Encontrando o Amor

27 Capítulo Vinte e Sete


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar, mas houve alguns imprevistos. Só que agora ta tudo certo .. Bjs.

Eu sinto um vazio tão grande, parece que perdi minha própria mãe, e para piorar sinto que cada vez mais Rick está se afastando de mim. Eu até compreendo que ele perdeu a mãe, e sei que está mal e triste e o pior de tudo, tenho certeza que ele está se culpando pelo o que aconteceu.

Quando o médico apareceu e disse que a Luiza faleceu, eu vi que tinha perdido pelo menos uma parte de Rick, ele que sempre foi tão fiel a mãe, sempre era ela em primeiro lugar, e essa qualidade dele é a que eu mais admiro, esse amor incondicional, e quando olhei pra ele, e ele não me abraçou ou me olhou nos olhos percebi que algo estava mais do que estranho entre as gente. Assumi o funeral de Luiza, apesar de Rick querer me afastar, eu também a amava, ela era uma amiga pra mim, sempre me dando conselhos pra lidar com Ricardo, me dando conselhos sobre meu relacionamento com meu pai, ela fez parte da minha vida, e eu a considerava uma segunda mãe. Segui o médico até a sua sala e conversamos. Logo depois da saída do óbito, fui a uma funerária e encomendei o caixão, logo depois fui ao cemitério da cidade, resolvi tuda parte burocrática.

E foi só quando cheguei em casa que me permiti sofrer, e chorar toda a raiva que estava dentro de mim. Liguei pra Sam e a chamei pra vi a minha casa. Quando ela chegou foi direto pro meu quarto, e me viu aos pedaços.

– Amiga, o que aconteceu contigo? — ela me perguntou se deitando comigo na cama.

– A mãe do Rick faleceu. E eu estou realmente mal por isso, mas acho que a gente também terminou. — eu digo com a voz chorosa.

– Ai meu Deus, tadinho dele. Só não entendo por que terminaram?

– Acho que ele se sente culpado, pois não estava com ela, na verdade estava fazendo sexo comigo.

– Porra. — ela se ajoelha na cama, e começa a gritar. — E quando você iria me contar que não é mais virgem?

– Eu ia te contar hoje, mas acho que não é tão importante agora. — eu digo, já me arrependo de ter contado, ela vai querer todos os detalhes.

– Mais já que estou aqui, conte-me tudo e não me esconda nada. Quero todos os detalhes, até os sórdidos.

E depois dessa manhã conturbada, consigo dar um sorriso, graças a minha melhor amiga safada. Então contei tudo a ela, como foi fofo e dolorido ao mesmo tempo, como o Rick foi carinhoso e atencioso comigo, conto que a gente fez três vezes, até dentro da banheira, e falo o que mais gostei de tudo isso, quando Rick disse que me amava também, e digo que na hora soube que eu sempre seria dele, mesmo estando juntos ou não. E eu acho que pra me distrair da melancolia, ela começou contar história sobre suas relações sexuais, então consegui passar uma tarde abrindo alguns sorrisos, e sinceramente estar com uma amiga me ajudou bastante. Ela teve que ir pra casa e eu apenas fiquei esperando, minha mãe ainda não chegou de viagem e John não está em casa. Tomei um banho, e coloquei uma roupinha, pois estava muito quente. Como sempre estava sozinha em casa. Estourei pipoca pra mim, e a enchi de leite condensado, e fui pra sala, peguei meu edredom e me deitei quando ia ligar a TV, escuto a campainha. Quando abri a porta, dou de cara com Rick.

– Ei. — eu digo sem saber o que falar.

– Posso entrar?

– Claro, estava pra ver um filme.

Nós entramos e ele não fala nada, então também fico quieta, me sento no sofá e ele se sentou também, ofereci pipoca a ele, mais ele não quis.

– Queria agradecer por você ter resolvido tudo. — ele diz, ainda sem me olhar nos olhos.

– Eu fiz porque sabia que você não ia ter cabeça pra isso.

– Porque você foi embora do hospital? — ele levanta a cabeça me olhando.

– Você não precisava de mim, o Ben e a Carla, estavam lá.

– Eu sempre vou precisar de você. — ele se levantou e se sentou ao meu lado, colocou a mão atrás do meu pescoço e me puxou pra ele, nossas bocas estavam apenas encostadas uma na outra.

– Eu te amo, Kyara. — ele sussurrou antes de me beijar. Foi o tipo de beijo calmo e devagar, quando sua língua invadiu minha boca, automaticamente gemi, passei para seu colo, e devolvi o beijo. Ele cortou o beijo e olhou dentro dos meus olhos.

– Eu também te amo, Rick. — eu digo, tentando tirar essa impressão de que ele está se despedindo.

