Encontrando o Amor
11 Capítulo Onze
Notas iniciais
Vejo o sorriso do Rick quando lê minha resposta, e automaticamente sorrio também.
– Carla está te matando com os olhos. — Sam diz, apontando com a cabeça para Carla que está me olhando com raiva. Eu paro de sorrir na hora, e fico séria.
O fim da aula chegou, e fui direto para o vestiário, eu estou rindo das palhaçadas de Sam quando minhas costas batem contra o armário.
– Olha só vou repetir uma vez, fique longe do Ricardo. — Carla fala, enquanto me afunda mais contra o armário.
– Pare com isso, sua louca. — Sam a puxa, e eu me sinto aliviada já que estava machucando minhas costas prensada no cadeado do armário.
– Olhe Carla, Rick e eu somos apenas colegas de trabalho, e nos damos bem. Apenas isso. — eu digo, e ela bufa e aponta o dedo pra mim.
– É melhor que seja assim, pois senão... — ela dá uma pausa proposital, e sai de perto.
– Meu Deus, alguém precisa internar essa garota! — Sam exclama. — Ela é louca.
– Eu acabo de perceber isso. — eu desabafo.
Nós trocamos de roupa, e fomos correndo pra sala já que era aula de Química e o professor odeia atrasos.
•••
Ao final da aula fomos para o refeitório, estamos na fila conversando e o assunto é Bernardo Halle, o Ben melhor amigo do Rick.
– Sério, já é a terceira vez que o vejo me encarando hoje. — Gui diz.
– Quem sabe ele não está interessado em você? — Sam fala.
– Verdade Gui, Ben é um gato, apesar de que você teria a Carla como cunhada, isso seria um pesadelo. — eu brinco.
– Parem meninas, Ben é totalmente hétero, ele só perde para o Rick no quesito “pegar todas”.
Assim que ele cita Rick e sua fama, sinto uma fisgada no estomago. Não pode ser! Eu estou com ciúmes. Como assim eu estou com ciúmes do Rick?
– Verdade, mas tem muitos caras que são enrustidos. — Sam explica, enquanto tento entender a bagunça dentro de mim.
– Mas ele não é, eu sempre percebo essas coisas. — ele diz. — Mais mudando de assunto, Kyh você sabia que o Hugo da outra turma está afim de você?
– Serio? Ontem ele apareceu lá na biblioteca, e me chamou pra tomar sorvete, mas eu tinha que ir pra casa. — eu respondo, como eu não posso ficar com Rick, o Hugo seria uma ótima distração, ele é um.
– Ele está dizendo pra todos que vai te levar no cinema. — Sam falou.
– Se ele me chamar, eu vou. Eu acho ele muito bonzinho.
– Nossa, se eu gostasse de você e você me chamasse de “bonzinho”, eu não ia querer sair com você. – Guilherme diz e Sam concorda.
– Buh! — me assusto com Rick me cutucando.
– Oi. — eu respondo, enquanto Sam e Ray fingem não prestar atenção na nossa conversa.
– Quando vamos terminar o trabalho? É pra semana que vem.
– Não sei. Pode ser na sexta.
– Com licença? — Hugo com seu sorriso super fofo, interrompe minha conversa com Rick se colocando ao meu lado.
– Oi Hugo. — eu cumprimento com minha voz de flertar, já que eu não posso ter o Rick, e o Hugo está afim de mim, não tem motivos pra não aceitar.
– Queria saber se você está livre sexta à noite? — ele pergunta sorridente e todo vermelho.
– Claro. Sexta está bom pra mim. — eu respondo, abaixando o olhar.
– Kyara, sexta você não pode. O trabalho esqueceu? — Rick se mete na conversa, é impressão minha ou ele está com raiva?
– A gente faz amanhã, Rick. — eu digo, então me viro para o Hugo. — Você me busca que horas?
– Umas 19h que tal? Te busco em casa ou na biblioteca?
– Pode ser 19h30 na minha casa. — respondo, então ele se aproxima e me dá um beijo na bochecha e sai da fila.
– Não acredito que você vai sair com esse babaca. — Rick diz.
– Ele não é babaca. — eu defendo Hugo. — Na verdade, eu e ele temos muito em comum.
