Encontrando o Amor

17 Capítulo Dezessete


Não acredito nisso. Que vergonha. Que mico. Quando resolvo tomar uma atitude em relação ao Rick, a mãe dele nos pega de agarração na cozinha, acho que nunca vou esquecer isso. Porra, ela me deixa ir pra casa dela, passo uma das melhores tardes da minha vida. Conversando com Luiza, e de quebra babando no Rick, eu até a ajudei a tomar banho, e sei que ela confia em mim. E como eu retribuo? Dando uns amassos em seu filho na cozinha, enquanto ela descansa. Eu sou foda, mesmo.

Assim que sai da casa deles (roxa de vergonha, claro), entrei no carro e fui pra casa. Chegando em casa, meu maninho estava jogado no sofá.

– Onde você estava, em mocinha? — ele pergunta, assim que bato a porta.

– Estava na casa de um amigo. — falo gemendo, me lembrando da vergonha que eu passei.

– Usou camisinha?

– Não, seu idiota. — digo dando um tapa em seu braço, enquanto ele rir.

– Você sabe que é perigoso, sexo sem camisinha não rola.

– Eu não fiz sexo, seu chato. — falo bufando.

– Então porque você está com essa cara de que comeu e não gostou? — ele diz escorregando pro meu lado ao chão. Com a cabeça entre as pernas contei tudo a ele, minha história toda com Rick. E sabem o que o insuportável do meu irmão fez, simplesmente riu de mim.

– Para de rir, David.

– Desculpa, mais ser flagrada pela a mãe do cara, é demais.

– Ha ha! Nossa estou morrendo de rir.

– Ta bom, desculpa. — ele diz se levantando. — Me dá seu celular pra mim ligar pra pizzaria. Mamãe vai se atrasar.

Jogo meu celular pra ele, subo as escadas correndo. Arrumo minha roupa para o colégio, meu material, porque eu sei que com certeza irei chegar atrasada. Tomo meu banho e coloco um pijama, e desço, quando estou na metade da escada, escuto meu irmão rindo e falando.

– Cara, ela está com muita vergonha. — ele para, e escuta, então ri de novo e continua. — Ela chegou aqui, toda sem graça, e gemendo. Você tinha que vê, Rick.

WHAT? Com quem meu irmão está conversando? Termino de descer a escada, e vejo meu irmão no sofá, com meu celular no ouvido.

– O que você pensa que está fazendo, Johnatan? — eu berro pra ele.

– Ih! A godizilla está gritando aqui, depois a gente conversa. Já gostei de ti, em cunhadinho. — dizendo isso ele desliga, e com a cara mais lavada que eu conheço ele me entrega o celular.

– Godizilla? Que história é essa de atender meu celular?

– Calma ai, maninha! Você estava no banho, e seu celular tocou, eu só atendi e pronto.

– Ok. O que ele queria?

– Não sei. Liga pra ele e pergunta. — ele se levanta e vai atender a porta. Ele pegou as duas pizzas, e levou-as pra cozinha. Peguei meus pedaços, e fui pro meu quarto, me sentei no chão, e pequei o celular dividida entre ligar pra Rick ou esperar ele me ligar. Resolvo eu mesma ligar.

Eu sei que comer e falar no celular com o cara que você está super ultra mega afim, não é uma coisa sexy, mais com a fome que eu estou, não ia ter como ser diferente.

– E ai godizilla? — ele atende desse jeito.

– Nossa que hilário! — respondo.

– Desculpa. Mais tenho que admitir, seu irmão é fechamento.

– É tudo que eu queria, meu irmão chato e o cara que eu estou... — eu paro no meio da frase, não vou ficar me jogando assim pra ele.

– Que você está? — ele pergunta, e consigo ouvir a ansiedade em sua voz.

– Nada não. Então porque me ligou?

– Queria saber se você estava bem? Sabe você saiu meio sem ar daqui de casa. — ele diz, e o desgraçado está debochando de mim.

– Estou ótima. Então é só isso, né. Boa noite então.

– O que a gente conversou hoje? Você precisa se acalmar. E na verdade eu só queria conversar contigo, mas se você estiver tão cansada, eu desligo. — eu dou um sorriso involuntário, droga, eu estou cada vez mais na dele.

– Ta bom. Mais o que quer conversar?

– Ah! Não sei, tipo o que foi que aconteceu na minha cozinha?

– Acho que a gente ficou, né.

– Então é isso. A gente só ficou?

– Logico que não. E você sabe disso, mais foi você que disse que seremos só amigos. E que tem namorada. — eu digo, enquanto ao mesmo tempo bebo um pouco de refrigerante.

– Eu repensei isso, principalmente ao me lembrar o quão bom foi te prensar no balcão da minha cozinha. — ele diz sussurrando, e na mesma hora me engasgo e acabo molhando o chão todo.

– Que merda, Rick. — eu grito por telefone.

– Que foi baby, você sabe que é verdade.

– Não seu idiota, eu derramei Coca no meu tapete. — digo me levantando, coloco o celular no viva voz, e o coloco na minha mesinha.

