Encontro Marcado
41 Capítulo 41
Notas iniciais
ー Mas suas mãos estão frias e suadas, você também está tremendo, e já olhou para porta algumas vezes.ー ao ouvi-la dizer isso instintivamente olha novamente em direção a portaー Viu? Fez de novoー ela sorri, ele nervosamente faz o mesmoー Estamos esperando alguém? Lucrécia? ー
ー Não, ela disse ter coisas a tratar hoje o dia inteiro e nao vai passar aquiー ele tosse limpando a gargantaー Mas você tem um pouco de razão. Emília, eu pedi para você vir aqui hoje porque… eu.. eu tenho algo muito importante para te contar...
ー Pois pode dizer. ー Ela segura em suas mãos com um pouco mais de força, como lhe passando confiança
ー Eu andei conversando com Vitória e... .ー Ao ouvir o nome da mãe ela se afasta um pouco, soltando as mãos dele ー Ela confidenciou…
Neste instante a campainha toca, a empregada vai abrir. Luís olha para a filha que o analisa, um tanto confusa.
ー Então estamos mesmo esperando alguém ? ー Luís não tem tempo de responder porque nesse instante Vitória entra na sala....
Assim que a vê, Emília se levanta, depositando a taça na mesinha de centro.ーVitória? O que ela faz aqui? ー Ela pergunta diretamente para Luís, obtendo apenas o olhar angustiado como resposta. Então endurece o olhar ao se dirigir a mãe ー É uma armadilha sua, não é? Posso apostar que você obrigou Luís a me chamar aqui para que eu pudesse falar com você, não é mesmo? Tenha dó, Dona Vitória! ー Ao dizer isso, ela passa pelo pai, pega sua bolsa abandonada no estofado, tencionando ir embora.
ー Emília espera, por favor ー Luís pede ー
ー Não , infelizmente não dá! Não com essa mulher aqui ー Ela se aproxima do pai, abraçando-o em despedida ー Luís, peço desculpas por ela.. Por envolvê-lo ー
ー Por favor, Emília, nós precisamos conversar...ーVitória finalmente lhe dirige a palavra.
ー Nós quer dizer eu e você. Você podia me importunar no ministério, na minha casa como andou fazendo, mas nao tinha o porquê incluir uma terceira pessoa que nem sabe o que está passando. E afinal.. Cadê o discurso de que não iria mais impor sua presença?
ー Eu vou cumprir esse discurso, como você diz. Mas nao acha que ainda temos pendencias a resol… ー
ー Por favor, parem com isso! Emília, a Vitória me contou tudo ーLuís tenta apaziguar o clima que ficara pesado e passa pela filha, se aproximando de Vitória. Emília olha para ele tentando compreender o que ele diz, se perguntando se ela falou a verdade sobre a sua existência, seu abandono...ー E Emília por mais que seja difícil, você precisa tentar entender, precisa….ー
ー Eu não preciso entender nada ー Ela o corta de imediato ーOlha, Luís, eu não sei o que ela lhe disse, não sei qual foi a história triste que ela te contou. Mas não acredito, não aceito, o que ela fez não tem perdão… ー
ー Mas Emília toda a história tem dois lados, você mais que ninguém sabe disso, não podemos julgar ー Luís diz isso olhando dentro de seus olhos, ela parece tituberar, mas só por meros segundos ー A sua mãe… ー
ーEla não é minha mãeー O corta novamente para a negatória, se aproximando do casal ーela perdeu esse direito ao me abandonar num dia de chuva numa porta qualquer. Até Maria foi mais mãe que ela, bem ou mal estava ali comigo.ー Apesar de responder a Luis, ela olhava diretamente para mãe. Vitória fechou os olhos tentando lidar com a dor daquelas palavras que a feriam como punhais. Luís aperta mais sua mão, ciente da situação dificil.
ー Então agora Maria é sua mãe? Aceitou essa maternidade há muito tempo? Minha menina… Por que ferir sua mãe desse modo? Ela estava sozinha, doente… ー
ー Bom, vejo que ela contou tudo para vocêー Emília olha para as mãos deles entrelaçadas em uniãoー E vejo também que escolheu um lado… ー
ー Não há lados Emília. Eu só estou tentando… ー
ーEu não vou ficar aqui.ー Ela o interrompe, passa por eles, dando-lhes as costas, seguindo em direção para a porta.
ーTem certeza que não quer ouvir o que tenho para lhe dizer? Vai ser infantil o suficiente para sair daqui sem saber para que eu vim?.. ー Vitória tenta soar dura. E entao nota a filha titubear ーEu vim dizer que o Luís é o seu paiー A voz de Vitória soa alto e claro, Emília para no meio do caminho, mas não se viraー Isso mesmo que ouviu, minha filha, ele é o seu pai biológico.
Emilia não acredita no que ouve. Aos poucos, como ainda assimilando o que a mãe dissera, ela se vira, tao devagar que parece ter medo do que ia encarar. Ela vê Luís envolver Vitória com um dos braços, quase num abraço, como quem dá apoio. A única expressão perceptivel no rosto da Beraldini é a confusão nua e crua. Ela olha de um para o outro, como se esperasse que um deles desfizesse o mal entendido. Mas o silêncio é demais e a ficha cai junto com a sua bolsa vai ao chão. Imagens passam rápido em sua cabeça, flashes da história de Vitória pareciam ondas violentas e ela se sentia afogar num tsunami.
Um pouco tonta, é necessário se apoiar na parede para não cair. Seus pais dão um passo à frente como querendo ajudar, mas ela nega como quem nao precisa, num frio gesticular. Respirar ali está sendo difícil, ela necessita de ar.
Com dificuldade ela pega a bolsa caída no chão, e vira-se novamente para a porta
ー Desde quando você sabe? ー Ela evita olhá-lo para não desmoronar. A mão já está na maçaneta
ーEmília, por favor… Temos que conver.. ー
ー Há quanto tempo você sabe? ー Ela sobe o tom de voz ao interrompê-lo, como se a resposta fosse a única coisa que lhe interessava
ー Não tem nem 24 horas, minha filha ー
Emília assente e com o último olhar ressentido a mãe, como incluindo mais uma culpa já na cheia lista de Vitória, ela deixa o local.
Ela ainda ouve o grito da mãe que tenciona ir atrás dela. Vitoria é impedida por Luís que a ampara em seus braços
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