– Eu sei, e é exatamente por isso que eu tenho que pedir. — ele dá uma pausa, e antes dele dizer as palavras eu sei o que ele pretende.

– Shiiiu! — eu coloco meu dedo em sua boca, quando ele vai dizer o que eu não queria ouvir. — Eu sei o que você vai falar, e eu compreendo. E leve o tempo que der.

– Você me conhece tão bem. Igual à ela. — ele diz, e eu sei que ele se refere a mãe. Eu o puxo pra mais um beijo, e tento demonstrar tudo que estou disposta a fazer por ele, pra que ele pare de se culpar ou sofrer.

– Eu tenho que ir. — eu saio do seu colo assim que ele diz. Ele se levanta e vai indo pra porta, mais antes de sair ele se vira e diz: — Você pode ir ao enterro comigo depois de amanhã? Vou entender se não qui....

– Logico que eu vou. — ele assente com a cabeça, e quando ele está saindo eu digo. — Rick, eu sei que é difícil. Mas vai passar e eu quero que você se lembre que tem a mim, não se esqueça disso.

E assim ele sai da minha casa, me deito de novo, assisto o filme e como pipoca. Quando acaba subo pro meu quarto e me preparo pra dormir, e prometo a mim mesma, que terei paciência, e calma pra lidar com Rick.

Acordo com meu celular despertando, me levanto muito desanimada e pior triste ao me lembrar da manhã e noite passada.

Vou direto para o banheiro, e tomo banho e logo pego minhas coisas e quando estou descendo pra tomar café, ouço meu celular apitar.

Rick: Não vai dá pra ir te buscar, tem problema em ir no seu carro.

Leio a mensagem duas vezes, e evito chorar. Desde de quando começamos a namorar, ele me buscava todos os dias para irmos juntos a escola. E agora ele não quer mais isso.

Kyara: Claro, sem problemas. Você vai na aula?

Rick: Vou sim, se ficar em casa vou enlouquecer.

Quando chego na cozinha encontro minha mãe sentada tomando café.

– Bom dia, filha. — ela diz ao me ver. — O que aconteceu?

– Acho que hoje o dia não vai ser tão bom assim. — digo abrindo a geladeira, e colocando um pouco de suco no copo. — Você chegou que horas?

– De madrugada, você já estava dormindo. Por que o dia não será tão bom?

– A mãe do Rick faleceu ontem, e a gente está dando um tempo. — disse eu, terminando o suco.

– Nossa, meu Deus o que houve com Luiza?

– Ela teve um derrame, e quando iam fazer a cirurgia ela não aguentou. Ai mãe, o Rick está tão mal, e o pior é que ele não me deixa conforta-lo.

– Dê um tempo a ele. Eu vi vocês juntos, vocês superaram a rixa que seu pai tinha com Rick, encaram Hugo e Patrícia quando eles fizeram gracinhas. Só fique do lado dele, que uma hora ele vai perceber que realmente precisa de você. — minha mãe me diz, e me puxa pra um abraço. E eu agradeço a Deus por ela, é difícil termos momentos de mãe e filha, e é bom escutar conselhos dela.

Despeço-me dela, pego minhas chaves e minha mochila e vou pro carro. Assim que chego no colégio, lembro que tenho prova de matemática.

– Porque não veio com Rick hoje? — Gui me pergunta.

– O imbecil, pediu um tempo pra ela. — Sam responde fazendo careta.

– Não o chame assim. — eu repreendo ela, e me viro pro Gui. — A gente deu um tempo, ele precisa de espaço.

– Eu entendo, quando perdi meu pai, não queria falar com ninguém, lembram? — Gui disse, e concordamos, ele não olhava nem na nossa cara. Apenas ficava num canto, e nos ignorava.

Continuamos estudando e conversando até bater o sinal, fomos pra sala, depois de uns minutos a sala já estava cheia. Quando Rick entrou, ele veio pro seu lugar atrás de mim.

– Bom dia. — ele disse educadamente.

– Bom dia, Rick. — respondo.

Vejo Ben e Carla nos olharem e logo Ben senta ao lado de Gui, e eles logo começam a conversar. Depois de alguns meses, Ben e Gui começaram a ficar juntos demais logo depois de Guilherme perder o pai. Todos nós sabemos que algo está rolando, mas fingimos que não sabemos.

Quando tocou o sinal na hora do intervalo, fomos direto para o refeitório e como sempre nos sentamos na mesma mesa, e o silencio foi absoluto, todos que entravam no refeitório davam uma olhada em nossa mesa, mas conseguimos passar sem nenhum comentário. As duas últimas aulas eram de educação física, e infelizmente dividiríamos a quadra com a turma da Patrícia e do Hugo. E toda vez que isso acontece, eles arrumam um jeito de tirar eu ou Rick do sério, e sinceramente espero que hoje seja eu. Apenas eu.