Encontro.
1 Encontro
Notas iniciais
No meio da Avenida Paulista, ao meio dia. Pessoas circulando em todas as direções. O sol, pelo o que a morena agradecia, não se fazia presente.
Aquele turbilhão de pessoas passando, conversando em seus celulares, alheias ao vizinho que caminhava tão apressado quanto ele mesmo.
As mulheres davam passos com cuidado, do alto de seus saltos de sete centímetros; os homens afrouxavam as gravatas enquanto os ternos já estavam casualmente jogados em seus ombros.
Os carros tentavam andar. Tentavam, pois como já tinha chovido de manhã a cidade se encontrava parada. Marginais travadas e seres humanos presos em seus automóveis com os vidros fechados, como se estivessem em jaulas. Entretanto, todos eram paulistanos, já estavam acostumados aquilo. Aquela avenida era um dos corações financeiros da cidade, do país.
As luzes da avenida, assim com os faróis dos carros, estavam acesas, esperando pela próxima precipitação e pedindo que ela não alagasse o cruzamento da avenida Rebouças com a Faria Lima. Ai sim seria o caos.
Misturados aos trabalhadores passavam as mais variadas pessoas, porque além de centro financeiro aquele era um dos centros culturais da região metropolitana. Era perda de tempo contar o número de pessoas que somente passavam por ali para admirá-la. Era bela, imponente, parecia ter vida própria pulsando em si.
Era isso que Kuchiki Rukia estava fazendo, admirando-a.
A blusa social branca, que com um botão aberto revelava pouco de seu colo, calça de cintura alta preta, o cinto por cima da blusa com detalhes de strass e as botas de couro negras de cano alto chamavam a atenção por onde passavam. Os olhos vagavam de um edifício ao outro, como os de uma criança em uma loja de brinquedos.
Coração conformado, entregue a paz.
Admirava a sua rua favorita e onde tinha a sorte de trabalhar, entregue a sensação de liberdade. Era assim desde que ele a tinha deixado. Não guardava rancores, só as coisas boas e como ele a fez viver a vida novamente.
Kurosaki Ichigo tinha passado por pouco tempo na sua vida, mas criou raízes que mudaram suas entranhas. A morena voltara a ver cores, flores e amores. Um arco-íris surgiu em meio a seu mundo tempestuoso, ora sol ora chuva.
Como ela diria, o seu eu lírico teria despertado.
Mas tão abruptamente como chegou, partiu. Ele é um espírito livre, que ainda não tinha amadurecido. Ficaram as marcas das implicâncias, que depois de segundos eram esquecidas. Das pequenas rugas que os divertiam. Do jeito cativante dele que a distraía.
Rukia não se arrependia de ter vivido aquilo. Fora bom enquanto durara, como Camões cantou em seus versos há alguns séculos atrás.
Todas as garotas precisam de historias de amor loucas, pelo menos uma vez.
Admirando o prédio da FES não percebeu de quem se aproximava.
O modo de andar, tranqüilo e ritmado. O olhar sereno, prestando atenção às pessoas a sua volta. A sua cara amarrada assustava, mas não a ela. Na realidade, aquilo era mais um dos seus atrativos. Um dos pontos do seu charme. A jaqueta desbotada trazia marcas que ele carregava consigo, a bandeira de Israel, os nomes de Led Zeppellin, Kiss, Iron... As mangas enroladas até os cotovelos mostravam apenas uma de suas tatuagens, marcas da vida que levava e fazia questão de carregar.
Franziu o cenho ao ver o olhar dela, às vezes ela era tão parecida como uma menina.
― Oi. ― Disse chegando sorrateiramente atrás dela. Sabia que aquela era a sua hora do almoço e que ela tinha o hábito de andar pela avenida parar matar o tempo. Tinha certeza de que ela estaria por ali. Sabia de seus hábitos, por mais que ela achasse que ele não prestava atenção enquando ela falava.
― Ichigo! ― respondeu surpresa. O sorriso brincava nos seus lábios, os olhos confusos. ― Tudo bem?
― Me cumprimenta direito. ― pediu com o sorriso nos lábios, tragando mais uma vez o cigarro. Sorriso canalha, que ela sabia que só pertencia a ele. Aquele que fazia as suas entranhas se retorcerem.
― Oi. ― beijou o rosto masculino, ou pelo menos tentou pois acabou dando um beijo no canto dos lábios do ruivo.
― Eu disse para me cumprimentar direito. ― repreendeu com paciência e jogando a bituca de cigarro longe.
Passou a mão pelo rosto dela, embaraçando os dedos nos fios negros, a olhando diretamente nos olhos. Aproximou o rosto do dela, os olhos ainda brincavam na face feminina.
― Canalha. ― ela sussurrou, com todo um fundo de verdade.
― Eu sei e você também sabe. ― respondeu bem próximo. Ainda mantendo o jogo, desfrutando do calor da pele alva.
― Vai me beijar?
― Sabia que era isso que você queria.
As orbes castanhas agora miravam os lábios rosados. As respirações se chocavam, aumentando a ansiedade de ambos.
Roçou os lábios nos dela, carícia suave e ao mesmo tempo provocante, sem tirar os olhos dos dela... As pequenas mãos dela serviram de apoio no peito masculino. Ele sorriu ao senti-las em si, o calor, a maciez....
Mordeu o lábio inferior feminino e passou a língua pelo superior, pedindo sensualmente para aprofundar o beijo. O estômago da morena deu saltos. Permição que foi concedida sem hesitação. Rukia não conseguira dizer não ao ruivo. Nunca.
Enquanto as línguas se entrelaçavam ela podia sentir o gosto do cigarro, Marlboro vermelho — o mais forte- , junto com o pircing na língua. Aquele gosto a fascinava. O que muitos podiam achar repulsivo, para ela era uma das características mais marcantes do ruivo. Aquilo sempre lembraria a ele.
Logo as línguas dançavam em um ritmo só deles. As mãos masculinas passaram para cintura, a arranhando de leve pelas costas. As dela se emaranharam nos cabelos masculinos, os puxando levemente. Ichigo colou o corpo da morena ao seu, como se não houvesse amanhã.
As pessoas presas dentro dos ônibus eram espectadoras. E assistiram quando o temporal começou a cair.
― Me deixa cuidar de você! ― o ruivo disse, depois de chacoalhar os cabelos, no breve instante que se separaram.
― Por quanto tempo? ― ela perguntou incerta. Era costume que eles aproveitassem as poucas horas e que as suas vidas se descolassem logo a seguir.
― Pelos anos que você me quiser. ― respondeu vendo o brilho chegar aos olhos dela.
Ele, ao alto de seus vinte e poucos anos, sossegaria. Por ela.
Omake.
― Por que você esta com essa barra de chocolate no bolso? ― Rukia perguntou ao ver ele depositar a barra junto com a carteira e o maço de cigarro em cima de sua mesa.
― Para te amolecer, caso você resolvesse me dizer não. ― Ichigo respondeu com um sorriso sacana, a colocando sentada na mesa e passando a beijar o pescoço alvo da morena, sabendo que era o seu ponto fraco. Não daria tempo dela iniciar uma nova discussão, tinham todo o tempo do mundo para isso nos próximos anos.
Notas finais
2-Eu AMO a Paulista, é uma pena que não tenha o dom de passar para vocês tudo o que ela provoca. Essa descrição não faz justiça a ela.
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