Encontrando o Amor
23 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
Quando cheguei em frente à oficina, Bernardo estava encostado na moto olhando para o celular com cara feia.
– E ai cara, conseguiu falar com o Gui? — pergunto já pegando as chaves me agachando e abrindo as fechaduras. Com a ajuda do Ben levanto as portas.
– Não. Ele não quis escutar. — Ben diz entrando, e percebo algo de estranho nele.
– Tenta de novo, o cara é gente boa mesmo. E a Kyara o adora e ...
– Cala a boca Rick. — Ben fala, e coloca o macacão e entra debaixo de um carro e não diz mais nada.
O resto da tarde passa voando, conseguimos deixar dois carros prontos e ainda chegou mais um para concerto e dois pra tintura.
Passei em casa bem rápido, tomei um banho, e por impulso resolvi levar minha mãe também para casa da Kyara.
– Meu filho, isso é falta de educação. — ela diz ajeitando a blusa enquanto estaciono.
– A Kyara te adora e a Maria não tinha como ficar com você. — eu explico, e já tinha mandado uma mensagem pra Baby e ela ficou mega feliz da minha mãe ir comigo.
– Eu poderia ficar em casa sozinha. Não sou uma invalida. — ela diz, e eu a ajudo sair do carro.
Assim que toco a campainha, Kyara abre a porta e eu quase fico babando ali. Ela está com um short e uma regata larguinha onde posso ver sua barriga.
– Luiza, que bom que você veio. — Kyara diz abraçando minha mãe e a puxando pra dentro. Elas entram e vão pra cozinha, enquanto eu tenho que fechar a porta.
– E ai cara? — Jonathan aparece descendo as escadas, e parando na minha frente.
– E ai. Sua irmã pegou minha mãe e me deixou aqui. — reclamo. Ele apenas rir.
– A Kyh é doida, você vai perceber com o tempo. — ele diz, e então se joga no sofá. — Senta ai, vamos jogar alguma coisa.
Enquanto as mulheres ficaram pra dentro, fiquei meia hora conversando e jogando vídeo game com John, que agora virou o maior jogador de futebol que enfrentei.
– Meninos, a comida ta pronta. — Kyara aparece chamando, e seu irmão logo vai pra cozinha.
– Nossa que recepção pro seu namorado, em. Nem veio me dá um beijo. — digo me levantando e fazendo uma careta.
– Eu queria dá atenção pra sua mãe. Não se preocupe, vem aqui. — ela diz e então se aproxima e fica nas pontas dos pés. E me dá um selinho, eu a seguro grudando nossos corpos e selando nossos lábios num beijo apaixonado.
– Casal, estamos esperando vocês. — John aparece nos interrompendo.
Chego na cozinha e Kyara me apresenta a mãe dela, que aperta minha mão e me dá um abraço e antes de me soltar, sussurra um obrigado e então descubro que Kyara contou a sua mãe o que aconteceu com Hugo.
Jantamos, conversamos e rimos, todos acabamos combinando bastante, Rose e minha mãe pareciam amigas de toda vida e ver o irmão da Baby irritando-a é bem engraçado.
– Mãe, eu posso mostrar a casa pro Rick? — Kyara se levanta depois da sobremesa.
– Claro que sim. — sua mãe respondeu.
– Ele já não veio aqui? — Jonathan diz, mais eu e Kyara já estamos na sala.
Subimos as escadas e entramos no seu quarto e ela se senta na cama que está no meio enquanto eu rodo seu quarto. Ele é todo branco, num canto tem uma prateleira lotada de livros e a mesinha em baixo com o notebook e alguns livros escolares.
– Minha namorada é uma leitora maníaca por organização. — digo, me sentando ao seu lado.
– Acertou em cheio. — ela diz sorrindo olhando para seus livros apaixonadamente.
– Acho que devo ter ciúmes desses livros se você os olha desse jeito. — falo e ela rir, e joga suas pernas em cima das minhas.
– Você não precisa ter ciúmes de nada. — ela fala e me dá um beijo na bochecha. — E sabe o motivo?
– Não sei, o que é? — pergunto e aproveito pra passar o nariz em seu pescoço.
– Por que meio que sem querer me fez gostar muito de você. — ela diz, e eu me afasto para poder olhar em seus olhos.
– Eu também gosto muito de você, Baby. — respondo, puxando seu pescoço para colar nossas bocas. O beijo é lento e romântico.
Ficamos ali no quarto mais um pouco e depois descemos e minha mãe e eu nos despedimos e fomos pra casa.
Uma semana depois ...
– Filho, não vou deixar você sair de casa assim. — minha mãe diz quando ver a roupa que estou indo pra conhecer o pai de Kyara. Na verdade, o jantar na casa dele seria sábado passado, mas ele teve que cancelar por causa de um jantar de negócios.
– Para mãe. Estou ótimo, eu não gosto de usar essas roupa de gomadinho. — reclamo.
– Não é roupa de gomadinho. É uma roupa decente, para alguém que vai conhecer o pai da namorada. E agora, pega aquela blusa que eu comprei pra você.
