Encontrando o Amor
3 Capítulo Três
Notas iniciais
Droga. Não paro de pensar nele, o modo como ele falou comigo, ninguém do colégio fala do jeito que ele comigo. E ele é tão bonito e diferente.
– Kyara, você pode prestar atenção na aula, por favor? — a Luciana chama minha atenção, na verdade ela é a única professora que eu gosto realmente, lhe dou um sorriso sem graça, e ergo minha cabeça. — Como eu estava falando, esse bimestre teremos um grande trabalho. Vocês se dividirão em duplas. — todos já começaram a dizer com quem iria fazer, e eu já sabia que Sam seria minha parceira neste trabalho. — Ops, eu disse que vocês que escolheriam, me enganei. Eu que escolherei as duplas. Mas continuando, serão assuntos sobre literatura, e vocês terão que apresentar esse assunto pra mim e para turma.
Ela continuou explicando sobre como ia ser, e então ela me jogou a maior bomba.
– Kyara você irá fazer com o Ricardo. — ela diz, tranquilamente, me dando o saquinho para pegar o assunto.
– O QUE? — dou um berro, eu não acredito a professora nos juntou, ela sabe que nós não nos misturamos, e outra eu não vou aguentar fazer trabalho para ele.
– Por favor, professora, não me deixe fazer trabalho com essa garota. — Rick implora para professora, meus olhos vão em direção para o fundo da sala e ele está mais emburrado do que eu.
– Como assim “essa garota”? — eu pergunto, ele apenas balança os ombros.
– Não vou trocar nada e nem ninguém. – a professora decreta. Então ela se vira pra mim, e diz. — Agora, por favor, um dos dois pode tirar o assunto?
Eu pego o papel e vejo que iremos discutir sobre Parnasianismo, eu digo a Rick, mas ele me ignora. Eu fecho a cara e me sento. Sam irá fazer o trabalho com o Guilherme, um amor de garoto.
Quando acabou a aula, eu e Sam nos despedimos e quando estou indo pro meu carro, vejo Rick e sua trupe e vou até eles.
– Eu vou começar a fazer o trabalho, e nem pense que você ficará a toa, você também terá que fazer as coisas. — eu já chego falando. Carla me encara feio, assim como Ben, mais os ignoro.
– Eu não gosto que fazem as coisas por mim, então pode ter certeza que irei participar de cada detalhe deste trabalho. — ele fala, e eu o olho surpresa. — E agora dá licença, que tenho que trabalhar coisa que você nem deve saber né.
Eu o ignoro e nem me incomodo em dizer que também trabalho, e vou pro meu quarto. Assim que entro mando uma mensagem para minha mãe:
“Vou direto para a biblioteca, não irei em casa almoçar. Bjs, t’ amo”.
Ligo o carro e vou para meu serviço que tanto amo. Comecei esse ano a fazer tipo um estágio na biblioteca da cidade e eu simplesmente amo esse emprego, na minha casa sou a única que ama ler, sempre gostei desde pequena, adoro entrar num mundo desconhecido, e amo explorar esse lugar, o cheiro dos livros antigos misturados com os novos, meio que me deixa feliz e leve. Chegando lá logo coloco meu uniforme de lá, cumprimento dona Rosa e me sento na mesa aonde pego os livros tirados e os que serão levados. Hoje ao invés de ler um livro qualquer, pego alguns livros de literatura e começo a pesquisar sobre o tema do trabalho, anoto algumas coisas importantes, e tiro Xerox de alguns. Como o andamento estava bem fraco, aproveitei pra fazer meus deveres também.
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Assim que chego em casa, vejo meu pai está jogando X-Box com meu irmão, passo direto sem cumprimentá-los, e vou para cozinha.
– Oi mãe. Como foi seu dia? — minha mãe está sentada na mesa, fazendo contas, vou até ela lhe dou um beijo.
– Foi bom. Como foi o trabalho? — ela pergunta.
– Ah! Você sabe aquela animação de sempre. – respondo rindo, e ela me olha feio. – Foi ótimo mãe, eu fiz meus deveres e ainda adiantei um trabalho. Hoje não foi muita gente lá.