– Sem comentários, Kyara. — Rick bufa. — Então amanhã que horas?
– Você que sabe. — respondo com raiva.
– Ótimo, te mando uma mensagem. — ele fala, e vai embora.
E eu fico igual uma idiota olhando pra ele, que vai se sentar com Carla e Ben, na hora que estou me virando, vejo Carla passar para o colo dele, me viro rapidamente.
– Ele ficou morto de ciúmes de você. — Sam diz.
– Não parece, ele já está com a fiel dele. — digo apontando pra eles.
– Típica reação masculina. — Gui explica. — Ele quer que você fique com ciúmes.
– Perda de tempo a dele. — eu respondo, mesmo sabendo que é mentira.
Os dois bufam, mas mudam de assunto. O resto da manhã é normal.
•••
Quando estou fechando algumas coisas na biblioteca, meu celular apita.
“Desculpe por hoje, fui um idiota.
Estou te esperando aqui na frente da biblioteca.”
Termino tudo e ajudo a fechar tudo e logo saio de lá pra ver o Ricardo, que está encostado no meu carro.
– O que está fazendo aqui? — eu pergunto.
– Vim te pedir desculpas. — ele diz. – Me passa suas chaves, vou te levar num lugar.
Entrego meio receosa, e entro para o carro.
Quando já estamos andando de carro a um bom tempo, e ele não fala nada, começo a ficar curiosa pra saber para onde estou sendo levada.
– Pra onde você está me levando? — eu pergunto.
– Não quero estragar a surpresa. — ele diz.
Apenas bufo, e então coloco meus pés em cima do banco e abraço minhas pernas.
– Você poderia, por favor, tirar os pés do banco.- ele briga comigo.
– O carro é meu. – eu falo.
– Não quero saber, eu estou dirigindo. – ele manda.
– Ok, mandão. — eu brinco com ele.
Assim que vejo o lugar que ele me levou dou um sorriso, ele me levou para um lago? E já está escurecendo.
– Porque você está com esse sorrisinho na cara? — ele pergunta assim que abre a porta pra mim.
– De você. Você me trouxe nesse lago isolado, ta achando que vai conseguir alguma coisa? — eu digo.
– RáRá! Logico que não, é o meu jeito de pedir desculpas por hoje.
Ele pegou uma coberta no carro, e deixa o farol ligado e fomos mais pra frente, ele colocou a coberta no chão, e nos deitamos e ficamos em silencio.
– Sério, desculpa por hoje. Eu não tinha o direito de ficar com ciúmes. — ele fala.
– Eu também não tenho esse direito. — eu respondo. — Posso te fazer uma pergunta?
– Você acabou de fazer. Mais pode. — ele brinca.
– O que sua mãe tem? — eu pergunto, já que ele não me contou o que ela tinha, apenas que estava doente, e também pra mudar do assunto dos ciúmes.
– Leucemia crônica.
– Quando ela descobriu?
– Quando eu tinha sete anos. Foi difícil sabe, meu pai foi embora assim que soube da doença, então desde então eu assumi as responsabilidades.
– Por que os pais tem que ser assim? — eu reclamo, já que também tenho um pai que é ridículo. Então apoio meu braço e fico de lado pra ele. — Por que eles não podem apenas cumprir com o papel de pai?
Ele balança a cabeça concordando, ele parece hipnotizado em algo. Então percebo pra onde ele está olhando e solto uma gargalhada.
– Eu aqui toda sentimental, e você babando nos meus peitos. Ah! Vocês homens são tão previsíveis. — eu paro, e então resolvo tirar uma com a cara dele. Chego bem perto dele e digo:
– Você quer tocar? — ele balança a cabeça bem devagar, igual um pateta hipnotizado.
Eu olho pra ele e então me ajoelho e coloco as mãos na bainha da minha blusa, e preparo pra puxar a blusa. Então eu tiro a mão da blusa e começo a rir, eu o olho mais uma vez e continuo rindo.
– Eu não acredito que você caiu nessa? Você ta achando o que? Que eu saio por ai perguntando aos caras se eles querem me tocar?
Ele fica vermelho, e eu acho que é de raiva, já que ele parece está furioso.
