Encontrando o Amor

31 Capítulo Trinta e Um


Meu celular despertou, foi quando lembrei que era quarta-feira e tinha aula, olhei ao redor da cama, e nem sinal do Rick.

– Acordou, até que fim. — Rick disse entrando no quarto apenas com a toalha ao redor do quadril, eu sempre viajo no seu corpo. — Vai levanta e toma seu banho, senão vamos chegar atrasados.

– Eu não tenho roupa, e outra não vai dá tempo para ir à minha casa. Acho que não vou. — eu digo, já pensando em ficar em casa e dormir mais.

– Nem pensar, baby. Liga para Sam ou Carla para levar roupa pra você.

– Liga você, já que estou sendo obrigada a ir à aula. Vou tomar banho.

Levanto-me de mau humor, e vou para o banheiro tomar banho, aproveito e lavo a cabeça e fico enrolando, depois de uns 20 minutos, Rick está esmurrando a porta.

– Se eu entrar ai, a gente com certeza não vai para escola, então pelo amor de Deus sai logo. — ele diz.

– Então entra, eu não quero ir. — eu grito de volta rindo. Mais já desliguei o chuveiro, e comecei a me enxugar então me enrolei na toalha e sai.

– Satisfeito? — digo passando direto pro quarto. Pego uma cueca boxe do Rick e a visto, a roupa de ontem também, quando estou pronta, nós comemos um misto-quente, e depois nós saímos. Voltamos à normalidade, ele me levando para escola, como sempre foi.

– E minha mochila? — eu digo, quando estou entrando no carro.

– Carla já passou na sua casa e pegou. — ele responde dando a partida.

– Não queria ir à aula hoje. — eu resmungo, colocando meus pés em cima do banco.

– Baby, tira os pés daí. — Rick pede, eu sempre faço isso para irritá-lo.

– Patrícia vai fazer reunião, sobre o baile todas representantes devem ir. Não tô a fim de aguentar ela.

– E por falar em baile, você está a fim de ir? — ele me perguntou, e como o conheço isso é um convite na cabeça dele, mas sempre soube que Rick não é homem de confetes.

– Se você estiver afim, eu vou. — respondo simplesmente, logico que eu quero muito ir.

– Conta outra, baby. Você está louca pra ir ao baile, e eu vou te levar. — ele ri.

– Nada haver. — eu digo, mas o sorriso enorme no meu rosto diz outra coisa.

Quando chegamos, Sam está me esperando com minha mochila e uma bolsa.

– Dormir na casa do namorado, e não levar roupa é burrice. — ela diz enquanto saio do carro. Ela me abraça. — Bom dia, trocou a calcinha pelo menos? — Sam cochicha rindo.

– Bom dia, não to com uma cueca do Rick. — eu respondo.

– O que? — Rick pergunta, ele está me olhando malicioso, o tarado está gostando de me imaginar com a sua cueca.

– Estou usando uma cueca sua, e pare de ser pervertido você não irá ver. — eu digo, dando um beijinho em sua bochecha. — Pelo menos agora.

– Vocês estão de boa agora. — Sam diz, quando estamos indo em direção ao banheiro.

– Sim, estamos.

– E vocês transaram ontem.

– Sam, fale baixo. — eu brigo com ela, já que estamos num corredor e ela quer ficar falando alto.

– Pare de dá uma de puritana, você é mais tarada do que eu, claro que o Rick tem esse efeito em você.

– Eu sei que é verdade, sou um pouco tarada. — nós duas caímos na gargalhada. Entramos no banheiro e enquanto visto a roupa, aproveito para contar a Sam a noite de ontem.

– Meu Deus, Rick tem uma irmãzinha? — ela pergunta, surpresa.

– Sim, e ela é a coisa mais linda. — eu digo, já que estou tão encantada com Lulu tanto quanto o Rick.

– E essa historia da mãe dele, ela continua a falar com o marido, que loucura.

