Notas iniciais
Ignorem os erros gramaticais, ainda vou melhorar nesta parte. Se gostou ou se acha que devo melhorar em algo, por favor deixe um comentário. Obrigada gente! Beijo.

A noite de sábado é sagrada para as pessoas do Rio de Janeiro. Era proibido ficar em casa se você tivesse menos de quarenta anos, mas mesmo assim, alguns ainda quebravam essa regra. Todas as baladas eram abertas até tarde do outro dia, os barzinhos duplicavam os garçons para conseguir dar conta da quantidade de pessoas que brotavam na cidade nos fins de semana, e a orla parecia que estava promovendo shows pela noite de tantas pessoas que passeavam nela. Nada se comparava aos sábados no Rio, ao olhar para o Cristo apenas se via algo super iluminado e pequeno ao alcance dos olhos. Os casais patinando nos calçadões, se beijando ou até fazendo juras de amor sentados na areia.
Olhar o mar de noite não é a coisa mais bonita de se ver, afinal, você vê simplesmente escuridão. Porém, ouvir suas ondas indo e vindo, como se fosse uma competição de quem conseguiria chegar até as areias da praia primeiro era maravilhoso, como se alguém derramasse um bausa-mo em quem as estivesse escutando a noite. Pela manha tudo era novidade, correria e diversão. Pessoas andando por todos os lados vendendo suas artes, donos de barraquinhas tentando fazer um freguês se acomodar nas cadeiras e ganhar seu dinheiro tão esforçado. Águas limpas e claras ao ponto de transparecer seus pés, mas não podia se ouvir a correria das ondas até a “linha de chegada”,porém era nostálgico. Quem não se lembra dos muitos baldes de areia enchidos para construir castelos? Ou quantos buracos cavados para chegar até a China? Ou fazer sua pequena praia particular com os amiguinhos sem maldade no coração? Certas lembranças não podem ser apagas como os castelos destruídos pelas águas salgadas da praia.
Para Lorena, uma noite de sábado nunca poderia ser desperdiçada. Sábado. Diversão. Boate. Eram palavras que não existiam com frequência em seu vocabulário,ela era uma das que quebrava a regra do sábado à noite, não se importando em ficar sentada numa mesa com os olhos vidrados em livros de medicina. Dotada de grandes cabelos loiros até a cintura e uma grande inteligência voltada para seu sonho,ser médica. Aos doze anos ela viu sua avó perder a visão por causa de um tumor nos olhos chamado,Linfoma Intraocular.

Mas hoje não era uma noite qualquer. Era o último fim de semana das férias antes dela começar seu terceiro ano, e talvez ela tenha se enganado achando que ficaria como em todo seu verão sentada lendo.

— Anda logo,vamos!
— Hã? – Lorena levantou o rosto do livro e viu sua cunhada entrando apressada no quarto com um vestido de paetê com gola aberta até a clavícula e um salto preto pequeno. – O que está acontecendo? – Lorena se levantou
— Meu Deus, por que diabos...-ela deu uma pausa olhando para a garota em pé — você não penteou o cabelo hoje ? – Lorena chegou perto dela para se olhar no espelho ao lado.
— Eu estava estudando.
— Você também não escovou os dentes, Lorena. – A garota colocou a mão no nariz o tapando. – Anda já para o banheiro e toma um banho.
— Mas eu não vou dormir agora- ela se segurou na porta enquanto a cunhada a empurrava.
— Não,não vai mesmo. Anda logo !

Lorena ficou por vinte minutos no banho enquanto a garota de vestido de paetê a esperava na cama impaciente.

— Dá pra ser ou está difícil, Lore?! – a porta se abriu e a menina loira com cabelos molhados saiu.
— Calma, que agonia. Pronto,tomei banho e ...? – A outra deu um enorme sorriso
— Ta preparada ? – ouve-se uma pausa – Meu primo está trabalhando como segurança na MELT – balançou as mãos freneticamente com o maior sorriso no rosto,que foi caindo quando via a expressão da amiga.
— Que bom,fico feliz que ele tenha arrumado um emprego.
Melt era uma das boates mais conceituadas do Rio de Janeiro,um dos pontos mais freqüentes dos artistas de TV,conseguir entrar nela era a mesma coisa que fazer chover no sertão.

— NÃO ! Eu não vou !
— Que isso Lorena,não seja chata!
— Mas eu sou chata !
— Então finge por um dia ser legal.
— Lyny,eu não vou,preciso estudar !
— Cara,você estudou suas férias todas. Você não foi acampar com sua família,não foi para a formatura do seu primo e nem viajou para Curitiba.
— Eu precisava estudar – Lorena se sentou na cama
— Você mal tomava água para não dar vontade de ir ao sanitário !
— Mas eu ia !
— Você fez seus pais comprarem um PENICO para você! Você está tão branca que se colocar um biquíni da mesma cor,vão achar que está pelada. Vamos Lore,só hoje.
— Eu nunca fui em uma boate.
— Para tudo se tem a primeira vez,vá se trocar – a Lyny a empurrou até o armário e se virou,porém voltou no mesmo instante – não,deixa eu procurar a roupa.