Vou para meu quarto, e coloco o fone no celular e me jogo na cama e fico escutando música e escrevendo alguma coisa. Meu celular apita e eu vejo que é a minha amiga.
Hugo está chamando todo mundo para casa dele, os pais saíram e ele quer fazer uma social = festinha com bebida e, por favor, usa a blusa que eu te dei, e ai vai vir?
Nem rola, festinha na segunda? Minha mãe não vai deixar nunca.
Além da minha mãe, a blusa que ela me deu é um pedaço de pano e eu não vou nessa social nem a pau, na verdade eu nunca vou nessas festas, pois sempre acontece algo quando vou.
Quando estou descendo as escadas, escuto meus pais discutindo, dou de cara com o Johnatan.
– Papai vai jantar fora de novo. — ele me conta, minha vontade é de dar uns socos na cara do cara que acha que é meu pai.
– Por que ela não o larga, John? — pergunto com vontade de chorar.
– Não é dá nossa conta, maninha. Os problemas são deles, e não nossos. — ele diz isso, e entra pro quarto.
Entro no meu também, pensando bem acho que vou a essa festa, odeio ficar em casa vendo minha mãe chorar depois de mais uma briga.
Pego minha roupa, e me arrumo, passo uma maquiagem de leve, pego meu celular, minha chaves e saio do quarto. Quando estou na porta para sair, meu pai diz.
– Aonde você pensa que vai com essa roupa?
– Numa festa. Agora deixa eu te perguntar, desde quando isso importa para você?
– Não vou deixar você sair de casa desse jeito. Está muito vulgar. E hoje não é dia de ir em festas. — ele diz, me olhando com desdém.
– Falou o rei do vulgar, você sabe bem o que é vulgar, e será que as putas que você sai também sabem? — pergunto, fuzilando ele com os olhos, quando percebo minha mãe e John apontar na escada, minha mãe com o olhar triste, e John com olhar de repreensão. Abro a porta, e vou para o carro. Eu odeio minha vida!
Passo na casa da Sam que está toda produzida, nem conto o que aconteceu porque senão vai estragar a noite.
– Cadê o Matheus? — pergunto pra ela do namorado, na esperança que não irei segurar vela pra eles hoje.
– Vai me encontrar lá. Uaaau! Você está muito gostosa pra quem nem queria sair. Sua mãe deixou você ir?
– Nem perguntei, me arrumei e sai. – digo, e vejo meu celular vibrar e sei que minha mãe vai está uma fera comigo.
– Então isso quer dizer que vai dormir lá em casa? – Sam pergunta olhando pro meu celular vibrando.
– Sim, é isso mesmo. – eu digo, e então dou um sorrisinho. — E espero beber até esquecer a vida que eu tenho.
Quando chegamos à casa do Hugo, está tocando um eletrônico alto, quando entramos as pessoas estão me encarando e eu já sei o motivo, pois é muito difícil eu vir a estas festas, mais ignoro cada um. Sam me puxa para pista, nós dançamos até Matheus aparecer, peço pra ela me mandar uma mensagem quando for embora, e vou para a cozinha, acho uma garrafa de vodca, a pego e vou para os fundos da casa, lá está vazio, tem uma piscina enorme, me sento na beira da piscina, deixando meus sapatos ao meu lado, abro a garrafa, e dou um longo gole, a bebida desce queimando minha garganta, mais quando chega ao estomago é como se alguém me esquentasse. Nunca fui chegada a beber, e sempre fui fraca pra bebida, mas hoje eu só quero esquecer que tenho essa família louca e destrambelhada.
Eu sempre falo que está sozinha é bom e tudo, mas é nessas horas que percebo que minha vida é uma fraude. Essa imagem que eu faço pra todos, dessa garota intocável e quase perfeita e sem problemas, eu estou muito cheia dela, e não aguento mais. Eu continuo bebendo, até acabar a garrafa, eu já sinto aquela tontura gostosa, e paro de ficar deprimida, e quando eu me sinto afundando, e indo mais fundo. Só escuto muito longe “Kyara?”.
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