– É eu sei, muita loucura. Mais quer saber dá maior? — eu pergunto, já vestida e saindo do box. — Ele não me suporta, dava pra ver. O jantar inteiro ele me mandava indiretas, e eu também não gosto dele, então estamos no mesmo patamar.

– Ixii, se eu ligar para opinião dos pais, nós nunca acharemos alguém para ficar. — Sam diz, já que os pais do namorado dela não vão muito com a cara dela.

Quando chegamos à sala, nossos amigos já estão lá, eu coloco minha mochila no meu lugar, e me sento no colo do Rick.

– E ai, vocês vão ao baile sábado? — Carla pergunta á mim e ao Rick.

– Vamos, o Rick me chamou hoje.

– Cadê as flores, e as paradas todas? — Ben brinca. — Não é assim que se convida as pessoas pra esse bailinho de merda?

– Ah! para, eu gosto do Rick assim. Ele sempre foi direto, nunca foi de confetes.

– Isso ai, baby. — ele concorda comigo.

– Pelo menos, Rick sabe o que se significa um relacionamento. — Gui diz, ele está olhando com cara feia para o Ben, mas então se levanta e sai da sala.

– Eu vou atrás dele. — eu me levanto e corro atrás dele. Ele está sentado na escada, com a cabeça entre as pernas, me sento ao seu lado.

– Ei, pode me explicar o que aconteceu lá dentro? — eu pergunto.

– Nada, eu só estou com a cabeça cheia.

– O que Ben fez ou disse para você? Estão brigados?

– O que Ben tem haver com isso? — ele tenta disfarçar.

– Guilherme, todos nós sabemos que você e o Ben estão juntos. — eu digo, e eu vejo a cara dele de surpresa.

– Você está falando serio?

– Sim, o jeito que vocês se olham, e um monte de coisa. Estava super na cara!

– Ai droga! Ele tem tanto medo, eu consigo segurar porque eu já sou assumido. Só que ele até ontem pegava as meninas, e agora é gay?

– Ei calma tudo vai se resolver, vocês brigaram? — eu pergunto, Gui está mal de verdade.

– Não eu só cansei, então disse que a gente deveria ir ao baile juntos, e ele pirou começou a gritar dizendo que não conseguiria, e eu me estressei também.

– Ei vocês dois, a professora não veio temos aula vaga. — Rick apareceu com a nossas mochilas. — Gui, eu vou bater um papo com Ben, já passou da hora de vocês se assumirem.

– Você é o melhor sabia. — eu digo, como uma namorada derretida, que é o que sou.

– Eu sei, baby. — Gui abre um sorriso e revira os olhos, ele sabe que meu namoro com Rick sempre foi assim, que nós dois somos super humildes. Rick se foi, e Car e Sam se juntaram a nós, e ficamos conversando, e combinando que de tarde iriamos escolher o vestido.

O resto da manhã passou tranquilamente, quando estava quase na hora de ir embora, me chamaram na turma, já que sou representante fui para reunião que Patrícia estava organizando. Já que não iria embora depois que acabasse a bendita reunião, Rick disse que iria à minha casa pegar meu carro e depois deixaria no colégio e me esperaria.

Quando entrei na sala, Patrícia estava falando e distribuindo palavras de amor, só que nunca, assim que me viu deu um sorriso cínico e veio em minha direção.

– Kyara que bom que resolveu se juntar a nós. — ela diz, me puxando pela mão. — Como estava dizendo para a galera da comissão do baile, eu escolhi você como a organizadora do baile, já que não poderei mais ser.

– O que? — eu me surpreendo. Ela só pode estar brincando, não pode ser serio.

– Foi que acabei de dizer. Você agora será responsável por todas as coisas do baile, claro que muitos te ajudarão só que você será a cabeça do negocio. Pois infelizmente não poderei mais. — percebo pelo tom de sua voz, que está muito satisfeita.