Uma blusa de seda com detalhes na alça de renda na parte do busto,uma saia estampada brilhosa,uma sandália entreaberta com várias divisões com corda e uma bolsinha de lado preta. Este foi a roupa que sua cunhada escolheu. Mudar a própria rotina as vezes pode trazer consequências desastrosas,principalmente para uma pessoa como Lorena que não é acostumada com as noites de sua cidade.

As duas chegaram em frente a boate. Podia-se ver o amontoado de pessoas em fileira na esperança de conseguir entrar na segunda melhor boate da cidade. A Melt era aparentemente simples por fora,um telhado rebaixado com listras pretas e brancas, seu nome,seu nome em destaque e um segurança do tamanho da porta. Lyny tomou a frente, chegou em frente do outro segurança e simplesmente sorriu, eles abriram passagem e elas adentraram no recinto. Assim que se entrava havia uma banda tocando alguns tipos diferentes de músicas no fundo da sala abaixo de uma escada,ao subir para outro andar havia música eletrônica tocada por todo o cômodo e pessoas amontoadas no centro e perto do bar.

— Vamos pegar uma bebida – Gritou Lyny por causa do ruído da música
— O que?
— No bar!
— O que você disse?! – a garota puxou a outra por entre as pessoas até onde queria chegar. – Cadê o Vitor?!
— ESTÁ VINDO! – A Lyny se virou para o barman – Um shot de tequila – o homem deu uma piscadela,pegou o pequeno copo e encheu até transbordar um pouco,a garota colocou um pouco de sal na mão e um limão em frente ao copo, o pegou e tomou em um único gole,lambeu o sal e chupou o limão. Lorena a ficou encarando sem reação. – Sua vez Lore! – a outra garota se virou para o homem com expressão de perdia.
— Tem café? – o homem a olhou com repugnação.
— Não.
— Guaraná? – o senhor balançou a cabeça em confirmação.
— Ela também vai querer um shot!
— Não! Não vou querer,quero um guaraná!
— Não quer não!
— QUERO!
— NÃO!
— Psiu! – chamou a atenção – Tem mais pessoas aqui além de vocês,sejam sensatas e decidam logo de uma vez que droga de bebida vão querer.
— UM SHOTE!

E não houve escapatória para o pedido da Lorena. Assim que a pequena bebida chegou, ela a tomou, lambeu o sal e chupou o limão rapidamente fazendo-a tossir sem discrição assim que todo o complemento atingiu sua garganta.

— Gostou hein – falou Lyny
— A culpa – pronunciou tossindo e sentando no banco – é sua.
— Mais dois!

Algumas horas depois, Lorena havia tomado quatro shots e Lyny, sete. Elas estavam no meio da pista de dança: uma mexia os braços descontroladamente enquanto sorria olhando para as luzes, e a outra simplesmente dançava. Um garoto puxou Lorena para dançar, o que não durou muito tempo, pois ela não conseguia parar de se mexer para os lados contrários do parceiro. Enrolou os braços no pescoço de Lyny e gritou sorrindo:

— Este é o melhor dia da minha vida, RELYNY!
—Xi! – a garota tapou sua boca – Ta bom que você ta meio bêbada,mas seja uma bêbada controlada que não sai contando seus segredos e os dos outros!
— Como na primeira vez que você foi lá em casa e melou a borda da piscina de sangue por que menstru... – a menina tapou outra vez a boca e a tirou da pista de dança.
— EXATAMENTE! Meu Deus...Francis... – chamou o barman
—FRAJOLA!! – Lorena se pendurou no balcão – OUTRO SHOT! – levantou o braço e caiu na gargalhada.
— NÃO! Uma água,Francis!Rápido.- Enquanto o homem corria para pegar a água mais próxima,Lorena subiu no balcão – Santo Deus! Lorena,desce daí!
— Estou na passarela! – o outro barman veio tentar pegá-la,mas ela saiu andando pela bancada,levantou os braços e girou,quando parou, se agachou e apoiou-se em um homem que conversava com uma senhora,ao fazer isso rapidamente levou o moço consigo ao cair. Levantou abruptamente batendo a cabeça no copo de um menino e molhando toda sua roupa.
— Droga! – o rapaz olhou para a camisa encharcada – olha o que você fez garota!
— Alexandre, o que... Eita que merda! – seu amigo Paulo chegou ao seu lado.
— Ai meu Deus – Lorena colocou as mãos na boca e logo após começou a rir,os dois meninos pararam e a olharam.
— Você está rindo? – Perguntou Alexandre
— Não – respondeu ela e continuou rindo.
— Por que está rindo? – perguntou Paulo
— Não sei. – ela começou a olhar fixamente para Alex e sua risada cessou,ele fazia o mesmo. Lorena se virou rapidamente e acabou esbarrando em um garçom cheio de bebidas,se molhou toda enquanto caia.
— Você está bem? – Alex se abaixou para ajudá-la,ela o olhou e levantou
—Sim. Obrigada,tchau.

