos.. As duas se perderam naquela simpatia recíproca, quase mágica... Isso até serem interrompidas por Bento e Bernardo, continuando os cumprimentos...