– Ei, desculpa. Eu estava brincando, não precisa fechar a cara desse jeito. — eu me desculpo.
Do nada, eu estou em seu corpo, me assusto e tento me levantar, mais ele não deixa.
– Acho que você tem que parar de me provocar, porque não sei se você percebeu eu sou homem.
– Serio? Eu não sabia disso, nunca imaginaria você como homem. — eu debocho.
– Vou te mostra que sou muito homem. — ele sussurra e aproxima sua boca da minha, se inclina lentamente, dando tempo para mim me decidir se vou beijá-lo. E eu sei que vou beijá-lo. Oh, Deus, era tão bom, e de dar água na boca, o nosso beijo. Lento e sensual, mordisco seus lábios, e os saboreio. Sua língua saiu para lamber meu lábio inferior e eu apenas poderia responder. Meus dedos enfiaram-se mais firme no seu cabelo enquanto ele apertava minha cintura.
Por que os nossos beijos sempre são assim, sincronizados, intensos, perfeitos e excitantes?
Ele para de me beijar, e me olha, seus olhos me consomem, e me deixam tonta assim como seus beijos.
– Você vai ser a minha morte, baby. — ele fala.
– Baby? Se você me chamar assim mais uma vez, eu te estrangulo. — reclamo com um sorrisinho no rosto.
– Então a partir de agora, seu apelido é baby. — ele diz me beijando mais uma vez, dessa vez é mais rápido e urgente, minhas mãos vão para suas costas e começa a arranhar, e eu espero que isso fique marcado. Então ele aperta minha bunda fazendo pressão nele mesmo, e eu gemo em sua boca. Em um instante ele coloca a mão dentro da minha blusa, e começa acariciar minha barriga, quando está subindo mais um pouco, seu celular toca.
– Porra, droga de celular. — ele xinga, mas atende. — Cara, você tinha que me ligar agora mesmo?
Mordo meu lábio, e distribuo beijos em seu pescoço, ele sorri e fala sem som “Pare com isso”, eu apenas sorrio.
– Rick, hoje a noite ainda está de pé? — escuto Carla dizer pelo celular dele. — Porque comprei aquele chantili pra gente.
– Carla, você tá louca. — ele grita pro telefone, enquanto eu saio do seu colo.
Meus olhos ardem, mas não me permito a chorar, me levanto e vou andando para o carro. Eu sou tão idiota, tão burra. Quando vejo que ele está vindo, coloco o cinto, e olho para o lado oposto, ele entra no carro, e o liga, mas não fala nada.
– Então é assim que você divide seu tempo, estuda de manhã, dá uns catas numa qualquer e depois marca com a sua amiguinha Carla? — eu acabo dizendo, e minha voz demonstra raiva.
– Ei, lógico que não. Isso é implicância dela, eu e Carla não temos nada. E você não é uma qualquer.
– Ricardo, para de mentir. Droga, ta na cara que vocês têm algo, ela já me disse várias vezes. Eu que sou idiota mesmo.
– Ou para de paranoia, eu já disse que ela está apenas com ciúmes, então faz essas coisas, não é a primeira vez que ela apronta uma dessas.
– Claro que não é, deve ser difícil pra ela, gostar de um galinha igual a você. Eu estava achando que o que diziam de você era tudo mentira, mas agora tenho certeza absoluta que é a pura verdade, você é um galinha e um imaturo.
– É com certeza eu devo ser sim. Você quer saber, eu faço isso direto trago meninas, em um lugar que significa algo pra mim pra dá uns amassos nelas, e depois vou pra casa me encontrar com Carla, pra comer ela a noite toda. — ele diz amargo.
O resto do caminho, nenhum de nós falou, e eu acho melhor assim. Quando chegamos na sua casa, as lágrimas já tinham começado a descer, eu vou pro lado do motorista e antes de entrar me viro pra ele.
– Não fala mais comigo, nem na aula de português, por favor. Eu termino nosso trabalho, e te passo a sua parte.
Ele não diz nada, e eu entro no carro e vou dirigindo pra casa, e tento me concentrar na estrada ao invés do meu coração que parece estar em pedaços.
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