– Que historia é essa? Patrícia, eu não posso, tenho outras coisas para resolver, ficar como organizadora toma muito tempo, e eu não o tenho.

– Queridinha, minha mãe resolveu se mudar, e eu não poderei organizar o tão esperado baile dos formandos. — ela dá uma pausa dramática, com direito até a falsa lagrimas. — E como a diretora me mandou escolher outra pessoa para assumir o cargo. E como uma vingança... Quer dizer, com todo amor escolhi você. — ela dá um aperto na minha mão. — Gente, tchau para vocês, qualquer coisa que precisarem, pode contar com a Kyara.

Ela simplesmente se virou e saiu, ela ia embora mais não poderia ir sem repudiar em cima de mim, eu cuidando do baile? Enquanto tenho que resolver os assuntos das cartas do Rick, e tem as minhas, que eu já abri todas, e tenho que contar ao Rick e sei que ele não irá gostar, porque odeia que eu esconda algo dele.

– Kyara, as imagens dos formandos será passada no telão à direita ou no telão do palco? — perguntou uma garota que eu nunca tinha visto.

– Qual será a banda que se apresentará? — perguntou um garoto.

– O baile vai ter o mesmo tema, ou você gostaria de mudar? — perguntou uma garota com uma agendinha na mão.

Eu quase fiquei louca, mas aguentei e mandei todos ficarem quietos, e pedi que eles um de cada vez me dissessem os problemas, e graças a Deus consegui resolver muito dos problemas que Patrícia despejou em minha mão. Passei a tarde toda resolvendo coisas sobre o baile, que será neste sábado, e eu tinha apenas dois dias para deixar tudo perfeito, já que será o ultimo baile, deixei meu email para o caso de alguém precisasse.

– Galera, amanhã nos encontramos de novo, no mesmo horário. — eu grito para sala e todos saem. Pego minhas coisas, e vou lá para fora, Rick já está me esperando um bom tempo. Abro um sorriso, eu tenho o melhor namorado do mundo, enquanto caminho em direção ao carro, me lembro de que talvez quando Rick descobrir das cartas, ele não será um bom namorado, e então decido contar a ele hoje, mas como conto que escondi isso dele, e se acontecer o que eu mais temo. Como explicar que eu tenho medo, eu não esperava ver o que vi em suas cartas, e nem nas minhas, e se com essas cartas seria o final do namoro, e eu não quero/posso perde-lo.

Assim que entro no carro, eu quero contar a ele o que Patrícia aprontou dessa vez, mas quando o vejo sei que algo está errado. E então me lembro de que a chave do meu carro estava na minha bolsa, junto com as cartas das universidades dele, e elas estavam abertas.

– Que cara é essa, amor? — eu ainda consigo perguntar, com um fiozinho de esperança, que ele não tenha descoberto desse jeito.

– Quando você ia me contar? — ele diz, agora me encarando.

– Rick, calma me deixa explicar. — eu digo tentando reverter a situação.

– Como você pode? As cartas estavam lá abertas, você e minha mãe sabiam o tempo todo, e eu odeio que me escondem as coisas. Principalmente você. — ele grita comigo.

– Eu não queria encher sua cabeça com isso, sua mãe tinha acabado de falecer, você estava tendo que tirar as coisas dela da casa, seu pai apareceu, eu só queria... — eu não termino, ele está me olhando de um jeito, que a minha voz apenas se perde.

– Ok, eu até entendo. Mais você abriu, nem minha mãe fez isso, e você se achou no direito, e porque não me contou, porque escondeu?

– Porque eu não sabia o que fazer, você passou em todas, em todas elas. — eu digo, e eu mesma percebo que minha voz está ressentida.

– Eu sei, e eu sinceramente pensei que ficaria feliz por mim. Mais não, você ficou com inveja, e ao invés de engolir o orgulho ferido, você escondeu de mim.