Fui lá e troquei de roupa, e estou realmente nervoso por conhecer o pai dela, a mãe dela foi super simpática comigo, mas pelo o que Kyara fala sobre o pai dela, e pouco que eu vi naquele dia da sala, não consigo imaginar ele indo com a minha cara.
Assim que minha mãe aprovou a roupa, sai de casa e fui pra casa do cara. Chegando lá, Kyara abriu a posta do apartamento pra mim, ela estava tão linda com um vestidinho branco curto.
– Oi. — dou um beijo nela. — Você está linda.
– Obrigado, você também não está nada mal. — ela diz sorrindo e me puxando pra dentro. — Olha se ele te irritar, é só ignorar.
– Ok. — eu respondo rápido, o pai dela está abraçado com Laura, que é a mãe do Ben e Carla.
– Então você é o famoso, Ricardo. — o Sr. Keller diz.
– Sou sim, prazer Sr. Keller. — digo apertando a sua mão.
Nos sentamos e conversamos, estava mais do que na evidente que ele não gostava de mim, mas Laura e Kyara era só elogios em minha direção. A mãe dos meus amigos, rasgou a ceda para falar sobre como eu cuidava da minha mãe e ao mesmo tempo estudava e trabalhava. Quando o pai dela perguntou o que eu fazia e lhe disse que trabalhava numa oficina mecânica, seu desgosto foi claro como agua. Quando estávamos todos jantando, o celular do dele tocou, ele pediu licença e saiu para atender. Kyara aproveitou e derramou vinho branco em seu copo de suco, já que seu pai não deixou tomar nada alcoolico. Eu dou um sorriso pra ela, e ela apenas levanta os ombros, quando o pai dela volta ele se senta e pega sua taça e diz:
– Era o pai do Hugo. Sabe aquele garoto tem um grande futuro pela frente. — ele dá uma pausa, Kyara está fazendo uma careta, e tenho certeza que minha cara também não está legal.
– Querido, acho melhor não ....
– Sabe ele e Kyara namoraram, Laura. — ele diz a interrompendo. Kyara aperta minha mão, mas não interrompe seu pai. — Eu ainda acho que eles vão ficar juntos um dia. É claro que ele exagerou um pouco, mas todo casal passa por isso.
– Pai, por favor. Eu e o Hugo não temos mais nada.
– Que indelicadeza a minha. Me desculpe Ricardo. Só estou sendo sincero, é mais do que claro que você e minha filha não durará muito tempo.
– Olha Sr, se Kyara não quiser mais nada comigo, eu não vou ser contra. Ninguém precisa me dizer que ela é demais pra mim, tenho a consciência disso. — eu digo já nervoso, me levanto da mesa. — Mais eu nunca deixaria o Hugo se aproximar dela de novo.
– Olha rapaz, você não tem educação, te trago em minha casa e você fica se fazendo de bom rapaz, mais eu conheço o seu tipo. Você é o tipo de rapaz que fica com uma garota atrás só de uma coisa, e tenho certeza que do jeito que minha filha é meio ingênua você já conseguiu.
– PAI. — Kyara dá um berro e se levanta também.
– Eu estou indo embora. Obrigado pela péssima recepção. — eu digo ironicamente, então me viro para Laura. — E tia você merece algo bem melhor.
E vou em direção a porta, mais paro quando Kyara pede pra espera-la.
– Você sempre vai ser assim, né. Quando a gente está bem, você tem que magoar alguém que eu amo. — ela grita para o pai e mesmo surpreso pela palavra com A que saiu de sua boca, ela me dá a mão e saímos juntos.
Quando estou com o carro estacionado em frente à sua casa, Kyara que veio o caminho todo em silencio, se vira pra mim.
– Desculpa. Nossa nunca quis tanto me enterrar viva. — ela diz.
– Não precisa se desculpar. — eu respondo, ainda sem olhar pra ela.
– E sobre o que você disse, que não me merece e que sou demais pra você.
– Só disse a verdade. — eu a interrompo, ela então se levanta no banco e passa para meu colo, fazendo com que fiquemos cara a cara um com outro.
– Olha não quero você dizendo isso nunca mais. Acho que vou passar vergonha nesse minuto, mas acho que você precisa saber. — ela diz, e então coloca as duas mãos no meu rosto. — Eu estou completamente apaixonada por você, Ricardo Becker.
As palavras parecem ficar no ar enquanto nos encaramos, vejo seu rosto ficando cada vez mais vermelho e então ela abaixa a cabeça. Com um dedo levanto seu rosto e a faço me encarar.
– Eu também estou apaixonado por você. — respondo.
– Não precisa dizer isso só por que eu disse, não me importo mesmo. — ela fala.
– Não estou dizendo isso, só por que você disse primeiro. — digo e então coloco seu cabelo que está no rosto atrás de sua orelha. — Eu realmente estou caído de quatro por você, Kyara Keller.
Ela sorri lentamente, e me beija. E ali com ela, uma parte de mim acreditou que conseguiríamos ficar juntos sem que nada nos atrapalhasse.
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