— Oé, a minha roupa está muito …. – Ela continuava a conversar com Pedro num dialogo infantil quando foi interrompida com a chegada de Gema

— Emília??? – Parecia mais preocupada do que surpresa. Diferente de Pedro, ela sabia que algo estava muito, muito errado ao reparar no estado de Emília



A Beraldini apenas sorriu em cumprimento, mas Gema até podia sentir um pedido de socorro no olhar perdido da cunhada, por mais que a mesma nem se desse conta disso

— Sei que já está de saída, não se preocupe, já estou indo! – Emília já ia devolver Pedro ao seu chiqueirinho quando foi interrompida pelo protesto de Gema

— Imagine se vou deixar você sair assim, nem pense nisso! – Emília não insistiu, sabia que não adiantaria… começava a se arrepender de ter aparecido ali – JOANAAAA – Gema gritou a empregada que veio de imediato – Pode levar Pedro para tomar um ar lá fora, qualquer coisa ? Preciso conversar com Emília.

Joana estava prestes a cumprir as ordens da patroa quando o menino começou a se debater antes que ela chegasse perto.

— Não, não. Quero diinda, diinda – E os olhinhos do pequeno já brilhavam pela ameaça do choro que viria.

Gema estava preste a negar o pedido quando Emília interveio.

— Tudo bem, Gema. É de um carinho desse que estou precisando agora, deixa eu brincar um pouco com meu afilhado –

— Tudo bem então, mas você almoça aqui – E pelo tom da Fontana, Emília sabia que não teria conversa – Joana, faz um almoço caprichadinho pra gente, minha comadre vai almoçar conosco –

Assim Gema despachou a empregada e deixou a cunhada brincando com o afilhado, enquanto se dirigiu para o escritório para trabalhar no seu novo projeto. Há pouco tempo Gema voltara a exercer sua profissão, designer de interiores, e já estava com um apartamento para planejar.



Emília então ficou ali, na sala, tendo como distração o pequeno Pedro. E como por milagre, ela até conseguira alguma distração naqueles olhinhos curiosos, naquele sorrisinho travesso do pequeno tagarela.



(....)

Quando o almoço estava prestes a ser servido, mesmo sob protrestos de Pedro, Emília resolveu se banhar e trocar de roupa, usando uma nova muda limpinha que a cunhada emprestou

Enquanto isso, Gema alimentava Pedro, e quando Emília finalmente terminou, o pequeno já estava pronto pra tirar uma seresta no colinho da mãe.

— Ele dormiu? – Emília sussurrou

— Acho que você o deixou cansado – Gema, sorriu

— Desculpe – Emília se fingiu culpada, e um sorriso, ainda que pequeno, conseguiu escapar de seus lábios.

As duas mulheres ficaram babando aquele pedacinho de gente, até que Joana vinha colocar a mesa e Gema resolveu subir e por Pedro no berço.



Quando voltou, ela pode observar Emília brincar com o garfo sobre o prato ainda vazio, provavelmente esperando a sua volta.

O olhar da Beraldini era perdido, e Gema quase sentiu pena.

— Eu ia deixar Pedro com meus pais para trabalhar um pouco. Eu ia pedir a você, mas como você vai ficar com ele no próximo final de semana, não quis te sobrecarregar – Dizia, o que parecia ser uma justificativa enquanto se sentava

Emília pareceu acordar do seu torpor e assentiu como quem entende

— Você sabe que pra mim não é nenhum sacrifício ficar com ele – Conseguiu esboçar um sorriso

— É, eu sei, o que te falta é tempo.. Enfim, coma um pouco – Gema sugeriu, enquanto ela mesma começa a se servir – Está mais calma? – Peguntou cautelosa

Emília se sentiu ainda mais tensa, tinha muito a dizer, e nem não sabia como encarar Gema para contar da morte do bebê

— Hm.. Eu acho que sim – Foi evasiva

— Tudo bem, então! Quer conversar depois ? – Perguntou, Gema não estava muito convencida.

Emília assentiu em resposta, e começou a se servir antes que a cunhada sugerisse novamente. Conversaram animosidades, ou ao menos tentaram…



Depois do almoço, ambas foram até a varanda próxima a area de lazer, pois Emília quis fumar um pouco, hábito antes esquecido Então escolheram uma das mesas que dava para a vista da piscina e se sentaram por ali.

— Sério que voltou pra essa porcaria? Desde quando? – E era notório o tom repreensivo na voz de Gema

— Uns dias – Respondeu Emília, taciturna

— Emília, quer me dizer o que houve? – O tom da loira se tornara preocupado

— Eu matei o Benjamim, eu o matei – Foi solene

— VOCÊ O QUE ???? Deus… Quem é esse Benjamim ? –


– Meu filho, Gema. Seu sobrinho. – Era difícil dizer o que Emília estava sentindo naquela hora, pois seu rosto era totalmente inexpressivo. Seus olhos cor de amêndoa estavam secos e avermelhado, como se não tivesse sequer lágrimas para lubrificá-los.