– Desculpa, eu realmente fiquei feliz por você. — eu comecei a chorar, e odiava me sentir assim, fraca, vulnerável. — É que eu não consegui, eu não passei em três das cinco que me inscrevi, e ao mesmo tempo em que me sentia ressentida eu fiquei com medo de você escolher uma universidade onde eu não estaria.

– Você é inacreditável. Você não tinha esse direito. — ele grita de novo.

– Já chega, porque não fala o real motivo de está com tanta raiva, vai fala logo? — eu grito de volta, eu sempre soube do medo do Rick o de se comprometer, eu já sabia que ele tinha traumas, ele não sabia o que era constituir uma família, e eu sei que ele me ama, mas acho que ele não me ama o suficiente para querer algo mais do que duradouro, que é o que eu quero.

– O que você quer dizer? — ele pergunta, já abaixando a voz.

– Quer que eu fale? Então vou falar, você é tão covarde quanto o seu pai. — quando digo isso posso ver que o machuquei, mas não volto atrás, se eu comecei eu iria terminar, apesar de todas as consequências. — Você diz que me ama, mas sempre se prendeu na esperança de que eu iria embora para a universidade e você ficaria, voltaria a sua perfeita vida, que era cuidando da sua mãe, enquanto eu ia embora.

– Você está certa. — ele diz, — Não é normal, você me amar como diz que ama, da minha parte sempre foi desejo, sempre foi o quanto eu a achava gostosa e o quanto você me achava atraente. — quando ele diz isso, me sinto despedaçar, isso realmente machuca, eu quero saber o que aconteceu para que do nada nós quiséssemos infligir dor um no outro.

– Você sabe que não daríamos certo, você é sonhadora, acha que tudo vai dar certo, que tudo se resolve, que tudo é um lindo conto de fadas, e sempre sonhou com o príncipe encantado, o que eu nunca fui ou serei, e quer saber na realidade nada dar certo, você se fode o tempo todo. E quer ver uma realidade, uma que vai desestabilizar sua linda vida, você é muita boa, muito boa mesmo, mas não vale todo o esforço que tenho que fazer, o esforço de ser o cara que você sonha, pois no final do dia você é só mais uma. — assim que sinto suas palavras cravarem em meu peito, olho para ele horrorizada, eu sei que ele disse de boca para fora, mas machucou muito, então vejo o medo em seus olhos, e ele percebe o que acabou de dizer.

– Kyara, me des...

– Sai daqui. — eu rosnei baixo, o interrompendo.

– Baby, eu juro que não quis di...

– SAIA DAQUI. — eu grito, o empurrando, socando e chorando ao mesmo tempo, e quando ele sai eu pulo para o banco de motorista, o escuto me pedindo perdão, mas meus olhos estão embaçados pelas lagrimas, e apenas ligo o carro e arranco dali.

Vejo que uma chuva começa a cair, mas não me importo continuo acelerando, minha cabeça está a mil todo esse tempo eu realmente achava que iriamos dar certo, que teríamos um futuro, e o pior que o ele disse é a pura verdade, eu sempre fui uma sonhadora, eu percebia que a velocímetro aumenta mais e mais, e já não conseguia enxergar direito a pista, já que estava chorando, só estava com tanta raiva, e eu sei que ele pode ter dito aquelas coisas da boca para fora, mas me machucou e doeu muito, e eu estava com a ferida aberta, dessa vez nós dois fomos longe demais, não terá volta, apesar de que eu o amo de corpo e alma.

Quando ultrapasso o carro que está na minha frente, percebo a burrada que fiz só que é tarde demais, meu carro vai com tudo em um caminhão, consigo desviar mais a pista está escorregadia pela chuva, meu carro derrapa e vira, no canto da pista, sinto minha cabeça bater forte e depois sinto algo viscoso empapando meu rosto, vejo algumas luzes e vozes, e com um suspiro sinto minha vida se esvair.