– Que culpa eu tenho que você ficou animadinha, só de eu ter falado sobre hoje. — ele diz rindo.

– Espera ai, vou lá em baixo pegar um pano. — eu grito, e corro pelo corredor, e acabo escorregando e caindo de bunda no chão. Por que tenho que ser tão desastrada, que droga. Me levanto, e desço as escadas devagar com medo de cair de novo, vou até ao quartinho debaixo da escada, pego um pano e subo as escadas.

Quando chego no quarto, o idiotinha está cantarolando no celular, tento não atrapalhar porque apesar de tudo, eu sinceramente amo a voz dele, cantando, gritando, falando.

– Voltei, agora pode voltar ao assunto.

– Pra você ver como eu te afeto. — ele diz rindo, eu que estou secando o tapete, apenas bufo. — Está bem, vou parar um pouco. Então eu estava pensando, e percebi que amigos a gente não vai conseguir ser. Por que além de eu saber que você não é garota pra rolinho, e o detalhe que não posso te tirar da minha cabeça. Só que eu acabei de terminar um namoro.

– Você e Patrícia terminaram? — pergunto já me sentindo leve e feliz.

– Sim, já tínhamos terminado na festa. Só que agora é o oficial. — ele diz e então faz uma pausa. — E tem outro motivo, o que aconteceu com você na festa pode ser o motivo que você está tão ansiosa para ter.

– Pode parando por ai, Ricardo. — eu já corto. — Eu não estou arrumando desculpas para ficar com você. O que aconteceu foi horrível, mas poderia ter sido pior se você não tivesse chegado. Não estou traumatizada, estou com ódio daquele babaca por querer tomar algo que não tinha oferecido a ele.

– Se você não quer conversar sobre isso, tudo bem. Mas acho que você deveria falar com sua mãe ou alguém. — ele aconselha.

– Pode deixar, senhor psicólogo. — respondo sorrindo e achando fofo ele todo preocupado. — Agora vamos continuar o que você estava falando?

– Está bem, eu estava dizendo que terminei o namoro agora e tenho certeza que você não quer que fiquem dizendo que você é uma fura olho, que rouba os namorados das outras, essas idiotices que só garotas fazem.

– Claro que não quero. Continua. — digo pegando celular numa mão, e coloco o pano no outro braço, pego o prato e saio do quarto.

– Então por enquanto, podemos ir ficando e....

– Claro, por que meu grande sonho é ficar em segredo com você. — digo com raiva, enquanto desço as escadas.

– Você nunca deixa eu terminar de falar. — ele diz bufando. — Vamos ver se você consegue entender: Eu quero namorar com você, sua imbecil.

– Nossa você é muito romântico.

– Olha você sabe que eu não sou o tipo de flores, caixas de bombons, e declarações. Se quiser ficar comigo, vai ter que me aceitar como sou, porque eu aceito que você é mimada, respondona, mandona e muito histérica. — eu quase tropeço quando escuto isso.

– Uau, melhor pedido de namoro de todos. — digo ironicamente.

– Você percebeu que você só reclama? Porra, Kyara se resolve e depois você me informa. Ok? — então ele desliga na minha cara, e eu fico chocada.

Levo as coisas para cozinha, pensando o quão difícil esse garoto é, e eu que sou a louca? Droga, eu na verdade tenho medo de entrar nessa depois do que aconteceu com Hugo, apesar de saber que Rick nunca levantaria um dedo pra mim, só se fosse o dedo do meio. Já que ele é todo assim. Pego o celular de novo e volto para o quarto, ele deixa que chame até o terceiro toque.

– Ta bom, eu sei que sou um pouquinho do que você disse. — eu digo assim que ele atende, e ignoro ele falando “um pouquinho?”. — E é logico que eu quero ficar com você, então sim, eu aceito esse pedido ridículo de namoro.

– Que bom, porque eu estava quase desistindo. Sabia que você é bem chatinha.

– Então estamos na mesma, porque você é um bruto, ignorante e muito mal educado.

– Fico emocionado com tantos elogios. — ele diz rindo, mas do nada fica sério e suspira. — Caralho, eu não consigo te tirar da cabeça, baby.

Dou uma risada gostosa, ele tem a sensibilidade de um troglodita.

– Eu já sabia, sou inesquecível. — falo rindo, enquanto ele bufa. — Estou brincando, você também não sai da minha cabeça.

– O papo está ótimo, mais tenho que dormir. Eu acordo mais cedo, pra ajeitar as coisas aqui em casa.

– Nossa, eu tenho o namorado mais prendado do mundo. — digo, adorando dizer namorado.

– Enquanto eu tenho a namorada mais preguiçosa do mundo. — ele diz, eu começo a rir. — Beijos, baby. Sonha comigo.

– Beijo, e não, não vou sonhar contigo. — dizendo isso, eu desligo. Coloco o celular na mesinha, pego o travesseiro e coloco no rosto, e grito de felicidade.

Vou ao banheiro, faço minha higiene e vou pra cama. E mesmo não querendo faço o que Rick pediu, tenho um sonho louco, em que ele me dá altos beijos.