Ela voltou até onde sua cunhada estava,ficou tomando água nas horas seguintes tentando tirar um pouco do álcool que tinha em seu organismo,neste meio tempo havia ido seis vezes ao sanitário. Lyny tentava ligar para o namorado para pedir para ele vir buscá-las,mas não estava conseguindo.

— Conseguiu? – Perguntou Lorena
— Ainda não! – o telefone tocou – É ele!Vou descer,aqui está muito barulho,fica aqui!
— Ok!
— Olha ela Francis – apontou para o garçom.

Relyny desceu as escadas o mais rápido que pôde deixando a cunhada sozinha no bar. Lorena não aguentava tomar mais água. Em sua primeira noite em que bebeu e saiu de verdade para se divertir teve que perder a cabeça e fazer loucuras daquele jeito. Se levantou ainda um pouco tonta e foi caminhando para o banheiro. Ao sair de tal lugar tropeçou e acabou se segurando na camisa de alguém que estava a sua frente,fazendo-a partir todos os botões na hora da queda. Alexandre e Lorena foram ao chão,ninguém parava de dançar.

— Você só pode ser maluca
— Meu Deus! Me desculpe! – Ela ajeitou o cabelo enquanto ele levantava, ela não saiu do lugar,continuou sentada como se houvesse sido derrotada. – Você não vai levantar?
— Mas aqui está tão bom. Eu preciso mesmo?
— PRECISA! – ele a puxou pelo braço e ergueu-a ,tirou o cabelo dela do rosto assim que ficou de pé. Ela parou e o olhou,e deu uma tapa na mão dele.
— Não me toque!
— Calma,eu não fiz nada.
— Sei muito bem o que você quer! – ela saiu andando cambaleando ainda um pouco bêbada. Ele foi atrás dela devagar.
— E o que eu quero? – perguntou sorrindo,ela se virou abruptamente e se aproximou do ouvido dele.
— Você quer – ela deu uma pequena pausa- minha cerejinha. – Ele não se aguentou ao ouvir aquilo e caiu na gargalhada. Ela colocou o dedo indicador nos lábios dele como um pedido de silêncio. – Xiu! Não é engraçado – os olhos dela não conseguiam parar de rodar.
— É um pouco sim. – o sorriso não saia de seu rosto – Mas saiba,que eu não quero sua cerejinha,por que apesar de estar bêbada é diferente das outras – ela conseguiu fitá-lo por alguns segundos – você é muito bonita.

Lorena era uma estatura mediana,corpo cinturado,longos cabelos loiros.

Ele abraçou lentamente a cintura dela e a aproximou de si,as mãos dela tocaram seu abdômen a mostra após o acidente com a roupa. – Se quiser que eu pare... é só avisar – ele foi aproximando seu rosto do dela lentamente com um meio sorriso,ela continuou parada do mesmo jeito,ele fechou os olhos,estava a centímetros da boca dela,e então...Ela arrotou. Ele afastou o rosto rapidamente e olhou incrédulo.
— Esse...- Ela soluçava- foi o aviso. – se afastou dele,porém o mesmo foi atrás dela.
— Espera! – segurou seu pulso,ela o encarou
— Me solta!
— Para aonde você vai? Espera
— Estou esperando alguém.
— Quem?
— ... Meu... Namorado.
— Há Há – ele riu ironicamente – Mesmo que você tenha acabado de arrotar no meu rosto a poucos segundos atrás,não é possível que você tenha namorado depois de toda aquele lance ali.
— Não teve lance nenhum! Sou comprometida!
— E onde está o felizardo? – Ela olhou em voltar do resinto e se voltou para o rapaz
— Entrando neste momento. – Ela foi em direção a porta que dava para a escada e abraçou um menino que acabara de entrar. – Por favor me abraça e me chama de amor,tem um menino atrás de mim que não larga do meu pé. – Seu irmão mesmo sem entender bem,a obedeceu,lhe deu um beijo na bochecha e lhe rodou um pouco – Roda não – falou baixo – quer que eu vomite no seu cabelo? – se soltaram e quando ela olhou para trás Alexandre já não estava mais ali. – Vamos embora, só quero deitar.
— Ah você vai deitar, seu caixão está prontinho para o seu sono da beleza – falou Vitor.